Street View em Sumpa

morumbi-paraisopolis

Prepare-se.

Ou não.

Pode ser que nos próximos dias você veja um carrinho da Fiat com um logo do Google fotografando as ruas de São Paulo em 360 graus.

É o Street View, um novo serviço do Google, que está gerando um bafafá nos lugares que já registrou. O pessoal do Reino Unido estrilou – um pedestre britânico foi fotografado vomitando na rua. E o Google já teve de tirar do ar imagens de um homem xavecando uma prost na Espanha.

Por outro lado, na Holanda, um jovem assaltado identificou os ladrões ao se reconhecer nos registros fotográficos do Street View.

O Google Brasil não confirma o acordo, mas também não nega. Já a Fiat confirma a proposta, diz que “o negócio está bem adiantado e que vai divulgar a parceria nesta semana”.

Segundo Lauren Weinstein, especialista em privacidade do People for Internet Responsability, grupo que discute regulamentações da internet:

Tirar fotos de lugares públicos é legal e a proteção dos direitos de imagem é muito importante para a garantia dos direitos civis. As imagens que o Google faz são iguais às que qualquer pessoa poderia fazer se estivesse dirigindo pela mesma rua.

Sérgio Roque, presidente da associação dos delegados de São Paulo, diz que:

Isso expõe a privacidade das pessoas, mas as próprias câmeras de segurança pública instaladas hoje na cidade de São Paulo já tiram a intimidade dos cidadãos. Por outro lado, esse serviço do Google torna-se também uma ferramenta para o crime.

(íntegra na Folha, assinantes)

Ah, sei lá.  Já temos tanta coisa a nos espreitar… no próprio Google Maps, no Google Earth, tem fotos. As câmeras de segurança, como diz  o Sergio Roque. Como lembrou Weinstein, as pessoas e suas maquinetas – digitais, sociais ou anormais -, o que já está de bom tamanho. Até aqui neste muquifo: há quem fique horas só pra ver o que dá pra tirar do que falei, se escorreguei numa palavrinha, num conceito, se esqueci uma vírgula…

Por que me incomodaria com isso?

Como não devo nada a ninguém, não faço abordagens constrangedoras na rua nem deixaria cocô de cachorro na rua – se cachorro tivesse -, pouco se me dá se o Google me fotografa ou não.

Além de tudo, é uma fotinho só, num dado momento. Meus porteiros sabem mais de minha vida do que essas fotos aí ou de qualquer louco de internet.  E ladrão…  sorry, ladrões eu tenho os meus, customizados, numa baixadinha aqui ao lado. Então…

  • Imagem:  No país dos estamentos, uma vidinha mezzo Morumbi, mezzo Paraisópolis. Deve ser trabalhoso ficar fuçando a vida alheia o dia inteiro, não?
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Escaneia, mulata, escaneia…

dantetomphillips

Quero deixar meus parabéns a alguns tradutores, entre eles e principalmente nossa Denise Bottmann, do nãogostodeplagio (link e endereço na matéria), cuja iniciativa fez o Ministério Público paulista agir na questão dos plágios de tradução por parte de algumas editoras deste vilarejo.

Um resuminho, pra quem não está a par do imbróglio:

Uma coisa é você publicar uma obra de domínio público, e não ter de pagar direitos para o autor. É o que acontece com um Platão, por exemplo.

Outra bem diferente são os direitos de tradução, que devem ser igualmente respeitados se a editora tiver um pouco de decência. Ou você paga regiamente um bom tradutor, que terá sua proporção na autoria da obra traduzida, ou compra os direitos de tradução de outra editora que não tenha mais interesse em publicar aquela obra.

Acontece que algumas editoras adotaram a prática de  tungar  traduções, brasileiras ou portuguesas:  fazem umas poucas modificações disfarçativas, no texto e as republicam como se fossem traduzidas por outra pessoa.

Ao se apropriar de uma tradução de Monteiro Lobato, por exemplo, o editor deixar de pagar direitos de tradução a quem de direito.

