Não deu certo com transportes, PT tenta a cultura

Óia, pode esperar um “Pinheirinho cultural” por aí.

Vencido na questão do “caos no trânsito” por falta de quórum, o PT agora resolveu “pensar” a cultura na cidade à cata de alguma indignação pra chamar de sua . Primeiro tentou atacar a Virada Cultural, e agora chuvinhas de granizo se formam em questões pontuais. Hoje, quinta-feira, o PT pega carona no protesto contra o fechamento, pela Prefeitura, do “Bar do Binho”, no Campo Limpo. Pelo que li, um local de encontro de poetas, músicos, escritores, com levada (como odeio esse modismo) hip-hop, e tals.

Poxa vida, eu acho bacana que todo mundo, sem exceção, possa se expressar da maneira que quiser e tenha um local pra isso, embora ache meio improvável que TODA a periferia goste de remoer sua condição social, como parece ser o caso do sarau em questão. Se fosse pensar num divertimento para quem sofre a semana inteira, apostaria num forró às sextas e sábados, quando a pessoa pode se enfeitar, dançar, se divertir e namorar.

Bem. Segundo a matéria, o estabelecimento nunca obteve licença de funcionamento, tem multas acumuladas e por conta disso foi fechado pela Prefeitura.

O dono se julga vítima de perseguição.

Pelo que andei vendo, o estabelecimento reunia os artistas às segundas-feiras. Não sei em outros lugares, mas em São Paulo segunda-feira é um dia tipo sagrado. Ninguém faz programa, todo mundo vai pra casa direto pra se ocupar com suas obrigações ou descansar.  Pelos vídeos e pela foto aí em cima, me parece – parece – que a cantoria rolava solta à noite. De segunda-feira. Nesse espaço aí da foto.

Na minha humirrrrde opinião, todos os moradores da cidade têm direito ao divertimento, mas também ao silêncio. Seja em Vila Olimpia, em Vila Madalena ou no Campo Limpo.

Se você abre um estabelecimento – que venda bebidas, por exemplo -, pode até engajá-lo na obra de Madre Paulina, mas deve seguir as leis, pagar os impostos, ivestir no negócio e responder pelo que faz. Afinal, o dono tem lucro, não? Se o Bar do Binho atuava fora das normas restritas daquela região – sim, o Campo Limpo é periferia mas não é bagunça -, então que feche.

Segundo a matéria, “A arte tem que ter uma transgressão, senão não é arte”, explica o poeta.

Mas não dá pra fazer tudo o que se bem entende em nome da arte. “Transgressão” é um conceito um tiquinho mais elaborado do que funcionar sem alvará.

Ps.: Pronto. A militância já abraçou a causa. Agora Haddad pode escarafunchar o tema em palestras indignadas.

Até que enfim! Serra fala sobre sabotagem no Metrô

Via Coturno Noturno/Clipping de Notícias (do Valor Econômico):

[…] Ao falar sobre as repetidas falhas nos sistemas do metrô  e da CPTM, em sabatina promovida pelo SBT e pelo portal Terra, o  pré-candidato do PSDB insinuou que há motivações político-eleitorais por  trás das panes. “Eu não descarto, numa parte, sabotagem, porque você  sabe que uma porta aberta paralisa o trem. Se você puser um jornal, um  pacote de jornal, uma gravata, você consegue parar”, disse. Questionado  se as supostas sabotagens teriam ligação com a eleição de outubro,  respondeu: “Com vistas à eleição. Eu não diria que é tudo não, entendeu?  Você tem uma combinação de coisas. Quando eu fui governador teve  problemas assim também”. Na sequência, Serra foi questionado sobre quem  teria interesse nisso. “Quem? É a oposição”. […]

Ontem,  Serra ressaltou as ações de sua gestão no governo do Estado, entre 2007  e 2010, e disse que as falhas no metrô e na CPTM se devem ao aumento do  número de passageiros. O ex-governador disse que os investimentos na  área de transportes sobre trilhos foram triplicados nos últimos cinco  anos, mas o volume de passageiros cresceu em um ritmo maior. “Na década  passada investimos R$ 10 bilhões. Em 2005, 2006 havia 4 milhões de  passageiros/dia no metrô e CPTM. Hoje tem 8 milhões”, disse. “Aumentou  muito o volume, então é natural que se produzam desajustes. Algumas  coisas [são] puramente acidentais, como foi o caso desse choque dos  trens dos vagões, que por sorte não teve nenhum ferido grave. Isso  acontece em todo o mundo e o que tem de fazer é prevenir. Cada fato  desse deve servir para evitar os problemas futuros”, declarou na  sabatina.

