Mais coisinhas do GP

Assim caminha a humanidade:

Não contei, mas semana retrasada eu passei a mão no resto dos livros de vovô que haviam ficado na garagem da tia. Era isso o combinado. Resultado: virei uma madame dos livros a metro, coisa que nunca havia cogitado e agora curto à beça: aquela estante harmônica, organizadíssima por volumes.

Outra coleção, similar à “Nosso Século”, mas que chama “Conhecer Nosso Tempo”. Ela é muito interessante também. Pena que não está tão bonita quanto à anterior. Mas não é por desleixo; é o material que não ajuda: a lombada, por exemplo, está desbotada em relação à capa. Mas está inteiraça.

Foi nessa coleçã que achei essa foto aí em cima, de um GP de Interlagos no tempo de Dom João Charuto. Nela, se percebem algumas coisas: a organização espacial do evento parecia a festa do caqui, com a patulée fotografando à vontade, pai e mãe de algum piloto praticamente encostados no carrinho do filho e a mulherada sapeando amadoristicamente, muito diferente das contratadíssimas line girls d’agora e das não tão line, não tão girls que persistem em torno desse tipo de evento. Enfim, um mafuá.

Idem a assistência e o entorno. Outro dia mamãe lembrou de um amigo do meu irmão que conhecia uma “árvore ótima” para assistir aos grandes prêmios. Não tenho registro de que meu irmão tenha se empoleirado numa dessas, tampouco tenha frequentado puxadinhos e janelinhas jeitosas na vizinhança (essas persistem firmes e fortes).

Ai, meu Deus!

Estou sabendo que Fafá de Belém mandará ver em sua versão dor-de-barriga do Hino Nacional antes da corrida deste domingo. Mas, vem cá, isso não dava azar? Passou a quizumba?

Ai meu Deus! II

A Barbara Gancia adorou as linhas do troféu desenhado por Oscar Niemeyer, embora questione sua durabilidade a curtíssimo prazo. Eu não gostei, não. Adorei essa coisa do material vegetal, e tal. Mas o desenho me evocou uma coisa meio cornuda, meio JK.

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Ídolos para os pobres, GP para os ricos

Duzentos e trinha milhões de reais. Este é o montante de grana que o turismo de Formula 1 está atraindo pra cidade este ano. Trinta paus a mais que no ano passado. E sem crise. Até porque as viagens já tinham sido planejadas e fechadas antes do tsunami americano. Desde o Hotel Fasano até o Hotel Feelings, está tudo praticamente lotado.

A F1 é um turismo para alto poder aquisitivo e envolve, necessariamente, muito mais gente que qualquer outro. Para se ter uma idéia, a última Parada Gay movimentou R$ 189 milhões. A Bienal (hirc!), em torno de R$ 120 milhões. O Carnaval deste ano rendeu pra cidade minguados R$ 40 milhões.

Por isso, acho mesmo é bom que a Prefeitura fique sempre de olho bem esbugalhado nos gastos e na qualidade do Autódromo (José Carlos Pace) de Interlagos. Porque o autódromo tem calendário constante e os preços “salgados” não espantam os usuários. Segundo o site do circuito:

[…] reformas anuais no autódromo, na atual gestão, destacando a redução gradativa das despesas e uma sensível melhoria na receita. Enquanto, por exemplo, em 2004, o déficit do autódromo foi de 5.2 milhões de reais, em 2007 caiu para 799 mil reais. E as obras prosseguem. Para o GP Brasil deste ano, dias 31 de outubro, 1º e 2 de novembro, o circuito terá um novo hospital – uma solicitação da própria FIA – além da conclusão do módulo “M” da arquibancada com capacidade para mais 2.5 mil lugares. A adequação de Interlagos inclui ainda uma estrutura fixa para o Hospitality Centre, com possibilidades de uso para outras atividades, e melhorias na área de paddock.

“Estamos cumprindo rigorosamente tudo o que foi prometido. Interlagos estará ainda melhor este ano”, disse Caio Luiz de Carvalho. A Prefeitura Municipal tem contrato com a FOM – Formula One Management – para a realização da corrida em Interlagos até 2014.

