A falta de memória…

… e a distração fofurex do brasileiro estão dando publicidade no Facebook a uma foto desencavada de uma manifestação horrenda de “professores”, comandados pela Bebel (lembra?), da Apeoesp, em 2010. Era ano de eleição, e os manifestantes gritavam “Dilma, Dilma!”

Como tudo é bom e nada presta, o militante facebookiano achou de repetir a mentira da foto abaixo, naquela vibe cafona “professor socorre PM”:

No entanto, quem socorria a policial Érica era um colega seu. A PM recebeu uma paulada no rosto e teve ferimentos graves no nariz e na boca. Foi um dito “professor ” quem a agrediu.

Postei indiretamente na ocasião, aqui.

E o post do Reinaldo Azevedo sobre o incidente, aqui.

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A imprensa fofinha

O Flanela se ocupa de alguns assuntos. Muitos deles se repetem, num não tão evidente processo. Todos eles em volta da defesa da cidade contra o achincalhe bairrista em geral.

Em suma, São Paulo não é mais poluída, não tem mais mais trânsito e não é mais violenta que muitas cidades brasileiras, etc. Só sofre com o excesso de atração, num país mormente atrasado  desigual por culpa dos governos.

Evito falar de Brasília, porque, se assim fosse, não sairia daqui tal a cornucópia de escândalos que – vamos combinar – já são dogma e se sobrepõem diariamente. Horariamente, nos últimos tempos.

Mas hoje abro exceção e chamo atenção para um texto de Reinaldo Azevedo a respeito da imprensa, cujo achincalhe também se institucionalizou no governo do PT. Trechos:

Desde que o PT chegou ao poder, a imprensa está sob ataque. Tudo ficou muito pior depois que veio à luz o escândalo do mensalão e que acadêmicos do PT, liderados por Marilena Chaui, inventaram a falsa tese da tentativa de golpe de estado. A maior contribuição desta estudiosa de Espinoza foi abrigar o pensamento de Delúbio Soares. O partido resolveu mobilizar contra a imprensa seus esbirros na Internet e montou um verdadeiro aparelho para intervir em portais, sites, blogs, redes sociais etc. Anúncios da administração direta e de estatais financiam a intervenção, o que é um acinte à democracia. É por isso que não publico aqui aqueles que chamo, desde sempre, “petralhas”. Não são indivíduos se manifestando, mas funcionários de uma organização. Alguns são remunerados. Outros não! […]

A imprensa brasileira, a verdade é esta, está entre as menos sensacionalistas do mundo. Na verdade, ela acaba sendo tolerante em excesso com certos comportamentos que, embora privados na aparência, mesmo não estando relacionados a dinheiro público ou a princípios da administração pública, revelam, no entanto, o político de duas caras, o anfíbio, aquele que diz uma coisa e que faz outra. Há certos comportamentos individuas que são sintomas de mau-caratismo. No homem privado, problema dele e de quem com ele se relacionar; no homem público, pode ser indício de baixa qualidade da representação e de degradação da política.

“Mas me diga, Reinaldo, não pode haver um santarrão, com comportamento ilibado no terreno moral, que é, no entanto, um contumaz ladrão do dinheiro público?” Ora, gente, claro que sim! Assim como é possível existir um fauno, com uma penca de amantes, vivendo uma vida dissoluta, que não toca em um centavo do que é alheio. […]

Uma coisa é certa: a classe política brasileira seria quase dizimada se tivesse de enfrentar uma imprensa americana ou inglesa. E ouso dizer que, num primeiro momento, nem seria por causa do trabalho disso que se convencionou chamar “jornalismo investigativo”, que tenta desvendar as artimanhas dos ladrões de dinheiro público. Bastariam uma câmera fotográfica e alguns arquivos que chegam às redações e que são descartados. (íntegra)

E não é purtanismo, não. Vejam o caso, por exemplo, do filho de FHC (que depois, revelou-se não ser). Foi uma exceção de conduta da imprensa, porque partiu de um tabloide de esquerda de Vila Madalena, pago com dinheiro público. Arranhou sua imagem política? Não.

Ao contrário, por exemplo, de Sergio Cabral. Ele não é envolvido, por enquanto, em nenhum escândalo sexual, mas suas atuações (ou a falta delas) em tragédias domésticas já dão indícios de seu caráter. Isso sem falar das farras em Paris.

Não sou tão otimista como o Reinaldo, achando que se a imprensa abrisse tudo os caras cairiam. Não caem com escândalos sexuais, muito menos se passam a mão em dinheiro público.

Nós aceitamos o que eles fazem. Primeiro porque votamos e revotamos (plural genérico, veja bem) neles. Segundo que, vamos combinar, a população em geral sonha em viver assim: entre putarias e manguaça, com dinheiro à larga.

