Fim da caridade genérica

Assunto da semana na indignação diária e monótona das redes sociais é o fato de a Prefeitura de São Paulo querer acabar com a distribuição aleatória de sopão pelas ruas do centro. Elas são feitas nas ruas e causam muitos problemas. A Prefeitura não quer acabar com a caridade, quer apenas que ela se faça em locais apropriados. Do Estadão:

Em um prazo de 30 dias, a Prefeitura de São Paulo quer acabar com a distribuição do sopão para moradores de rua realizada por 48 instituições que oferecem o serviço voluntário nas vias públicas da região central. Segundo a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, as entidades sociais poderão ser punidas, caso não aceitem o convite de distribuir o alimento nas nove tendas da Prefeitura, como são conhecidos os espaços de convivência social que atendem os moradores de rua durante o dia. […]

Obviamente, politizaram a questão até, chegando à bocejante afirmativa de que “Kassab quer acabar com o sopão” e que isso faz parte da higienização tucana – sendo o prefeito de outro partido.

Bem, esse povo fala da boca pra fora, porque seu mundico noturno não passa pelo Centro de São Paulo. No dia em que Vila Olímpia madrugasse coalhada de mendigos, pediriam, espumantes, providências à mesmíssima Prefeitura.

A mendicância é uma condição humana. Sempre existiu e sempre existirá. É quase tão fatal quanto a atração de donas de casa por promoções de bichinhos de pelúcia. Não seja pela esparrela econômica individual, é por gosto mesmo. Há quem prefira ficar nas ruas porque a família é um lixo, por ele mesmo ser um lixo, ou simplesmente por tara.

O Centro da cidade está um flagelo de tanto mendigo. Isso não é exatamente um problema social da cidade. Já disse aqui em outras ocasiões que São Paulo importa mendigos. As pessoas vêm de outros lugares ou de cidades próximas a São Paulo. Muitas o fazem durante a semana, e nos fds voltam para suas casas. É um sistema, eu diria derivado da atração por empregos.

Qual é a vantagem de pedir esmola em Jandira, por exemplo? Nenhuma. Só São Paulo dá liberdade nas ruas, cobertor, comida, albergue na hora do aperto. Fora disso, ninguém quer ir pra albergue. Seja por não aceitar cachorro, por não poder beber ou ter de tomar banho.

O Fávio Morgenstern está se dedicando ao assunto. Por enquanto são dois posts muito bem detalhados e lúcidos no Implicante.: aqui e aqui.

A mendicância é apenas uma mazela. Outra mazela é a incapacidade da opinião geral de procurar se informar. Compra a primeira manchete que se posta diante de seus olhos.

Com responsabilidade da imprensa em informar corretamente, não dá pra contar. Jornalistas são pessoas comuns, mas não deveriam ser. Em seus textos, misturam quizilas pessoais com convicções políticas. Misturam demais da conta.

Resta-nos somente contar com blogueiros independentes. E com o discernimento do povo normal, que não dá bola pra compartilhamentos de facebook, cheios de exclamações.

Onda de ataques em SP é esparsa

Tá lá na Folha (editei trechos):

Especialistas creditam a onda de ataques desencadeada há 16 dias em São Paulo – seis policiais militares mortos, 12 ônibus incendiados e ataques a três bases da PM a uma resposta às ações de repressão ao crime organizado, principalmente ao tráfico de drogas. Eles afirmam que os ataques não estão necessariamente ligados entre si.

Milagre aí foi a Folha/Uol, em vez de ouvir onguistas curiosos, ter ido direto ao ponto e consultado gente que realmente entende do assunto: o coronel da reserva da PM paulista José Vicente da Silva Filho e Jorge Lordello, ambos consultores em segurança.

