Só pra registrar

Cartão 2

Tenho a impressão de que sou a última a reverberar essa safadeza, feita  sob medida por desonestos funcionais  para analfabetos funcionais.

De qualquer modo, aí está: pesquisinha do Vox Populi, encomendadíssima pela Band, com o nome de José Serra embaralhado pro povo num conseguí lê.

Isso tem um lado ótimo: foi uma das poucas (e porcas) maneiras de melhorar dona Dilma  e piorar Serra nas pesquisas. Sinal de que a coisa está feia mesmo pro lado deles.

O Coronel, do Coturno Noturno, dispensou a blogosfera de dar créditos. Mas seria o cúmulo não fazê-lo, pelo trabalho perspicaz que ele teve. Tudo o que ele colheu sobre a pesquisa, inxcrusive as amostras de municípios escolhidas a dedo (são vários posts), aqui.

Insistindo no esporte náutico

Como vocês puderam notar, fiquei distante do mundo internético por alguns dias. Ainda coloquei um recadinho no último post, mas estava apressada e esqueci de checar pra ver se ele havia sido publicado direitinho (o que não aconteceu), e deu no que deu: desapareci, sem mais aquelas. Entonces, devo um pedido de desculpas a vocês.

Vorrrrto agora, com mais um pouquinho do meu esporte preferido dos últimos tempos: comparar a chuva em São Paulo com as demais pelo resto do país:

alm.tamandaré.divulgação

Essa foto aí acima, entre muitas que poderia escolher, é da cidade de Almirante Tamandaré, no Paraná, castigada com as chuvas esta semana.

almirante.tamandaré.google

Tanto na foto quanto pelo Google Maps, dá pra perceber que a cidade é um núcleo urbano, mas não é taaaanto assim. Tem uma porcentagem razoável de áreas verdes e, portanto, uma boa taxa de permeabilidade.

Mas alagou.

Aí você me diz: Ah, mas a chuva no norte do Paraná foi muita…

Aí eu te digo: É, mas a chuva foi muita aqui em São Paulo também. E aí?

Então, vamos combinar que a chuva tem sido muita nessa época do ano here, there and everywhere, e ponto final.

Se você quiser comparar alagamentos pontuais, aí podemos discutir. Mas não é toda e qualquer chuva que alaga aqui em São Paulo, não é toda região da cidade que alaga com chuva forte, e nem todo alagamento é devido à “impermeabilização” da cidade.

Tem imensas áreas blindadas aqui? Tem. Tem um monte de bairros com crescimento caótico? Tem. Mas não dá pra pegar uma chuva imensa de dezembro/janeiro que alagou a cidade e botar a culpa nela mesma.

Porque botar a culpa na cidade e, por conseguinte, em sua administração municipal/estadual é descambar pra estratégia (anunciada; é por isso que venho sendo chata com o assunto) de campanha para Dilma Rousseff. Do R7:

Enchente será arma de Dilma contra Serra em campanha

PT vai questionar imagem de Serra como bom administrador

Agência Estado

A campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, vai aproveitar os estragos provocados pelas chuvas em São Paulo para tentar desconstruir a imagem de bom administrador do governador José Serra, pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto.

No governo e na cúpula do PT, a convicção é de que o grande embate entre Dilma e Serra será em torno da capacidade de dirigir o País. A ideia dos petistas é usar o lançamento da segunda edição do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em março, para apresentar o projeto de combate às enchentes e, a partir daí, chamar Serra para a briga nessa seara. […]

Não precisava ser muito inteligente pra perceber, ano após ano, essa doutrinação por parte da imprensa de aluguel.

Agora, aquele apresentador (aqueeeeeeele, que todo mundo detesta mas todo mundo vê), parou de citar nomes. Um porque as chuvas têm acontecido na “grande” São Paulo (nome engraçadinho pra situar municípios vizinhos, com outros prefeitos); outra porque estamos em ano eleitoral, e porque Kassab, pelo menos agora, está fora do páreo.

Mas a visão torta que ele (e outros) impôs ao longo desses anos já plantou o que tinha de plantar.

Só espero que, a exemplo das eleições anteriores, colheita dessa gente seja mínima.

Duas coisinhas que não posso deixar passar

Ambas do Reinaldo Azevedo.

A primeira foi  a bem dada esculhambação em Renato Janine Ribeiro, que achou por bem, em texto de ontem no Estadão, dizer como os leitores do jornal devem se comportar:

[…] Nos jornais da grande imprensa — aquela coitada que costuma ser malhada nas universidades —, “intelectuais” como ele estão presentes em nome da diversidade, da pluralidade, do debate… E esses, atenção!, são os nossos valores, os da sociedade liberal, que gente como Janine tanto despreza. Vocês sabem: o liberalismo é muito estreito para as ambigüidades do “novo homem”… Já nos veículos deles — sejam os da esquerda ideológica, os da esquerda venal ou os dos sindicatos —, não há espaço para divergência, não!!! Entenderam? Em nome dos nossos valores, aceitamos que eles venham nos esculhambar; em nomes dos deles, a divergência jamais seria publicada. Eles têm a licença que jamais concederiam a quem lhes dá a… licença!!! Agora ao artigo, que tem o sugestivo e arrogante título de ”Para quem não conhece o ‘Estado’”. Espero que o Departamento de Marketing do jornal não o contrate. (íntegra, dissecando o texto de Ribeiro)

A segunda, um texto do tipo “Eu não sou louca”, só pra não deixar passar:

[…] O leitor de São Paulo sabe como está se comportamento certa imprensa paulistana. Considera irrelevante a excepcionalidade das chuvas e responsabiliza a administração “demo-tucana” (como ela escreve, com preconceito evidente) pelas tragédias. Cidades da região metropolitana administradas pelo PT, por exemplo, onde, infelizmente, também morrem pessoas, como se nota, não entram nessa categoria. Mas e daí? A campanha eleitoral já começou. Esses setores da imprensa apenas replicam o que vai pelos blogs petistas, que transformam cada vítima da enchente num ativo eleitoral. […] (íntegra)

Fotos bônus

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Evento não sei de quê no castelinho da Paulista, ao lado do Parque Mario Covas: Como assim? Como assiiiiiim?????