E – não é demais lembrar – quem sabe o que se passa e mesmo assim compra uma dessas empulhações “porque é baratinho e o importante é ler”,  mais que colabora para a Festa do Caqui nacional.

Isto posto, reproduzo abaixo  matéria da Folha de S.Paulo (também no Observatório da Imprensa) de 26 de junho de 2009:

Ministério Público investiga plágios

Marcos Strecker
Da reportagem local

Quem entra em grandes livrarias de todo o país e é atraído por títulos clássicos – em geral de obras antigas, sob domínio público -, nem imagina que pode estar comprando gato por lebre. Traduções plagiadas são vendidas sem cerimônia por editoras conhecidas nacionalmente, sob pseudônimos falsos ou atribuição errônea.
Um dos casos mais conhecidos no meio editorial agora virou caso de polícia. A pedido do Ministério Público Estadual, a polícia instaurou na última sexta-feira um inquérito contra a editora Martin Claret, por violação de direitos autorais.
A investigação está a cargo do 23º Distrito Policial, cujo titular é o delegado Luiz Antonio Ribeiro Longo -para quem ainda é prematuro fazer comentários. Os crimes sob investigação nesse caso -identificados nos artigos 184 e 186 do Código Penal- prevêem desde detenção de três meses até reclusão de quatro anos, e multa.
Seria uma pena inusitada para uma prática que infelizmente ainda é mais comum do que os leitores imaginam. A partir de denúncias publicadas nesta Folha, profissionais identificaram dezenas de novos casos suspeitos ou comprovados.
Muitas vezes a ação é feita pela utilização do trabalho intelectual de tradutores mortos, o que favorece a falta de acompanhamento -ainda que vários tradutores sejam famosos e tenham seus direitos morais e patrimoniais ainda sob guarda profissional, como o poeta gaúcho Mario Quintana. Ou então contam com a falta de vigilância oficial.

Machado traduzido
Quem fizer consultas no site da Biblioteca Nacional (www.bn.br), instituição que abriga a Agência Brasileira do ISBN, que tem a atribuição legal de registrar todos os livros publicados no país (e que designa um código para cada um deles, o ISBN), vai encontrar descalabros.
Uma verificação rápida entre as edições registradas pela própria Martin Claret é um bom roteiro inicial. Pelo site, descobre-se que Machado de Assis teve seu “Quincas Borba” vertido para o português por Pietro Nassetti, tradutor prolífico da editora. Machado traduzido para o português?
Os dados são fornecidos pelas próprias editoras para a Agência, que faria apenas o trabalho de registro passivo.
As traduções pirateadas acabam se propagando. Por terem a aparência legal, os livros plagiados acabam citados até em teses acadêmicas. O plágio é feito pela cópia pura e simples ou pela troca eventual de palavras ou frases.

Monteiro Lobato
Monteiro Lobato, um dos fundadores da indústria editorial brasileira, é uma vítima da prática. Uma versão de Lobato do famoso “O Lobo do Mar”, de Jack London, da década de 30, reapareceu “maquiada” pela Martin Claret 60 anos depois, sem o nome do criador de Emília e Visconde de Sabugosa.
Não é o único caso envolvendo Lobato. O Ministério Público Federal em São Paulo também está fazendo diligências contra a mesma editora em procedimento aberto pela procuradora da República Rosane Cima Campiotto sobre essa e outra tradução plagiada (“O Livro de Jângal”, de Rudyard Kipling), o que pode eventualmente resultar em uma ação civil pública. Para isso, um antropólogo está avaliando se esse caso tem interesse nacional ou se atenta contra o patrimônio cultural do país.
Casos como esse, ainda que claramente contemplados pela Lei do Direito Autoral (nº 9.610, de 1998), podem ser considerados apenas de interesse particular dos autores ou seus sucessores, e portanto apenas eles seriam parte legítima para tomar medidas legais.
As duas ações do Ministério Público se seguiram a denúncias encaminhadas por tradutores como Joana Canêdo e Denise Bottmann. Esta última mantém um blog (naogostodeplagio.blogspot.com) em que aponta de forma minuciosa casos de plágio envolvendo outras editoras.

