Números não mentem, mas enganam os trouxas

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Desde que a gripe suína virou notícia de fato, com gente morrendo e tal por aqui, nem falei do assunto, porque simplesmente não havia o que falar. Talvez algo me dissesse que eu estava esperando esse quadro fofo, que Reinaldo Azevedo montou na quinta-feira:

[…] Então vamos ver como se distribuem as mortes em números absolutos naqueles em que há óbitos: SP (223); PR (151), RS (98), RJ (55), SC (11), MG (8), DF (2), Paraíba (2), Bahia (2), MS (1), PE (1), RO (1), PA (1), RN (1).

[…] tabela dos mortos nos Estados por 100 mil habitantes. O ranking é este (em alguns casos, precisei chegar à terceira casa depois da vírgula da desempatar):

1º – PR – 1,40
2º – RS – 0,90
3º – SP – 0,53
4º – RJ – 0,34
5º – SC – 0,17
6º – DF – 0,07
7º – RO – 0,06
8º – PB – 0,05
9º – MS – 0,04
10º – MG – 0,039
11º – RN – 0,032
12º – BA – 0,014
13º – PA – 0,013
14º – PE – 0,011 (íntegra – e é importante ler – aqui).

Como a cabeça do brasileiro é meio troncha mesmo, há de concluir que estados como Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro são porcos de doer. E que Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba e Pernambuco são o que há em matéria de assepsia, salubridade, temperatura, bons modos e ânimo para preenchimento de formulários do sistema de saúde.

Estou me divertindo aqui, e Reinaldo Azevedo do lado de lá. Ria você também.

  • Fotinho: numa lojinha de essências da Tabatinguera. Aliás, o álcool gel já era must aqui desde antes da gripe. Se incorporou aos bons modos da população. Custa usar depois de sair do metrô, antes de comer, depois de pegar em dinheiro? Experimenta! É baratinho e não dói!

Um teto para meu País

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Um teto para meu país é uma ONG que começou no Chile em 1997 e está no Brasil – sediada em São Paulo – desde 2002. De lá para cá, foram construídas 195 casas em São Paulo. O site está aqui. Seria interessante que eles divulgassem o número total de obras feitas e o montante arrecadado desde então.

Hoje, dia 29, é dia de coleta em vários cruzamentos de São Paulo. Como passei por dois deles e não tinha um caraminguá dentro do bolso, estou divulgando aqui.

Porque eu já sou macaca, e velha, e não acredito mais nessas coisas. Nem em empurrãozinho pra ninguém, nem em ongs, nem em nada. Muito menos em vida feliz na favela.

Mas no rostinho esperançoso dos universitários que me abordaram eu acredito.Vai que eles perseveram na coisa, não?

Então taí.

Eu vi o Belchior

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Mas foi há muitcho tchiempo, no Largo São Francisco. Vai ver desde aquela época ele não pagava o flat…

Tenho topado amiúde com gente famosa. Não em eventos, porque em eventos  fatalmente você verá gente cunhicidis. Na rua mesmo, sem querer.

E isso me faz pensar em algumas coisinhas. Por exemplo, como se reage quando se topa com célebres. E o que sente o famoso com essas abordagens.

Há pessoas que vão ao encontro do famoso com os braços abertos, como se o fulano as visitasse todo santo domingo. Particularmente, tenho horror a essas coisas, desde a mais tenra idade.

Quando eu trabalhava em rádio, por exemplo, era assim: quando o artista entrava em nossa sala para cumprimentar, na maior simpatia, eu retribuía igualmente. Mas quando não – se ele chegava e ficava grudado na porta do estúdio, para fazer seu jabá e ir embora -, eu passava, cumprimentava como se cumprimenta o jornaleiro da esquina e seguia. O engraçado é que tinha artista que não gostava dessa “normalidade”, como um certo roqueiro dos anos 80 que tem umas certas músicas lindas e hoje fala de futebol em certa coluna de jornal.

Lamento. Mamãe ensinou que quem chega é que tem de ir cumprimentar os que já estão no local. Se o cara não move a buzanfa pra dar oi pra ninguém, por que motivo eu macaquearia em torno dele?

Mas tem os que gostam. Lembro, com vergonha alheia, quando eu frequentava a Congregação Israelita Paulista (CIP) antes de trabalhar lá. Eu fazia hebraico com uma colega de trabalho, e um belo dia aconteceu algo que fatalmente iria acontecer: encontramos o rabino Sobel pelo caminho. Ela começou a berrar aquele discurso “eu não poderia deixar de cumprimentá-lo!!!”, o que me deu vontade de voltar e me esconder na guarita do bunker. Mas nada! Ele adora essas paparicações povarísticas.  Não só para si, mas com ele paparicando gente comum, no meio da rua. Aí tudo bem, cada um com suas necessidades.

E há também quem não goste. Imagina um cara – como o que vi hoje no supermercado, ou o que vi semana retrasada na rua – que tem todo um trabalho, de uma vida toda, e por alguma obra e graça tem aparecido na TV, e vem uma fofa fazendo um escândalo desses?

O famoso deve – se não for retardado ou carente – se sentir um rato.

Portanto, se for o caso como o de hoje, é só um opa, um sorriso e um obrigada – dado o congestionamento de carrinhos em que nos encontrávamos no corredor de massas; e olhe lá. Nada que você não faça com um comum do povo.

São Paulo melhorou muito nesse quesito, e graças a Deus chegou a um nível -carioca-sona-sul-de-topar-com-celebridades. Mas houve tempo em que o comportamento na capital para esses casos não ficava devendo nada à nata aristocrática de Conceição do Mato Dentro.

Se bem que com a globalizêichon, a melhora de vida do povobrazileiro, a paparicação televisiva tomou contornos de metástase.  E eu que achava que a internet iria acabar com essas coisas, mas qual!

Mas, ó, se eu vir o Sarney ou o Belchior por aí, eu abordo. Abordo e aviso.

CQD

Reinaldo Azevedo hoje:

Isso quer dizer que Mercadante é e não é senador por São Paulo. Ele é um senador do Lula e por Lula. Se o outro mandar, pode votar contra os interesses do Estado.

Aliás, é a prática quase geral. Porque, por um raciocínio torto e estamental, o sujeito considera o partido sua única chance de receber algum provento. E ele só vê isso pela frente: sua sobrevivência.

Poderia ter se aplicado, aberto um negócio em sua área geográfica, produzir alguma coisa. Mas isso daria muuuuito – o que comumente se chama de  – trabalho…