Os dois primeiros, até que conseguimos. O terceiro – o dinheiro – o farto crédito até que dá um jeito, mas ainda não chegamos no ideal – viver confortavelmente à custa da grana federal.

Seja num emprego vitalício (encostar o burro na sombra, ideal de toda classe média baixa), descolar uma Lei Rouanet com qualquer projeto cultural ou, num nível mais elaborado, abrir uma empresa depois de travar contatos no governo, e adentrar assim o deslumbrante mundo das licitações forjadas, da propina e das amizades de jatinho.

O vídeo acima não veio a público por dever de imprensa. Veio de um inimigo de Cabral, Anthony Garotinho (não por amor à verdade ou por seu presbiterianismo de subúrbio, mas na raiva, porque perdeu uma boquinha que deveria ser dele).

Não sei vocês, mas estou tão conformada com essa coisa de todo mundo babar por dinheiro público que nem me choco com o fato de essas pessoas estarem num restaurante luxuoso (em Paris ou em Mônaco, nõ se sabe. Dizem que foi no Ritz, em 2009) por nossa suada conta.

O que me resta para escândalo é a total sem cerimônia num ambiente desses: a conversa espalhafatosa, num volume de churrascaria, todos apoiando o cotovelo em tudo quanto é lugar, a “princesa” empurrando comida do dente com a língua antes do beijo espalhafatoso. Tudo isso com o olhar eventual e discreto da loura, lá no fundo, na varanda.

Eu lamento que Paris, cidade não da Torre Eiffel ou dessas baboseiras de turista, mas cidade dos ofícios finos (coisas que nunca emplacarão por aqui porque somos basicamente grosseiros), tenha de aguentar essa gente. Tempos bicudos para quem fala baixo. Os parisienses só se conformam, aguardando dias melhores. Não mudarão sua conduta.

Nós também, não mudaremos a nossa. Cabral, é certo, um dia cairá no ostracismo. Há uma fila de iguais à espera de sua oportunidade.

 

 

Sean Goldman, lembra?

Acho que postei duas vezes sobre o menino Sean Goldman na época dos factos (aqui e aqui), o hoje ele volta à baila. Na época falei um pouco sobre o costume nacional de recorrer aos nomes influentes, de que a Zona Sul carioca é deprimente corolário. Um delegado, um advogado de renome, um alto funcionário… essa maneira de saciar corruptamente um desejo qualquer. Falei também sobre a ajudinha da Rede Globo nesse mesmo módipensar, recorrendo a uma suposta violação de direitos da criança pela TV americana ao expor o rosto e o nome do menino por extenso, rárárárárá!

Da Folha:

O garoto Sean Goldman, 11, conversou com a apresentadora Meredith Vieira, do canal americano NBC, e falou pela primeira vez na imprensa sobre sua vida após retornar para os EUA com o seu pai, em 2009. A entrevista com o garoto será exibida na noite de amanhã (27) nos EUA.

Na entrevista, Sean conta que sua relação com o pai, David Goldman, vai além da relação pai e filho, e que ele é seu melhor amigo.

Em trechos divulgados pela emissora, Sean fala sobre o período que estava no Brasil, durante a disputa de sua guarda. Ele conta como estava confuso. “Eu não queria ficar sozinho, então eu tive que esconder meus sentimentos e tentar viver com… a situação”, disse. […] Durante a entrevista, Sean também relatou que tinha medo de perguntar a avó porquê o pai biológico não estava era presente. (continua).

Pois bem, espere para amanhã o óbvio do óbvio: a família de cá achará por bem dizer que o menino sofreu lavagem cerebral. (Acrescentado na madrugada: só agora a avó lembrou que existe um troço chamado alienação parental. Discutível, porque 1) tecnicamente isso só existiria se houvesse o outro cônjuge. 2) acusação besta, porque imputa ao pai o que ela mesma tentou fazer.)

E olha que eu acredito no menino, viu? Eu mesma conheci (e conheço) famílias vivendo no confortável mundo colonial e é assim mesmo: a autoridade impera, e fala mais alto quem tem a grana. É com empregada, é com filho enjeitadinho, é com funcionário humilde, é com porteiro, camelô e vovozinha agregada e indefesa.

Só que com os EUA é diferente, meu bem. Os avós brasileiros de Sean que peguem toda a sua influência praieira e…

Indy São Paulo 300

Três anos de Fórmula Indy em São Paulo. Quer dizer, no Brasil. Esta semana espera-se a chegada de 30 mil turistas (9 mil a mais que em 2011) entre espectadores, mecânicos, familiares, patrocinadores, jornalistas, pessoal do aparato todo. Dos 31 mil ingressos já quase esgotados, cerca de 8 mil foram adquiridos por gente de fora da Grande São Paulo – almas que precisam comer e dormir, e o fazem com certa exigência. Fora as compras…

E é isso que interessa. Qualquer cidade pequena acha RUIM turismo jerereca. Baladinha, por exemplo, em que o cara “já vem comido” ou traz algo, e se encharca de bebida barata. Ou então, praia frequentada por farofeiro. Qual o prefeito que quer isso?

