Ainda a Inglaterra

E, já que estamos todos fofos com a família real britânica, lembrei de um documentário de tevê e resolvi catar no Youtube um discurso do Rei George VI (interpretado por Colin Firth no filme “O Discurso do rei”).

Seu “fonoaudiólogo” Lionel Logue estava presente no recinto onde o rei, a duras penas, tentava falar sem gagejar num momento tão dramático (a entrada da Inglaterra na Segunda Guerra, em 1939). A fala, provavelmente, foi editada por causa dos tropeços.

Perceba nas fotos que ilustram discurso no vídeo que o Rei George era tão bonito quanto o irmão (Edward, que largou aquilo tudo para ficar com a sra. Wallis Simpson, americana e desquitada na vida). Numa das fotos, a família toda na sacada, incluindo a rainha-mãe, morta em 2002, e as crianças Elizabeth e Margareth.

Aliás, a família real britânica tem sido bem bonitinha até agora, não? (esqueça Charles e Camila…).

E, para arrematar, artigo de Barbara Gancia na Folha (p/ assinantes)  sobre os destinos da Inglaterra, destacando a diferença entre realeza e celebridades (gostei da parte em que ela diz que Diana tinha cérebro de ervilha). 

Madrugadinha animada

Liguei a tevê às 5 da matina para ver os parapapás do casamento real. Não especialmente, mas é porque tenho caído da cama cedão mesmo. E por que eu, logo eu, iria esnobar cerimônia tão esperada?

Entre milicoisas, o que me chamou a atenção de verdade foi a cabeça da noiva:

O filó, se não é de algodão, é um sintético que conseguiu a façanha de chegar lá. Caimento perfeito para uma cabeça simples: tiara emprestada pela avó do noivo e brincos emprestados da mãe. Mais normal que isso, só convidar o açougueiro para a cerimônia mesmo.

E pensar que um dia a família real se rendeu à retumbância do filó de nylon…

Apê estranho com gente esquisita

Lendo aqui que em Bauru alguns prédios já vetam aluguel para estudantes.

Ora, não só em Bauru. Na capital e em outras cidades que abrigam universidades a coisa é a mesma em muitos edifícios, o que deixa furiosos donos de apartamentos e imobiliárias que têm como missão na vida alugar sem ver a quem – o importante é a grana no bolso, o resto do mundo que se hueda.

A alegação dos síndicos é o savoir-vivre exagerado da petizada.

Não tenho absolutamente nada contra esses estudantes (entendendo por estudantes aquelas pessoinhas que se instalam em uma cidade para estudar).

É claro que vez ou outra podem e devem receber amigos em casa, ouvir uma muxquinha, rir alto e tal. Faz parte do convívio humano, oras.

Só que há maneiras e maneiras, não?

O apartamento ao lado do meu é alugado contumazmente para estudantes. Sei lá, a dona deve cobrar mais e não se incomodar, já que mora bem longe daqui.

Já tive aborrecimentos que não se transformaram em reclamação porque durmo como uma pedra.

Mas nos últimos tempos os estudantes que se alojaram ao lado são superesquisitos.

Não dão festa, não fumam maconha de janela aberta, não se aboletam na marquise pra ver a Lua, não tocam minha campainha por engano, não vomitam no hall dos elevadores e, o mais estranho: dão bom-dia, boa-noite e obrigado.

Sei lá. Devem estudar também.

Carne no prato?

Artigo de José Nêumanne no Estadão de hoje sobre a inflação. No último parágrafo:

[…] Já é mais do que hora de ela passar de boas intenções à ação oficial, adotando medidas que ponham de novo o monstro para dormir. Agirá muito melhor se se preocupar menos com a Copa de 2014 e mais com a inflação: mais valem carne no prato e farinha na cuia do que bola na rede.

Temo que, a essa altura, não haja mais nada a fazer. Como o prório Neumanne diz em outro trecho, o pessoal lá em Brasília passou um tempão “desdenhando” o monstro.

Como é mesmo? Uma hora iriam tratar disso, ou coisa que o valha, como se a inflação fosse grama alta no jardim, que fica lá até que você resolva cortar.

Como canso de dizer aqui, não sou economista. Mas tenho casca o suficiente pra saber que a coisa foi posta pra andar. O povo já vai ao supermercado pra fazer os velhos “estoques” antes que o preço suba mais, o que acaba… subindo os preços. E esse ecanmismo não é fácil de conter.

Aquela classe em ascenção – para além de nossas gozações com tevês de plasma e cores berrantes na sala – olham a lista de preços no açougue e não reconhecem mais aquele oba-oba lulesco.

“Farinha na cuia”, com Nêumanne diz, ainda faz parte do romantismo de opinião. A coisa começa a afetar o bolso dessa gente pra comprar iogurte e barra de cereal. 

A farinha? Tá lá, meio esquecida. Por isso ainda está baratinha.

 

 

O que é aquilo ali?

Outro dia, olhando uma cidade pelo alto na tevê, dei por falta de identidades arquitetônicas. Você olhava, olhava e não via nada bonito, ou que pelo menos se destacasse ou se reconhecesse. Enfim, nada de especial.

Um tanto burocrático e sem graça. Uma passarela é apenas uma passarela, um prédio é  um prédio, uma estrada é uma estrada, uma estação é apenas uma estação. 