Na entrevista, o pré-candidato tucano disse ser contra a proposta de implementação do pedágio urbano em São Paulo.

Serra  reiterou que, se eleito, não deixará a prefeitura paulistana para  disputar a Presidência da República em 2014. […]

Durante a sabatina, Serra acusou  um dos jornalistas que o entrevistava de estar pautado pela oposição. O  jornalista do SBT comentou que partidos como PT e PMDB apostaram em  nomes novos para disputar esta eleição em São Paulo e perguntou ao  pré-candidato qual será sua estratégia para apresentar-se com algum tipo  de inovação.

“Agora os adversários vão dizer de tudo, até para  poder pautar a imprensa, como é o seu caso, você é pautado por aqueles  que desejam combater e ganhar a eleição e vão dizer qualquer coisa”,  respondeu Serra. “Então é melhor não dar muita bola para isso e  trabalhar firmemente, positivamente porque adversário vai tender a  querer sempre o quanto pior, melhor”.

Ex-ministro da Saúde, o  tucano citou sua atuação na Pasta como exemplo de inovação e disse que  foi o último titular do cargo a promover grandes mudanças. “Na saúde  todas as inovações principais foram feitas até 2002. De lá para cá, na  era petista, só estagnação ou cópia”, afirmou. Segundo Serra, “inovação”  é sua característica na administração.

O tucano disse que, se  eleito, pretende ter uma boa relação com a presidente Dilma Rousseff  (PT). No entanto, já cobrou um repasse maior de recursos federais para a  cidade. Serra afirmou que o governo federal arrecada cerca de R$ 150  bilhões em São Paulo, mas disse que o retorno é “ínfimo”.

As coisas que são precisam ser ditas. Grande parte da população paulistana já manjou essa coisa esquerdolenga de tocar terror na cidade a cada eleição, e sente falta de um posicionamento oficial. Acho que agora o PSDB se deu conta de que não há prejuízo nenhum em assumir o que pensa. Assuma, investigue e mostre. É isso que esperamos e é disso que precisamos.

E, aproveitando: não custa reiterar  que eu e mais um monte de paulistanos  não acharíamos nada demais se Serra deixasse a Prefeitura novamente para concorrer a um cargo maior, desde que deixasse alguém responsável tratando da cidade, como fez com Kassab. A única coisa que questiono é se, olhando daqui da minha aldeia, vale a pena abdicar do privilégio de governar a cidade ou o estado para fazer qq. sacrifício pelo Brasil. Eu acho que não. Melhor ficar em São Paulo, onde tem o valor merecido, onde dá pra trabalhar e onde tem visibilidade baseada em fatos reais.

Sai, Russomano!

Editado do Estadão:

Depois de participar na tarde desta quarta-feira (30) de uma sabatina na Record News, a pré-candidata à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine (PPS) postou no Twitter críticas às perguntas dos jornalistas e à emissora do bispo Edir Macedo. […]

Assim que chegou à sede da emissora, na Barra Funda (zona oeste da capital), Soninha postou: “Chego na Record pra Sabatina e a moça pergunta: ‘Seu nome?’ E foi duro me liberar, viu? #tafacil”.

