Ahmadinejad. De novo.

JJO

A política externa brasileira é tão desastrosa que até já aprendi a digitar  o nome desse elemento.

E não gosto (incluindo aí a Venezuela) desse argumento de que há as vantagens econômicas, e tal. Se vantagens econômicas mandassem no mundo, hoje eu estaria em Miami torrando as banhas ao sol, toda besuntada de FP 45 e comendo por compulsão.

Então: dia 15 de novembro, 3 e meia da tarde, na praça dos Arcos (Paulista com Angélica). Dessa vez eu vô, nem que o mundo caia. Já estou montando listinha. Participe.

Ah! Site da JJO aqui.

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Uniban e alhures

uniban

Esperei mais um pouquinho pra me inteirar dos sub-subs do caso exemplar da Uniban e tagarelar um pouquinho.

Daí lembrei de uns duzentos anos atrás, nos anos 80-90, quando tinha  duas estagiárias sob minha varinha calvinista. Uma delas vinha com umas minissaias de verdade, o que faria a menina (Geisa o nome dela, não?) se sentir uma assembléia de deus da perna peluda. E os pupilos do Bispo Maiscedo vieram falar comigo about.

No geral é um perrengue você coordenar gente, mas não me lembro de dilema pior. A garota não era uma merds, pra quem você dá o recado de cara amarrada e pronto, tendeu?  Era estudante aplicada, redigia muito bem, excelente (semi)profissional e tratada na vida.

A única convicção que me ocorreu foi deixar pra falar no final do turno. Era o mínimo que dava pra fazer, porque se não o dia da menina seria de um constrangimento só. E o fiz, deixando claro que não era eu a ultrajada com aquilo.

Detail: o restante da equipe era de marmanjos. Uns casados-certinhos, outros nem tanto, alguns maconheiros sociais, mas todos bonitos, saudáveis e bronzeados. Enfim, naquela idade boa do bundalelê. Mas, oh, passado!, não eram machistas, não se referiam com desdém a mulheres, eram gentis (aliás, são gentis até hoje). Enfim, todos normais.

Ou, pelo menos, o que eu tenho como gente normal.

O que aconteceu de lá pra cá? Embotocamos todos porque o ensino é uma merda? Ou será que somos uns distraídos que não entendemos direito os ditames do Brasil profundo que emergiu pós-Collor?

Sabe aqueles filmes de buana? Só porque é loura, ou veste vermelho, ou traz uma mochila, a criatura é condenada a ser fervida no caldeirão porque algum avatar assim determinou?  E eis que de repente se vê cercada por um monte de Homens Esqueletos prontos pra te empalar? Pois é.

Coincidência: acaba de sair uma matéria na Veja, “Pequeno Manual da Civilidade”, em que alguns especialistas analisam situações flagrantes de barbarismo explícito. Me chamou atenção este parágrafo do professor Roberto Romano sobre  xingamentos:

A agressão verbal penetra no fundo da alma de quem é atingido por ela. É tão, mas tão grave que tem até punição prevista em lei. Um dos exercícios que proponho para identificarmos se tal ato é uma incivilidade é ver se é possível todo mundo praticá-lo ao mesmo tempo sem que o mundo vire uma barbárie, com todos matando a todos.

O professor Romano me permitirá uma pequena discordância:

A agressão verbal é uma estaca que tenta sair do fundo da alma de quem a pratica. Se um cerumano chega ao ponto de achar adequado berrar pra todo mundo ouvir (ou ler) que seu desafeto é isso ou aquilo (sempre considerações sexuais, de idade, de condição econômica, de aspectos físicos – o primitivo não muda nunca!), é porque de alguma forma se sente inferior ao objeto de suas xingações e precisa “resolver” isso urgentemente, no grito.

A “virtude” do xingamento é esta: quem o acha legítimo e o pratica amiúde tem a profunda e tosca certeza de que aquilo o elevará de alguma forma  diante do objeto de sua raiva e, muitas vezes, perante a sociedade.

Certamente o professor já foi muito xingado, como eu e um monte de gente. E não creio que dê muita bola pra isso.  Eu também não dou. Porque ele sabe que o xingamento é quase um atestado de (in)capacidade: “eu te xingo porque sei que você é melhor que eu. Como eu não consigo reverter isso por meios tradicionais, parto para a única coisa que sei fazer com facilidade”.

