Masp nas Ruas

Bacana essa iniciativa do Masp em expor 40 reproduções do acervo assim, ao léu, sem vigilância, pela Paulista e imediações. A única proteção é uma camada de poliestireno, para as obras resistirem à chuva.

O curador do Revelarte – O Masp nas Ruas, Teixeira Coelho, também curador do Masp, explica que a ideia é quebrar a monotonia da rotina visual das pessoas. E também divulgar as obras expostas no museu para quem não costuma frequentá-lo (também, com o preço das entradas, meu phylho…).

O projeto, feito em parceria pelo Masp, editora Metalivros e a Arquiprom – responsável pela montagem das obras nas ruas –, e com apoio da Secretaria de Estado da Cultura, abrange um quadrilátero a 1,5 quilômetros do museu, entre a Brigadeiro, Radial Leste-Oeste, Consolação e Estados Unidos.

A ideia surgiu há dois anos, quando a editora Metalivros propôs que o Masp tentasse repetir a exposição realizada pela National Gallery, de Londres, em 2007. Durante todo o mês de outubro, fotógrafos registrarão imagens do público interagindo com a mostra, as quais formarão um catálogo do museu (dados do JT).

Acho muito bonito e pretendo dar uma olhada, mas bocejo só de imaginar o  futuro das reproduções: as pichações.

Não tenho nada contra pichações, desde que elas acrescentem algo a outro algo, e que ambos DIGAM alguma coisa. Uma coisa que me parece velha, previsível e batida é pichar pra protestar. E, salvo exceções, o protesto, desde os anos 70, é sempre o mesmo: Quero entrar em alguma coisa de que me sinto excluído. Já que não posso entrar naquilo que admiro, eu o destruo. Mimimimimi…, como se fosse uma novidade 99% das pessoas estarem excluídas de qualquer coisa, não por imposição cultural ou tiranias sociais, mas porque, em última instância, é fisicamente impossível abrigar todo mundo numa coisa. 

Vamos combinar que não há nada de novo ou revolucionário em alguém que invade uma Bienal e escreve “liberte os urubu”, assim mesmo sem “s”.

Graças à massaroca globalizada, o clima de opinião é uma coisa meio perdida, que não consegue distinguir arte revolucionária de qualquer outra coisa.

É mais ou menos como minha tibieza ao guardar os rabiscos do meu sobrinho: em via das dúvidas, para uma posteridade que finjo não saber como será, guardo todo e qualquer rabisco do menino. A diferença é que minhas dúvidas cabem todas numa pasta (logo-logo uma caixa-arquivo?).

No ambiente urbano não dá. Até porque pichação, antes de ser uma atitude, virou mania. E tudo que vira moda padroniza cruel e ordinariamente.  Perde a novidade, a razão de ser. Fica vulgar, comum. É o culto da individualidade elevado à enésima massificação.

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Ô, Jesus!

Aproveitando o bundalelê do período eleitoral, em que ninguém pode ser preso, o pagodeiro Evandro Gomes Correia Filho convocou a imprensa para dar sua versão dos fatos. Ele é acusado de empurrar a mulher e o filho da janela do prédio onde moravam, em Guarulhos, em 2008. A Mulher morreu e o filho vive hoje com a avó.

Foragido, ele habita algum ponto do Nordeste.

Durante a entrevista resolveu se disfarçar assim desse jeito, com sua fotinho no CD, pra “não ser reconhecido” (sic).

Entendo… Melhor andar assim mesmo. Já pensou Evandro à paisana, no Viaduto do Chá? Das duas uma: ou ninguém ligaria para um visual assim, ou o assédio seria estratosférico.

Jecolândia ao alcance de todos II

Trechinho do Reinaldo Azevedo sobre o debate ontem em SP:

[..] O que os outros candidatos faziam lá?

Nada! Apenas atendiam a uma ridicularia que está entre a lei e o acordo. Em tese, todos os candidatados teriam de ser convidados porque a TV, como concessão pública, teria de dar a todos igual espaço etc — vocês conhecem a patacoada. Então se opta por um critério, num acordo com Justiça e Ministério Público Eleitoral: chamar apenas os partidos que têm representação na Câmara (no caso da Presidência) e na Assembléia (no caso da disputa ao governo). Levar aquelas nulidades todas, que não seriam eleitas síndicos dos respectivos prédios em que moram, é o preço a pagar para que o debate aconteça. E o eleitor/telespectador fica, então, exposto àquela impressionante avalanche de bobagens. Faço uma nota à margem: Feldman tem um comportamento civilizado e responsável em debates, mas essa não é a hora de divulgar o partido.

