A cidade dos serviços

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Dinheiro segue dois princípios: 1) Você tem de guardar uma parte, pra pelo menos garantir o seu futuro. 2) A outra parte tem de circular. Não estou dizendo que a pessoa deva ser perdulária, mas é de bom tom que ela sempre lembre que há outras pessoas que podem fazer inúmeros serviços para ela, e que essas pessoas vivem disso. Se tiver grana sobrando, pague um pintor. Pague um encanador. Não se meta a tingir sobretudo em casa: contrate uma lavanderia.

São Paulo, como se sabe, é a cidade dos serviços. Novas atividades se apresentam no mercado, por exemplo, personal stylist, arrumador de gavetas em casa, vitrinista com curso superior, customizador de roupas, passeador de cachorro, enfim… coisas que não havia antes. Paralelamente, os ofícios mais antigos também mudam de perfil. É claro que ainda há as meninas como as da praça João Mendes: elas têm fungo na unha do pé e aceitam passe, tadinhas! E há também as top-de-linha do Bahamas, do Café Photo…

Mas no meio há esses sillllllviços aí da foto. Os profissionais e profissionalas medianos têm sua grande vitrine nos telefones públicos. Telefone público, em geral, já é um nojo (você desmonta o seu fone para limpar? Eu desmonto. Tenta um dia: dá uma avaliada no bocal e depois me conta. Agora imagina isso num telefone público). Já usei bastante, mas era em últimíssimo caso. Tenho asco mesmo.

Agora, você ter de usar um telefone público todo emporcalhado desse jeito, cheio de etiquetas sebosas, aí já é demais! Antes era só nos points. Agora é na cidade toda!

Masssss…. como sou uma pessoa urbana, sou obrigada a ver a questão pelo ângulo bom: as prosts e os travecos chamam sua clientela. Pagam pessoas para confeccionar as etiquetas. Pagam moleques para colá-las em todos os telefones da cidade. E a Prefeitura se mobiliza para limpá-los, uma tarefa de Sísifo que justifica a quantidade de fiscais sustentados pelo nosso bolso.

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Como diria dona Violante Miranda, apud Raquel, assim caminha a humanidade!

 

  • Foto abaixo: Dercy Gonçalves, no filme Dona Violante Miranda (Fernando de Barros, 1960), em que ela interpreta a dona de um bordel que vence na vida, mas sempre cônscia de suas responsabilidades sociais, ora, ora!

Vambora, vambora…

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Quando era pequena, esse “conjunto sonoro” do título fazia parte da minha rotina. Ao voltar para São Paulo, já adulta, depois de ter morado um tempo no Rio, achei no radinho – dessa vez voluntariamente -, e acho que foi aí que comecei a ponderar: “Puxa, fiquei quinze anos sem ouvir isso, e continua a mesma coisa… que BACANA!”.

O fato é que o Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan AM, é, desde há muito tempo, a cara da correria de São Paulo. O jornal é pontuado, nervosamente, por vários trechos da “Sinfonia Paulistana”, uma obra-prima de Billy Blanco feita especialmente para a cidade. Tem gente que simplesmente odeia o “Vambora, vambora, tá na hora, vambora, vambora” (este trecho está no finalzinho da faixa 10 desta página). Na mesma página há ainda a vinheta que abre a parte paulista do jornal, às 7:30 da manhã, na faixa 4). Inúmeras pessoas não podem nem pensar em ouvir isso, porque traz à memória a tortura de ter de levantar com sono, e ir pra escola ou pro trabalho. Mas outro tanto de gente liga o rádio todo santo dia pela manhã, para ouvir talvez mais que notícia: as musiquinhas dão até uma certa disposição. O jornal passou a fazer parte da vida, e ponto.

Outra característica que sempre me chamou a atenção é a interatividade entre os dois locutores (trabalho hoje feito por Franco Neto, Oliveira Junior, Roberto Müller e Antonio Freitas). Eles não falam rápido, mas sua entonação passa às vezes a sensação de que estão bravos, querendo chamar a atenção pra uma coisa que você não percebeu. Por vezes parecem até nervosos, e quando criança eu achava até uma falta de educação uma voz se sobrepor a outra, impaciente: São 7 horas e 30 minutos./ REPITA!/ São sete horas e 30 minutos.

