Arquivo da categoria: Nove de Julho

O último que entrar tranca a porta, viu?

Meia-dúzia de buzanfas, hoje, caminhando pelo separatismo na avenida Paulista, num gancho esquizoide do Nove de Julho. 

Fazem questã de dizer que não são racistas ou xenófobos. Tá, eu tô.

Gostaria muito de saber o que aconteceria caso, um dia, SP se separasse do resto do país.

Ah, é o orçamento que SP paga ao Braziu

Comofaz? Proibiria-se o “envio de remessas para o exterior”? Barrariam-se pacientes graves em polícia nas fronteiras? Sacoleiros de Minas teriam de ter passaporte? Imigrações desinteressantes seriam combatidas no chicote? Barcaças e caminhões pagariam mais que o justo pra chegar até Santos? E nossas relações diplomáticas com o Paraguai?

Tungaríamos as refinarias da Petrobras ou pagaríamos nota sobre nota? Quem arruma a grana pra isso? É vaquinha que vai ser, ou o quê?

De resto, meu bem, São Paulo para os paulistas, não é mesmo? Tipos como Waldemar da Costa Neto – paulista da gema – voltariam a roubar aqui, e com muito mais grana – já pensou o PIB do novo país?

Tá com essa bola toda, não…

Pra “resgatar o orgulho de ser paulista”, como disseram na reportagem, um bom início seria começar por não dar vexame.

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Historinha

Era uma vez um país que tinha um rei muito mandão. O povo, que era muito preguiçoso das ideias, acabava achando aquilo muito bom, porque assim não precisava se mexer. O rei cuidava de tudo, ninguém precuisava se preocupar com nada.

Só que, nesse país, havia um estado de gente muito diferente, que gostava de fazer as coisas ele mesmo e não não via com bons olhos que o rei metesse o bedelho nos seus negócios.

Esse estado não queria ficar de fora daquele país. Queria apenas que o país tivesse uma lei igual para todos, e não um homem mandando e desmandando em tudo.

Esse estado pegou em armas pra protestar contra aquela festa do caqui. No início, achou que contaria com o apoio de outros estados, mas na hora H, esses estados voltaram atrás e não só retiraram o apoio como se juntaram às forças do rei mandão.

O estado insurgente perdeu a batalha. Mas, no fundo, venceu, sabe?

Até hoje o Nove de Julho de 1932 – início dos combates – é a data cívica mais importante de lá.

Ah, e dois anos depois, o país inteirinho foi obrigado a ter uma Constituição.

Tá certo que o rei mandão ficou muitos anos no poder – lembre-se que o povo gostava dele -, mas  fato é que aquele estado nunca mais teve de ceder tanto aos caprichos da vontade central.

Ganhou fama  de antipático e prepotente, mas… quem está ligando?

Um tequinho do Nove de julho

Texto integral do historiador Marco Antonio Villa, na Folha da  última sexta-feira, sobre a Revolução de 32:

1932 – Constituição e cidadania MARCO ANTONIO VILLA

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi o maior conflito bélico da história brasileira do século 20. Foram mais de 100 mil homens combatendo. Estima-se que o Exército federal teve cerca de 55 mil homens nas frentes de batalha; os constitucionalistas, aproximadamente 30 mil soldados -dos quais 10 mil eram voluntários-, e mais de 30 mil das forças policiais do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
A guerra acabou ficando restrita fundamentalmente a São Paulo: o apoio sinalizado por Flores da Cunha, interventor no Rio Grande do Sul, não ocorreu, e as oposições estaduais também não tiveram força militar para criar outros focos de rebelião, mesmo onde havia apoio popular, como no Pará, Rio Grande do Norte e Piauí.
No Rio Grande do Sul, ocorreram alguns combates, mas acabaram derrotados. Em Minas Gerais, o máximo que os rebeldes conseguiram foi a tomada da cidade de Pirapora por três dias.
O maior apoio aos constitucionalistas veio de Mato Grosso: o sul do Estado foi o teatro de violentos combates e o Exército federal deslocou milhares de homens para lá. No Rio de Janeiro ocorreram principalmente manifestações estudantis, e as passeatas foram duramente reprimidas pela polícia.
A indecisão no avanço pelo Vale do Paraíba em direção à capital federal, que poderia, pela surpresa, criar sérias dificuldades ao governo, a ausência de apoios militares em outros Estados e o fechamento dos portos paulistas -especialmente o de Santos- pela Marinha selaram a sorte militar da Revolução já na segunda quinzena de julho. A derrota seria só uma questão de tempo.
A rendição dos constitucionalistas foi considerada uma traição. O governo civil imputou à Força Pública ter assinado a paz em condições humilhantes. Ledo engano. A resistência militar seria inútil, além de criar uma fratura social e política de proporções inimagináveis. A tarefa que se colocou para os vencedores (e para os vencidos) foi a de recolocar a política como elemento central no enfrentamento dos problemas nacionais.
Nunca mais o Brasil teve uma guerra civil. Os principais líderes foram presos, tiveram seus direitos políticos suspensos e dezenas foram exilados. Um ano depois, a maioria já tinha regressado ao Brasil, devido aos indultos concedidos pelo governo.
O ano de 1932 faz parte da luta pela liberdade e pela democracia. A questão central foi a convocação de Assembleia Constituinte e a realização de eleições livres (a Constituição de 1891 estava suspensa e inexistia o Poder Legislativo). Em país marcado pelo autoritarismo -e em uma década com fascismo, nazismo, stalinismo, franquismo etc.-, aqui em São Paulo foi gestada uma revolução, que, como destacou o jurista Hélio Bicudo, “se constituiu no maior movimento popular de caráter democrático a que assistimos no Brasil”.

E fotos inéditas também na Folha, aqui.

Analogia óbvia…

gv

Impossível passar o 9 de Julho sem ligar a data com o que acontece em Honduras e, principalmente, como o povaréu rechaça ou apoia as coisas, conforme as conveniências e na base do ouvi falar.

Reinaldo Azevedo agora de madrugada:

O Movimento de 1932 em São Paulo foi considerado “reacionário”, embora pedisse, vejam que absurdo!, um governo baseado na lei. São Paulo ficou praticamente sozinho e foi derrotado. Ou nem tanto. O país ganhou uma Constituição em 1934, que logo seria jogada no lixo, com o golpe (mais um!) do Estado Novo, em 1937. A rigor, antes disso, a Lei de Segurança Nacional (uma espécie de AI-5 de Getúlio), de 1935, tornava sem efeito muitas de suas garantias. E o Brasil então conheceu as verdadeiras intenções daquele senhor pintado como progressista em 1930 e bastião da modernidade contra São Paulo em 1932. O verdadeiro Getúlio era o chefete fascistoide da Constituição de 1937, que liderou o Estado Novo até 1945 – com o auxílio da tortura e de uma polícia violenta.

Não deixa de ser notável que Getúlio, um golpista compulsivo – ah, não!, não renego a sua importância, de jeito nenhum! -, seja um dos heróis brasileiros. Golpista compulsivo? Sim! Deu o golpe em 1930. Queria governar sem uma Constituição. Teve de ceder em 1934. Mas logo fez baixar a Lei de Segurança Nacional em 1935 – e jogou a Carta no lixo em 1937, governando como ditador até 1945, quando é deposto. “Ah, mas veja quanto bem ele fez ao Brasil…” Reconheço de tal sorte a sua importância, que o tenho mesmo na conta de responsável por alguns de nossos mais graves e renitentes defeitos. Mas isso fica para outra hora (íntegra aqui).

Gostamos aqui é de um paizinho, de uma epifania, de um líder que passe a mão na nossa cabeça e que decida tudo. Essa coisa de administrador, mandato e impessoalidade do poder não é conosco. Somos profundamente dependentes de uma ditadura pra chamar de nossa. Estejamos do lado direito ou do oposto.

  • Foto (sem referências): GV, muito pop e fofo junto à criançada em um abrigo no Rio. Ele era o cara.

