Reclamação de pobre

Pobre – aquele pobre universal -, sabe como é: você dá uma carona (numa situação, é claro, em que a condição de pedestre é um problema – na saída de um show noturno, p. ex.), e ele reclama do barulhinho do seu carro. Daí você se enche de paciência e explica que falta lubrificação nas fundangas do carro, porque hojindía não pode mais fazer isso no posto, por causa do meio ambiente, bla-bla-blá. Como se adiantasse. Ele vai te desprezar até o fim da vida por causa daquele barulho. E, no meu caso, porque meu Fiatzinho é antigo.

Comida é caso clássico: o cara reclama que aquela fatia de lombo do sanduíche não é “aquela” – aquela…! – boa que vende na esquina de sua casa em Vilar dos Desesperados. Eu mesma já vi pobre afastando agressivamente prato de refeição – comida boazinha, normal – por achar que aquilo não condizia com a meleca que ele comia em casa. Só uma criatura ignorante de tudo tem essas atitudes. Rico, rico mesmo – ricos de alma – não desprezam a normalidade da vida. Rico não se incomoda com um eventual café velho, uma comida simples nem com andar um pedaço a pé porque de carro seria trabalhoso, ou porque não tem táxi, enfim. Porque gente rica – aquele rico universal – entende circunstâncias, raciocina os porquês e sabe que vive dentro de um mundo um tanto imprevisível, cheio de defeitos e com explicações que talvez não estejam diante dos olhos.

Foi o que aconteceu com a promessa do governo – afinal, adiada – de ampliar o funcionamento da Linha Amarela até as 24 horas. Voltaram atrás (ampliou-se apenas até as 21 horas) por questões técnicas/estratégicas, e o povo, claro, chiou porque não tem pensamento mais elaborado e só consegue enxergar a cenoura pendurada na frente do nariz (ver comentários à matéria da Folha de ontem).

Bem, o governo achou por bem prolongar os testes para poder inaugurar duas estações importantíssimas – República e Luz – em setembro. Só depois disso é que se poderá ampliar o horário com segurança.

A “pequena” ampliação de horário, a partir de ontem, gerou um aumento de 68% de passageiros na Linha Amarela. 68%!!! Povinho pensa que isso é uma epifania sem maiores consequências. Já imaginou o que é para o Metrô administrar um movimento 68% maior da noite para o dia?

Existem mil questões técnicas envolvidas nisso. Não pode abrir a porteira assim, na boa, ainda mais que logo logo virá toda uma boiada oriunda de República e Luz.

Mas o rebotalho, qual! Sua função nisso tudo é bater na mesa, exigindo tudo pra djá. Pra quê? Pra poder exercer o esporte favorito: achar pelo em ovo.

Anúncios

Estado LAICO

De grande utilidade ler o artigo do adê Nicolau da Rocha Cavalcanti hoje no Estadão. Trechos, com grifos meus:

[…] Viver essa neutralidade exige um contínuo aprendizado, especialmente dos homens públicos e dos líderes religiosos. Perceberem na prática que são âmbitos diversos, esferas com autonomias próprias. Esse profundo respeito pela pluralidade se manifesta no diálogo, na capacidade de ouvir o outro e também na completa separação entre os direitos do cidadão e a prática religiosa. A adesão a determinado credo religioso não pode acarretar nem privilégio, nem discriminação.

Por outro lado, deve-se encarar o caráter laico do Estado como meio para uma sociedade livre. A laicidade estatal não é um projeto de valores, para tornar a sociedade “laica”, para “protegê-la” das religiões. O Estado é – e deve ser cada dia mais – laico, mas a sociedade em si não é laica. Ela será o que os seus cidadãos quiserem ser.

[…] O caráter laico do Estado não decorre de uma substituição de referenciais – antes, uma visão religiosa; agora, uma visão ateia ou agnóstica da vida -, mas de uma revisão do seu âmbito e das suas competências. O Estado laico não diz que as religiões são falsas, e sim que é incompetente para qualquer declaração nesse âmbito. (Íntegra.)

E, acrescento: para que um Estado se firme nesses moldes é necessário que a população, desde o berço até políticos e magistrados, tenham um pouquinho mais de discernimento. E isso se consegue através de educação.

Episódios toscos, como a deputada Mirian Rios confundindo homossexualidade com pedofilia, demonstram não uma pretensa firmeza religiosa, mas ignorância pura e simples mesmo.

Ela que determine o que quiser dentro de casa, que ninguém tem nada que ver com isso. Mas declarar, na qualidade de deputada, uma visão de mundo desinformada, obscura e jeca, é extremamente preocupante.

Eu recomêiiiindo….

