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Notinha

Bem, você perceberam que fugi de casa e nem avisei. Foi praticamente uma fuga mesmo, mas se deixei de avisar não foi exatamente minha culpa.

Mas é só um pouquinho. Quinta ou sexta feira estarei em casa.

Bjos,

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Em São Paulo, primeiro leilão “vintage”

Ontem tive um experiência que é mais ou menos frequente no trabalho. Você vai lendo, revisando, e topa com uma citação. Autor que digita citação tem grande chance de fazê-lo errado, e é maior ainda a chance de você não ter como comparar com o original. Às vezes você encontra na internet, recorrendo até a digitalizações pirata – fazer o quê? E frequentemente recorre a uns malabarismos daqueles “trechos” muquiranas de livros do Google Books. Mas é reconfortante quando você encontra o original em imagem mesmo, e faz seu trabalho direitinho.

Agora, o ápice do prazer imensurável é quando você tem a oportunidade de comparar a citação com um original seu mesmo. É aquele hábito ultrapassado: você topa com a citação, lembra que tem o livro e vai, com suas perninhas e seus braços, pegar o bichinho na estante e achar a página. Às vezes é pá-buf, porque o autor usou a mesma edição que você tem. E às vezes é um desafio, porque a edição que ele usou é nova. Daí você recorre ao princípio de “douração da pílula editorial”: uma edição nova terá sempre mais páginas que um livro velhinho. O livro velhinho queria apenas passar seu recado. A edição nova tem de ter ilustrações, uma mancha mais arejada, etc. tudo para gastar mais papel e vender aquilo muito mais caro. Quando não em relação ao preço original, perdido no passado, muito mais caro do que aquele 1 real que você gastou para ter seu exemplarzinho amarelado numa banca de refugo de sebo.

Então é isso. Foi esse aí da foto. E até recomendo, pra quem conhece e pra quem não conhece a rua do Ouvidor, no Rio.  Fofocas de modistas, história e toda uma época de esplendor cultural, de moda, de ofícios sofisticados. Um Rio cujos resquícios eu ainda peguei mas que não existe mais. Agora é só funk, tráfico e um sotaque degenerado que dói na medula.

Mas tudo isso é pra falar do primeiro leilão vintage do país, a ocorrer em São Paulo em agosto. Iniciaiva da Childhood Brasil,  em que parte da renda irá para combater o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes (veja matéria no Valor Econômico).

A matéria diz que o gosto pelo vintage está apenas começando no país. Bem, isso parece um paradoxo: um país que explora seus rebentos e se interessa por coisas vintage? Não sei se combina. Mas o país é vasto, e acho que as duas vertentes acabam se acomodando muito bem no território.

Pra mim é no popular: gente que não se interessa pelo que passou não vai dar proteção ao que virá. O negócio é que que você pode adquirir AGORA, com um eficiente processo de se desfazer do que tinha ontem. Isso tudo é mentalidade, e você só começa com o hábito doentio de guardar coisas da família depois que adquire algum conhecimento sobre a) a família; b) sobre as coisas da família.

É por isso que muitos não sabem o nome dos avós, é por isso que muitos topam se desfazer do nome dos filhos.

Well, muito antes de importarem essa palavra afrescalhada – vintage – mamãe aqui guarda as tranqueiras de família. Desde o belle-epoquíssimo binóculo de vovô até o sem-graça medidor de picotes de selos dado a mim pelo tio que já se foi.

Por isso, aqui em casa, o estilo da decoração é coloquial tardio: coloca aqui, coloca ali, nada combinando com nada, mas com o mental no conforto.

Até dentinho de José – acabamos de extrair o segundo – ficará guardado com a avó, porque a mãe é uma quase nômade e de descabela com tanta coisa na hora de suas frequentes mudanças.

Não tem problema, deixa que a gente guarda. Inxcrusível os livros que tem e os que ainda não tem.

Coisinhas a granel

Esse é o típico post que receberá, por longos anos, comentários paraquedistas de fazendeiras falidas e adiposas dizendo que sou POBRE! Mas, dentro do notório fascínio que tenho pelo pendor atacadista de São Paulo, e contando com vosso desprendimento e universalidade no pensar, vamos lá!