Depois da sabatina – que contou com a presença dos jornalistas Heródoto Barbeiro, como mediador, Ricardo Kotscho, Nirlando Beirão e Marco Antônio Araújo (do blog O Provocador) -, Soninha reclamou das perguntas sobre sua relação política com o também candidato à Prefeitura José Serra (PSDB) e com o prefeito Gilberto Kassab (PSD). “Resumo da Sabatina na RNews: 2/3 das perguntas dos quatro entrevistados foram Serra, Serra, Serra, Serra e Kassab. […]

Os entrevistadores também lembraram que Soninha iniciou sua carreira política em um partido de esquerda e questionaram por que, depois, ela teria apoiado José Serra e aceitado ser subprefeita na gestão de Kassab, na época do DEM, partido de centro-direita? Soninha não gostou.

Sobre a questão “Você é progressista ou conservadora?”, a pré-candidata questionou a postura dúbia da Record e tuitou: “A Record, onde eles trabalham, é o q? Não dá p dividir o mundo em 2: conservador x progessista. O governo, a oposiçao. Nem mesmo a Record e a Igreja Universal. O Edir Macedo faz exorcismo d homossexual (diz q era macumba); a Universal detona a Igreja Católica por se opor a legalizaçao do aborto…”

[…]

Bem, eu não vi. Mas, pelo jeito, só faltou perguntar à Soninha se ela ainda era maconheira.

A Record é a dona Osmerdina da TV aberta. O império da Universal escracha seus interesses duvidosos ab ovo, ou melhor, ab f&a, desde que os batutinhas (Macedo, Rodrigues, Gonçalves) comiam feijão com arroz nos tempos duros da avenida Suburbana.

Isso nem espanta, porque, né?, está aí o ex-pupilo Valdemiro Santiago que não me deixa mentir. O que espanta é que jornalistas do calibre de Heródoto Barbeiro aceitem participar da bagaça. Pode ter opinião, claro, mas não precisa descer tão baixo.

E falando em ética, Celso Russomano continuará com exposição de graça na Record (que o apoia) até 10 de junho. Depois disso, pela lei eleitoral, sua cara esmerilhada da moral e dos bons costumes deverá sair de cena. Como seu eleitorado tem QI de TV, cairá nas pesquisas. É o preço que se paga pela imagem que construiu, de cobrir sub-balada e ameaçar marceneiro com microfone.

  • Foto: Soninha, mas na sabatina do SBT, há cerca de um mês.

Ainda o PT em São Paulo

Lendo aqui no RA (via Folha) que a campanha de Haddad está recorrendo à “blogosfera progressista”, pessoalzinho que defende o PT e ataca o PSDB a troco de grana de estatais. Íntegra:

Diante do impasse nas negociações com outros partidos, o pré-candidato do PT, Fernando Haddad, investe no front virtual para tentar crescer na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Ele procurou blogueiros que apoiam o governo Dilma Rousseff para pedir ajuda a sua campanha na internet. O grupo marcou jantar ontem à noite na casa do jornalista Paulo Henrique Amorim, que é apresentador da TV Record e mantém o blog Conversa Afiada.

“A intenção é ouvir opiniões sobre a campanha e pedir o apoio deles como militantes”, disse o deputado estadual Simão Pedro (PT), da campanha petista. Na lista de convidados, estavam também Luis Nassif, Rodrigo Vianna, Luiz Carlos Azenha, Renato Rovai, Altamiro Borges, Conceição Oliveira, Paulo Salvador e Sérgio Lírio. Rovai disse que o grupo pretendia discutir temas da cidade e não deve declarar apoio formal a Haddad.

Os participantes do jantar, que se apresentam como “blogueiros progressistas”, foram recebidos pelo ex-presidente Lula no Planalto no fim de 2010. No ano passado, o PT montou um núcleo de militantes virtuais para atuar na internet. O grupo será acionado para fazer propaganda de Haddad e atacar rivais nas redes sociais.

Você há de me perguntar: por que insistir no Haddad se há candidatos com percentuais maiores na concorrência à Prefeitura? E eu te respondo: ora, não se pode mais ter prazer nessa vida?

Vamos a um rescaldo, e me ajudem se esqueci algo, porque nos últimos tempos tenho visto tudo en passant devido às obrigações aqui de casa.