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Cês sabem que eu não curto  muito manifestações urbanas porcas, mas dessa eu gostei. O que é isso? Eu só entendi pontualmente o 456, a BM&F, algo que ver com a nova lei do Inquilinato e o tremor do Haiti. E o resto? E o todo?

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Óia o Personnalité sem os badulaques de Natal!

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No vão livre do Masp tem umas esculturas boazudas. Não sei se a exposição é definitiva ou vai embora. Em todo caso, tirei uma fotinho bem escatológica pros meninos. Ao fundo, se quiser apreciar, o glorioso Baronesa de Arary.

Parque Mario Covas, anfân!

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O aniversário da cidade está sendo comme il faut: um sol maravilhoso de manhã e chuva à tarde.

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Mas de manhã, enquanto tudo estava fresquinho, o orvalho ainda não  tinha evaporado e as cores estavam ainda mais vivas, fui conhecer o Parque Mario Covas, na esquina da Paulista com a Ministro Rocha Azevedo.

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Faz tempo que falei, aqui e aqui,  do parque, e só agora o espaço desencantou (foi inaugurado ontem por Gilberto Kassab com a presença de várias autoridades e de dona Lila Covas).

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O parque é pequenininho, e isso é muito bom. Coisas como “o maior não sei o que da América latina” costuma atrair gente em penca, e agora pela manhã aquele pedacinho de floresta estava absolutamente vazio. O bom dele é que tem uma pérgula enorme, muito bonita, que espero logo logo esteja coalhada de flores de primavera. E os bicicletários, a segurança, banheiros novinhos em folha e coisa e tal.

Trocando em miúdos, a área do parque equivale ao lote de uma antiga mansão, que havia pertencido a René Thiollier. Quando ele morreu, a família vendeu o imóvel, aquilo pertenceu ao Banerj, a mansão foi derrubada, virou estacionamento e estava parado há um tempão.

Quando apareceu essa novidade de “Parque Mario Covas,” deu-lhe na família Thiollier um súbito ataque de memória, cuja atitude critiquei em um dos posts linkados. Formou-se um “movimento”, que protestou e ameaçou esculhambar a inuguração de ontem (mas não achei absolutamente nada about na imprensa hoje).

Então, o nome definitivo é Parque Mário Covas, um de nossos maiores, senão o maior governante, que só batizou até hoje rodovia e coisas mais periféricas. Merecia seu nome no coração da cidade.

Quanto a René Thiollier, também é digno das melhores memórias. Mas, como eu disse na época, valorização de patrimônio cultural começa na família. Quando ela, um dia, botou a memória dos antepassados nos cobres, põe-se uma questão ética, e fica dificil impor a outros um dever que deveria ser seu.

  • Fotos (minhas): Jeitão do Parque Mario Covas. Quero chamar atenção para as gotículas de chuva, penduradinhas das vigas de madeira, na primeira foto. Fizeram um efeito bárbaro!

Vacas, vacas, vacas!

cow.parade.v.madalena

Pois não é que me apareceu uma vaca aqui pertinho de casa? Na primeira edição não teve nada dessas coisas em Vila Madalena.

Segundo a revista Época, A Cow Parade São Paulo, em sua segunda edição, deu uma bela ampliada.

O evento de arte foi criado pelo artista Pascal Knapp em 1998, na Suíça. Desde então já apareceram cerca de 4.400 vacas em 58 cidades, num movimento artístico pop de projeção mundial.

São Paulo foi a primeira capital sul-americana a receber o evento, em 2005, e a primeira a ter uma segunda edição, que segue até 21 de março. “A proposta é levar arte ao cotidiano da população, por meio de intervenções criativas e bem-humoradas”, diz Ester Krivkin, diretora da Top Trends, agência responsável pela Cow Parade no Brasil.

Na primeira edição paulistana, foram expostas 85 esculturas. Desta vez, são 97 projetos de artistas e designers e aprovados pela organização da Cow Parade. A Top Trends banca de 10% a 15% das vacas. As outras são “adotadas” por patrocinadores, que desembolsam R$ 40 mil por projeto. Ester e sua sócia, Catherine Duvignau, calculam que até março a edição atraia mais patrocinadores e bata o recorde de 105 esculturas da Cow Parade carioca de 2007.

Mais sobre a Cow Parade e o circuito das bichinhas aqui.

  • Foto (minha): Kowlômetros (!!!) orrrrrnando o posto de gasolina em frente ao Fran’s. Patrocínio Ipiranga, apoio Ministério da Cultura, Proac e Prefeitura de São Paulo. Obra de Kiko Cesar, Luiz Almeida e Felipe Madureira.

São Paulo 456 anos – Alô amigos!

Já postei esse vídeo aqui faz tempo, mas coloco de novo. Feito pelo U.S. Office of the Coordinator of Inter-American Affairs em 1943, faz parte de uma conjunto de vídeos abordando outras cidades brasileiras, forçâno a amizádji com o Brasil por causa da Segunda Guerra.

E deu certo. O que seria de nós, inxcrusive de nosso antiamericanismo, sem os americanos?