Se a intenção é o utilitarismo puro e simples, contraditoriamente isso acaba trazendo junto uma “desintenção” afirmativíssima: o desleixo, o desinteresse pela coisa pública.

Se não há grana para pagar um arquiteto, espera-se pelo menos que se faça uma coisinha com um mínimo de gosto, de harmonia com o entorno.

Naqule caso que vi pela tevê, nem isso havia.

Falei tudo isso por causa da Estação Pinheiros (aquela da cratera), a ser inaugurada em 16 de maio por Geraldo Alckmin. Na fotinho aí em cima, a visão aérea. Não faz meu gosto, mas está caprichadinha. Identifica.

Ela fica entre as Estações Faria Lima e Butantã do Metrô. As três, junto com a Estação Paulista, formam os míseros 5,2 quilômetros da Linha Amarela.

Míseros? Numas. Sabe quantos sero manos esta única estação trará a mais, somente para essa linha? 217 mil usuários. Atualmente, 29 mil almas já circulam só naquele trecho.

Isso porque os horários – que se ampliam gradativamente – ainda são restritos. Imagina quando se abrir de vez a porteira…

Há alguns dias uma pesquisa internacional apontou ser o Metrô de São Paulo o mais lotado do mundo. E deve ser mesmo.

Nada contra a pesquisa, mas qualquer criança sabe como essas informações são usadas pela imprensa nativa. Talvez tenha faltado a informação de que a cidade é uma das mais lotadas do mundo, e a relação direta que isso tem com o resto do Brasil.

O fato é que a estrutura de linhas em São Paulo está numa curva ascendente em relação a sua lotação: ainda teremos décadas de sardinha enlatada, simplesmente porque o Metrô paulistano é um sucesso: ninguém se furta a usá-lo, nem que para isso tenha de andar uns quilômetros a pé até chegar a qualquer estação.

Por isso é que cada ponto inaugurado é um flashmob diário que só se adensa.

E é por isso que, quando a Estação Pinheiros entrar em funcionamento, todos os eflúvios fantasmagóricos do acidente vão se diluir rapidinho nas mentes: o povo quer é se deslocar. E rápido.

Povo crédulo

Ontem, em conversa com meus pais, a respeito de alguém conhecido que  irá a uma reunião esta semana sobre não sei o quê relacionado a automóveis.

A pessoa está desempregada, fechou sua loja dedicada á atividade X (nada que ver com carros) e espera ansiosa pelo evento, que poderá lhe render uma atividade remunerada.

Explico: me dá extrema aflição/falta de paciência/ essa coisa errática de a pessoa investir seus empenhos numa “ideia” que, já pela pinta, é meio sambarilove. Angariar vendedores, por exemplo.

Vendedor é o que mais o mundo precisa, e a grande massa que, por um motivo ou outro, é a zona cinza do mercado de trabalho, geralmente toma isso como algo muito importante, tratado com toda consideração antes mesmo de saber exatamente do que se trata.

Projetos, projetos, projetos. Comprar um terno especialmente para a coisa. Reuniões com potenciais consumidores. Técnicas de convencimento. Treinamento de “gerentes”.

Isso me dá uma preguiiiiiça…

A credulidade em geral me dá preguiça. O povo é muito crédulo, em vários níveis. Não me espantaria ter havido candidatos para um anúncio que vi uma vez: “Precisamos de gerentes. Multinacional mexicana.” Phyno, não? O anúncio estava colado em um poste. Criaturas há que se impressionam com o que é dito, não com o que é real.

Assim é na nossa politiquinha. Se a Mulher Cajá-Manga chegasse no Superpop e dissesse que, se eleita vereadora, revolucionaria a estrutura de portos do país, haveria quem acreditasse.

Assim foi com com dona Dilma.  Pois se o que ela dizia em campanha batia frontalmente com o que havia feito (ou não) em anos de governo…

Jamais me passou pela cabeça a enorme distância que há entre ouvir e constatar, no exercício mental das pessoas.  

Artigo de Mary Zaidan no Blog no Noblat, detalhando tudo.

Ah, para!

Notícia em O Dia dácondiquê a concessionária que opera a Via Dutra é responsável pela morte do cantor Craudinho, da dupla Claudinho & Buchecha (aliás, foto de muito mau gosto, com o cara estirado no asfalto).

O juiz de São José dos Campos entendeu  que uma banguelice na mureta deram acesso direto e reto entre o cantor, que dormia ao volante, e uma árvore.

Jamais pensei que defenderia a concessionária de uma rodovia federal meia-boca, mas, pô, vamos combinar que dirigir dormindo é complicado até numa picada administrada por ninguém.

Podemos supor que, se a mureta estivesse íntegra naquele trecho, Craudinho poderia ter capotado feio, ou mesmo ter se estabacado contra a mureta. 

Se isso gerar jurisprudência, capaz de a tradicional família brasileira, fornida mais com heranças culturais do que com grana, eleja um dos filhos para homem-bomba, ou melhor, homem-sono da família, dirigindo até se arrebentar por uma estrada (sob concessão, é claro) para garantir o ganha-pão da parentalha. 

É só fazer as contas: se ganhar a causa, a ex-companheira de Craudinho, mãe de uma filha do cantor, vai faturar R$ 13 paus e meio por conta do carro que foi pro ferro-velho, mais 500 mil por danos morais, fora uma pensãozinha de 2 mil até o dia em que o cantor completaria 70 anos (foi o que entendi do texto).