Pra começar do zero

O ano que vai embora, já vai tarde! Não foi bom pra mim, não. Problemas de saúde com pessoas queridas e próximas, um pequeno baque profissional que aborreceu mais do que deveria (depois tudo se ajeitou da maneira mais irônica possível: a pessoa envolvida foi devidamente defenestrada de minha bay window trabalhética) e, por conta desse panorama,  as coisas não andaram como deveriam. Cheguei até a torcer para o ano findar rápido, mas sempre acontecia algo mais. E pra fechar

Mas a cabalística psicológica existe, e a virada de ano vem cheia de planos (“promessa” eu acho coisa de bêbado). Vamos ver se dá. Se eu conseguir fazer um quinto do que planejo, já está de bom tamanho.

O mesmo desejo para você. Não é preciso que ninguém viva uma epifania de pulinhos nas ondas, calcinhas amarelas, abraçar quem nunca viu e cair na sarjeta de tanta “felicidade”. Estar com familiares e amigos já está de bom tamanho. Ou até só, se for do gosto.

No momento chove a cântaros aqui. A chuvinha boa que fez a alegria dos africanos na São Silvestre subiu o morro e aqui se encarapitou. Que lave tudo e traga bom ânimo e coisas novas. Para a cidade e para todos nós.

Grande beijo e grande abraço.

Anúncios

Botãozinho do afeto

Cena que vi agora há pouco me faz pensar que afeto tipo liga/desliga, hojindjía, só para certas categorias da moda:

1) cachorro/gato esfolado/arrastado/atropelado/moído

2) down (tratado como criança, independentemente da idade)

3) criança de favela incendiada (mas só de favela incendiada)

4) humorista à beira da morte

5) artista com câncer

O resto, humpf!

Batismo de advento

Pra mim é assim: cada tipo de música tem seu cantinho no panteão da estética. Música clássica deve ser executada como música clássica, cordel como cordel, rock é rock, fado é fado. Não curto releituras interculturais. Os três tenores cantando Granada ainda vai, mas Andre Rieu executando Aquarela do Brasil  ou (vai quê?) Andrea Bocelli cantando “Ai, assim você me mata” é um pouco demais.

Não sei se já comentei com vocês mas, para mim, se deprê de Natal há,  é consubstanciada nas músicas natalinas em arranjo de samba, naquele solinho de bandolim.

Não falha: essa trilha sonora dos infernos, da pobreza, da falta de semancol estético, do calor e da loja cheia de gente ensuarada (inclusive eu) invariavelmente vai te pegar.

Pois bem: meu batismo anual foi esta semana. Mamãe cismou de comprar xícaras de café (porque as dela estavam um furdunço. Eu acho charmoso misturar. Minha mãe, não. Ela foi criada nas melhores normas do Império Austro-Húngaro carioca.)

Também é de questionar POR QUE???? resolver um problema dessa magnitude justo na semana do Natal. Não sei. E minha ignorância das coisas da vida se amplia pelo detalhe de que fui eu que sugeri semanas atrás. Enfim…

Piorou porque uma das xícaras estava com defeito. E no Império Austro-Húngaro isso é inadmissível. Tínhamos de voltar lá mesmo, então já de manhã me preparava para encarar a musiquinha.

A moça da loja trocou com toda boa vontade, e tal. No final, desejei-lhe bom Natal e sanidade para aguentar aquilo nos ouvidos o dia inteiro. Ela não respondeu propriamente, mas me olhou com aquela cara de povo, do povo-indivíduo, do povo-com-opinião, do povo com sapiência suficiente pra não dar tanta bola, como se aquilo fosse um detalhe. A musiquinha faz parte das agrura da vida e ponto.

Saímos de lá, estava tocando Jesus, Alegria dos Homens no sambinha…

Então, para antídoto, e para os votos do melhor Natal a todos,  lá vai, como determinou o grande Bach. A letra em português é a que aprendi; para acompanhar é só ir com calma, curtir o instrumental, seguir as entradas do coral alemão e economizar as sílabas para encaixar tudo certinho:

É Jesus minha alegria
meu prazer, consolo e paz
Ele as dores alivia
e minh’alma satisfaz

É Jesus meu sol fulgente,
meu tesouro permanente
Eu por’isso O seguirei
e jamais O deixarei

 

 

Valentia seletiva

MP com tanto afã de aparecer que não respeita nem a pasmaceira da opinião pública em véspera de Natal.