A única coisa desagradável do GP deste ano é que já percebi que a Globo faz de um tudo pra substituir um ídolo por outro. Não é segredo pra ninguém que sempre achei Ayron Senna um chato, e acho mais sacal ainda essa lembrança chorosa toda, como se ele fose da família (blargh!). Agora, pelo jeito, é Massa, que anda massivo demais (que trocadilho porco!). Não aguento mais olhar pra cara dele. Espero que não se torne um pé-no-saco também.

  • Fotos: acima (O Globo): botei fotinho do Pace só de desaforo. Esta foi no GP de Interlagos em 1975 (ao lado de Fittipaldi). Pelo menos, ele teve a hombridade de morrer num acidente de avião; e longe das câmeras. Abaixo (Marcelo Pereira, Terra): ranhuras feitas na pista, caso chova. Acho lindas essas finalizações certinhas da engenharia civil!

IURL

Todo mundo tem na cabeça o jeito como funciona o PT. Já aprendeu tanto que é capaz de imaginar a próxima desculpa. Mas de vez em quando sai uma frase lapidar pela sua exatidão. É o caso do Gravataí, do Imprensa Marrom:

Toda a vida do Partido dos Trabalhadores consiste na sustentação do mito de Lula.

E não é que é, mesmo? Estava lendo seu post agora, e lembrei que passei hoje no S.a.b.e.lucha, praticamente o único lugar onde dá pra tomar um ca.fé normalmente em toda a rua Tr.eze de Maio, no Beexeega. O dono lá é o B.r.u.n.o, petista doente.

No início era só discurso, mesmo assim quando o cliente puxava a conversa. Agora (fazia tempo que eu não ia lá) ele tem uma espécie de altarzinho, consistente numa foto autografada do apedeuta: “Ao companheiro B., um abraço do Lula”, uma espécie de cartão-postal com uma foto do Lula das antigas e uns dizeres proféticos, um tercinho de artesanato (ai, ai, ai, essas estéticas), um boné do PT, e isso e aquilo, que também não fiquei olhando muito.

Fiquei pensando em quão arrasado ele está. Mas aventei também a possibilidade de o babado dele ser com Lula apenas e tão-somente. Uma coisa meio IURD.

Quando estava de saída, ele chegava. Havia uns clientes antigos que começaram a conversar e a cantar “Sorria”, a músiquinha de Evaldo Braga que bombou na campanha de Kassab. Ele aceitou a brincadeira, conformado.

Deu pena. Palavra.

Por uma Bienal pobre, mas… limpinha???

Começo com a síntese sintética de Tutty Vasques no Estadão de hoje:

Parece que o público entendeu a idéia da “Bienal do Vazio”. Ontem, na reabertura da mostra no Pavilhão do Ibirapuera, não havia filas nem para andar de tobogã.

Pra quem está por fora, o evento deste ano veio com um conceito boko-moko cheio de blá-blá-blá pra encobrir outro muito mais prosaico: a falta de grana. Simplesmente manteve um andar totalmente vazio, achando que os visitantes chegariam lá e diriam: oooohhhh, que significativo!

Artistas e entes ligados ao mundo das artes que se creem donos do pedaço tiveram, então, um “choque de realidade”; Aberta em 26 de outubro, logo no primeiro dia a Bienal apareceu com pichações como a da foto, feitas por grupos denominados “Susto”, “4” e “Secretos”. De lambuja, os “vândalos” quebraram vários vidros do prédio. Houve tumulto e aquela coisa pheena® virou uma delegacia: “ninguém entra, ninguém sai”, até que a PM chegasse. O pessoal da organização, é claro, “repudiou” o ato.

Andrea Matarazzo, secretário das subprefeituras, membro do conselho da Bienal (!?) e sobrinho-neto de Ciccilo Matarazzo – que emprestou seu prestígio e empenho para que a Bienal fosse criada em São Paulo nos anos 50 – ficou tiririca. Ele até entende o esforço de Ivo Mesquita, curador do evento, diante de um orçamento reduzidíssmo. Mas tudo tem limite, não? A manter um andar totalmente vazio, Andrea preferiria que não houvesse evento algum.