Então, em SP é turista qualificado. Turista de negócio. Ou tem grana pela própria natureza, ou está sendo bancado por uma empresa. Resultado: esta Indy movimentará 85 milhões de reais para a cidade, 5 milhões a mais que no ano passado. É por isso que a Prefeitura põe grana na Indy. Só por isso. Ponto pra Kassab, que enterrou todo aquele nhé-nhé-nhé da primeira edição.

A competição conta este ano com Rubens Barrichello, o que deverá dar uma orkutizada no evento. (Mas eu torço por Tony Kanaan.) A Indy, formula consagrada lá fora mas que no Brasil ainda engatinha, ainda chegará a níveis de Fórmula 1, que movimenta algo em torno de R$ 240 milhões.

Estou tirando esses dados de matéria do Jornal da Tarde, que afirma que a Fórmula 1 está em SP desde 1989. Mas não, viu? Pessoinha fazendo confusão por causa do breve período em que Interlagos se dividiu com o Autódromo de Jacarepaguá, no Rio (que não foi por diante na Fórmula 1 e hoje, cercado de favelas, vai virar não sei o quê para os Jogos Olímpicos).

Interlagos abriga o automobilismo nacional desde sempre (1940, ano de sua inauguração), com competições menores. (Isso porque antes de 1940 já se fazia corrida na rua em São Paulo.) Quando a primeira corrida de Fórmula 1 chegou a Interlagos, em 1972, a pista já tinha visto de tudo, com destaque, já no final de 60, para a Taça São Paulo de Fórmula 2 e os 500 Quilômetros de Interlagos. E a popularização da Fórmula 1 no Brasil, sem esquecer os demais, tem um nome: Emerson Fittipaldi.

E todo ano é a mesma pergunta: por que não a Indy em Interlagos? Por que hoje não pode, está em contrato: aquela pista, oficialmente, só pra Fórmula 1.

Que a Indy caminha pra virar um megaevento nacional, isso é certo. Só não mexam no meu quarteirão, hein? Nenhum governo federal populista vai inventar de mudar o nome Indy São Paulo 300. Até porque, pelo calendário da prova, os nomes são das cidades que a abrigam. Vejam o deste ano:

25/03 – St. Petersbourg
01/04 – Barber Motorsports Park
15/04 – Long Beach
29/04 – São Paulo (Brasil)
27/05 – 500 Milhas de Indianápolis
03/06 – Belle Isle Park
09/06 – Texas Motor Speedway
23/06 – Iowa Speedway
08/07 – Toronto (Canadá)
22/07 – Edmonton (Canadá)
05/08 – Mid-Ohio
19/08 – Qingdao (China)
26/08 – Sonoma
02/09 – Baltimore
16/09 – California Speedway

Aproveite e dê sua passeadinha nesta cidade arborizada:

 

Rapaz prendado

Um belo e charmoso motivo pra ver o Superpop da Luciana Gimenez hoje à noite.

Depois da gororoba de ovo que Dilma fez ano retrasado, agora foi a vez do governador Gerado Alckmin provar que sabe passar roupa.

Bem se vê que dona Lu deu umas aulas rápidas. Sim, porque ele começou a camisa por onde se deve: a gola. Depois, espero, partiu para as mangas e depois o resto. (Esqueça a fofonice de que é ele mesmo quem passa seus colarinhos…)

ESPERO que não tenha deixado aquelas nervurinhas junto às costuras e que tenha tomado contato com uma das descobertas mais deslumbrantes do universo: as fendas na ponta da base do ferro, feitas para acomodar os botões.

Só que não dá pra assimilar tudo em cinco minutos, né, benhê? Meu querido governador ESQUECEU de apoiar o ferro comme il faut na tábua…

Fazer que nem eu, quando tinha meus 13 anos: era uma mesa comum, minha mãe não tinha jeito com tábua de passar. Lá fui eu usar o ferro – daqueles antigos – e esqueci o bicho ligado, repousado numa base que havia, que também era de ferro.

Só descobriram quando o troço varou a madeira (que a essa altura já virara carvão) e caiu no chão. Desde então tenho neuroses com isso.

Luxo, luxo, luxo!

Onti dionti onti passei rapidamente pela Livraria Cultura (é impossível ficar lá dentro em certos horários) só pra dar uma espiadinha da edição ilustrada de Razão e sentimento (Editora Nova Fronteira), com tradução de Ivo Barroso, além de vários textos introdutórios que contextualizam Jane Austen para além do batidão do cinema-(palavra chula que não vou dizer, não vou, não vou!!).