A 25 de Março é inigualável em matéria de luxinho à toa – coisinhas de verão ou inverno, benfeitinhas e tal, tudo mais barato que amendoim torradinho. Só o Saara, no centro do Rio, chega perto, mas não chega a dar sensações de quase-impunidade como a 25.

Entonces, comprey!!!!, outro dia, lá nos fundões da 25, pulseiras lindas, esmaltadinhas, dessas que voltaram à moda no verão passado, com fundo dourado e fecho de ímã. Sinceramente, 1 REAL cada uma.

Obviamente, não são cloisonné, como as da foto. Mas são da dinastia xing-ling, ora bolas! Estou até pensando em aplicar uma camadona de verniz resistente para que o douradinho não se vá nas profundezas da vague.

Estava com minha mãe, e a gente sempre se pergunta POR QUE essas coisas não eram fartas quando eramos xóvens. Eu, nos anos 80. Ela, no anos 50 (e olha que mâmis ainda pegou as bugigangas americanas pós-guerra, hein?). Era duro de achar alguma coisa que fosse do gosto, ou, pelo menos, com certa variedade de estilos.

Hoje, não. Tem-se tudo à disposição. Tem-se, tudo, mas tão tudo, que a gente pode até se dar ao luxo de desprezar a coisadaria malfeita e feia pra dedéu e encontrar com facilidade aquilo que se quer, e muito mais barato.

Gozado que até pensei em botar uma foto das bichinhas aqui. Mas desisti ao dar uma pesquisada no Google. É tanta brasileirada, tanta blogueirette de moda vendendo as mesmíssimas a um preço 15, 20 vezes estratosférico, que preferi não entrar em eventuais bafafás.

O que posso fazer é mostrar as cloisonnés que tenho iguaizinhas, de sei lá quantos verões passados. Uso todas juntas agora. Porque, meu bem, na vida urbana não há simplesmente nada que impeça juntar uma coisa com outra.

Quanto às fazendeiras gordas bla-bla-blá, eu lamento. Dependem sempre do gosto da sacoleira, que vende o amendoim torradinho a preço de joia. A elas, um ensolarado bom dia.

Pronto, falei!

Tirando uma linha da cidade

Não é por nada, mas a cidade estava exatamente assim ontem à noite. O anúncio fala por si, e, juro, não é exagero.

Ontem, no primeiro gol, eu fui pra janela. Em meio aos fogos, o único ser vivo que vi foi o carinha do estacionamento em frente, pulando sozinho. Fora ele, não havia uma viva alma na rua.

Taí então a propaganda pra quem não viu. Foi muito benfeita, e vale por isso mesmo, porque uma camisa oficial nessa lojinha custa os olhos da cara e mais um pouco, e não sobrevive a uma máquina de lavar. Melhor comprar no camelô mesmo…

Se bem que esses dias só restava camisa do Adriano…

No divã da reforma

Bem, parece que acabou o fuzuê de reforma lá em cima. Meus pais trocaram as janelas dos quartos, botaram abaixo os guarda-roupas feitos com cuspe e hoje, só hoje, deixei tudo em ordem e limpo depois da massa corrida/pintura de Mister Juracy. Ficou tudo bem teteio, e tal. Falta um sambarilove no sinteco, mas aí é outro papo.

Mas nem é disso que ia falar. Quero cumpartilhar é o tamanho da jaca nos próximos boletos de condomínio por conta da parvoíce das pessoas em gerais. Explico:

Há certa estrutura hidráulica aqui do prédio que precisou ser trocada, do térreo à cobertura, nos apartamentos de final 4. São as chamadas colunas: tubos de ferro, velhíssimos, escamoteáveis por apartamento, que servem pra esgoto, ou respiradouro, enfim. Eu sei que precisavam ser trocadas de cima a baixo. Algum problema geral de entupimento.

Não era para ser assim. Era pra ser aos pouquinhos. O bom senso universal manda que, toda vez que um morador reforme banheiro ou cozinha, aproveite a bagunça e troque a coluna correspondente. Foi assim aqui em casa: reforma é por sua conta, a parte da coluna é o condomínio quem paga, faz-se a meleca toda de uma vez e beleza.