Bem-feito! Mas não é esse o pessoal da criatividade? Tenho cá comigo um conceito muito tosco, mas difícil de rebater: quem não sabe lidar com a falta de grana não tem criatividade coisíssima nenhuma.

A Bienal é feita para o povo, nénão? E não tem povo que engula uma falácia dessas: um andar vazio pra oferecer ao visitante

“[…] uma experiência física da arquitetura do edifício. É nesse território do suposto vazio que a intuição e a razão encontram solo propício para fazer emergir as potências da imaginação e da invenção. Esse é o espaço em que tudo está em um devir pleno e ativo, criando demanda e condições para a busca de outros sentidos, de novos conteúdos.”

Ainda disseram que era uma oportunidade do visitante olhar melhor pra “arquitetura do prédio”.

Tô sabendo. Da próxima vez, usem esse conceito em cima de seus salários. Andrea Matarazzo já questionou o tamanho da participação do estado no evento. A julgar pelos caminhos que toma a Bienal (da última vez que fui, há séculos, topei com um monte de uns 5 metros de altura só de tênis velhos) estou achando que a coisa vai de mal a pior. Ou trocam esses curadores-conceito ou o Estado tira o corpo fora. Eu pago, e pago com gosto, a manutenção de uma Pinacoteca, e até de um Masp mal-gerido. Mas isso? Nem a pau, Juvenal!

  • Foto: (Via Cadê o Revisor) (Aguinaldo Rocca, VC no G1): Por que vândalo é sempre analfa? Mas, num esforço de entendimento, creio que ele quis dar um tom imperativo: abaixa essa ditadura da “arte” aí, geeeeeentche!
  • ® by Tia Cris.

Finalzinho de noite

Estou achando um loooooosho poder vadiar a essa hora por aqui. Minha rotina tem sido acordar cedíssimo, geralmente em jejum solidário, e ficar perambulando em unidades de diagnóstico, lendo folhetos de linguagem suave e didática enquanto espero. Mas a causa é justa, urgente, não passará de uma preocupação boba e tem-se mais é obrigação de agradecer de joelhos, porque há um ótimo plano de saúde e estamos na melhor, senão única cidade deste país sujinho em que o paciente é tratado a pão-de-ló demais da conta. Até em laboratório.

De vez em quando dou uma monitorada no andamento do blog, por curiosidade, porque não faço posts “chamativos”. Não que não devesse. Mas é meu feitio mesmo. Sou simplória. Ou escrevo ou fico pensando em marquetíngui. Como não curto marquetíngui, limito-me a escrever.

De fato, esses dias eleitorais trouxeram uma troca muito intensa. Eu perambulei bastante no domingo, com recíproca verdadeira. Por causas justas e urbanas e civis, por causa das eleições e tal. Todo mundo comemorando junto. Mas meu queixo cai a cada bisoiada na frequência do blog, quando comprovo que a procura por “vestidos” está na lista dos mais-mais não-ficção. Há SEMANAS. “Vestidos” e “Alexandre Herchcovitch”. O que que foi? O Herchcovitch morreu? Aquele apoio que ele deu a Marta foi do além? O que aconteceu?

O mundo acabando, investidores se jogando dos três andares da Bovespa, Balacobama quase lá, o PT com suas abóboras interpretativas, dona Osm prestes a devolver seu fogão de seis bocas porque o crédito acabou… e o povo preocupado com VESTIDOS?

Não que tenha algo contra vestidos. Muito pelo contrário, adoro, o que não necessariamente tem que ver com essa modinha Merdinaline-lantejoula que anda por aí. Eu gosto é desses das fotos que escolhi. Não são de ninguém de SP, óbvio, porque a tendência aqui sempre foram as estampas de oncinha. São do francês Paul Poiret, o primeiro costureiro famoso oficialmente conhecido, e o primeiro que transformou seu nobre ofício num negócio, no que fez muito bem.