Bem, primeiro Haddad se apresentou em luxo e glória, como candidato do PT e com um Lula virtual a seu lado (o falastrão estava ausente, em pleno tratamento médico e sem voz). Não adiantou.

Em seguida o candidato se arrastou sorrateiramente para o tipo de lugar onde o PT costumava fazer sucesso em SP: a periferia longínqua. Foi lá no M’Boi Mirim prometer corredor de ônibus, num município imenso em que se mora cada vez mais longe, onde as pessoas estão cansadas de chacoalhar em ônibus, e num bairro próximo ao Jardim Angela, que daqui a um tempo contará com um Metrô modernérrimo. É óbvio que não fez sucesso algum.

Depois resolveu ir fundo na ofensiva contra o Metrô e a CPTM. O PT invetou o tal do “caos” do trânsito em São Paulo. Já tratamentos disso aqui. Vivemos um período entre duas realidades, em que um pouco de desconforto é preciso em prol de um futuro concreto. Nota-se, na percepção do paulistano, a diferença clara entre uma fase ruim e o ruim eterno. Estamos apenas no primeiro caso e quaquer usuário sabe disso.

A péssima estratégia petista culminou com a malfadada greve do Metrô e da CPTM. Ninguém achou graça, ninguém apoiou. Nem a imprensa. Pelo contrário, as redes sociais trataram de divulgar o quadro de cargos e salários do Metrô, com valores muito acima da média do trabalhador comum, evidenciando o absurdo de suas reivindicações. Prova disso é que os sindicatos aceitaram rapidamente a negociação, evitando agravar a imagem ruim que têm junto à população.

Depois Haddad descolou uma palestra com “representantes” de Vila Madalena (leia-se donos de bares), e todo concluíram que Kassab é um autoritário por não querer barulho depois de certa hora da madrugada. De quebra, achou ruim que o pessoal do setor imobiliário tenha recuado por causa da crise. Para ele, São Paulo deve virar um paliteiro de vez, tendeu?

Ao mesmo tempo, inserções na TV, com Haddad e Lula (falando, falando)…

E agora – óh, óh – parece que o PT resolveu cutucar a Virada Cutural. É o que nos diz a manchete capciosa de Gilberto Dimenstein hoje na Folha. Claro está que fraudes devem ser combatidas e criminalizadas, mas o PT cai novamente em esparrela: mexer com um evento que ganhou paulistanos e vistantes de outros estados e que traz grana para a cidade.

Bem, depois de todas essas tentativas, os partidecos abandonando o navio e nem um décimo de mudança nas pesquisas, é natural que Haddad 3% recorra aos blogueiros  a soldo. Tendo em conta o perfil médio dos caras e a parca influência que exercem em São Paulo, a coisa tá feia.

Lula compensa período de mudez

Procuro me ater a meus assuntos aqui, mas, pô!!!!, preciso dar uma de Lula e falar, falar, falar.

Aos poucos a gente vai enxergando o que aconteceu e por que Gilmar Mendes foi se sentindo incomodado com a chantagem de Lula. Não foi pela chantagem em si, ou pela atitude do ex-presidente.

Sabe por que o assunto veio à tona? Porque Lula não se contentou com o que fez. Saiu falando pra todo mundo!

Li no Coronel, que leu no Blog do Pannunzio:

O que você vai ler abaixo não é inferência, interpretação nem opinião. É informação. Este post vai revelar o motivo pelo qual o ministro Gilmar Mendes decidiu contar à Revista Veja detalhes da insidiosa conversa com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ocorrida no dia 26 do mês passado.

Desde que a revista chegou às bancas,  três perguntas recorrente e importantes permaneciam sem resposta: Por que Gilmar Mendes resolveu agir dessa forma? Por que o atraso de um mês entre o fato e a versão apresentada pelo ministro? Gilmar tem como provar que ouviu de Lula o que disse ter ouvido no escritório de Nelson Jobim?

