No divã da reforma

Bem, parece que acabou o fuzuê de reforma lá em cima. Meus pais trocaram as janelas dos quartos, botaram abaixo os guarda-roupas feitos com cuspe e hoje, só hoje, deixei tudo em ordem e limpo depois da massa corrida/pintura de Mister Juracy. Ficou tudo bem teteio, e tal. Falta um sambarilove no sinteco, mas aí é outro papo.

Mas nem é disso que ia falar. Quero cumpartilhar é o tamanho da jaca nos próximos boletos de condomínio por conta da parvoíce das pessoas em gerais. Explico:

Há certa estrutura hidráulica aqui do prédio que precisou ser trocada, do térreo à cobertura, nos apartamentos de final 4. São as chamadas colunas: tubos de ferro, velhíssimos, escamoteáveis por apartamento, que servem pra esgoto, ou respiradouro, enfim. Eu sei que precisavam ser trocadas de cima a baixo. Algum problema geral de entupimento.

Não era para ser assim. Era pra ser aos pouquinhos. O bom senso universal manda que, toda vez que um morador reforme banheiro ou cozinha, aproveite a bagunça e troque a coluna correspondente. Foi assim aqui em casa: reforma é por sua conta, a parte da coluna é o condomínio quem paga, faz-se a meleca toda de uma vez e beleza.

Acontece que meu prédio é uma amostra comovente da humanidade: boa parte dos moradores acha que reforma de banheiro é só botar revestimento novo pra ficar tudo lindjo. Vai lá a burra se besuntar em azulejos e pisos nas grandes lojas de materiais de construção, gasta uma grana e esquece da parte mais baratinha de trocar: a hidráulica; o que inclui, obviamente, a coluna.

Até aí, cada um com seus carnês, não é mesmo?

Até o dia em que aqueles canos velhos, todos embororocados, escondidos por detrás daquele verdadeiro parthenon pós-moderno, corroem de vez, prejudicando a parede do outro cômodo, o vizinho debaixo e tudo o mais que se imaginar.

Vai daí o proprietário acha ruim ser obrigado a quebrar o recanto high tech pra consertar sua economia porca.

E foi isso que aconteceu com as colunas do meu prédio: povinho chiando não só por causa da enorme-grana-de-uma-só-vez que vai ter de desembolsar, mas também pelo transtorno da quebradeira do banheiro novinho. E o pior: todos os moradores pagam o revestimento novo que foi danificado.

Na boa, que se ferrem. Não têm nem a desculpa da inexperiência. São todos moradores velhos. O que lhes falta não é idade, mas neurônios.

Então, você que é novinho de tudo e certamente um dia reformará um banheiro ou cozinha, aprenda desde já a fazer a coisa certa: troque tudo pra não se aborrecer depois.

  • Na photô, sonho de consumo de brasileiro é todo podre por dentro. Taí a explicação de político não ligar pra saneamento básico. Eles são nossos legítimos representantes.
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12 opiniões sobre “No divã da reforma”

  1. Be careful, Lets. Esse negócio de mexer em coluna de prédio dá uma zica desgraçada.
    É só voltar a fita e dar uma olhada no que aconteceu no Rio. Rezemos para que as fundações aguentem a “mexida”.

  2. Mas não é coluna de sustentação, não, Schu. Chamam de “coluna” aqui, mas é apenas uma estrutura secundária pra esconder um cano que vara os apartamentos. Não influi na estrutura do prédio. Deus me livre mexer em coluna e viga, rapaz! Eu abri tudo aqui na cozinha, mas as bichinhas estão lá, intactas. Consultei engenheiro de responsa e tudo, relax!

  3. Prédios envelhecem… um dia, todos eles passam por quebrar uma boa parte e consertar… se os moradores não entendem isso, é porque fazem parte da maioria brasileira de guti-gútis que acham que a vida tem que ser perfeita, senão a culpa é do vizinho…

  4. Fábio, o que me espanta é a pessoa se submeter ao inferno de uma reforma e só trocar a casca. Uma privada de caixa acoplada baratinha, p. ex., custa menos de cem reais. Cano, então (ainda que de cobre) é uma merreca. A alma NÃO TROCA!!!! Prefere continuar gastando um absurdo de água por causa de CEM REAIS!

    Derek, políticos são gente como nós. Repetem o padrão. As cidades são o que as casas são. Cê olha as casas, assim é o entorno.

  5. Meu pai tem essa mania, de fazer reforma da reforma, gastar 30 vezes o que era pra gastar, se incomodar… e deixar que o otário aqui se incomode com pedreiro mesmo não tendo nada a ver com a obra.

  6. No Brasil o negócio é a imagem antes do estôfo. É a forma antes do conteúdo…não me admira que gastem os tubos para reformar por fora e deixem o por dentro apodrecer…

  7. Encontrei com 2 moradores agora de manhã, caso clássico de fazer merdinha e depois ficar indignado. Disseram que seu pedreiro “teria de” quebrar os apartamentos de cima e de baixo pra trocar uma simples coluna!!!! A mão de obra desse tipo de coisa é como a de revisor MESMO!

  8. Pois é, filha… Lá no ap dos meus pais, o que faltava era dar uma tapona na área de tacos onde estavam os embutidos de farofa. Cera, marca de água, o escambau! Meu début no ofício concluiu que eu precisava lixar “na tomada”. Fui até a Florêncio, comprei o kit de lixadeira pra minha furadeira e já mandei ver. Apesar da poeirada, está ficando muito bom! (Agora – você me conhece – vou sair lixando tudo o que vier pela frente).

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