Portanto, pra quem cai de pára-quedas nestas mal-traçadas, tome Poiret! Toma você, toma você e mais você! Biscoito fino para as massas! E vê se larga esse sutiã de espuma, esse jeans de cintura baixa que já foi, essa blusa horrível cheia de estampas, essa bolsa toda tacheada e essa chapinha (que também já foi). E esse beiço duro também, que ninguém aguenta mais.

Agora dá licença que vou desabar na cama.

Non Ducor Duca, II

Eu estava esperando esse mapinha pra trocar umas idéias com vocês. É claro que, para quem mora e conhece a cidade, fica fácil de entender. Mas tentarei ser didática com os que não a conhecem. E desculpem a extensão do texto.

Felômenos, felômenos, felômenos… Kassab venceu em lugares até hoje tidos pelo senso médio paulistano como fora do sistema solar: Cidade Ademar, Capela do Socorro (um lugar que sempre foi reduto petista, encabeçado pela quadrilha Tatto), São Miguel Paulista, Cangaíba… São todos bairros enormes, tradicionalmente formados ao sabor dos loteamentos clandestinos, sem verde, com casas e puxadinhos um colado no outro, sem infra-estrutura totalmente confortável, com um déficit de saúde, educação e transporte que vem de décadas.

A desculpa petista, basicamente, foi a de que o governo Lula propiciou uma melhora de vida e as pessoas a relacionaram ao prefeito; mas “os pobres continuam votando em Marta”, dizem. Não sei se é bem isso, porque a melhora de vida vem vindo desde os tempos de FHC. Na eleição anterior, quando Marta perdeu pra Serra, o PT buscou essa mesma desculpa, e Serra brincou, agradecendo aos “ricos de Sapopemba” (outro bairro distante e carente) por ter obtido mais votos lá.

O avanço de Kassab na Zona Oeste não conta. Primeiro que ela sempre foi a menos pior das regiões, em termos de pobreza. Segundo, ela é muito pequena, termina num susto, abruptamente, lá nas marginais, após o que há outros municípios, tão intensamente ligados à capital quanto qualquer outro. O Rio Pequeno, por exemplo, fica espremido entre os limites do Município com Osasco (cidade onde, se não me engano, o PT ganhou) e a USP.

Bairros mais longínquos onde Kassab ganhou, como Cursino, Vila Prudente e Pirituba, não têm a estrutura que existe em Perdizes ou Pinheiros, bairros considerados “ricos”, tampouco chegaram ao conforto que há em bairros que outrora foram meramente fabris, populares e “distantes”, como Mooca, Tatuapé e Penha. Aliás, há algumas décadas o Tatuapé e a Mooca, por exemplo, foram alçados a um nível de vida moderno, com ótimas escolas públicas e particulares, profissionais qualificadíssimos, Metrô, shoppings, hospitais (inclusive filiais de hospitais de ponta, como o São Luis) e empreendimentos imobiliários de alto padrão. Aliás, antes de o Citibank virar banco de  calangos,  existiam poucas agências: das que eu conheço, a central, na Paulista,  outra no centro, outra no Tatuapé.

Trocando em miúdos: o paulistano quer saber é de sua vida. E cada vez tem mais nítida a noção de que, para vencer na vida, precisa estudar, trabalhar e exigir do Poder Público que faça valer todo esse esforço e os resultados de sua luta. Sem ração e sem tutela. É como se a alma paulistana dissesse: Olha aqui, meu senhor, eu não estou precisando de comida. Eu almoço e janto normalmente. Eu quero é que que você faça um metrô até aqui para eu poder ir estudar à noite.

Não vai aqui nenhum ufanismo besta, do tipo “aqui é terra boa, terra da garoa”. Até porque faz séculos que não há garoa alguma aqui.

***

Isso necessariamente me remete a outro assunto.