Tenho cá pra mim que internéti não é, definitivamente, lugar de esbugalhar a vida pessoal. Chega a dar dó ver um bando de gente descrevendo sua dor de barriga (ou de cotovelo, ou de corno) em 140 caracteres, mas, enfim, cada um sabe de si.

Mas não custa dizer que, depois de saber que minha glicemia esquenta os tamborins pra virar rainha de bateria no meu corpitcho – coisas hereditárias -, resolvi caminhar todo santo dia. Uma hora, pelo menos.

Medicadinha, na dietinha e caminhando e cantando e seguindo a canção. Odeio academia, não tanto pela suadeira mas pela fauna beócia que reúne, então o negócio é andar mesmo. E, se querem saber, tem dado certo. O medidor de glicemia que ganhei do meu irmão tem, enfim, me dado alegrias.

Daí eu penso: esse é o caminho. Porque, afinal, estou mais para magra e não ponho comida pra dentro como se o mundo fosse acabar amanhã. Meu problema era o sedentarismo revisionístico mesmo.

E andar faz bem em todos os sentidos. Só nos últimos tempos descobri, aqui perto, que a praça Cazuza tem, contígua, a travessa Cássia Eller, e que mais abaixo, perto do Metrô, está a travessa Tim Maia. Questão de criar um pouco mais de coragem e explorar mais os barrancos do morro em que me encarapitei.

E, nessas, não dá pra alegar tempo ruim.

Daí é que vem a bomba: a meteorologia promete 5 oC (CINCO GRAUS CELSIUS) para amanhã!!!! E isso porque hoje a friaca já está de lascar!

Não tem importância. Afinal, para que serve o sobretudo que tenho há mais de dez anos e que só usei uma mísera vez nessa terrinha?

Vira-lata com raça e energia, galeraaaaa!

Reações indignadas à informação da Frontex, agência ligada à União Europeia que bisoia as fronteiras locais, dando contiquê os brasileiros foram os mais barrados por lá em 2010.

Algumas falácias que o mimimi esconde:

A primeira já está embutida na própria informação. Se foram 12% os barrados, porque raios os países da UE deixaram entrar 88%? Será mesmo que há preconceito em relação a brasileiros? Sei, Wanderlei!!!

A segunda revela a bela porcaria do “novo Brasil” martelado pelo governo Lula. Se o país anda tão epifânico, por que tanta gente querendo se mandar daqui?

Facinho: os 12% barrados é de gente que, em resumo, não tem a oferecer nada de bom por lá, a não ser aquelas sub-sub-sub-atividades que já estamos cansados de saber quais são. A diferença entre fazer aqui e fazer lá é que, lá, a esperança é que se pague melhor. E, vamos combinar, pra esse tipos de atividade ninguém precisa importar mão de obra.

Se em oito anos o governo Lula não deu pelota pra educação, privilegiando atividades sambarilove, problema de que votou pela continuidade. Continua sendo resto, desqualificado para a grande oferta de empregos no próprio país ou em qualquer lugar.

Outro snif-snif idiota aponta que “a Espanha foi a que mais barrou brasileiros”. É mesmo? Que país mauzinho e preconceituoso!!!

Os preclaros analistas precisam tomar ginkgo-biloba, só pode ser.

A Espanha, meu bem, foi uma das últimas nações europeias a botar ordem na alfândega. Falei do problema aqui, em março de 2008. Até certa época, brasileiro só conseguia entrar na UE via Espanha.

Até a horda se dar conta, foi todo mundo tentar konekissão por lá… Daí o grande número de barrados. (Como se sabe, somos espeeeertos que só.)

Nem adianta vir com aquele argumento de que recebemos taaaantos imigrantes europeus nos séculos XIX e XX, e que essa rejeição agora é uma tremenda ingratidão. Naquela época, já éramos commoditie humana basicona e dávamos graças aos céus de receber alguém que soubesse fazer alguma coisa mais elaborada. Além do mais, exploramos imigrantes europeus até não mais poder.

Nem usar o caso Battisti. Isso é oooooutra coisa.

O castigo vem num avião da força aérea

Me intriga esse tal de “abcesso pélvico” que fez Hugo Chávez achar por bem largar os esplendores sociais da República Bolivariana e se mandar pra… Cuba.

Bem, cada um tem a referência em medicina de excelência que merece…

Naturalmente, algum companheiro lhe indicou o Sírio-Libanês, em São Paulo, explicando que aqui no Brasil ninguém liga muito pra coerências socialistas.

Deve ter havido resistência, porque Chávez tem um perfil – por assim dizer – menos cagão e mais fiel a sua ideologia pobrista.

Mas na hora do vamuvê, o cagaço fala mais alto.

Ainda há de se internar no Sírio. Ou no Einstein. Jamais no público HC, porque o HC é coisa da elite peessedebista paulistana.