Assim é muito prático, embora não se tenha notícias de que algum dia isso tenha dado certo.

A menina, dona desses olhos perturbadores, cometeu o pecado de aparecer, não importa por que meios. E isso avilta uma sociedade – como é mesmo que Hobbes foi mencionado na matéria? – “solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta”.

E a Lusitana roda…

galerias

Marchands têm olhado São Paulo com olhos interessados e isso tem atraído galerias para cá: a cidade é um porto seguro em meio à crise que abalou o mundo e fez despencar os preços no mercado internacional.

Nessas, a Barra Funda – sim, a Barra Funda, e daí? – está virando o novo ponto de concentração das galerias de arte da cidade. Da Folha:

Os amplos galpões fabris ainda disponíveis na Barra Funda têm atraído os galeristas pelo espaço generoso e pela possibilidade de reeditar em São Paulo algo próximo da configuração urbana do Chelsea, o bairro nova-iorquino das artes plásticas.

“A Barra Funda é o futuro das artes na cidade. Todos deveriam vir para cá”, avalia Maria Baró, que vai instalar sua nova galeria na rua Barra Funda. “A vinda do galpão da Fortes Vilaça para cá foi um estímulo.”

Ao estabelecer um braço da Fortes Vilaça em um galpão de 1.500 metros quadrados na Barra Funda, Márcia Fortes quis criar algo parecido com o Chelsea, em Nova York, onde público e colecionadores caminham alguns metros e podem ver acervos e mostras das principais galerias da cidade. (íntegra para assinantes)

Na mesma reportagem, me chamou a atenção este trechinho aqui, com a reação de Fabio Cimino, que abrirá sua galeria nos Jardâns: “Não quero ir para lá. Vou até a casa do cacete para ver um quadro?”

É bom lembrar a este senhôur que há menos de 70, 60 anos, quando Mario de Andrade morava na rua Lopes Chaves, na Barra Funda, a “casa do cacete” era… os Jardins, que naquela época tinha fama de bairro novo-rico, com mansões de estilos estapafúrdios próprios de quem tem dinheiro e só.

Já o pensamento de Luísa Strina é que traduz de fato São Paulo – como andou até agora e como continuará a andar: “Eu queria aumentar aqui, mas desisti. Estou encalacrada nos Jardins”. “Se você tem um projeto bom, as pessoas vão, não importa onde seja.”

Periga o senhor Fábio Cimino pegar a síndrome de Clodovil – essa coisa de reclamar que a Augusta não é mais aquela – e  ficar como os comerciantes da Galeria Ouro Fino, na própria Augusta, que está nos estertores da decadânce (tb. da Folha):

[…] [Localizada no número 2.690 da rua Augusta, nos Jardins (zona oeste de São Paulo), a galeria vive da fama de point da moda alternativa, adquirida no fim da década de 1990, mas padece de lojas desocupadas, descaracterização de público e desavenças entre síndica e lojistas.

“O perfil do lojista da Ouro Fino não é de quem pode comprometer o orçamento com todo esse dinheiro”, diz Bel Zowie, dona da loja de botas que leva seu nome e funciona há dez anos na galeria.
Zowie faz parte do embrião de uma associação de lojistas criada para reivindicar aluguéis mais baixos, reformas, implantação de coleta seletiva e uso da galeria para eventos. O objetivo é ter mais voz ativa nas decisões sobre o espaço – hoje, dizem lojistas, tomadas “autoritariamente” pela síndica Monica de Araújo Ferreira da Silva.

À frente da galeria há vinte anos e dona de dois pontos comerciais no local – a Biquínis Ipanema, dela, e a loja onde funciona a renomada Thaís Gusmão, de lingerie e acessórios -, Monica diz que não há crise.
“A maioria [dos que reclamam] tá falida, porque não trabalha, fica só reclamando. Tenho loja na galeria desde 1971 e sobrevivi a todas a crises porque trabalhei. Por isso a galeria, sim, tem dinheiro.”
Segundo ela, o início da reforma será em janeiro. Quanto às lojas vazias, diz que a maioria está em reforma e deve reabrir em breve.

Não sei quem está com a razão a essa altura do campeonato perdido. Mas decadência assim é sinal de que se sentou no pudim como um todo.