Outro lado
A Martin Claret, famosa pelos livros de bolso que vende em todo o país, admite que diversas traduções tem atribuição errada. Designada para responder pela editora, a advogada Maria Luiza de Freitas Valle Egea diz que a Martin Claret está “refazendo o seu catálogo, contratando tradutores para as novas publicações, e pagando os titulares dos direitos de todas as obras em que os problemas estão sendo detectados”.
Segunda ela, a Martin Claret já reeditou mais de 80 títulos e fez acordos com as editoras Ediouro, 34, Hedra e com os tradutores Boris Schnaiderman e João Angelo Oliva.
Isso não impede que livros publicamente denunciados continuem sendo comercializados em grandes livrarias. A Livraria Cultura, por exemplo, uma das maiores de São Paulo, continua vendendo “As Flores do Mal”, de Baudelaire, edição da Martin Claret que a Folha noticiou em 2007 ser uma tradução plagiada.
De prático, além de forçar as reedições, as denúncias abortaram a venda da Martin Claret para a editora Objetiva, associada ao grupo espanhol Prisa-Santillana, que havia anunciado sua aquisição em 2008.
Alvaro Gomes, agente que cuida dos licenciamentos da obra de Monteiro Lobato, diz que a IBEP/Companhia Editora Nacional, que detém os direitos sobre as traduções, já está negociando com a Martin Claret uma forma de ressarcimento. Há outros títulos da Companhia Editora Nacional que também teriam sido plagiados. (versão para assinantes)

  • Imagem: Dante, de Tom Phillips, sobre Dante, de Luca Signorelli (1499-1502) (este último visto na Denise.)

Quinta-feira…

… voltava eu de um encontro com uma amiga. No elevador, um vizinho, professor da USP. Enquanto se aprumava  dos transtornos da chuva, ele reclamava da falta de ônibus no campus.

Eu: Ah, por causa da greve…

Ele, teatral: Greve? Que greve? Aquilo não existe! Os ônibus estão escasseando por causa das férias.

Editoral do Estadão, via Reinaldo Azevedo, hoje:

O fim do semestre e início das férias escolares, na próxima semana, deram à minoria de professores, servidores e alunos que está por trás da greve da Universidade de São Paulo (USP) o pretexto de que precisavam para justificar o fracasso de seu movimento. Os grevistas alegam que o recesso de julho esvaziará o protesto. Na realidade, a greve esteve desde o começo esvaziada, como ficou evidenciado mais uma vez pelo número de pessoas que atenderam à convocação das lideranças sindicais para comparecer a um ato programado na última quinta-feira, em frente à Assembleia Legislativa. Do total de 5 mil professores, 15 mil funcionários e 86 mil alunos da instituição, só vinte compareceram ao comício. Algo semelhante ocorreu no campus da Cidade Universitária, onde faltam grevistas até para fazer os tradicionais piquetes em frente ao prédio da Reitoria.

[…]

Ao analisar a greve em artigo publicado no Estado, um dos mais respeitados professores da USP, José Arthur Giannotti, depois de criticar as “arruaças intimidatórias” da minoria grevista, lembrou uma lição que não pode ser esquecida. A “voz libertária dos porta-bandeiras” que pedem a democratização da Universidade e criticam a presença da PM para assegurar a ordem pública na Cidade Universitária “está associada à violência dos protofascistas”, afirmou.

Adeus, Claudionor Brandão.

Tchau, espinhudos. Vão curtir as férias, vão, criançada…

Piadinha pronta

Da Folha:

Diante dos casos de violência deste ano, incluindo uma morte e a explosão de uma bomba, a Promotoria de SP quer impedir, já em 2010, a realização da Parada Gay na av. Paulista.

Entre os locais para onde o evento pode ser deslocado, por sugestão do Ministério Público, está o estádio do Morumbi, na zona oeste da capital. “Uma alternativa é diluir em outros eventos [menores], para que possa ser utilizado o Sambódromo, o autódromo de Interlagos, até o estádio do Morumbi, que é um local apropriado para manifestações dessa natureza“, disse o promotor José Carlos Freitas, responsável pelo inquérito.

