Arquivo da categoria: Matarazzo

Memória mais ou menos recente

Muito fofa a cobertura exagerada e excitada da mídia sobre a adesão (de rabinho abanando) da ex-prefeita Luiza Erundina como vice na chapa de um candidato cujo percentual de intenção de votos é insignificante, e cujo partido lhe deu um pé na bunda há alguns anos.

Erundina é o tipo de figura política que, malgrado a péssima gestão que exerceu na cidade, ainda tem uma reserva chúqu-chúqui nos corações da cidade. Por que é idosa? Por que foi expulsa do PT? Porque tem cara da vovó da Casa do Pão de Queijo? Não sei. Só sei que parte do eleitorado ainda escolhe representantes com outras partes do corpo que não o cérebro.

Vamos a um apanhado memorialístico que não tem nem quinze anos? Nem precisa ir muito longe. Pego da Folha (p/assinantes):

7 de fevereiro de 2010: Luíza Erundina (PSB-SP) associa o distanciamento do PT das bases sociais às mudanças no mundo do trabalho, “que foi a matriz do partido”. “Hoje o PT é um partido condicionado e determinado pelas questões institucionais. Não teve acúmulo de força nas bases sociais para alterar a lógica de governos dependentes de maiorias”, afirmou Erundina. (aqui)

20 de junho de 2000: Integrantes do PNBE também perguntaram à candidata se ele pretendia paralisar as obras municipais como fez com o túnel Jânio Quadros, sob o rio Pinheiros, quando assumiu a prefeitura em 89. Erundina disse que não colocará dinheiro em obras que considera inúteis e que não continuará o Fura-fila, se eleita. (aqui)

20 de junho de 2000: A candidata [Erundina] declarou que pretende cobrar ressarcimento pelos serviços prestados pelo município a pessoas que são de cidades vizinhas e que usam a infra-estrutura de São Paulo. (aqui)

17 de abril de 1999: O ambulante Marcos Maldonado disse ontem em depoimento à CPI da máfia que a cobrança de propina de camelôs existe desde 1991 em São Paulo, na gestão da ex-prefeita Luiza Erundina, então no PT. A cobrança seria feita por fiscais das regionais. O presidente da CPI, José Eduardo Cardozo (PT), que foi secretário de Governo na gestão Erundina, disse não ter se surpreendido com a declaração. “Há dados de que a cobrança de propina data de muito tempo. Também há dados de que apenas recentemente isso assumiu a feição de crime organizado”, disse. (aqui)

Tem um monte de arquivo por aí, que, se tempo eu tivesse, transformaria este post numa capivara. Do que sei (eu morava no Rio quando a gestão Erundina começou), o único fato positivo para Luiza Erundina é ter teimado em reabilitar o Autódromo de Interlagos (o PT queria transformar o espaço num grade conjunto habitacional). Isso seria ótimo se a ex-prefeita não tivesse intentado usar a mansão Matarazzo para dar vazão à sua tara socialista: transformá-lo em um museu do trabalhador, numas de vingança do tipo “o trabalhador chapinhando à vontade em território do patrão”, sabe como é? Ainda bem que não deu certo. Se assim fosse, só a alta burguesia socialista visitaria aquilo. Não serviria de nada aos anseios da classe trabalhadora.

Não gosto do estilo Erundina. Não tem nada que ver com a pessoa dela. Só não concordo com seu tipo de pensamento. A cidade de São Paulo não pode “pensar só em saúde e habitação” (embora as últimas gestões pensem nos dois quesitos, e muito). É uma cidade enorme, com problemas e características outros que não apenas atender à massa migratória que contoinua vindo pra cá.

As gestões do PT em São Paulo são toscas. Eles ainda estão na lógica de que algo não funciona por não ter mais dinheiro. Bobagem. Tem dinheiro e bastante. O problema é como geri-lo, como fazer ele render, a começar pelas administrações em cada entidade pública.

Uma das boas coisas a fazer é colocar administradores eficientes. Eles fazem os funcionários trabalhar e “azeitam” (termo antigo) a máquina, enxugam burocracias, modernizam os processos e pensam soluções modernas.

As gestões petistas na cidade só fizeram aumentar o número de contratados e geraram um esquema imenso de arrecadação corrupta. O PT sempre precisa mais e mais de grana, e não é sempre que dá pra fazê-lo em grande escala numa administração municipal. Lembra do Celso Daniel e os ônibus. Pois é. É hábito. De resto, Erundina lidou com dinheiro como Marta o fez: metendo os pés pelas mãos, e elegeu extorquir… camelô.