Acontece que meu prédio é uma amostra comovente da humanidade: boa parte dos moradores acha que reforma de banheiro é só botar revestimento novo pra ficar tudo lindjo. Vai lá a burra se besuntar em azulejos e pisos nas grandes lojas de materiais de construção, gasta uma grana e esquece da parte mais baratinha de trocar: a hidráulica; o que inclui, obviamente, a coluna.

Até aí, cada um com seus carnês, não é mesmo?

Até o dia em que aqueles canos velhos, todos embororocados, escondidos por detrás daquele verdadeiro parthenon pós-moderno, corroem de vez, prejudicando a parede do outro cômodo, o vizinho debaixo e tudo o mais que se imaginar.

Vai daí o proprietário acha ruim ser obrigado a quebrar o recanto high tech pra consertar sua economia porca.

E foi isso que aconteceu com as colunas do meu prédio: povinho chiando não só por causa da enorme-grana-de-uma-só-vez que vai ter de desembolsar, mas também pelo transtorno da quebradeira do banheiro novinho. E o pior: todos os moradores pagam o revestimento novo que foi danificado.

Na boa, que se ferrem. Não têm nem a desculpa da inexperiência. São todos moradores velhos. O que lhes falta não é idade, mas neurônios.

Então, você que é novinho de tudo e certamente um dia reformará um banheiro ou cozinha, aprenda desde já a fazer a coisa certa: troque tudo pra não se aborrecer depois.

  • Na photô, sonho de consumo de brasileiro é todo podre por dentro. Taí a explicação de político não ligar pra saneamento básico. Eles são nossos legítimos representantes.

Sean Goldman, lembra?

Acho que postei duas vezes sobre o menino Sean Goldman na época dos factos (aqui e aqui), o hoje ele volta à baila. Na época falei um pouco sobre o costume nacional de recorrer aos nomes influentes, de que a Zona Sul carioca é deprimente corolário. Um delegado, um advogado de renome, um alto funcionário… essa maneira de saciar corruptamente um desejo qualquer. Falei também sobre a ajudinha da Rede Globo nesse mesmo módipensar, recorrendo a uma suposta violação de direitos da criança pela TV americana ao expor o rosto e o nome do menino por extenso, rárárárárá!

Da Folha:

O garoto Sean Goldman, 11, conversou com a apresentadora Meredith Vieira, do canal americano NBC, e falou pela primeira vez na imprensa sobre sua vida após retornar para os EUA com o seu pai, em 2009. A entrevista com o garoto será exibida na noite de amanhã (27) nos EUA.

Na entrevista, Sean conta que sua relação com o pai, David Goldman, vai além da relação pai e filho, e que ele é seu melhor amigo.

Em trechos divulgados pela emissora, Sean fala sobre o período que estava no Brasil, durante a disputa de sua guarda. Ele conta como estava confuso. “Eu não queria ficar sozinho, então eu tive que esconder meus sentimentos e tentar viver com… a situação”, disse. […] Durante a entrevista, Sean também relatou que tinha medo de perguntar a avó porquê o pai biológico não estava era presente. (continua).

Pois bem, espere para amanhã o óbvio do óbvio: a família de cá achará por bem dizer que o menino sofreu lavagem cerebral. (Acrescentado na madrugada: só agora a avó lembrou que existe um troço chamado alienação parental. Discutível, porque 1) tecnicamente isso só existiria se houvesse o outro cônjuge. 2) acusação besta, porque imputa ao pai o que ela mesma tentou fazer.)

E olha que eu acredito no menino, viu? Eu mesma conheci (e conheço) famílias vivendo no confortável mundo colonial e é assim mesmo: a autoridade impera, e fala mais alto quem tem a grana. É com empregada, é com filho enjeitadinho, é com funcionário humilde, é com porteiro, camelô e vovozinha agregada e indefesa.

Só que com os EUA é diferente, meu bem. Os avós brasileiros de Sean que peguem toda a sua influência praieira e…