Revolução Constitucionalista

Artigo de Tiago José Berg (professor, geógrafo e autor do livro Hinos de todos os países do mundo (Panda, 2008), tiago_berg@yahoo.com.br), no Estadão de hoje (imagens e vídeo inseridos por mim):

A história dos símbolos paulistas

Você já se perguntou sobre a origem de nossos símbolos? Foi a partir da Constituição Republicana de 1891 que as províncias foram transformadas em Estados federados e ganharam oficialmente o direito de ter bandeira, escudo e hino, independentemente dos símbolos nacionais. São Paulo, que nas primeiras décadas do século XX se convertera na vanguarda da economia, cultura e política no Brasil, foi por ironia o último a adotá-los. Apenas durante a Revolução Constitucionalista de 1932, celebrada hoje, oficializou um brasão de armas e passou a desfraldar arduamente uma bandeira proposta pela primeira vez em julho de 1888 pelo escritor mineiro Júlio César Ribeiro Vaughan (1845-1890).

Republicano fervoroso, ele publicou um artigo no jornal O Rebate, do qual era fundador, propondo a criação de uma bandeira com quinze faixas horizontais – as burelas – nas cores preta e branca. No canto superior esquerdo, um retângulo vermelho com círculo branco continha um mapa azul do Brasil em azul – com as fronteiras da época, ainda sem o Acre – e quatro estrelas amarelas.

Escreveu Júlio Ribeiro: “Esta bandeira preenche tudo o que se possa desejar, simboliza de modo perfeito a gênese do povo brasileiro, as três raças de que se compõe – branca, preta e vermelha. As quatro estrelas a rodear o globo, em que se vê o perfil geográfico do país, representam o Cruzeiro do Sul, constelação indicadora de nossa latitude austral. Assim, pois, erga-se firme, palpite glorioso o Alvo-Negro Pendão do Cruzeiro!” Júlio ainda chegou a criar um projeto de brasão, com ramos de café, cana-de-açúcar e uva, mas que logo foi esquecido.

Em relação à bandeira, seu plano era criar não o símbolo do “Estado bandeirante”, mas o novo pavilhão brasileiro. Nos últimos anos do Império, haviam surgido entre os republicanos propostas para mudar o pavilhão nacional. Incluindo a dele.

Dias após a Proclamação da República, a bandeira de Júlio Ribeiro chegou a ser hasteada no palácio do governo provincial de São Paulo. Os republicanos no Rio de Janeiro usaram modelo parecido, com as cores verde e amarela, mas acabariam por consagrar em novembro de 1889 o atual modelo da bandeira nacional.

Nos anos 10, o modelo paulista tornara-se apenas a “bandeira escolar” do Estado. Em meio ao ardor patriótico e bélico paulista na Revolução de 1932, ela ressurgiu com força. Até que em 1937 a Constituição do regime de Getúlio Vargas proibiu o uso de símbolos municipais e estaduais. Segundo Hilton Federici, “por quase um decênio, tempo de duração do Estado Novo, esses símbolos ficaram sepultados, não na memória e no coração dos paulistas, mas nas sombras das imposições ditatoriais”.

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Com a queda de Vargas e a Constituição democrática de 1946, a bandeira paulista foi restaurada pelo Decreto-lei 16.349 e, posteriormente, com a Lei 145, de 3 de setembro de 1948, ganhou na disposição legal um cunho nacionalista: “A bandeira de São Paulo significa que noite e dia (campo burelado de preto e branco) nosso povo está pronto para verter o seu sangue (cantão vermelho) em defesa do Brasil (círculo branco e silhueta geográfica) nos quatro pontos cardeais (estrelas de ouro).”

Com o tempo, o pavilhão passou a contar com 13 listras, em vez das 15 originais. O motivo é controverso. Uma hipótese é que as 13 burelas se ajustavam melhor às proporções da bandeira; outra é que se procurou adequá-la ao modelo da bandeira americana, que tem o mesmo número de faixas. Mesmo nos cartazes da Revolução de 32, a bandeira às vezes figurava com 13, às vezes com 15 listras. E, em 1934, a primeira estrofe do poema Nossa Bandeira, de Guilherme de Almeida, consagraria seu atual número: “Bandeira de minha terra,/ Bandeira das 13 listras:/ São 13 lanças de guerra/ Cercando o chão dos Paulistas!”