Mas que raios esta foto está fazendo aí? Explico: Dos comentaristas do jornal, dou destaque ao Reali Jr., que está em Paris desde que foi convidado para ser correspondente da JP por lá, no início da década de 1970. Não há paulistano mais velho que não conheça seu bordão diário: “… às margens do Sena, junto à Maison de la Radio, os termômetros marcam … graus”.

Dizem por aí que seu melhor trabalho é a filha, Cristiana Reali. Dona de uma beleza acintosa, ela substituiu o rosto de Isabella Rossselini para a Lancôme, e faz um sólido sucesso no cinema, teatro e TV franceses. Procurei uma foto bem boa dela, na esperança de que um dia o gosto médio do brasileiro pare de achar Jennifer Aniston a última bolacha do pacote. Abaixo a caipirada! Chega de tintura loira! Abaixo a chapinha! Bonita é a Cristiana, pô!

 

 

Dããããããã…..

Mino Carta é um típico cara de esquerda: resolveu morar num ambiente que odeia. Sim, porque São Paulo é a cara da zelite opressora, burguesa, etc., etc., etc. copia-e-cola. Não imagino como ele consegue respirar por aqui. Só mesmo com um empurrãozinho da propaganda estatal, não é mesmo?

Nem entro no mérito do bairro em que ele mora. Só posso garantir que não é em Carapicuíba, Cidade Tiradentes ou (com todo o respeito dos eleitores de José Serra) Sapopemba. Talvez em Higienópolis? Higienópolis é o típico disfarce para a coisa: tem um charme, uma coisa meio de bairro, mas não engana, não.

Ele agora resolveu fazer uma enquete ishshshshshsperrrrta, e sua burrice se volta sorridente pra ele mesmo. Ele está certíssimo de que atingirá o Cansei, mas está mesmo é levando uma canseira. Permita-se uma diversão e vai lá dar uma olhada.

PS.: Fonte: Observatório da Malu. O Tambosi também colocou uma enquete em homenagem.

Hay que hacer copidesque…

… sin perder la vergüenza jamás. Sempre achei essa historinha de assessoria de imprensa um tremendo copia-e-cola, desde os tempos do xerox e do gilette press. Você quer divulgar alguma coisa? Então larga de preguiça, procura várias fontes e monta alguma coisa consistente. E-di-ta. Faz copidesque. E dá uma revisadinha no final. É assim que procuro fazer, na medida do meu possível, já que a redação aqui é na base do eu sozinho, e isso aqui é um blog, e não um jornal.

 

Mas dessa vez não deu. Tenho a ligeira impressão que resolveram meus pobrema com a banda larga, mas nunca se sabe quando vai cair de novo. Por isso, reproduzo aqui matéria do Sergio Duran, no Estadão de hoje, sobre o desfecho da boníssima intenção de nossos nobres vereadores.

 

“O arquiteto e professor da USP José de Assis Lefèvre foi reeleito ontem presidente do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico (Conpresp), virando um jogo que, há um mês, era dado como perdido para defensores da preservação de bens históricos. O grupo teve como adversários vereadores, que, apoiados pelo mercado imobiliário, defendiam o esvaziamento do papel dos técnicos no órgão, ligado à Secretaria Municipal da Cultura. A ala pró-mercado acabou tendo de se contentar com uma saída honrosa proposta pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).

No discurso feito na cerimônia de posse dos novos conselheiros, ontem, Kassab afirmou que a tendência é de vetar o projeto da Câmara, aprovado quinta-feira, que tira poder de decisão do Conpresp, transformando-o em órgão consultivo. Mas disse que abrirá grupo de estudos para avaliar as reivindicações dos vereadores. Após a posse, os nove conselheiros foram para uma sala contígua ao auditório, com acesso restrito, para discutir a eleição do presidente.

 

O Estado apurou que o secretário de Cultura, Carlos Augusto Calil, abriu a sessão e perguntou quem se candidatava à presidência. Só Lefèvre se apresentou. Calil, que articulava a manutenção do viés preservacionista do conselho, ganhou o apoio do secretário de Estado da Cultura, João Sayad, e do governador José Serra na semana passada. Com isso, barrou a articulação da presidência da Câmara, que pretendia colocar na presidência o vereador Toninho Paiva (PR) – único conselheiro que não foi aplaudido na cerimônia de ontem. A polêmica começou quando o conselho limitou a altura de prédios em três regiões da cidade, frustrando projetos de construtoras.”