De especial-especialíssimo para moá, o posfácio “Devotos sem pregações”, da queridérrima amiga Raquel Sallaberry Brião, convidada da editora para dar um plá sobre leitores e admiradores de Austen.

Raquelucha, como vocês sabem, mantém o blog Jane Austen em Português, com suas seções organizadíssimas e seus posts leves e ao mesmo tempo originais. Respeitado, e – o que acho engraçado – mantido por uma mecânica de aviões de formação.

O que gostei também foi que a tradicional editora carioca foi bem criteriosa no design gráfico. Ficou discreto, fugindo das firulinhas românticas tão tentadoras d’hoje, em que clássicos ingleses acabam quase caindo na mesma bacia de Julia e Sabrina.

Até onde sei, esta edição está à venda somente na Cultura. Depois abre para as demais livrarias.

À parte  a fanzoquice fraterna, ontem passei pela Martins Fontes pra comprar um dicionário para José. Não resisti e acabei levando duas diversões particulares:

E já comecei rindo no Metrô, de volta pra casa. (Povo odeia o Pondé, mas eu gosto). E

Fofoquinhas do Império, quem nunca? E gosto da Mary del Priore. Folheei antes pra me certificar de que não havia cartas de dom Pedro pra Domitila. Essas eu tenho (a edição do Alberto Rangel, não as descobertas recentemente), e já deu. Pra falar a verdade, nunca li do início ao fim, porque dão tédio, essa coisa de Demonão-com-sífilis. Também me enche um pouco o tema Domitila-mulher-fatal. O que quero saber mais desta vez é sobre a coitada da Leopoldina.

Então dá licença que vou me recolher às leituras, sim?

Ontem desmontei um Gelli…

Primeiramente certa saga em achar uma mísera imagem desse tal guarda-roupa Gelli. Simplesmente não existe mais. Não existe no Mercado Livre, não existe em brechó, na memória de ninguém e, portanto, não há registro internético.

Por que? Porque, uma vez instalado, você não conseguia desistalar impunemente e transportar pra outro lugar. Não há comércio disso. Desmontou, estragou. É farofa. O destino é o lixo.

Daí á fui eu procurar no acervo da revista Veja, segundo o que lembrava da modinha: lá pelos anos 1973, 1974. Um anúncio. Encontrei esse, de modulados Vogue, mas serve, porque eram a mesma coisa: laqueados, mudernos, várias cores, vermelho, amarelo, laranja, lindos mesmo, masss…

Pois então, ontem desmontei o tal do Gelli. Eu até achava um milagre aquilo ter perdurado por tanto tempo! Explico: meus pais se mudaram há alguns anos para um apartamento andares acima do meu. Foi um tanto intempestivo e, portanto, eles entraram no apartamento no estado. Estava direitinho, pintadinho, banheiros e cozinha reformadinhos e tal, e os embutidos num branco omo de dar gosto. O rapaz – o pequeno buda – nos mostrou o apê quando ainda morava lá, e é claro que não pedi para abrir os armários.

Quando meus pais finalmente se instalaram é que fomos ver os embutidos. Uma sepultura caiada. Até aventei chamar Juracy, nosso fac-totum aqui do prédio, pra derrubar tudo aquilo e comprarmos um guarda-roupa novo. Meus pais estavam de saco cheio da mudança e não quiseram. Me restou a sorte do tempo quente e uma disposição férrea para ajeitar alguns parafusos e pintar aquilo por dentro em dois dez. Foi daí que, antes de passar o rolo de tinta, vi lá uma etiqueta velha: Gelli.

De lá para cá, não gostava de ver aquilo. Estava tudo direitinho, mas os detalhes… a estrutura é de aglomerado. Aglomerado leva cola, então pesa pra xuxú. Portas pesadas, como é que vão aguentar com dobradiças aparafusadas num aglomerado? E sinais de pequenos reparos, ainda por conta da dinastia do pequeno buda. Daí que você vê, com a luz do abajur, aquelas sombras de bororocas… me incomodava horrivelmente.

Agora está acabando. Meus pais estão trocando as janelas, e o bicho ficava a dez centímetros de uma delas. Esse foi o primeiro. Faltam mais dois, porque o apê, definitivamente, É fornido de Gelli…

E surpresa surpresinha, atrás do armário há um lindo papel de parede antigo, parece um forro de colchão. Minha mãe, romantiquinha, fica imaginando a alegria da dona da casa quando colocou aquilo. Já eu imagino que era um bordel disfarçado.

Agora, é esperar para esta semana o homem da janela, e depois… Juracy.