Dona Osmerdina no Dia do Trabalho

Como se sabe, amanhã é o Dia do Trabalho. Para tanto, como de costume, o Paulinho da Força realiza seu megashow na praça Campo de Bagatelle, em Santana. O eventão, com a apresentação dos artistas mais bregas do cancioneiro nacional, acontece das 7 às 18 horas, para desespero dos moradores “vagabundos” do entorno. Serão sorteados dez carros e cinco apartamentos para a patulée. O prefeito Kassab, depois do pobrema que teve com Paulinho nos últimos dias, não só vai boicotar o show da Força Sindical como comparecerá, só de turra, ao similar da CUT, que acontece em Interlagos (também para desespero dos moradores “vagabundos” de lá).

Dona Osmerdina, junto com seus filhos Merdolino, Merdvaldo, Merdnílson, Merdington, Mérdson, Merdolinda, Merdna, Merdilaine, Merdnara e a pequena Shéron, estão muito indignados. Depois de encerrado o show, os convivas sempre tiveram como tradição se dirigir ao supermercado Pão de Açúcar da avenida Santos Dumont e saqueá-lo inteirinho. Por isso mesmo, o estabelecimento, que costuma funcionar 24 horas, fechará suas portas no feriado.

Sacanáji cuns trabaiadô…

  • Foto (Almeida Rocha, Folha Imagem): show da Força do ano passado. Dona Osmerdina está lá, no canto esquerdo superior da imagem. Força a vista que você encontra.

Programa para rapazes de fino trato

Coisa, hein! Nóis é sofrídju, nóis é povão. E o Bolsa-Família da dona Osmerdina lá, firme e forte!

  • Foto (Almeida Rocha, F1): Parque Antárctica, Rua Turiassu, no início da tarde de hoje: os osmerdinos lançam cadeiras contra a polícia, na fila (!) de ingressos para Palmeiras x Ponte Preta, final do Paulistão.

No creo en bundas…

Foi uma amiga aqui de SP que me contou essa: certa vez, em meio a um trabalho em dupla, ficou sabendo que a colega estava apaixonada por um cara, e tal, e que ia sair com ele. Para tanto, estava pensando em comprar uma padaria postiça. Os dias se passaram, o trabalho avançou e nunca mais se tocou no assunto. Minha amiga chegou a pensar que fim teriam levado os planos turbinativos, mas achou por bem não perguntar. No mesmo dia, obteve a resposta: de volta do banheiro, a garota sentou e… pfffffff… Minha amiga concluiu: sim, ela comprou seu derrière.

Depois da bunda, do peito, dos beiços, das maçãs do rosto, tudo adquirido em assistência técnica, fico sabendo que no Canadá inventaram o Bottom Up, um enchimento de bunda feito especialmente para homens.

E dá pra concluir: sexo que é bom, ó, babau. O negócio é parecer que, como se houvesse um acordo mundial: eu acredito na sua mentira, contanto que você acredite na minha.

E fico pensando cá com meus botões: mundo se encheu de gente a partir de matrizes sem bunda, sem peito, com músculos, sem músculos, desdentados, carecas, desavantajados, avantajados, depiladas, peludinhas, com craca no pé, micose na unha, futum no sovaco, com frieira, sem frieira, com pêlo no ouvido e herpes zóster. E falando pobrema, largatixa, iurgute no pé do ouvido.

Tá bom que não precisa ser um circo dos horrores. Mas bunda postiça, pô!…

Sobre preferências, público e turbidade na vista

Serra e Kassab ficaram todos felizes com o sucesso da Virada Cultural. Foram cerca de 4 milhões de pessoas assistindo, em maior ou menor medida, a oitocentas atrações. E o melhor, não houve incidentes, como a baixaria do ano passado. A organização do evento finalmente entendeu o sambinha “Cada um na sua prancha…”

E ontem, logo ontem, eu resolvi sair rumo ao centro da cidade, e percebi o movimento incomum de pessoas de todas as idades, mas principalmente jovens, pelas ruas.

No caminho de volta, topei com dois eventos, todos ocorrendo na maior tranqüilidade. Um deles apresentava naquele momento a Fernanda Takai, que só pude reconhecer pela delicadeza da voz – aquilo estava apinhado de gente (Você não acha que eu iria furar aquela multidão toda só pra ver de perto, não? Além disso, minha máquina está com pobrema, como vocês podem ver, e a foto saiu tremidinha porque tenho problemas com multidão. )

O outro era uma apresentação de dança, enfiada na rua dos Araujos ou qq. coisa assim, que naquele momento contava com dois artistas dançando alguma coisa cubana. Estava às moscas. Esta foto também foi tirada na minha máquina, também de improviso, mas ficou um pouco menos ruim que a primeira devido à perícia de dona Tatsch, que gentilmente me acompanhava.

A empatia tem isso de bom: você reconhece as coisas que lhe atraem a quilômetros, mesmo em condições adversas. O que não lhe atrai, sem chance; nem que façam milhares de shows só pra você e gastem laudas e laudas explicando por que aquilo é a oitava maravilha do universo.

Tendeu?

(Bocejo…)

E não é que Law foi preso novamente?

É a terceira vez que a Polícia Federal prende Law. Senão vejamos: na primeira vez, foi por evasão fiscal e contrabando, processo a que responde até hoje. Na segunda, serviu de escada para o Big Brother particular do deputado Luiz Medeiros, made in CGT, em uma filmagem montada, em que foi flagrado lhe passando uns caraminguás para ter seu nome retirado da CPI da Pirataria.

E agora há um motivo bem simples para a prisão de Law: ele estava solto.

Update: Adivinha??? Law ganhou um habeas corpus dois dias depois…

C’est très, très chic

Os usuários da futura linha 4 Amarela do Metrô (Luz-Vila Sonia), e algumas estações das demais linhas, contarão com uma blindagem de vidro nas plataformas. Com a medida, se evitará a queda de objetos na linha, e também que alguém possa fugir pela linha adentro, como ocorreu em um assalto no ano passado. Isso fora os suicídios e empurrões. As portas só se abrirão quando o trem tiver parado e aberto suas próprias portas, a exemplo dos metrôs de Londres, Paris e Hong Kong.

A idéia é que, aos poucos, todas as estações contem com um pára-maluco, mas não por amor à arte: é que eventos na linha atrasam e lascam com toda a circulação, prejudicando, por baixo, a rotina de milhões de pessoas. O novo aparato reduzirá essas intervenções a zero. Não é luxo, é necessidade.

Chic mesmo é o ar-cond que pretendem colocar a partir de 2009 em todas – TODAS – as estações. Andar de Metrô, hoje, é um desafio à imunidade e à resistência do mais hipotérmico dos seres humanos. Os vagões são extremamente quentes, abafados e apinhados de futum. E o pior: não sei o que tem na cabeça das faxineiras que elas fecham aquelas janelinhas após a limpeza. E o povo, se há uma nuvenzinha no céu, se enfia em uma bota dressed-to-kill e NÃO ABRE as janelas.

Ar-cond não é muito a minha praia. Mas confesso que sonhei por anos com um pouco de salubridade no ar do Metrô. Como no Rio. Enfim, caminhamos para a civilização.

  • Foto (Juliana Cardilli, G1): Pára-maluco em exposição na Central de Atendimento do Consórcio Via Amarela, no Butantã. Bonito, mas só com ar-cond.