Esperar. Sentado?

Do Portal do Governo, editado e flanelado: 

O governador Geraldo Alckmin recebeu o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta sexta-feira, 28. O encontro foi realizado durante um almoço na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na capital, e reuniu professores da instituição e dirigentes de associações médicas.

Alckmin apresentou questões ligadas ao financiamento público para o ministro da Saúde. “Temos dois grandes desafios: o problema do financiamento e o remédio”, disse o governador, citando uma proposta para a revisão do teto do repasse federal referente às despesas com o SUS (Sistema Único de Saúde) e a ampliação de repasses para o custeio de medicamentos populares.

“São Paulo está com 600 milhões de reais a menos no teto do SUS. Temos muitos serviços fora do teto, como AMEs, hospitais, diálises e internações, por exemplo. Então precisa erguer o teto de São Paulo. E por que? Porque nós atendemos muitos pacientes que não são do estado, são de outros estados”, argumentou o governador. Quanto aos medicamentos, Alckmin disse que o governo federal deveria elevar os repasses em pelo menos R$ 200 milhões.

O encontro marcou o interesse paulista na ampliação de parcerias com o governo federal. Alckmin citou três áreas onde os trabalhos podem ser expandidos: os casos de alta complexidade, a cardiologia e o tratamento de dependentes químicos. “Uma prioridade de ambos é a saúde mental, ou seja, um grande programa para dependentes químicos. Vamos ser parceiros do governo federal nisso”, sublinhou Alckmin. O governador disse que o Estado, por meio da Secretaria da Saúde, já está estudando locais para sediar o novo espaço voltado ao tratamento de dependentes.

Até onde sei, é a primeira vez que um governador paulista resolve lembrar que o estado atende meio mundo vindo de outros estados (que também recebem seus repasses mas sabe lá Deus onde os enfia).

Essa dependência da saúde paulista é vergonhosa. É mais um aspecto da diversidade brasileira (diversidade no péssimo sentido). Não é que seja injusto com o estado; é injusto com os pacientes, que têm de enfrentar quilômetros inimagináveis para ter tratamento adequado.

Mas, já que ninguém se manifesta há séculos, que Alckmin o faça: din-din, sivuplé.

 

 

Mistura tudo e…

O leitor Cláudio chama a atenção para uma reportagem de ontem no Fantástico sobre “as delegacias pelo país”.

Dei uma olhada (vídeo e transcrição aqui) e, de fato, fica muito cômodo misturar alhos com bugalhos, delegacias do Maranhão com “demora para registrar BO em SP, um absurdo!, a gente paga impostos!, blá-blá-blá”.

Talvez os repórteres do Fantástico estejam acostumados a padrões congoleses de segurança pública, mas a verdade é que erraram feio na escolha dos objetos de BO para a reportagem: roubo de documentos, celulares e até roubo de carro, em SP, o Boletim de Ocorrência é feito via internet. Pra quê? Pra economizar gente, dinheiro, tempo.

O procedimento é mais velho que andar pra frente. É conhecido inclusive pela fofolete da reportagem que simulou indignação “pela demora” em registrar um BO.

Quanto à recepção das delegacias, aí a gente pode começar a reclamar. Quem acaba “dando o primeiro atendimento” no balcão não é um policial, é um funcionário público. E aí sua sorte depende não só do metabolismo do cara naquele dia, como do grau de sadismo autointrojetado em-razão-do-cargo.

É claro que nem todas as delegacias de SP são assim. Geralmente você é bem atendido. Muitíssimo bem atendido.

Note também que a reportagem traz outra submensagem muito meiga: ao não citar determinados estados, você termina com a firme convicção de que, neles, a segurança pública deve ser um luxo.  

Tá, eu tô.

 

 

Números, números

Do portal do govêêêêêrrrrrrno:

O governador Geraldo Alckmin apresentou neste sábado, 29, um balanço com os números da taxa de homicídios no Estado. “São Paulo atingiu o menor índice de homicídios da história, com 10,47 mortes intencionais por 100 mil habitantes. O resultado é menos do que a metade da média nacional, que é de 24,5 para cada 100 mil habitantes”, disse o governador.

Para o governador, “os números comprovam que a política adotada pelo Estado de São Paulo de investir constantemente em Segurança Pública é o caminho para reduzir a violência”. Alckmin comentou os resultados logo após a homenagem aos policiais militares do Grupamento Aéreo que participaram do socorro às vítimas das chuvas na região Serrana do Rio de Janeiro, na Operação Redentor. Os demais indicadores criminais serão apresentados pela Secretaria de Segurança Pública na próxima semana.

Desde 1999, São Paulo vem reduzindo o número de homicídios dolosos. No acumulado do período, a redução já é superior a 70%. No intervalo, a taxa de homicídios dolosos caiu de 35,27 por grupo de 100 mil habitantes/ano, em 1999, para 10,47/100 mil, em 2010. (aqui)

Se Serra tivesse sido eleito, ele levaria esse luxo para todo o Brasil. Com direito, inxcrusive, a atendimento vip a motorista bêbado que mata inocentes por aí.