“A PM vem fazendo uma cruzada contra o tráfico de entorpecentes, e nesse processo acabam surgindo grupos insatisfeitos com as ações da polícia”, diz Silva. E prossegue: “O comportamento criminoso tem essa coisa da cópia, essa coisa que a gente chama de ‘onda’. No caso dos ônibus, as investigações apontam para a participação de grupos de adolescentes nessas ocorrências. É um fenômeno preocupante, mas eu acredito em fatos isolados”.

Para Lordello, a disseminação das drogas no Estado, especialmente o aumento do consumo de crack, foi um “divisor de águas” nas políticas de combate à criminalidade. Segundo Lordello, dependentes químicos acabam sendo um “alvo fácil para o crime”. “Não posso afirmar que esses casos [ataques] tenham acontecido nessas condições, mas essa é uma realidade. Hoje existem muitos usuários, especialmente no caso do crack, que acabam trabalhando para o tráfico.”

Podemos concluir, então, que a coisa é bem diferente de 2008. É comportamento isolado e de imitação, e não articulado por uma facção criminosa. Tem muito neguinho vendido ao crack que quer provar não sei o quê a não sei quem, baseado em suas convicções recentes. Para a polícia, é fácil localizá-los.

O que não é fácil é estancar a progressão geométrica dos viciados em crack. Isso devia ser coisa para o Governo federal, mas…

… é só dar uma espiadinha no noticiário. A droga vem do Paraguai na boa, e invariavelmente só é descoberta na área do estado de São Paulo. Por que isso?

De volta, mais do mesmo

Pertenço à corrente que acha bem calhorda o tipo de pensamento comum sobre a “inviabilidade do mundo”:

Agora que nós, ricos, nos esbaldamos à beça em desperdício,
compramos tudo o que quisemos e estamos enormes de gordos,
é hora de cortar as asinhas dos mais pobres
que finalente têm algum tipo de acesso a bens e comida.

Voltei terça-feira de viagem, e tomei contato com o último “episódio” da série “Planeta Terra – Lotação esgotada”, que a repórter Sonia Bridi desfia no Fantástico há algumas semanas. O assunto do último domingo foi São Paulo – cidade insustentável?

Bem, a escolha é óbvia. Ninguém pensaria em abordar tal assunto no Rio de Janeiro, por exemplo, até porque pegaria mal para quem abrigou a Rio +20 e só mostrou aos representantes estrangeiros, às menininhas-musa e aos índios as belezas da orla urbanizada. Em outras metrópoles, como Belo Horizonte, Recife ou Fortaleza, isso simplesmente não interessa.

A matéria começa com congestionamento. Já cansei de dizer aqui que isso é uma falácia. Congestionamento tem em um monte de cidades. Só varia de acordo com o nível de interesse/atração que elas despertam. No dia em que Jabiraca do Norte for polo de empregos e riqueza, daí você me conta como estará o trânsito por lá. Isso já acontece em um monte de municípios, e pior: sem estrutura viária para tanto. O excesso de carros tem que ver com uma série de fatores econômicos, sociais, culturais, de infraestrutura. Não com a a cidade em si.

Depois lasca no coitado do Ceasa. O horror, o horror!: 10 mil toneladas de comida. Ora bolas, se são 11 milhões de habitantes, isso dá 1 quilo de comida por dia/habitante. Isso porque ela não contou com as cidades satélite que vêm todo dia trabalhar e comer aqui. Não somos tão glutões nem desperdiçamos mais que qualquer brasileiro.

O entrevistado, presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar, disse: “Os brasileiros, de modo geral, administram mal a comida. A estimativa é de que 30% da comida que entra em uma casa são perdidos”. Quer dizer, o pecado é do brasileiro, mas o estigma fica em São Paulo, tendeu? A megadimensão da cidade impressiona os espíritos mais ingênuos.

Prossegue, mencionando o “trânsito travado”. É chato e decepcionante dizer isso, mas o trânsito de São Paulo não é travado. Isso só acontece quando há acidentes. São muitos, mas são acidentes. Geralmente com caminhões. Quando não acontecem, a marginal, por exemplo, é uma delícia.

