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Hoje é dia de chuva, bebê!

Plooooonto, passôôôôô!

Povo que estava em cócegas pra chover feio em São Paulo não precisa mais sofrer. Agora à tarde caiu um belo temporal em toda a “Grande São Paulo” – coisa suficiente pra esquecer a Cracolândia -, provocando – veja você! – 15 pontos de alagamento na capital, 4 deles intransitáveis.

Ponto de alagamento que o pessoal considera é isso, viu, gente?

Inxcrusive, nosso onipresente promotor Mauricio Antonio Ribeiro Lopes aparece hoje no Jornal Metro (aqueles tabloidinhos digrátis) alardeando que desde 2008 DOBROU o número de pontos de alagamento na cidade, E QUE VAI ENTRAR COM UMA AÇÃO NA JUSTIÇA!!!

Kassab boceja.

  • Foto linda, linda, aqui perto de casa, agora à tarde. Reconheci pelo prédio do meu primo: ele odiou a pintura nova, diz que virou referência.
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“Chuvas fortes”…

Você notou que de um ano pra cá arrefeceu essa pantomima de citar negativamente a Prefeitura Kassab e o Estado toda vez que chove forte na cidade e na “Grande São Paulo”?

Se é natural que um rio transborde diante de grande precipitação pluviométrica, e se enchentes (e até pior) ocorram em rigorosamente todos os aglomerados urbanos do país, por que só em São Paulo isso haveria de ser culpa das autoridades?

Por que, como já cansamos de citar neste blog, em lugares com rigorosamente nenhuma melhoria, as chuvas eram tratadas como tragédia, drama, vontade de Deus, e aqui eram simplesmente erro e descaso do Estado e da Prefeitura?

Ou mudou algum aspecto sutil na dinâmica eleitoreira-ideológico-bairrista de certa imprensa, ou então, de fato, a chiadeira na internet deu certo e a lógica se impôs.

Lembro até, com certa vaidade, de um texto meu citado no Reinaldo Azevedo (via nosso leitor Adriano). Como outros blogueiros, Reinaldo havia notado esse aspecto fofinho da imprensa. O texto dele está aqui. Pra uma blogueira que não investe em seu mocó e que, devido às coisicas da vida, mal tem tempo de interagir por aí, tá bom, né?

O fato é que algo se modificou na imprensa; pelos menos nas reportagens de pronto, agora de manhã, depois da madrugada diluviana.

Quer saber? Até que achei ameno! Se sobraram apenas 22 km de congestionamento na cidade agora pela manhã, está excelente!

Por seu complexo de patinho feio e sua estrutura administrativa de real cidade grande, São Paulo é, de longe,  a cidade mais preparada para enfrentar esse tipo de coisa. Áreas de risco mapeadas, velocidade razoável de construção de moradias, sistema de alerta funcionando há décadas, constante correção do Tietê, manipulação de comportas…

Menos mal. Há de sair uma ou outra análise reclamista, tanto na imprensa quanto de blogueiros esquizoides, mas no geralzão, é isso aí.

Até o Jotalhão se enquadrou na lógica…

Mesmo assunto de sempre

Quero comunicar a todos que comecei minha coleção natalina de matérias sobre as chuvas em várias partes desse Brasil grande e próspero.

Até agora, tudo como dantes: moradores acostumados a alagamentos, mas dizendo que agora a chuva está demais, e por isso “não tendo a quem culpar”. Pontes sem manutenção indo embora nas enxurradas. Defesa Civil precária (isso quando existe), trechos de estradas erodidos, comunidades rurais isoladas mesmo e prefeituras – coitaaaaadas! – não fazendo mais que decretar situação de emergência.

Tudo isso narrado pela imprensa sob um clima de drama, de “foi Deus quem mandou”.

Justiça seja feita: sabe-se lá Deus por que motivos editoriais, o principal telejornal desgracento, daquele apresentador que não esquenta em lugar nenhum, PAROU, há um bom tempo, de destacar São Paulo como a única cidade do planeta em que as chuvas torrenciais têm relação direta com a incúria do Poder Público local.

Vamos ver como ele e demais da imprensa se comportam neste final de ano.

Pluviometria comparada II

Rio Aquidauana, Campo Grande em algum lugar desse Brasil: encheu, desalojando 46 famílias (foto Teodoro de Souza, Divulgação, via Folha).

Rio Mearim, que corta o Maranhão: encheu, deixando 10 mil desabrigados (foto via Jornal Pequeno).

Rio Parnaíba, no Maranhão: está subindo, pela enésima vez.

Rio Piabanha, Região Serrana, RJ: voltou a encher e arrasar tudo à volta.

Então alguém pode me explicar porque só o rio Tietê precisa-porque-precisa de desassoreamento, rebaixamento de calha, e PROVIDÊNCIAS INCESSANTES por parte do governo estadual e da Prefeitura?

Antes que eu esqueça…

Chove “granito” no presente momã aqui na Zona Oeste, sob trovoadas inclementes. (Isso há dez minutos. Depois do granizo… continua chovendo forte).

Mais uma tarde farta para quem odeia a gestão não-PT da cidade.