Você passou ultimamente, por exemplo, pela rua Teodoro Sampaio? Está limpa de barracas. Isso levou mais de dez anos, porque não é fácil tirar camelô da rua. Afinal, eles também estão trabalhando, ao jeito deles, mas estão.

Eu, pelo menos, não acho bonito que isso volte.

Até porque gestão eficiente não precisa de uma massa imensa de vendedores ambulantes para implantar terror de gato e rato. Isso só tem um objetivo, que passa longe do pretenso socialismo de dona Erunidina.

A palavra-chave é extorsão.

Benfeito!

Todo mundo viu que Kassab foi vaiado na festinha de 32 anos do PT, ontem, em Brasília.

Não seu deu por vencido. Continuou andando, com a cara de pau que Deus lhe deu, seguido por Rui Falcão, detentor de semelhante semblante, e por apenas um militante que soltou um “Viva Kassab” (churrasquinho grego = 1 suco de laranja pequeno).

Marta fez bem: não foi e ainda mandou nota, lembrando a todos os “princípios partidários”. Traduzindo, com Kassab não dá.

Eu acho que ela tem razão, no sentido figadal da coisa. Coerência, embora não lhe tenha embrulhado o estômago receber apoio de Mário Covas em 2002 para a Prefeitura.

Entende-se. Naquele tempo ainda havia certo espírito republicano, o PT ainda não havia chapinhando na lambança que fez no governo federal e certos nomes da legenda ainda tinham em mãos algum tipo de “reserva moral” aos olhos do povo paulistano.

E hoje, o que será que dará essa nojeirice kassabística? Sinceramente, não sei. Pode ser que o 2 + 2 (juntar suas forças + as do PT em São Paulo = 4) dê certo, mas pode ser que não.

Tem de contar aí a rejeição tanto a um quanto a outro, e como será levada a campanha.

Estou querendo crer que o tiro saia pela culatra e um terceiro nome emerja nas vistas do povo. Estou mesmo.

Espero que Andrea Matarazzo vença as prévias no PSDB e se firme como candidato. E que use, sim, a importância da família: para a construção da cidade, para o imaginário do cara que chegou sem nada e venceu e para os milhares de empregos que o grupo ofereceu a tantos imigrantes e migrantes.

Tirando meia dúzia de esquerdas que vão trabalhar rangendo os dentes de raiva do patrão, a cidade adora a Família Matarazzo.

Pra vocês terem uma ideia, meu post sobre o Conde Matarazzo é um dos mais acessados e comentados até hoje. Vale a pena dar uma relida, nele e nos comentários.

O primeiro Matarazzo prefeito da cidade.” Já pensou? Acho um bom mote.

Intelecção de texto

Matéria no Estadão, parece que estamos à beira da catástrofe museológica:

86% dos museus de SP têm problemas

Cê vai lá ler o texto, não passa de um levantamento feito pela própria Secretaria de Cultura (leia-se: Andrea Matarazzo) sobre pequenos museus, em cidades do interior, cujas prefeituras não têm ou não querem liberar baba pra manutenção.

E que o estado passará a cuidar disso.

Só.

Falando em Andrea, o Dawran (foi o Dawran? Não sei. Estou tão zarôia com trabalho…) Refer (tóin!) indicou a entrevista em vídeo que o secretário concedeu ao blog do Augusto Nunes, dando uma panorâmica do que tem feito pela Cultura no estado: Parte 1, Parte 2 e Parte 3.

Rápidas

  • Andrea Matarazzo de blog novo. Decidi frequentá-lo e divulgá-lo, em luta por sua candidatura. Mas há de haver mais tempero. A luta não é democrática, é contra pelegos berradores. 
  • Milagre! Primeiro reality show que presta neste país. Tirando fora a choradeira eventual, é muito interessante. Tomara que não vire um relato de mazelas pessoais. 
  • Calma, minha filha, chegará a vez de Cuba. Por morte morrida, mas chegará:

A etiqueta como delicadeza

Um verdadeiro afago a orientação de Claudia Matarazzo (via Twitter do irmão Andrea) sobre, afinal, pra que raios serve o garfo (e a colher!) diante de um prato de macarrão:

E o fato de todos os italianos tratarem as massas em geral com delicadeza e carinho, usando apenas o garfo e eventualmente uma colher, é uma prova de quanto a culinária é uma parte vital de suas vidas e cultura. (aqui)

Como você encara um prato de macarrão?