Sinceramente, me sinto aviltada em, por um simples interesse eleitoral, ser obrigada a ouvir as baboseiras de Skaf, como  “a queda drástica do número de homicídios em São Paulo se deve à aprovação do Estatuto do Desarmamento e a uma suposta ação do crime organizado para combater os homicídios”.

Ou as patacoadas de Celso Russomano e Paulo Búfalo. O primeiro tem mais cancha em sua canalhice, mas o segundo é uma fraude de dar pena: você percebe claramente que o partido se reuniu, definiu suas posições abiloladas sobre os assuntos principais e assim ficou. O cara (isso serve pro Plínio tb.) não sabe esmiuçar qualquer assunto mais específico. Se perguntam pra ele, sei lá, sobre eclusas, o cara vai abordar o preço dos pedágios nas estratas (aliás, não ouvi falarem em eclusas nas campanhas. Um bom motivo pra bater, deixaram de lado).

E Mercadante, o único dos mimimis com alguma expressividade nas pesquisas, usando os caras pra atirar qualquer coisa em Alckmin. Passou do ponto, não é verídico. As pessoas percebem.

Atiradores nada francos.

A única exceção entre os nanicos é Fábio Feldman. O que não ajuda. Porque, apesar de visivelmente honesto em suas colocações, se engajou num mar de algas onde, tenho certeza, sua realidade não se encaixa. A começar por sua campanha, espalhando cavaletes pelas gramas da cidade, gerando uma poluição visual que torna-se cada vez mais incômoda aos habitantes da cidade.

Só sei que o formato não ajuda. Continuo insistindo que jornalistas mediadores deveriam estar preparados para refutar números tirados do nada, distorções e mentiras. Se é pra ficar lá vigiando tempo, até o Tiririca servia.

  • Foto (Daia Oliver, R7): “O que disse o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra? Quem está em primeiro não pergunta para quem está em segundo”, disse Alckmin em coletiva após o encontro na TV Globo. Entonces, Mercadente, esperneie à vontade.

Macaco, olha o teu rabo!

Da Folha:

Alunos imigrantes da escola estadual Padre Anchieta, no Brás (região central de São Paulo), pagam “pedágio” aos brasileiros para não apanhar fora da unidade.
A compra da “segurança” foi revelada à Folha por alunos e docentes. A própria direção da unidade confirma.
Para se sentirem seguros, os estrangeiros, principalmente bolivianos, pagam lanches na cantina ou dão aos brasileiros o que têm nos bolsos, mesmo que seja R$ 1.
“Caso contrário, apanham do lado de fora da escola”, diz Mário Roberto Queiroz, 49, professor de história e mediador -função criada pela Secretaria da Educação para trabalhar junto à comunidade escolar questões como atos de vandalismo, discriminação e violência.
Um aluno e um ex-aluno da escola, ambos de 16 anos, afirmam que os casos ocorrem pelo menos desde 2008. “Eles pedem R$ 1 ou R$ 2. Entreguei três vezes. Na quarta, apanhei”, conta um deles, que está há 14 anos no Brasil.
A situação preocupa os pais. O boliviano José Alanaco, costureiro, prefere levar a filha de 15 anos à escola todos os dias a deixá-la ir sozinha. “Tenho medo do que pode acontecer.”

DIVERSIDADE
Na Padre Anchieta há 2.421 alunos nos ensinos fundamental e médio. Metade é de imigrantes ou filhos de estrangeiros, diz a direção.
Além de bolivianos (a maior parte), há paraguaios, peruanos, chineses, coreanos, angolanos e nigerianos.
Segundo a diretora Maria Luiza Villamar, os bolivianos são os mais discriminados. “Chineses e coreanos têm uma condição financeira melhor, e os africanos fazem a própria segurança andando em grupos”, explica.
Maria Luiza diz que todos os casos de violência envolvendo alunos são combatidos e também tratados da mesma forma. “Não separamos as ocorrências para não discriminar os imigrantes.”
Para Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, os casos de discriminação mostram falha no processo pedagógico da escola.
“A instituição deve discutir mais a diversidade e a tolerância, principalmente devido ao grande contingente de alunos imigrantes”, diz.

COMISSÃO
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação informou que uma comissão de supervisores será enviada à escola para analisar os casos de discriminação.
A pasta afirmou que, se for constatada omissão da direção, haverá punições.
A Embaixada da Bolívia estima que haja aproximadamente 120 mil bolivianos no Brasil, entre regulares e clandestinos. Segundo o MEC (Ministério da Educação), em 2009 havia 38.046 imigrantes nas escolas brasileiras de educação básica.

Acho engraçada (maneira de dizer; é trágica) essa cultura xenófoba, numa cidade como… São Paulo. Antes do que afirma Quézia Bombonatto, sobre a “falha no processo pedagógico da escola”, o problema começa em casa, com os pais.