Os grifos são meus, é claro.

E, ao não perder a piada, não preciso necessariamente perder os amigos.

PS.: Piada tão pronta que Barbara postou praticamente a mesma coisa um tempinho depois. Ela não me lê, é óbvio;  e nem precisa dizer que não copiei; quando eu puxo, aviso.

Michael Jackson

mj

Michael Jackson

Maicol Jackson Maicol Jacson Maikel Jackson Maicol Jack

Maikol Jetson Maiko Jekson Maicon Jackson

Maicou Jeckson  Maicko Jecksm Maikel Jackson  Maichel Jeckson

Maiko Jackso Micon Jeckson

Michael Jatsons Maiko Jackson

Micol Jackson Michael Jeks Miconjets  Maiko Jackoson Mikael Jackson

Maicol Jet  Maicon Jack Jackson Maico Jackson Maicol Jeks Maiconjetcon 

Maicou Jackson Maichel Jackson Mykon Jackson Maikel Jackson

Myco Jet Maicol Jaksos Mailcon Jetesson Maicol Jecson Micon Jeckson

Maicol Jakso Macckojeckson Maikel Jeckson

Maicon Jacsos Maicon Jets Maicon Jack Maiconjets

Michael Jackson

O guarda-chuva do Secretário

andrea

Anteontem o Jornal Nacional exibiu uma matéria sobre o engenho de operários de uma obra na rua Guaianazes, que bolaram uma espécie de pinga-pinga com canos, para manter a calçada permanentemente molhada e impedir a permanência de cracoleiros no local.

Moradores e comerciantes vêm se sentindo prejudicados com a presença dos drogados, que aportaram por lá após terem sido enxotados da antiga Cracolândia, que faz parte do Projeto Nova Luz.

A Prefeitura não teve e não tem nenhum plano para aquele contingente miserável, que acabou se refugiando algumas quadras adiante.

Está certo que é de lei que não se obriguem drogados e mendigos a nada, mas a gente paga a administração para achar saídas para pepinos como esse. Se for pra pensar no trivial, a gente mesmo pensa, como fizeram os moradores da rua Guaianazes.

O fim da picada foi a declaração do secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo (no final do vídeo da matéria linkada):

A Prefeitura não vai admitir que se faça esse tipo de coisa. Você não pode simplesmente jogar água em quem está passando na calçada.

Primeiro que ninguém está jogando água em quem está passando na calçada. Alguns moradores jogaram água, sim, mas em drogados com potencial perigoso que se instalaram nas calçadas, não em transeuntes comuns.

Segundo, se a realidade impede que transeuntes comuns circulem por lá na presença de drogados, deu pra inferir pelas palavras do Secretário que, entre drogados e pedestres, o direito  maior é dos drogados.

Terceiro, já passou da hora de a Prefeitura tomar alguma atitude em benefício dos viciados e em prol dos moradores. E é melhor fazer isso enquanto eles estiverem se defendendo apenas com água.

Não me diga…

soninha

A Subprefeita da Lapa, Soninha Francine, teve sua moto roubada na rua Caio Graco.

Ela havia amarrado a moto na estrutura de uma lixeira (Jesus Christ!) e no dia seguinte a bichinha não estava mais lá.

(Ué, mas a Soninha não andava de bicicleta? Num debate das eleições municipais, não foi da Pompée até o Morumbi pedalando na subida, chegando toda suadinha e emplogando o eleitorado? Por que anda de moto agora, que o percurso entre sua casa e a Sub é de algumas quadras?)

Disse a Subprefeita:

Tem muita demanda de segurança que vem para a  subprefeitura. Iluminação pública, poda de árvore e melhoria das condições do piso, porque onde tem degradação, o crime circula mais fácil. Trabalhamos na requalificação do espaço público, mas isso é difícil porque tudo é muito amarrado. (Grifos meus.)

Essa canseira toda na Lapa. Imagina em Cidade Tiradentes? Imagina na Prefeitura?

  • Foto: Divulgação (de que mesmo?…)/ Fonte: G1.