Vocês devem pensar: mas que mulé chata, só fala nisso! Sou mesmo. Mas não à toa.

A diferença de tratamento é gritante. Ontem, no Jornal da Band, por exemplo, abordaram as zonas de risco aqui em SP. A matéria falou em “mapa alarmante” e terminou com um promotor apontando responsabilidade criminal do prefeito, numa das gestões que mais cuidam desse tipo de problema no país.

Até aí, belê. Não fosse a matéria seguinte (Band vídeos, procurar por: Borel ganha sistema de alerta…).

É claro que, d’além fronteira, não passaria pela cabeça de ninguém ser uma irresponsabilidade o morro carioca só ter esse sistema agora.

“O sistema não é perfeito, a gente tá aprendendo, é nossa primeira experiência”, diz literalmente o prefeito Eduardo Paes na entrevista.

Que coisa bonita de se ver! Excetuando-se por óbvio São Paulo, a evolução do Brasil se dá de maneira muito bonita, lúdica, solidária e em perfeita comunhão. Todos aprendendo juntos, sofrendo, ali com as pessoinhas e dando tudo de si para um mundo melhor. Com musiquinha de Gonzaguinha ao fundo, intercalada com cânticos de trabalho e suor de Elis Regina.

Uma gloriosa banana! Aqui, ó!

Até quando é pra reconhecer NÚMEROS em SP o infeliz arruma um jeito de depreciar. Quer ver?

Do Uol Notícias, o carinha afirmando que o número de áreas de risco em São Paulo é ínfimo. Coisa boa? Sim. Deduz-se o quê? Que o número é ínfimo porque a prefeitura vem fazendo um trabalho?

Na cabeça desse povo, claro que não! Veja o raciocínio do cara:

“Não acho esse número alto. Pelo contrário, poderia ser muito maior dado o descaso que as autoridades têm com as ocupações ilegais. Representa cerca de 1% da população de São Paulo, ou seja, é exequível”, ressaltou Taddei. (Pedro Taddei Neto, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

Precisa ter um saco de filó, viu?

Só dinheiro não resolve II

Decretar luto oficial é fácil!

Quero ver tomar medidas simples como a do prefeito de Areal, na Região Serrana do Rio.

Do G1, com grifos e colchete meus:

Em Areal, município de 11 mil habitantes na Região Serrana do RJ, um aviso de “alerta máximo” feito por um carro de som impediu que os efeitos da cheia do Rio Piabanha, que corta a cidade, provocasse estragos ainda maiores.

“A prefeitura municipal de Areal informa: alerta máximo. Em virtude das chuvas, solicitamos que os moradores das margens dos rios Preto e Piabanha fiquem de alerta máximo e se retirem para lugar seguro, pois o leito estará subindo nos próximos minutos”, dizia a gravação.

A iniciativa simples e barata permitiu que várias famílias saíssem de suas casas a tempo. A chuva deixou três feridos no município, mas até o momento não há registro de mortos. O Rio Piabanha atingiu mais de seis metros e deixou várias áreas da cidades alagadas. Pelo menos 700 pessoas ficaram desabrigadas.

Segundo a prefeitura, na quarta-feira (12), as autoridades do município foram avisadas da abertura das comportas da barragem Morro Grande [ué! Tem disso fora de São Paulo, é? Puxa!…]. Em função disso, um carro de som circulou pela cidade, alertando a população. (segue)

O mais triste de tudo

Me ocorreu dar uma olhadinha no mapa das últimas eleições presidenciais, município por município. Tá lá (Estadão):

Petrópolis: José Serra 58,97%; Dilma 41,03%

Teresópolis: José Serra 68,9%; Dilma 31,1%

Nova Friburgo: José Serra 59,34; Dilma 40,66%

Sejamos sinceros: não sei se daria tempo de Serra fazer algo em treze dias de governo, mas ele pregava em sua campanha a criação de uma comissão permanente de combate a calamidades naturais.

O que era isso? Levar um lero com São Pedro, fazer novenas, deixar tudo pra lá porque temos a obrigação de ser sempre alegres e Deus recompensará?

Não. Certamente – apesar do amadorismo do governador do Rio – seria um esquema com homens preparados em número suficiente, equipamentos e, principalmente, planos de contingência baseados em previsões meteorológicas. Uma orientação de cima pra baixo, em que os estados e municípios seriam obrigados a botar o pezinho no século XXI.

Assim, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo passariam pelo dissabor de despejos/evacuações, xingariam o governo à beça mas ninguém morreria – só um ou outro desavisado ou bêbado.

Mas a Região Serrana do Rio, como o próprio nome diz, queria Serra. Como não deu, tem de aguentar, além de toda a tragédia e tristeza, a patacoada da dupla dinâmica, aquelazinha típica do coronelismo repaginado.

Uma visitinha protocolar, com o mesmo peso obrigacional do compromisso seguinte.

  • Foto (não achei crédito): Caminhão frigorífico da empresa Bom Jesus de Pescados, solicitado para transportar cadáveres em (acho) Teresópolis: improvisação constrangedora decorrente da completa falta de qualquer coisa.