Uma parte das respostas está contida na entrevista na entrevista concedida hoje ao Jornal Zero Hora.  Disse o ministro:

Fui contando a quem me procurava para contar alguma história. Eu só percebi que o fato era mais grave, porque além do episódio (do teor da conversa no encontro), depois, colegas de vocês (jornalistas), pessoas importantes em Brasília, vieram me falar que as notícias associavam meu nome a isso e que o próprio Lula estava fazendo isso”.

Em seguida, a entrevista envereda pela seara de outros assuntos — as intrigas da CPI do Cachoeira. A repórter pergunta a Gilmar Mendes: “Jornalistas disseram ao senhor que o Lula estava associando seu nome ao esquema Cachoeira?”. Ao que o ministro responde: “Isso. Alimentando isso”.

Alimentando isso.

Não era o que o ministro queria dizer. Se tivesse sido questionado, teria contado que foi procurado por duas importantes jornalistas dias atrás para saber da mesma história. Espantou-se com o vazamento. Apesar de constrangido, ele havia decidido falar sobre o assunto apenas com alguns de seus pares, pessoas discretas que jamais revelariam a conversa constrangedora. E mantê-la longe dos jornais.

Essas jornalistas são profissionais respeitabilíssimas. Ocupam posições importantes em uma empresa não menos. A história chegou a elas por intermédio de uma fonte crível que preza da amizade de ambos, Gilmar e Lula.

Sabe como a fonte ficou sabendo do diálogo ?

Porque Lula contou.

Isso mesmo. Foi Lula em pessoa quem cometeu a indiscrição de falar sobre a conversa com Gilmar Mendes, descendo ao nível dos detalhes que agora estão expostos por iniciativa do ex-presidente do STF.

Esta é a razão oculta por trás da “inconfidência” do ministro Gilmar Mendes. E também a justificativa para a incapacidade do ex-presidente da República de fazer um desmentido cabal, como o assunto exigiria caso o magistrado pudesse ser desmentido.

Não pode. Há testemunhas muito bem identificadas no caminho da informação que transitou entre o escritório de Jobim e as páginas de Veja.

Se alguém falou demais, não foi Gilmar Mendes. Foi Lula. Simples assim.

Quem fala demais dá bom-dia a cavalo. Deu no que deu.

O que torna as coisas piores ainda. Isso quer dizer que achaques a juízes são coisa corriqueira, e o achacado os guarda para si. O que fazem com isso, não se sabe. Gilmar Mendes só botou a coisa no ventilador  porque se viu constrangido pela divulgação sem pejo de Lula.

No mais, o recebeu, ouviu-o até o final e, não fosse a falastromia de Lula, o fato, gravíssimo, estaria guardado até hoje.

 

Dados do IBGE…

Matéria pescada do dia 26 último, no Estadão:

São Paulo é o Estado brasileiro mais bem urbanizado. A taxa de urbanismo paulista, segundo dados do Censo 2010, é de 78,1%, ante 68% na  média brasileira. Os melhores indicadores do Estado dizem respeito à iluminação pública (97,6% dos domicílios têm acesso a esse serviço), à pavimentação das ruas (94,2%) e à ausência de lixo acumulado nas vias ou  de esgoto ao ar livre (apenas 4% das residências têm esse problema).

A taxa de urbanismo foi calculada pelo Estado a partir de observações  feitas pelos recenseadores sobre dez tipos de melhoramentos urbanos localizados no entorno de 57 milhões de domicílios brasileiros e divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística  (IBGE). O levantamento considerou apenas as áreas urbanas dos municípios  e não levou em conta favelas e aglomerados.

Logo atrás de São Paulo estão outros Estados das Regiões Sul e Sudeste, como Paraná (72,5%), Rio de Janeiro (71,8%) e Minas Gerais
(71,7%). São locais que receberam as últimas grandes ondas migratórias há mais de 40 anos e já tiveram tempo para consolidar a infraestrutura urbana. A outra ponta do ranking concentra novas fronteiras econômicas da Região Norte, onde a urbanização é menos recente, como Rondônia (46,2%), Pará (43,4%) e Amapá (42,1%).