Todo paulistano tem um rabo imigrante. Se fosse juntar todos os paulistas quatrocentões raça-pura, não dava pra preencher nem 20 metros quadrados da cidade.

Portanto, essa coisa de achar ruim, em qualquer nível, a vinda de novas levas de chegados é, por si, um descalabro.

Se alguns desses grupos, estrangeiros ou nacionais, se juntam como massa de manobra para interesses mais “nativos”, digamos, aí é outro papo. Se porventura causam um problema estrutural à cidade (p. ex., moradias, como abordamos recentemente), também é outro papo. O xis da questão, que não se pode permitir, é a discriminação individual, baseada em firulas étnicas, raciais ou culturais.

Acho muito phyno que hoje se louvem folcloricamente comunidades há muito estabelecidas na cidade, como judeus e italianos. Mas houve um tempo em que esses também foram discriminados aqui, de maneira até pior.

Nunca vi um boliviano querendo tacar fogo em pneu, esmolando na rua ou badernando qualquer coisa na cidade. Pelo contrário: estão sempre arrumadinhos, e como vejo pais de mãos dadas com os filhos uniformizados! E, volta e meia, alguma denúncia de trabalho escravo – famílias inteiras passando a vida num cubículo onde comem, dormem e trabalham por quase nada, tudo em nome de um futuro melhor.

Todas as pessoas têm o direito de buscar melhorar de vida honestamente em qualquer lugar. São Paulo sempre esteve aberta a todas elas. É bom que se ensine isso nas escolas, mas é importante que TODO cidadão paulistano, recente ou não, perceba seu telhado de vidro e o aponte aos filhos.

 

Praticando sexo com muitos rapaaaaaazes!

Não dá pra deixar de registrar dois textos (via Twitter de Denise Bottman e de Roger, Ultraje a Rigor). O primeiro de Renato Terra, da revista Piauí, e o segundo do TVZ Notícias) dando exemplos de “trechos” de letras de músicas saídas da cabeça de entes ou surdos, ou preguiçosos ou sem curiosidade alguma sair à cata da letrinha certinha pra não pagar de idiota.

Se bem que tantufas… Se até musas do período áureo da MPB, dessas incensadas à exaustão, eram useira e vezeira em trocar letra pelo que bem entendiam, qual é o problema? (Daí meus poréns à escolha do Maicon Douglas no texto do Renato Terra. Poderia ser a Priscilla Patrícia lá do Itaim-Bibi, não é mesmo?)

É, mas sempre morri de vergonha dessas coisas. Hoje não me ligo tanto no que andam lançando por aí, mas quando era xóvem, naturalmente… Num tempo sem internet, veja bem! Para que serviam, afinal, as idas às lojas de discos? Se você não tivesse grana, era só manusear a contracapa, levar o olhar direto ao ponto da dúvida, largar o disco no lugar de onde tirou e NÃO ESQUECER O TRECHO NUNCA MAIS! Ponto de honra…

Tanto é que lembro o dia, a hora e o local em que uma colega, toda produzida, me saiu com uma pérola de trecho na música “Blá-blá-blá – eu te amo” (sim, Lobão tb. um dia foi xóvem): o título deste post.

Mas lá nos links apontados, a imbatível: Eu perguntava tudo em holandês, e me abraçava com o holandês…

O eterno déficit habitacional da capital

Editorial veja-bem no Estadão de hoje, esmiuçando o déficit habitacional de São Paulo:

[…] Em abril, ao divulgar o balanço do primeiro ano do programa, o Ministério das Cidades destacou as parcerias estabelecidas entre a Caixa Econômica Federal e o Município de São Paulo, para a construção de 4 mil unidades, e entre a União e o governo estadual, para outras 13 mil unidades, sendo 4 mil na capital. O que o governo federal se propõe a dar, como se vê, não é muito.

Antes de querer transferir para a União a responsabilidade de um problema que é municipal, a Prefeitura deveria lançar mão dos instrumentos que tem à sua disposição e que poderiam ajudá-la a superar muitas de suas dificuldades, tanto no que se refere aos investimentos como aos terrenos necessários para a construção de moradias. […] (íntegra)

Tá. Vamos supor que, por um milagre divino, a Prefeitura de São Paulo consiga reverter a onda de crédito a perder de vista do governo Lula e tornar os imóveis da capital baratinhos que só. E que arrume moradia pra todo mundo. No dia seguinte, metade da população brasileira achará ótimo e criará o triplo de demanda. Daí começa tudo de novo.

Não seria melhor prover habitação, escola e trabalho nos lugares de origem das pessoas que vêm para cá com a cara e a coragem e se estabelecem em favelas? Hein? Hein?

Não, né? É mais fácil cobrar de São Paulo, que tem potencial pra “resolver” o problema de meio mundo.