Eu uso o garfo pra enrolar meeeeeesmo. Al dente, aquela coisinha. Até já ensinei pra Periquitvs Avgvstvs como se faz.

Colher não costumo usar, não. Menos por um eventual desaconselhamento etiquetoide e mais por falta de hábito mesmo.

Quando a massa está muito cheia de molho, aí baixa a Mooca: lambuzo as últimas unidades do que seja – penne, parafuso, pedacinhos de pão – pra “limpar” o prato, a ponto de “quase não precisar lavar”.

E, sim: quero morrer quando fazem do macarrão um picadinho, pronto pra virar papa. Daí penso que foi um desperdício, poderia fazer com ave-maria mesmo que tantufas no resultado final.

Viva a gripe normal!

Então: estive gripada. Desde anteontem, quando lavei a cabeça, sem secar, e me expus ao ventinho do veranico (ousadias de velho), vim sentindo a garganta e  depois comecei a ter dores pelo corpo. Nada de febre; mesmo assim fui ao médico, que me mandou pra casa e disse pra ficar de olho na temperatura. O que fiz. Mas fui ficando irritada com a prostração e a impossibilidade de tomar um levanta-defunto, como Bufferin ou algo similar. Passei o dia de ontem na base do termômetro, e de cama, porque gripe me djirruba. Não tive ânimo sequer de sentar no computador, e não pude ir com Tia Cris ao lançamento do livro de Demétrio Magnoli – Uma gota de sangue -, o que me deu muita vergonha, porque é a segunda vez em uma semana que dou bolo nela. Não há de ser nada. Dia 22 tem novo lançamento em Sumpa, e hei de ir!

Ontem à noite, vencido o horário crítico para febres, e vendo que não passava dos 37,8, perdi a paciência e tomei um paracetamol (ainda evitando qualquer mascaramento com Acido acetil-salicílico) e hoje acordei às 4 da manhã  dispostíssima, e já fiz um monte de coisas, mesmo com o nariz daquele jeito. Menos mal. Quem diria que ainda daria graças a Deus por estar neste estado…

***

abdelmassih

Roger Abdelmassih continua no xilindró, e depois de ter contratado Marcio Thomaz Bastos para dar uma forcinha no seu habeas corpus (é questão de tempo), perdeu o título de Cidadão Paulistano, que fora concedido pela Câmara Municipal paulista, por iniciativa da dona do Tatuapé, Miriam Athiê. O que significa que a Câmara age, nesse quesito, movida pela oportunidade, e não por valores maiores e mais perenes. E a gente pagando  esse casuísmo cafona, inútil e populista…

***

andrea_matarazzo

Andrea Matarazzo pediu demissão da Secretaria das Subprefeituras, segundo ele, “para se dedicar a novas missões” (uma candidatura a deputado federal em 2010, animada por José Serra). Mas a verdade é que Matarazzo cumpriu uma transição entre a gestão Serra e a de Gilberto Kassab, e suas relações com o atual prefeito foram se desgastando, devido a seu apoio desde sempre a Geraldo Alckmin. A coisa culminou na semana passada, após entrevista de Andrea à Radio CBN dizendo que o corte de R$ 54 milhões no orçamento de 2009 afetava os serviços de varrição do centro da capital. O assunto cresceu na imprensa e gerou desgaste ao governo.

Não obstante, seu trabalho no cargo foi considerado excelente, coisa que também eu, e um monte de gente, acha. Ronaldo Camargo, secretário-adjunto, foi convidado para assumir o cargo. (Folha e Estadão)

***

tenda-mistica

Fiscais municipais mexeram a buzanfa e acabaram por multar uma tenda mística (trago de volta a pessoa amada em 3 dias) na Zona Sul da cidade, por violar a Lei Cidade Limpa.

Desde que a Lei foi implantada, os videntes, que são incapazes de levar seu negócio de maneira mais metafísica do que colocar anúncios porcos em postes, têm abusado da proibição.

Seria interessante que os fiscais tomassem um vermífugo e criassem ânimo pra dar uma batida aqui pela Zona Oeste. Coisa simples de resolver, já que todos os cartazes trazem telefones.