BRASÃO DE ARMAS

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São Paulo também foi o último Estado a adotar brasão de armas na época. Até 1932, além do brasão da República, era famoso entre os paulistas o brasão da cidade de São Paulo, que trazia um braço armado de prata empunhando a bandeira farpada com a cruz da Ordem de Cristo sobre um campo vermelho. Projeto de Guilherme de Almeida com desenho de José Wasth Rodrigues (1891-1957), foi adotado pela Câmara Municipal em 1917 e ganhou tanta influência que d. Francisco de Aquino Corrêa, governador de Mato Grosso, adotou o braço armado como símbolo bandeirante no brasão do Estado em 1918.

Durante a Revolução Constitucionalista, com a Campanha do Ouro para o Bem de São Paulo, um primeiro emblema serviu de base à criação do brasão do Estado. Cunhado em medalhas, diplomas, anéis, trazia “uma espada em posição vertical ornada de ramos de louro e de carvalho que se cruzavam”. Tinha ainda um listel circular, com a legenda em latim PRO SÃO PAULO FIANT EXIMIA (Por São Paulo façam-se grandes coisas), proposta por José Maria Whitaker e Gastão Liberal Pinto. Notando a falta de um brasão, uma comissão foi encarregada de criar o emblema heráldico, elaborado pelo pintor e desenhista José Wasth Rodrigues com ajuda de Francisco Pati e Clóvis Ribeiro. O projeto foi levado ao então governador Pedro Manuel de Toledo, que o aceitou com uma ressalva: a de que fosse mudada a legenda para PRO BRASILIA FIANT EXIMIA (Pelo Brasil façam-se grandes coisas). O decreto 5.565, de 29 de agosto de 1932, dizia num trecho: “O Estado de São Paulo, ao contrário dos demais Estados da Federação, não possui, ainda, brasão de armas. Vai possuí-lo agora, em hora oportuna como poucas. Como tudo o que é seu, como tudo o que se acha incorporado ao seu patrimônio moral e material, este brasão de armas será, também, uma conquista do seu povo. Em vez de consagrar unicamente glórias antigas, consagrará, também, glórias presentes. Os símbolos que no mesmo figuram viverão pelo que dizem do passado e pelo que confirmam no presente.”

Graficamente, o brasão é composto por um escudo vermelho português, sobre o qual se assenta uma espada romana, representando o apóstolo Paulo – soldado romano que se converteu ao cristianismo e deu nome a nosso Estado. Simboliza ainda a figura de Amador Bueno da Ribeira, que em 1641 mostrou fidelidade ao rei de Portugal, d. João IV, frente à primeira onda de separatismo na colônia e o próprio bandeirantismo, bem como o Grito do Ipiranga, com d. Pedro I puxando sua espada. Finalmente, relembra o próprio Movimento de 1932 em sua luta pela igualdade, pois a espada é também símbolo da Justiça.

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Sobre o punho da espada, aparecem dois ramos entrecruzados – um de louro, símbolo da vitória, à destra, e outro de carvalho, à sinistra, cujo significado remete à força. [Ver ressalva do leitor Tonico, nos comentários.] Evocam no brasão “as tradições de bravura cívica e militar do povo paulista”. No terço superior do escudo, aparecem as letras SP, cuja sigla significa, além do próprio nome do Estado, a evocação de seu valor e suas glórias. A estrela de prata, que na bandeira nacional é chamada de “Alfa”, da constelação do Cruzeiro do Sul, representa São Paulo como membro da federação. Ornam o escudo dois ramos de café entrecruzados e frutificados – a principal riqueza agrícola paulista na época. E, do mesmo modo que a bandeira, abolida pela Constituição de 1937, o brasão foi retomado e oficializado em 1948, durante o governo de Adhemar de Barros.