Sim, você entra na Galeria Ouro Fino e tem a impressão de que na vitrine há saldões da década de 70, o que não tem nada que ver com moda alternativa ou vintage. A Galeria Ouro Fino me parece coisa de hippie velha, mas com preços de velhinhas bleu-blanc-rouge.

Entonces…

O cárcere de Yoani

Demétrio Magnoli escreve no Estadão de hoje sobre o fato de Yoani Sánchez estar encarcerada em seu próprio país. Ele sintetiza o sentimento de todos nós:

O Muro de Berlim, ícone desmoralizante do “socialismo real”, caiu há 20 anos, mas uma réplica anacrônica subsiste ao redor da Ilha de Cuba, sob a forma da “fronteira partidária” denunciada por Yoani. Cuba não tem relevância econômica ou estratégica, mas possui colossal importância simbólica: o “grande cárcere” do Caribe representa, ainda hoje, a pátria ideológica da esquerda latino-americana. O episódio do lançamento do livro de Yoani no Brasil é uma aula inteira sobre o tema. (íntegra)

E fala sobre o comportamento vergonhoso do nosso governo, comandado por um partido cuja ascenção política se baseou na luta contra a ditadura e pelas liberdades individuais, e que, uma vez no poder,  mostrou e mostra sua verdadeira vocação:

O silêncio é amplo e sólido. Tarso Genro, o ministro do Arbítrio, deportou ilegalmente boxeadores cubanos ameaçados de perseguição, mas não moveu um dedo pelo direito legal de uma escritora independente falar ao público brasileiro. Paulo Vanucchi, chefe de um Ministério que ostenta no seu nome os direitos humanos, loquaz na defesa do estatuto de refugiado político do italiano Cesare Battisti, não pronunciou uma única palavra sobre o direito de viajar da cubana cujo “crime” é expressar suas opiniões. Eles não têm vergonha?

[…]

Os intelectuais de esquerda brasileiros, com honrosas exceções, pensam o mesmo que a ditadura castrista sobre a opinião independente. Anos atrás, num abaixo-assinado, solicitaram a demissão de um articulista que ousara criticar as ideias do palestino-americano Edward Said e há pouco fizeram um escarcéu coletivo em torno de uma palavra fora de lugar no editorial de um jornal. No caso de Yoani, porém, acompanharam o eloquente silêncio de Lula e seus ministros.

Não, Demétrio. Eles não têm vergonha. Eles e seus privilegiados carregam corações autoritários, não têm senso de justiça nem querem saber do povo coisíssima nenhuma.

Eles querem um regime em que eles continuem a escrever as diretrizes (a um bom soldo) e o restante da população, na enxada e lavando seus banheiros.

Aqui não é a França II

fanny

A sempre linda Fanny Ardant está chegando a São Paulo para  a 33ª edição da Mostra Internacional de Cinema. Traz na bagagem Cinzas e sangue, primeiro filme sob sua direção.

O Consulado da França oferecerá a Fanny um jantar de gala.  A primeira sessão de Cinzas e sangue em 2 de novembro, às 21h, no Cine SESC. Também haverá retrospectiva, com filmes como A mulher do lado (1981), De repente, num domingo (1983) além de Crimes de autor (2007), O jantar (1998) e 8 mulheres (2002).

la.femme.d'a.coté

A primeira vez que tive a epifania de topar com a beleza singular de Fanny foi em minha fase adolescente-cineclube. Olhei e apaixonei (Dépardieu, então, nem se fala. Ela já fazia parte de minhas compulsões hétérô). Era esse filme aí (A mulher do ladoLa femme d’a côté, Truffaut, 1981), cuja cenona final guardei pra sempre: ele por cima dela, no chão da cozinha, e ela resolve tudo de forma muito pragmática (e dramática).

Agora me diz: se há um São Google pra me fazer as vontades, por que motivo eu renunciaria a acompanhar a juventude e o passar dos anos da divíssima Fanny, e ocuparia meu campo visual com um troço desses?:

SusanaVieira.funk

Planejando (muito) antes dá

savio.mourão

São Paulo está vendo na Copa do Mundo uma oportunidade de dar um up em seu turismo.

Não seria inteligente se contentar com o lucrativo turismo de negócios e os eventos internacionais que abriga, como a Formula 1. É que a cidade tem potencial em várias outras espécies de entretenimento, e acaba se engessando um pouco nos anteriores.