Vovó Maria Conga e, agora, a Tenda Indiana, grassam por aqui, e ignoram olimpicamente as predisposições terrenas, tudo em nome da divulgação de seu trabalhinho.

***

A audácia da Pilombeta: Cai rapidinho a decisão das Comissões de Justiça e de Ciência e Tecnologia que aprovaram, por unanimidade, a limitação do noticiário em portais e blogs da web.

Começa que isso é censura. Depois, não cai bem a um Estado Democrático de Direito. Terceiro, que blogs, especialmente os particulares, representam o caráter livre da internet. São quase uma extensão das conversas de rua. Era só o que faltava a gente não poder comentar nada em época de eleições. Vão catar coquinho, vão pra Venezuela! (via Noblat)

***

Coisa que queria falar há dias: O PPS confirmou lançou, no final de agosto, a pré-candidatura de Soninha Francine, ex-vereadora e atual subprefeita da Lapa, ao governo do Estado de São Paulo (foi isso que li? Foi!!!!). Em entrevista ao Estado, Soninha afirmou que não pretendia concorrer a mais uma eleição, mas que aceitou o convite do partido, mesmo considerando uma “loucura”. Soninha disse também que deixará a Subprefeitura da Lapa somente em abril, e que se perder a eleição, gostaria de voltar para o cargo.

Essa naturalidade juvenil e humildade estudada de Soninha me cansam, sabe? Também não me agrada a sopa que ela ganhou, de ser Subprefeita justo na Lapa. Preferia que ela fosse mais seca, menos simpática e que fizesse algo pelo bairro. Não há nada, absolutamente nada feito na Lapa que não seja o trivial, e mesmo assim, a coisa vai degenerando, como o asfalto, que deve ser permanentemente revisto, mas está uma buraqueira só. Nada criativo, nada inovador, considerando que Soninha é sempre xóvem.

Da iniciativa de Soninha mesmo, só uma campanha (óbvio) pelo uso da bicicleta. Coisa que nem ela (que usa moto) faz, mesmo morando pertinho do sillviço. Isso até Periquito Augusto faria. Não está bom, não…

***

Agora, dá licença que vou me livrar dos miasmas e do mingau das almas que minha gripe deixou na cama e na casa. Todas as janelas já estão abertas, já tomei um banhão e a roupa de cama vai direto para a máquina. Hirc! Hirc!

Andrea Matarazzo…

… deu entrevista à coluna de Sonia Racy, no Estadão. Seguem uns trechinhos, meio fora de ordem.

andrea_matarazzo

[…] qual é seu parentesco com a cantora Maysa e o senador Suplicy?
A família Matarazzo é uma só. Somos todos primos e para italiano faz pouca diferença se é de 1º ou 2º grau. A mãe do Eduardo Suplicy é prima-irmã do meu avô. O sogro da Maysa era primo-irmão do meu avô. O Jayme Monjardim é meu primo. A família é bastante unida, se reúne, se encontra.

***

E os mototáxis, são viáveis?
Não existe lugar para mototáxi no trânsito insano de São Paulo. Se o Kassab me perguntasse, diria que eles devem ser proibidos. Para ser garupa em uma moto é preciso saber acompanhar os seus movimentos, difíceis para quem não tem experiência. Sei disto, sou motociclista de fim de semana.

***

Já tem carro circulando na cidade com o adesivo “Eu usava fretado”. Essa nova lei vai dar certo?
Imagino que a Secretaria de Transportes tenha analisado todos os aspectos dessa questão. É preciso ter certa disciplina em uma cidade como esta. Na região dos Jardins, por exemplo, já não dava mais para transitar em algumas ruas por causa do espaço tomado pelos fretados estacionados. Não havia como passar nem onde parar.

***

O nome de Ciro Gomes para governador, pelo PT, tem chance de prosperar?
Achar que cai aqui de paraquedas e vai sair candidato a governador mostra que o Ciro não conhece São Paulo. Certamente, o resultado não vai ser bom. Ele não tem afinidade com a cidade.

***

É a favor da política de redução de danos [aos viciados da cracolândia]?
Acho que é uma das alternativas, mas não como vinha sendo feito. Tinha uma ONG que levava um estojinho com seringa, cachimbo, água destilada e manteiga de cacau e distribuía para crianças. Isso é um absurdo.

A íntegra está aqui.