Masssss, fazer o quê?… Uns gosta dozóio, outros dasremella, né, benhê!

[E que ninguém venha dizer que 1) os números estão mascarados, porque não estão. Se querem um panorama “menos tucano”, digamos, que paguem uma auditoria e não encham os pacovás; 2) Que são só homicídios dolosos. Ou você acha que qualquer polícia tem bola de cristal pra saber se a muié resolveu furar a cara do marido em dada hora e local?]

(Via http://twitter.com/Serra_2010

Notinha fúnebre

Peço desculpas pela praticamente ausência esses dias, mas peguei uma gripe daquelas.

Me assustei porque gripe comigo sempre foi assim: primeiro dia, deixe eu morrer em paz; segundo dia, o caos das vias aéreas e ainda certa indisposição; terceiro dia, prontíssima pra outra, apesar da tosse e da rouquidão, e boa.

Dessa vez não. Durante três ou quatro dias senti meu corpo como que passado numa máquina de moer cana. E febre alta no terceiro dia!!!! Phyno, não?

Portanto, o que posso dizer a vocês é que assumam a madame hipocondríaca que há dentro de todos nós e evitem ambientes fechados cheios de gente feia, mal educada e infecta. Se não der, usem máscara, o diabo. Só não passem pelo que passei.

(E nem falei da Geórgia Gomide. Tadinha! Que Deus a tenha. Só pra registrar, eu lembro dela na TV Tupi. Até entendo que a imprensa ligada à Globo só enumere as novelas da casa. É podre, mas é um direito. Mas outros órgãos comprarem (modo de dizer) o currículo manco é dose!)

Profissionalizando a coisa

Via Folha, tuitada de Alexandre Herchcovitch:

@aherchcovitch Meus colegas estilistas, vamos esquecer a palavra “pegada” ao explicar nossas coleções? Combinado???

Desde que nasceu, há quinze anos, o São Paulo Fashion Week  já levou mais de 2 milhões de pessoas ao prédio da Bienal. Movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão em negócios diretos e indiretos por evento e gera cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos em cada edição. E faz circular cerca de R$ 50 bilhões de reais ao ano.

Pra quem ainda acha que moda é coisa de tia criativa que assinava Manequim, seguem os números da Abit para o setor de moda no país (editado do IG):

30 mil empresas nacionais//1,7 milhão de empregos diretos// 2º maior empregador da indústria de transformação// Investimentos de US$ 13 bilhões nos últimos 10 anos// 5º maior parque têxtil do mundo// 2º maior produtor mundial de denim// 3º maior produtor mundial de malha// 9 bilhões de peças de confecção produzidas por ano// Faturamento de US$ 47,6 bilhões (2009); estimativa de US$ 52 bilhões (2010)// Exportações: US$ 1,2 bilhão (2009); estimativa de US$ 1,4 bilhão (2010)// Investimentos do setor: US$ 867 mil (2009); estimativa de US$ 2 bilhões (2010)// Geração de empregos: 11.844 (2009); estimativa de 65 mil (2010).

Para 2011, é esperada a criação de 40 mil novos postos formais de trabalho, e um faturamento de US$ 54 bilhões.

Talvez esse tipo de dado deveria ser o foco, mas não. Apesar de todo o avanço desse setor importantíssimo da economia brasileira, o respeitável público continua apegado a jequices, como perseguir  celebridades e usar termos provincianos, ainda no clima eu, meu talento, minha costureira e uma cabana.

Obs.: Dilma Rousseff decidiu ser embaixadora da moda brasileira. Seu encontro com  Paulo Borges, organizador do SPFW e do Fashion Rio, se deu em meados do ano passado e, portanto, em campanha. Eleita, teve três meses para resolver como seria sua fatiota de posse. Tá certo que ainda não era presidente quando escolheu aquele costume (que é bonito, mas não estava adequado a seu tipo físico: a saia não resistia a uma sentada; ficou parecendo uma fralda), mas poderia ter recorrido a profissionais de renome para a tarefa.

Não rolou. Vejamos de agora em diante.

  • Na foto de cima, a única coisa relevante no SPFW parece ser a presença do filho de Toninho Cerezo, doravante (e por isso mesmo) Lea T.

Antes da chuva

A temperatura na cidade hoje – 32,5 graus – foi a mais alta do ano.

Isso é uma mixaria dupla, pois há quem se gabe de atingir 40, 50 graus.

Além disso, temos 338 dias pela frente. É melhor esperar antes de ficar anunciando números surpreendentes.

Toda vez que São Paulo transpõe os limites entre o mundo civilizado e o jeito ugandense de viver, os aborígenes recorrem às piscinas. Sim, porque descer até a praia em dia de semana, apesar de levar menos de uma hora em confortáveis estradas, requer uma logística que não dá pra arrumar de uma hora pra outra. Precisa o rolinho da gasolina, o rolinho da estadia, o rolinho do freezer, o rolinho da grana pro pedágio…

Acima, pessoal curtindo adoidado no Sesc Itaquera. Porque é hoje, quinta-feira. Sábado e domingo, se as CNTP continuarem, fica no ponto pra colocar uns temperos.