O lixo tóxico: São Paulo gera muito lixo tóxico, mas outras cidades geram muito mais. Ao contrário de São Paulo, estas últimas não têm um programa de controle de emissão de poluentes, eventualmente não recebem automóveis e caminhões de outras cidades nem programa de arborização. Como eu disse, é só uma questão de quantidade, não de DNA.

Prossegue no rosário de lugares-comuns, como má distribuição de água, a falta de planejamento urbano, a quantidade de carros, a malha “pequena” de metrô, e finalmente a suprema cretinice: São Paulo “chupa” energia de Itaipu.

E finaliza com o melhor: pai de bebê imagina uma cidade mais justa para o futuro. Isso, naturalmente, não se dará pelo empenho dele na educação da criança, mas por um passe de mágica – que só deve acontecer em… São Paulo. Jabiraca do Norte é fora de cogitação.

Talvez o melhor mesmo seja que São Paulo suma do mapa, e que o Brasil viva feliz com suas cidades médias, plenas de emprego e qualidade de vida, planejadíssimas e respeitadoras conscientes do meio ambiente.

Pouca gente, pouco carro e tal…

Antes de ir, duas coisinhas

Gente, a vida não tá fácirrr! Se não é muito trabalho (toc, toc,toc, tomara que continue!), é organizar o furdunço pra tirar uns míseros dias de descanso. É isso que farei, e a partir de amanhã estarei afastada, por uma semanica.

Antes disso, quero deixar pra vocês dois links que remetem a pura sem-vergonhice.

O primeiro é este post do Reinaldo Azevedo, sobre a pegadinha do chamou/não-chamou a PM, no incidente da depredação na Unifesp de Guarulhos. Vergonha para uma emissora que já foi melhor. Hoje a Globo faz como qualquer tabloide de interior: pega a primeira versão e joga pra plateia. Aquele jornalismo in loco, de ouvir as duas partes, de checar tudo, ó, acabou!

O segundo é de uma vagabundagem que custo a crer que seja de propósito. Quer dizer, de propósito é, mas a elaboração, a malícia, a sofisticação na engambelação também se esvaíram. A Folha, na falta de argumento melhor, resolveu comparar a qualidade dos serviços públicos nos cafundós da Zona Sul paulistano com a “média” do Nordeste.

Faltaram às lições de estatística. Periferia a gente compara com periferia, e centro se compara com centro. Como a concentração urbana de São Paulo ganharia de dez de qualquer outra, resolveram fazer esse contorcionismo pra tentar provar alguma coisa.

E é com esse rosário de cretinices que deixo um beijo pra vocês. Provavelmente eu apareço, mas não quero garantir. Até início da semana que vem.

Memória mais ou menos recente

Muito fofa a cobertura exagerada e excitada da mídia sobre a adesão (de rabinho abanando) da ex-prefeita Luiza Erundina como vice na chapa de um candidato cujo percentual de intenção de votos é insignificante, e cujo partido lhe deu um pé na bunda há alguns anos.

Erundina é o tipo de figura política que, malgrado a péssima gestão que exerceu na cidade, ainda tem uma reserva chúqu-chúqui nos corações da cidade. Por que é idosa? Por que foi expulsa do PT? Porque tem cara da vovó da Casa do Pão de Queijo? Não sei. Só sei que parte do eleitorado ainda escolhe representantes com outras partes do corpo que não o cérebro.