Um grupo de empresários do turismo hostels – albergues para jovens – pretende atrair esse segmento para a cidade, apontando para as abundantes opções de cultura, lazer e entretenimento:

“A ideia é fortalecer o marketing da cidade em níveis internacionais, buscando fortificar a cadeia do turismo de lazer com os pontos turísticos. Nós temos várias ideias. A SPTuris vai ajudar a nos mostrar o que pode ser feito de maneira proveitosa”, explica o empresário [Sávio Mourão (foto: Juliana Cardilli/G1), dono de um hostel na Vila Madalena].
O foco do projeto – que deve ser entregue de maneira completa em novembro para o órgão da Prefeitura – é atingir o estudante de classe média europeu, que vem para o Brasil com pouco dinheiro, tem a cultura de ficar em hostel e é um grande disseminador das atrações brasileiras no exterior.
“O turista jovem é o empresário de amanhã. O alberguista hoje é o cliente de hotel amanhã. É importante ele ter o espaço agora para voltar no futuro, já formado, com dinheiro, alguns ricos. É um consumidor do futuro, tem que conquistar”, apoia o presidente da SPTuris, Caio Luiz de Carvalho, um dos pioneiros do movimento alberguista em São Paulo. “Os albergues foram um instrumento poderoso na Europa no pós-guerra para unificar os jovens. Isso pode ser aplicado também em São Paulo”. (Íntegra no G1.)

O que achei interessante é que o projeto é voltado para turistas estrangeiros. O que acho pra lá de ótimo. Nada contra o turismo xóvem nativo, mas o que menos uma cidade pode almejar é público que vem com dinheirinho contado só para a bebedeira. Não é nada pessoal. Mas turista com perfil assim não traz nada para a cidade.

De qualquer maneira, vejo cada vez mais gringos de bermuda pela cidade, e isso é muito satisfatório. Apesar de os pontos turísticos estarem bem cuidadinhos e assistidos – a área do Pátio do Colégio é exemplo disso – a coisa precisa de mais divulgação, de mais borogodó.

E, o mais importante, como neste exemplo, cuidar de atrair turismo de qualidade.

Laudos a distância em São Paulo

medicina.distancia

Na Veja, matéria sobre a emissão de laudos a distância e a central que o governo de São Paulo inaugura para esse fim: mais agilidade, mais rapidez, menasgente no processo, mais economia e qualidade de vida para a populêichon:

[…] o governo do estado de São Paulo inaugurou na semana passada um sistema pioneiro no Brasil e na América Latina. Trata-se de uma central exclusivamente dedicada a emitir resultados para os exames de imagem realizados em hospitais, ambulatórios e outros centros públicos de saúde do estado. Cinquenta radiologistas se concentram na sede do Serviço Estadual de Diagnóstico por Imagem (Sedi), diariamente, 24 horas por dia, para produzir resultados de mamografias, ressonâncias magnéticas, tomografias computadorizadas e raios X. No mês de experiência do sistema, em setembro, foram despachados 40.000 laudos para sete unidades de saúde. A meta é chegar a 1,5 milhão de resultados mensais até 2011, quando cinquenta hospitais da rede estadual deverão estar integrados ao serviço. “Estamos inaugurando uma nova era”, diz o governador José Serra. “Com o Sedi, é possível oferecer diagnóstico de qualidade nos locais mais distantes do estado, que nem sempre contam com profissionais especializados para isso.” […]

O Hospital Estadual Porto Primavera, em Rosana, com cerca de 25.000 habitantes, a 780 quilômetros da capital, é um desses casos. A cidade nunca teve um radiologista para realizar laudos na rede pública. Nas ocorrências mais urgentes e simples, uma fratura de braço, por exemplo, os exames são analisados pelos médicos plantonistas – clínicos, em sua maioria. Quando o exame é eletivo, os filmes de raio X e mamografia são levados de carro até Presidente Prudente, a 197 quilômetros de distância. No próximo ano, quando o hospital for incorporado ao Sedi, pela primeira vez Rosana contará com um serviço de laudos em radiologia. “Casos como esse mostram que o processo de incorporação da tecnologia à saúde é imprescindível”, diz Miriam Blom, diretora executiva do Sedi. Se em sua origem, na década de 60, a telemedicina estava a serviço da saúde dos astronautas e dos soldados que não podiam ser cuidados de perto, ela agora se presta (mais do que nunca) a encurtar distâncias e aumentar a qualidade de vida de todos. (íntegra para assinantes)