O promotor José Carlos de Freitas enviou ofício à CET informando que bloqueio da Paulista para visitação diária dos enfeites natalinos é ilegal.

Segundo ele, rola um termo de ajuste de conduta segundo o qual a avenida só pode ser bloqueada três vezes por ano, ou seja: Parada Gay, São Silvestre e Reveillon.

O MP, portanto, atua com memória seletiva.

Certamente esqueceu da existência do tal termo de ajuste de conduta durante os inúmeros bloqueios da Paulista em 2011.

Inclusive na modinha que andou rolando no meio do ano, em que qualquer assunto gerava manifestação a partir do vão do Masp e acabava tomando todas as pistas e faixas da avenida.

Causas tãããão importantes que hoje ninguém mais se lembra…

Um salve…

… pro Romário, que havia apontado a mobilidade urbana em São Paulo como um problemão. Em novembro passado, soltou essa pérola (grifo meu):

Segundo [Romário], São Paulo tem o desafio de resolver os problemas das malhas viárias da cidade porque já não comportam o fluxo diário de carros, e as alternativas apresentadas para a Copa são incipientes.

Isso porque trem e metrô são apontados como os principais veículos de acesso à arena. “Estamos falando de uma Copa do Mundo e não de um Campeonato Paulista, não de um Campeonato Brasileiro. Em média, 60% das pessoas que participam de uma Copa são estrangeiros e a maioria delas não usarão nem trem, nem metrô. Os turistas que tiverem que pegar táxi e ônibus executivo e não saírem com muita antecedência terão dificuldades para chegar à arena”, avalia. (íntegra)

Ahã… Na cabecinha do cara os gringos não andam de trem porque, afinal, trem é coidipobre. Trem é coisa de “campeonato paulista”

Se o parâmetro romarístico do que vem a ser um sistema de trens se baseia no episódio de ontem no Rio, a coisa complica mesmo.

Abaixo, algo sobre o padrão do metrô paulistano. A não ser por alguns detalhes de evolução técnica ao longo dos anos, existe um padrão único que serve a ricos e pobres, ao centro e à periferia, com pontualidade, conforto, rapidez e limpeza:

Achou muito antisséptico?

Eu também (310 milhões de passareiros!), embora não seja mentiroso. Pena que não achei nada em hora do rush normal. Encontrei este outro, bem espontâneo, de um rapaz corinthiano, mostrando que o cotidiano não está tão longe assim do vídeo anterior e evidenciando a proximidade do Itaquerão com o sistema metrô-trem:

Então, ó, Romario… Romariôôôôôô!!!

Fica você com seu ideal de mobilidade “para estrangeiros” que a gente fica com nosso conceito de mobilidade pra seres humanos.

Vida de adulto

Do Estadão:

Cerca de 60 alunos do curso de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) foram reprovados por não atingirem a frequência mínima por conta da greve, que durou um mês, dos estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) no início de novembro – quando a reitoria foi invadida, após disputa com a presença da PM no câmpus.
O professor Carlos Alberto Ribeiro de Moura, que ministra História da Filosofia Contemporânea II, reprovou todos os estudantes dos períodos diurno e noturno da disciplina. Para ser aprovado, além das notas acima da média, o aluno deve ter um mínimo de 70% de frequência.
“As aulas foram interrompidas antes de completar o mínimo exigido e os alunos foram avisados sobre isso”, disse o docente. “Não posso fazer nada. Não vou emitir um documento público falso. Não sou eu quem aprova ou reprova por falta. As pessoas têm presença ou não têm.” (continua)

Pois é, né? Aluninho não vai nem reagir agora, porque as férias estão aí e nem teria graça armar movimento sem a possibilidade de matar aula.

O máximo, máximo que dá pra fazer por enquanto é ficar de mimimi no Facebook.