Não é raro que símbolos se descaracterizem ao longo do tempo, seja por divergências na interpretação da lei, versões artísticas ou mesmo erros de reprodução. Em muitos Estados, encontramos ainda hoje brasões fora do modelo original. No caso de São Paulo, há pequena falha a ser comentada.

Segundo a Lei 145, de 1948, ele deveria conter “um ramo de louro à destra e de carvalho à sinistra”. Mas o que se vê em muitos casos é a repetição dos ramos de louro dos dois lados da espada. Outro detalhe são os frutos de café. Embora não haja determinação legal sobre sua cor, eles aparecem em amarelo ou marrom, em vez do vermelho, conforme uma versão original do desenho.

HINO

Embora na época da Revolução da 32 tenham sido criadas canções e marchas em homenagem a São Paulo e, mesmo depois, a Constituição de 1946 tenha retomado o uso de símbolos estaduais, só em 1967 a Lei 9.854 assinalou a necessidade de instituir um hino. As origens do Hino dos Bandeirantes remontam àquele mesmo ano, quando foi composto pelo advogado, jornalista, poeta e tradutor Guilherme de Andrade e Almeida (1890-1969) em 18 de setembro de 1967, sob o título original de Aquarela Bandeirante.

Natural de Campinas, o “príncipe dos poetas brasileiros” entrou para a Academia Brasileira de Letras em 1930 e foi um dos promotores da Semana de Arte Moderna (1922). Também participou ativamente da Revolução de 1932, sobre a qual produziu várias obras. Ainda se destacou na confecção do brasão da cidade de São Paulo (1917) e da bandeira e brasão de Brasília (1960).

Em 10 de julho de 1974, estabeleceu-se definitivamente o Hino dos Bandeirantes como o canto do povo paulista por meio da Lei 337 e os direitos autorais foram cedidos pela viúva do poeta, Belkiss Barrozo de Almeida. Mas ainda faltava a música, que seria adotada em 1975, escolhida por concurso público vencido pelo maestro paulistano Spartaco Rossi (1910-1993). Após estudar na Escola Americana e no Conservatório Dramático e Musical, ele atuou em rádios e ajudou a fundar a Orquestra Municipal de São Paulo. Em 1944, também fez com Guilherme de Almeida a Canção do Expedicionário, em homenagem aos pracinhas brasileiros na Segunda Guerra Mundial.

BIBLIOGRAFIA

FEDERICI, Hilton. Símbolos Paulistas: Estudo histórico-heráldico. São Paulo: Secretaria de Cultura, Comissão de Geografia e História, 1981.

FREITAS, A. A. “Bandeira Paulista”. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. São Paulo, 51, 1953, pp. 211-214.

LUZ, Milton. A história dos símbolos nacionais: a bandeira, o brasão, o selo, o hino. Brasília: Senado Federal, 1999.

RIBEIRO, Clóvis. Brazões e bandeiras do Brasil. São Paulo: Editora São Paulo Ltda., 1933.

Sites http://flagspot.net/flags/ e http://pt.wikipedia.org/

HINO DOS BANDEIRANTES

Paulista, para um só instante
Dos teus quatro séculos ante
A tua terra sem fronteiras,
O teu São Paulo das “bandeiras”!
Deixa atrás o presente:
Olha o passado à frente!
Vem com Martim Afonso a São Vicente!
Galga a Serra do Mar! Além, lá no alto,
Bartira sonha sossegadamente
Na sua rede virgem do Planalto.
Espreita-a entre a folhagem de esmeralda;
Beija-lhe a Cruz de Estrelas da grinalda!
Agora, escuta! Aí vem, moendo o cascalho,
Botas-de-nove-léguas, João Ramalho.
Serra acima, dos baixos da restinga,
Vem subindo a roupeta
De Nóbrega e de Anchieta.
Contempla os campos de Piratininga!
Este é o Colégio. Adiante está o sertão.
Vai! Segue a entrada! Enfrenta! Avança! Investe!
Norte – Sul – Este – Oeste,
Em “bandeira” ou “monção”,
Doma os índios bravios.
Rompe a selva, abre minas, vara rios;
No leito da jazida
Acorda a pedraria adormecida;
Retorce os braços rijos
E tira o ouro dos seus esconderijos!
Bateia, escorre a ganga,
Lavra, planta, povoa.
Depois volta à garoa!
E adivinha através dessa cortina,
Na tardinha enfeitada de miçanga,
A sagrada Colina
Ao Grito do Ipiranga!
Entreabre agora os véus!
Do cafezal, Senhor dos Horizontes,
Verás fluir por plainos, vales, montes,
Usinas, gares, silos, cais, arranha-céus!