Para o cálculo, foram usadas as médias municipais, ponderadas pelo número de domicílios de cada município, para que as cidades tenham um peso proporcional maior conforme a população.

Renda. A desigualdade não é apenas regional. Os dados mostram que, quanto maior a renda, mais alta a taxa de urbanização. Nada menos do que  94% dos domicílios brasileiros cujo rendimento é maior do que R$ 1 mil por mês estão em ruas pavimentadas. Mas essa proporção cai a dois terços  quando a renda dos moradores é inferior a R$ 250 (em valores de setembro de 2010). A disparidade é ainda pior quando se trata de calçadas: 87% da parcela de renda superior tem calçamento na porta de casa, enquanto a taxa no extrato de renda mais baixa cai a 45%. Além disso, os mais pobres têm seis vezes mais chances de verem o esgoto correr ao ar livre na frente de suas casas, por exemplo.

Bem, acho que ninguém aqui em sã consciência vai concluir que a falta de urbanização na pobreza é obra da maldade mundial.

Ñão há poder público que se mova por ser bonzinho. O que existe é administração pública profissional ou não. E isso quem determina é seu povo. Simples assim.

No divã da reforma

Bem, parece que acabou o fuzuê de reforma lá em cima. Meus pais trocaram as janelas dos quartos, botaram abaixo os guarda-roupas feitos com cuspe e hoje, só hoje, deixei tudo em ordem e limpo depois da massa corrida/pintura de Mister Juracy. Ficou tudo bem teteio, e tal. Falta um sambarilove no sinteco, mas aí é outro papo.

Mas nem é disso que ia falar. Quero cumpartilhar é o tamanho da jaca nos próximos boletos de condomínio por conta da parvoíce das pessoas em gerais. Explico:

Há certa estrutura hidráulica aqui do prédio que precisou ser trocada, do térreo à cobertura, nos apartamentos de final 4. São as chamadas colunas: tubos de ferro, velhíssimos, escamoteáveis por apartamento, que servem pra esgoto, ou respiradouro, enfim. Eu sei que precisavam ser trocadas de cima a baixo. Algum problema geral de entupimento.

Não era para ser assim. Era pra ser aos pouquinhos. O bom senso universal manda que, toda vez que um morador reforme banheiro ou cozinha, aproveite a bagunça e troque a coluna correspondente. Foi assim aqui em casa: reforma é por sua conta, a parte da coluna é o condomínio quem paga, faz-se a meleca toda de uma vez e beleza.

Acontece que meu prédio é uma amostra comovente da humanidade: boa parte dos moradores acha que reforma de banheiro é só botar revestimento novo pra ficar tudo lindjo. Vai lá a burra se besuntar em azulejos e pisos nas grandes lojas de materiais de construção, gasta uma grana e esquece da parte mais baratinha de trocar: a hidráulica; o que inclui, obviamente, a coluna.

Até aí, cada um com seus carnês, não é mesmo?

Até o dia em que aqueles canos velhos, todos embororocados, escondidos por detrás daquele verdadeiro parthenon pós-moderno, corroem de vez, prejudicando a parede do outro cômodo, o vizinho debaixo e tudo o mais que se imaginar.

Vai daí o proprietário acha ruim ser obrigado a quebrar o recanto high tech pra consertar sua economia porca.

E foi isso que aconteceu com as colunas do meu prédio: povinho chiando não só por causa da enorme-grana-de-uma-só-vez que vai ter de desembolsar, mas também pelo transtorno da quebradeira do banheiro novinho. E o pior: todos os moradores pagam o revestimento novo que foi danificado.

Na boa, que se ferrem. Não têm nem a desculpa da inexperiência. São todos moradores velhos. O que lhes falta não é idade, mas neurônios.

Então, você que é novinho de tudo e certamente um dia reformará um banheiro ou cozinha, aprenda desde já a fazer a coisa certa: troque tudo pra não se aborrecer depois.

  • Na photô, sonho de consumo de brasileiro é todo podre por dentro. Taí a explicação de político não ligar pra saneamento básico. Eles são nossos legítimos representantes.