 

A poeirada de Congonhas

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Este post estava pronto há uns dois séculos. Por motivos mais do que óbvios, ele teve de esperar um tanto. Agora que a poeira abaixou…

Faz uns anos incentivei meu pai a escrever suas memórias. Ele é um banco de dados ambulante sobre São Paulo, e não seria justo guardar isso para si. Escrever sem pretensão, sem grandes compromissos com formatos, isso e aquilo. Só escrever. Pros filhos, pros netos (a tungadinha aqui foi autorizada). E foi isso que ele fez. Agora parou, acho que deu preguiça.

paulo1939.jpgConheci o aeroporto de Congonhas em 1938, quando meus pais foram morar no bairro do Jabaquara. As poucas companhias de aviação que existiam na época proporcionavam cerca de duas decolagens e aterrissagens por dia. Varig, Vasp e Panair do Brasil eram as principais companhias; os aviões da Vasp eram trimotores Junker, de fabricação alemã.
Aos domingos não havia movimento de aviões; assim, o aeroporto era aproveitado por ciclistas e aeromodelistas. Foi lá que vi pela primeira vez um aeromodelo com controle remoto. Os aviões que permaneciam no campo ficavam ao relento, com seus motores protegidos por lonas. Não existiam hangares, apenas um ou outro galpão de oficina. Não havia também nenhuma pista pavimentada; todo o aeroporto era de terra, e quando batia o vento noroeste levantava uma enorme nuvem de poeira que envolvia parte do bairro do Jabaquara. A primeira pista pavimentada só veio em 1948.

O acesso a Congonhas para quem vinha do Centro era feito por uma via chamada Auto-Estrada, que era de propriedade particular e onde se cobrava pedágio. Nunca vi algum automóvel naquela estrada. Era muito boa para andar de bicicleta.

Pouco antes do início da Segunda Grande Guerra, esteve no Brasil uma esquadrilha de aviões da Força Aérea Italiana, que fez evoluções acrobáticas sobre Congonhas. Nessa ocasião houve uma enorme afluência de pessoas para assistir à demonstração, que teve também a participação de pilotos brasileiros.

Não havia também nenhuma moradia distante menos de dois quilômetros dos limites do aeroporto, especialmente do lado sul, onde essa distância se estendia por 5 ou 6 quilômetros. Portanto, não foi o aeroporto que se inseriu entre as moradias, mas, sim, as residências é que se instalaram ao redor do aeroporto. A partir da metade dos anos 1940, ele foi ampliado e o movimento cresceu acentuadamente, apesar de Viracopos e, mais tarde, Cumbica. Com o crescente movimento, aqueles que fixaram residência em torno do aeroporto se deram conta da inconveniência.

  • Fotos: Pista de Congonhas, c. 1939 (Prefeitura/Sempla). Abaixo, meu pai, no mesmo ano.

Lincha! Lincha!

Hoje levei minha mãe e minha tia na capela da Santa Cruz dos Enforcados, sobre a qual já falei. Era pra ir de carro, mas afinal as duas resolveram ir de Metrô. E o Metrô é um corte perfeito do comportamento do brasileiro: elas são idosas; elas têm direito a sentar nos bancos reservados; há algumas linhas em que isso não precisa ser lembrado; há outras em que isso precisa ser lembrado; há pessoas que se levantam para dar lugar, mesmo estando em bancos comuns; há outras que, ante a presença de idosos, nem levantam dos bancos reservados – não se dão nem ao trabalho de fingir que estão dormindo.

O Roda-Viva de ontem, transmitido pela TV Cultura, recebeu Alberto Carlos Almeida, sociólogo e autor do livro A cabeça do brasileiro, que teve uma resenha na Veja, não lembro se desta semana ou da anterior. Vi apenas o finalzinho da entrevista, o bastante pra confirmar que Lobão está se saindo um ótimo comentarista. Mas o livro está incomodando uma pá de gente, porque põe abaixo um mundo cor-de-rosa que calha muito bem a certos projetos de poder. Em suma, o livro aponta que a a parcela mais educada da população tende a ser mais democrática, menos preconceituosa e tem valores sociais mais sólidos.  Em contrapartida, os que têm menos educação não curtem muito a democracia e a diversidade, e é mais tolerante (e até conivente, digo eu) com o modus faciendi da pior política que temos. É óbvio que isso não é regra. É tendência, como disse. Isso quer dizer que não vale lançar mão de exemplos como o do mendigo incendiado. Mas os linchadores de plantão, é claro, usaram e abusaram desse estratagema (bocejo).