Vamos a um apanhado memorialístico que não tem nem quinze anos? Nem precisa ir muito longe. Pego da Folha (p/assinantes):

7 de fevereiro de 2010: Luíza Erundina (PSB-SP) associa o distanciamento do PT das bases sociais às mudanças no mundo do trabalho, “que foi a matriz do partido”. “Hoje o PT é um partido condicionado e determinado pelas questões institucionais. Não teve acúmulo de força nas bases sociais para alterar a lógica de governos dependentes de maiorias”, afirmou Erundina. (aqui)

20 de junho de 2000: Integrantes do PNBE também perguntaram à candidata se ele pretendia paralisar as obras municipais como fez com o túnel Jânio Quadros, sob o rio Pinheiros, quando assumiu a prefeitura em 89. Erundina disse que não colocará dinheiro em obras que considera inúteis e que não continuará o Fura-fila, se eleita. (aqui)

20 de junho de 2000: A candidata [Erundina] declarou que pretende cobrar ressarcimento pelos serviços prestados pelo município a pessoas que são de cidades vizinhas e que usam a infra-estrutura de São Paulo. (aqui)

17 de abril de 1999: O ambulante Marcos Maldonado disse ontem em depoimento à CPI da máfia que a cobrança de propina de camelôs existe desde 1991 em São Paulo, na gestão da ex-prefeita Luiza Erundina, então no PT. A cobrança seria feita por fiscais das regionais. O presidente da CPI, José Eduardo Cardozo (PT), que foi secretário de Governo na gestão Erundina, disse não ter se surpreendido com a declaração. “Há dados de que a cobrança de propina data de muito tempo. Também há dados de que apenas recentemente isso assumiu a feição de crime organizado”, disse. (aqui)

Tem um monte de arquivo por aí, que, se tempo eu tivesse, transformaria este post numa capivara. Do que sei (eu morava no Rio quando a gestão Erundina começou), o único fato positivo para Luiza Erundina é ter teimado em reabilitar o Autódromo de Interlagos (o PT queria transformar o espaço num grade conjunto habitacional). Isso seria ótimo se a ex-prefeita não tivesse intentado usar a mansão Matarazzo para dar vazão à sua tara socialista: transformá-lo em um museu do trabalhador, numas de vingança do tipo “o trabalhador chapinhando à vontade em território do patrão”, sabe como é? Ainda bem que não deu certo. Se assim fosse, só a alta burguesia socialista visitaria aquilo. Não serviria de nada aos anseios da classe trabalhadora.

Não gosto do estilo Erundina. Não tem nada que ver com a pessoa dela. Só não concordo com seu tipo de pensamento. A cidade de São Paulo não pode “pensar só em saúde e habitação” (embora as últimas gestões pensem nos dois quesitos, e muito). É uma cidade enorme, com problemas e características outros que não apenas atender à massa migratória que contoinua vindo pra cá.

As gestões do PT em São Paulo são toscas. Eles ainda estão na lógica de que algo não funciona por não ter mais dinheiro. Bobagem. Tem dinheiro e bastante. O problema é como geri-lo, como fazer ele render, a começar pelas administrações em cada entidade pública.

Uma das boas coisas a fazer é colocar administradores eficientes. Eles fazem os funcionários trabalhar e “azeitam” (termo antigo) a máquina, enxugam burocracias, modernizam os processos e pensam soluções modernas.

As gestões petistas na cidade só fizeram aumentar o número de contratados e geraram um esquema imenso de arrecadação corrupta. O PT sempre precisa mais e mais de grana, e não é sempre que dá pra fazê-lo em grande escala numa administração municipal. Lembra do Celso Daniel e os ônibus. Pois é. É hábito. De resto, Erundina lidou com dinheiro como Marta o fez: metendo os pés pelas mãos, e elegeu extorquir… camelô.

Você passou ultimamente, por exemplo, pela rua Teodoro Sampaio? Está limpa de barracas. Isso levou mais de dez anos, porque não é fácil tirar camelô da rua. Afinal, eles também estão trabalhando, ao jeito deles, mas estão.

Eu, pelo menos, não acho bonito que isso volte.

Até porque gestão eficiente não precisa de uma massa imensa de vendedores ambulantes para implantar terror de gato e rato. Isso só tem um objetivo, que passa longe do pretenso socialismo de dona Erunidina.

A palavra-chave é extorsão.