Me chamou a atenção, nesse caso de Santo André, que as meninas estudavam, e muito. As notas, tanto de Nayara como de Eloá, eram muito boas. Meninas vaidosas, educadas, com um português acima do razoável, levando suas vidas e se divertindo e se relacionando, com Orkut e tudo o mais, como qualquer adolescente. Nenhuma das duas, ao que se sabe, precisavam trabalhar, e Lindemberg trabalhava, oficialmente, com carteira assinada e tudo.

Esse recorte social está, a meu ver, muito mal interpretado pela imprensa. Aquele conjunto CDHU não é formado por pessoas pobres, muito menos simplórias. O Brasil inteiro viu que lá se tem acesso a computadores, máquinas digitais, celulares, motocicletas, automóveis, roupas, besteirinhas adolescentes, decoração apurada…, elementos tradicionalmente reservados a camadas médias pra cima.

Ao mesmo tempo, com todo esse relativo conforto e pelos depoimentos da própria Nayara (que hoje deu entrevista para Ana Maria Braga, que habilmente extraiu informações sobre a amiga morta), se entrevê um elemento cultural de miséria que perdurou, apesar de todo o acesso a informação: a violência nas relações familiares. Como uma menina tão linda e ajeitadinha, com cabelos sempre feitos, maquiada, educadinha e estudiosa… enfim, ciosa de seu futuro, namorava um cara que a agredia constantemente? Hoje Nayara comentou um episódio em que Lindemberg, num de seus acessos, perseguiu Eloá até o ponto do ônibus, dando-lhe tabefes nas costas. Não deve ter sido o único.

Como essa menina e sua família se submetiam a um cro-magnon como esse? A única conclusão possível, para mim, é de fundo cultural. Naquele ambiente CDHU com máquineta digital, é absolutamente normal que o homem beba, que ande armado, que se sinta dono de outras pessoas. E cabe às mulheres aceitar e até protegê-lo em suas fraquezas, como quem diz: ele matou porque está nervoso, porque ama demais a família, porque está apaixonado, ele pode porque é homem, etc.

Isso sem contar as bolas cantadas entre a polícia de Alagoas e a nossa: Lindemberg pode ter ligações mais antigas com o pai de Eloá, ambos podem não ser esses homens trabalhadores e honestos-de-até-então. E a mãe de Eloá pode não ser essa máter-dolorosa que declarou perdão ao assassino na frente das câmeras. Enfim, é mais difícil tentar enquadrar o pensamento dessas pessoas. São pobres? Pobre é simplório? São classe média? Classe média tem cidadania mais elaborada? O crime não pode conviver junto com uma evolução social? Só porque moram numa CDHU estão proibidos de ter pequenas sofisticações, perversões e intrincados de relacionamento (que, por sinal, a classe média ignora)?

Esse, na minha opini]ao, o grande erro da imprensa da carochinha: um caso de violência entre pessoas simples. Definitivamente, não há pessoas simples num bloco de apartamentos desse tipo, nem em São Paulo, nem em Santo André nem em lugar nenhum.

Quer dizer, eu acho que se forma aí uma nova classe, que não sei se poderia ser chamada de média. Aliás, nem sei se esse esquema classe baixa, classe média, média alta e alta existe mais. Isso no Brasil inteiro. Em São Paulo, onde a mobilidade social é grande, é mais difícil ainda de entender.

De qualquer maneira, essa expansão dos votos de Kassab pelos bolsões da periferia foi, no meu módiver, um recado: eu não quero que vocês reconheçam que estou na merda. Eu quero é sair dela. Em Santo André, talvez Eloá quisesse. Talvez Nayara queira. Está tudo pronto pra isso. Só falta conhecer outras realidades de vida, para além dos celulares e das câmeras digitais.

Tchau, pascácia!

Tchau, botocuda!

Uma banana da queridíssima São Paulo pra você e sua turma!

Adeus pobreza!

Xô, baratas aproveitadoras e fermentadoras de miséria!

(Nos próximos dias troco umas idéias com vocês sobre o que é ser pobre, simples, simplório e humilde atualmente, principalmente em São Paulo.)