Fiz essa notinha por causa dos bancos reservsdos. Mas a análise de fato está no Reinaldo Azevedo hoje

Passeata da Grande Vaia: 29 de setembro

A Shirlei deu o toque da alvorada, já estamos de prontidão. Até então, não estava muito claro qual seria o dia da próxima manifestação. Tanto isso é verdade que tem um pessoal querendo se reunir no dia 7 de setembro mesmo (conforme se anunciou na primeira passeata). Não custa lembrar que, pelo menos aqui em São Paulo, o pessoal da Polícia Militar estará mobilizado para os desfiles da Independência. Isso significa que estaríamos sem proteção alguma contra vocês sabem o quê.

 

Reproduzo abaixo o que diz o blog da Grande Vaia:

 

“A vaia vai continuar ecoando e cada vez com mais força. A vaia contra o pior governo da história da República só vai acabar quando ele sair de cena. Os brasileiros honestos como você, que pagam impostos, trabalham e desejam um Brasil melhor, não suportam mais ver o País indo cada vez mais para o fundo do poço. Até quando você vai ficar quieto, enquanto a impunidade é cada dia maior, a corrupção é crônica, a justiça é ineficiente e o Presidente nada vê, nada sabe, nada faz. Vaie, é direito seu! Antes que o Brasil inteiro sofra um apagão geral.

 

Dia 29 de setembro acontece a segunda passeata nacional em várias capitais brasileiras.Veja o local de sua cidade e compareça trazendo seus amigos e familiares. Faça parte de um movimento cívico legítimo pelo bem do Brasil. Afinal, além de duas orelhas, também tempos dois pulmões: um é para vaiar, o outro também. ESTADOS QUE DESEJAM PARTICIPAR Favor enviar mail para: orgsp@grandevaia.org com local definido de início da passeata, trajeto e fim. O horário será o mesmo em todas as cidades brasileiras que desejarem participar.

 

Temos 34 dias para organizar uma bela manifestação

 

Data: 29/9/2007
Horário: 15:00hs

 

Locais:

 

São Paulo: Paulista com Pamplona (Metrô Trianon/Masp)
Rio de Janeiro: Forte do Leme
Belo Horizonte: Praça da Liberdade
Vitória: Concentração na Praça do Papa (Em frente ao Palácio do Café)
Brasília: Aeroporto JK
Curitiba: Concentração na Rua XV, em frente à Praça Osório
Belém: Pça do Can
Joinville/ SC: Praça Nereu Ramos
Salvador: Em frente a casa de Jorge Amado no Pelourinho

 

Reúna Pessoas e Organize em seu Estado/Cidade. Prepare faixas, cartazes, planfetos para distribuir, etc e vamos mais uma vez para às ruas, vaiar e gritar: ‘Fora Lula!

 

A UNIÃO É A FORÇA DA NOSSA VITÓRIA!

 

Estados que desejam participar:

 

Favor enviar mail para: orgsp@grandevaia.org com local definido de início da passeata, trajeto e fim. O horário será o mesmo em todas as cidades brasileiras que desejarem participar.”

Grande Vaia No Orkut

 

  • Grande Vaia Curitiba
  • Grande Vaia Vassouras
  • Grande Vaia Capixaba
  • Grande Vaia Rio de Janeiro
  • Grande Vaia Baixada Santista
  • Grande Vaia Belém
  • Grande Vaia Fortaleza (tem um chabu no link, mas o FP deixa registrado)
  • Grande Vaia Belo Horizonte
  • Grande Vaia Porto Alegre
  • Grande Vaia Distrito Federal
  • Grande Vaia Rio Grande do Norte
  • Grande Vaia Limeira
  • Grande Vaia Campos e Região
  • Grande Vaia Vitória/ES
  • Grande Vaia Amazonas
  • Grande Vaia Flórida