  • Acima, a bandeira mais bonita que já vi. Desde criança. Depois, o Non ducor “duca”, brasão da cidade de São Paulo  (ainda saberei mexer no photoshop e transformar essa empunhadura numa banana…). A seguir, brasão do Estado. E por último, vídeo com o Hino dos Bandeirantes, que eu particularmente acho terrível de gostar. Teria de passar a educação formal inteira cantando isso diariamente (o que não aconteceu) pra, pelo menos, me apegar.
  • Estou dispensando bairrismos mequetrefes. É bom lembrar que São Paulo (em particular a capital) tem problemas por um motivo definidíssimo. Se trânsito e poluição incomodassem alguém, Fiofó do Mato Dentro teria um estouro populacional.

Revolução Constitucionalista de 1932

Dessa resistência ninguém lembra. O must insistente é ser contra a ditadura de 1964, que, aliás, já acabou faz tempo também.

Quanto a 1964, cada vez mais volita nos meus miolos o porquê da Revolução de 1964 e o que aconteceria ao Brasil se os militares não tivessem tomado o poder (ou, como eles dizem, “as rédeas” da situação). E o que, afinal das contas, queria a resistência de Zé Dirceu, Vladimir Palmeira, Franklin Martins et alii.

Quanto a 1932, tenho a certeza de que o levante paulista saiu moral, politica e coerentemente vitorioso.

  • Cartaz da Revolução Constitucionalista, 1932. FGV.

Nove de Julho 3 – Live MMDCA

Hoje se completam 75 anos da Revolução Constitucionalista. É feriado no estado, mas ninguém sabe ao certo por quê. Se alguém buscar algo sobre o assunto na mídia tradicional, encontrará apenas “o que abre e fecha” e as condições do trânsito pro povaréu que desce para a praia. Só.

A cidade, com um solzinho muito do gostoso, está meio parada. De eventos comemorativos, só tive notícias da parada militar, no Ibirapuera, e de uma caminhada, promovida pela ONG Cidadania Plena, iniciada no dia 4 de junho, que saiu de Santa Fé do Sul, no Mato Grosso (único estado que efetivamente apoiou o movimento) e termina hoje em Cruzeiro, cidade-chave da derrota da revolução. São 25 pessoas que andaram 825 quilômetros, passando por 42 cidades em pouco mais de um mês.  O objetivo é manter (ou enfiar) na memória das pessoas o que aconteceu em 1932 – taí uma ONG que faz algo de útil!

Enquanto isso, a cidade de São Paulo luta, por meio de pouquíssima e anônima gente, para manter os valores que de fato nos sustentam (é, porque ninguém vai me dizer que a cara da cidade deve ser um show de qualquer grupo cujo nome acabe em “MC”!): 

Covas instituiu o Nove de Julho feriado em todo o estado, no ano de 1997;  à sigla MMDC Geraaaaaldo Alckmin baixou uma lei acrescentando, em 2004, um “A”, do Alvarenga, tadinho, que também foi baleado em 23 de maio mas sobreviveu mais alguns dias – daí não ter sido incluído na época; graças à grita do pessoal, o obelisco do Ibirapuera finalmente se livrou da “camisinha” colocada sem a menor cerimônia por uma operadora de celular que banca sua restauração, e agora está todo faceiro, livre, leve e solto.

E assim caminha a humanidade. Mas eu não sei se gostaria de a cidade ter um show como o do Live Earth para comemorar o dia de hoje, não! Primeiro porque é uma confusão. Segundo, os jovens sairiam do show sem saber por que vieram. Como no Live Earth.