Pausa para ninharia

Faz umas semanas venho matutando (não por eventualidade profissional) sobre a validade ou não do pluralzinho danado das Ilhas Falklands. E desde então, quando dá, faço minhas pesquisinhas. Exprico:

Bem, nos mapas por aí e lá mesmo, in loco, ninguém usa Falklands, no plural. Vamos à Wikipedia, que mistura as duas formas mas acaba explicando a origem e tirando parte da minha dúvida:

O nome “Falklands” foi dado por John Strong em 1690, em homenagem ao Visconde de Falkand, nobre escocês, que era o patrocinador da sua expedição, enquanto o nome “Malvinas” deriva do nome francês Îles Malouines, dado em 1764 por Louis Antoine de Bougainville em referência à cidade francesa de Saint-Malo.

Então, se o hômi era o Visconde de Falkland (claro que está digitado errado, faltou um “l” na citação acima), é Falkland. Poderia ser um bilhão de ilhas: é Ilhas Falkland, sem o “s”, como de fato é:

Nos mapas, tudo coerente. Não encontrei unzinho sequer com a forma no plural. Nem na internet nem no meu atlas velhinho:

Tem coisas que não querem dizer rigorosamente nada. Tem a prova, a constatação de origem, mas prevalece o uso, o hábito. Taí Getúlio Vargas que não me deixa mentir. O caudilho não tinha acento no prenome, mas entrou naquele funil horroroso adotado pela maioria das redações: morreu, padronizou por baixo: simplifica o nome e cabô: Getúúúlio.

Também dei um rolê pelos manuais de redação. Nos da Folha e do Estadão, não encontrei. Nos demais também não há menção. Só um, conhecido dos revisores como Ildete (Ildete Oliveira Pinto – um homem -, autor do Manual da Editora Ática) traz lá na sua manuseada lista de topônimos: Falkland, Ilhas Falkland.

Nos sites de grandes jornais, vai ao gosto do freguês. Folha, Estadão, Globo, nenhum deles padronizou a coisa.

Talvez ninguém tenha pensado nisso. Talvez todo mundo seja induzido ao plural em contraposição a Ilhas Malvinas. Ou talvez haja um acordo intergalático (sim, as duas formas acontecem no mundo inteiro) pra não tocar no assunto e deixar tudo como está.

Mas euzinha já me decidi: Ilhas Falkland. E se alguém reclamar desfio esses argumentos.

Só pra constar

Só reproduzo post de Reinaldo Azevedo:

 15/06/2012

às 3:28

Metrô gerido por governo do PT está em greve há mais de um mês. Cadê as notícias?

A pré-campanha eleitoral nos deixa ver que os petistas sabem tudo sobre São Paulo — estado e capital. Se um dia vencerem as respectivas eleições, teremos o paraíso. É uma pena que não possam oferecer o Éden de presente ao povo quando lhes é dado administrar a máquina pública.

Querem um exemplo? A greve dos metroviários de Belo Horizonte, Maceió, Recife, Natal e João Pessoa completou um mês anteontem. E o que o PT tem com isso? O serviço é administrado por uma empresa federal, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Greve por quê? O “governo dos trabalhadores” — assim os petistas gostam de ser chamados, e eu respeito a vontade… — decidiu que, neste ano, não haveria reajuste. Aí a turma parou. A CBTU avançou um pouco na negociação e decidiu oferecer 2%. Os trabalhadores recusaram. Está prevista para hoje, em Brasília, uma reunião de representantes da categoria, da CBTU e do governo.

Fosse uma greve em São Paulo, os parlamentares do PT estariam fazendo proselitismo em porta de estação. A greve nas cinco capitais não rende nem notícia.

Nem digo “greve”, Reinaldo. Um simples agasalho travando estrategicamente a porta de uma composição já rende laudas político-ideológicas sobre o colapso do regime capitalista e o “caos da cidade”.

Precisa falar mais alguma coisa?