E FHC fala

Fernando Henrique falou, como presidente do Conselho da Osesp, acompanhado de Pedro Moreira Salles, vice-presidente do conselho, sobre a saída de Neschling. Abaixo, textos destacados das matérias publicadas hoje no Globo e no Estadão:

“FHC – “Na verdade, foi ele que se afastou. Começamos a sugerir pessoas de fora (para escolher o sucessor de Neschling) e ele dizia: “Isso não precisa”. Numa certa altura, ele disse que não daria para escolher alguém antes de 2013, “ou escolhe depois de 2013 ou eu não participo”, e começou a dar declarações cada vez mais agressivas no sentido de se distanciar do processo.”

“FHC – Eu li nos jornais que ele foi demitido por e-mail. Não foi. Ele não estava no Brasil quando deu a entrevista ao “Estado”. Mandei um e-mail a ele dizendo que o embaixador Rubens Barbosa (integrante do Conselho) iria telefonar para transmitir uma decisão importante. Aí o Rubens telefonou e disse qual era a decisão. Tinha uma carta que eu iria mandar e ele (Neschling) pediu que fosse enviada por e-mail – disse o ex-presidente, completando: – E vamos dizer com clareza, o e-mail é o modo moderno de correspondência. Não tem nada demais mandar uma carta por e-mail.”

“Salles – São 12 anos de trabalho, não três ou quatro, e de um trabalho bem-feito. Mas, agora, para se fortalecer, a Osesp precisa de outros maestros. Dizer que ela não sobrevive sem ele é dizer que o trabalho não foi bem-feito e que não existe uma orquestra mas, sim, um maestro. Se fosse do jeito que imaginávamos, a transição se daria depois de 14 anos de trabalho. Mas, do modo como aconteceu, era hora de tomar uma decisão ou a orquestra não conseguiria, até lá, garantir sua institucionalização.”

“FHC – Isso ficou claro para nós. A tese dele é de que antes de 2013 seria impossível encontra um substituto.

Salles – E ele nos disse que só colaboraria se ficasse até 2013.

FHC – Para ele, a Osesp só funciona se ele tiver todo o poder.”

  • Foto: IstoÉ.

São Paulo 455 anos – Albert Camus

Albert Camus (Argélia, 1913-França, 1960) era escritor, filósofo, existencialista-com-toda-razão e sua obra gira em torno do absurdo da condição humana. Num século XXI em que o cerumano desce, franco, favorito e achando que  é isse aí, até seus limites mais constrangedores, vale dar uma lida em uma de suas obras. Recomendo com ênfase O estrangeiro.

Camus andava tão tête-à-tête com o tema do ser humano e sua reação diante da morte que passou por ela  comme il faut: o carro onde estava, dirigido por seu editor Michel Gallimard, se espatifou contra uma árvore. Camus empacotou na hora. Gallimard ainda durou uns dias no hospital, mas também se foi.

Quando Camus veio ao Brasil, não foi exatamente a passeio. Palestras literárias. Estava numa fase meio deprê, e aquelas brasilidades todas que tanto entretiveram europeus no século XX – rodas de candomblé, o Cristo Redentor e as manifestações populares do interior – acabaram por deixá-lo pior do que já estava. Não gostou daqui, não.

Abaixo, um trechinho de sua estada em São Paulo, com um testemunho da nossa suspreendente solidariedade, e, depois, a dura tortura a que os paulistanos submeteram, durante séculos, os forasteiros: a cadeia da cidade. Talvez fosse, o exemplar presídio, a tentativa simbólica, primeira e única, de o país domar o espectro dos comedores do bispo Sardinha. Como se sabe, não rolou.

[…]

3 de agosto

São Paulo e a noite que cai rapidamente, enquanto os letreiros luminosos se acendem um por um no topo dos arranha-céus espessos, enquanto das palmeiras-reais que se elevam entre os edifícios chega um canto ininterrupto, vindo dos milhares de pássaros que saúdam o fim do dia, encobrindo as buzinas graves que anunciam a volta dos homens de negócio.
Jantar com Oswald de Andrade, personagem notável (a desenvolver). Seu ponto de vista é que o Brasil é povoado de primitivos e que é melhor assim.

Esqueço totalmente de anotar a coisa que mais me sensibilizou. Um programa de rádio de São Paulo, em que pessoas pobres vêm ao microfone para expor a necessidade em que se encontram momentaneamente.

Naquela noite, um grande negro, vestido de maneira pobre, com uma menina de cinco meses no colo, a mamadeira no bolso, veio explicar com simplicidade que, abandonado pela mulher, procurava alguém para cuidar da criança, sem tirá-la dele. Um ex-piloto de guerra, desempregado, procurava uma colocação como mecânico etc. Em seguida, nos escritórios, esperamos pelos telefonemas dos ouvintes. Cinco minutos após o fim do programa, o telefone toca de forma ininterrupta. Todos se oferecem ou oferecem alguma coisa. Enquanto o negro está no aparelho, o ex-piloto toma conta da criança, embalando-a. E eis o desfecho: um negro grande, mais idoso, entra no escritório semidespido. Estava dormindo. E a mulher, que ouvia o programa, acordou-o e disse: vá buscar a criança.

4 de agosto

[…] às três horas, levam-me, não sei bem por que, à penitenciária da cidade, a mais bela do Brasil. É “bela”, na verdade, como um presídio de filme americano. A não ser pelo cheiro, o cheiro horrível de homem que se impregna em todas as prisões. Grades, portas de ferro, grades, portas etc. E, de quando em quando, um letreiro: “Seja bom” e sobretudo “Otimismo”. Sinto vergonha diante de um ou dois detentos, aliás privilegiados, que fazem o serviço da prisão. O médico-psiquiatra, em seguida, me chateia com as classificações das mentalidades perversas. E alguém me diz, ao sair, a fórmula ritual: “Aqui, você está em sua casa”.

Em seguida, Andrade me expõe sua teoria: a antropofagia como visão do mundo. Diante do fracasso de Descartes e da ciência, retorno à fecundação primitiva: o matriarcado e a antropofagia. O primeiro bispo que desembarca na Bahia tendo sido comido por lá, Andrade datava sua revista como do ano 317 da deglutição do bispo Sardinha (pois o bispo chamava-se Sardinha).

[…]

Albert Camus, Diário de Viagem (Trad. Valerie Rumjanek Chaves. Rio de Janeiro: Record, 1997), pp. 98-9.

O que será que reservariam os paulistanos a Camus hoje?

Dachau paulistano

– Alô.
– Porrr favor, o senhor Marcéiiiilo está?
– É ele.
– Senhor Marcéiiiilo, o senhor, como cliente do banco X, queremos lhe oferecêiiiir o PIC, que é um sistêiiima de poupança que dá direito a prêêêimios.  A cada mêêiiis…

– Não, obrigado, bom dia.

– Mas senhor Marcééiiilo, o sistema PIC oferece vantagens ao cliêêinnnte, com depósito automático. O senhor pode começar com depósitos mensais de X, de Y ou de Z. Não é necessário entrar em contato com a agêêêiincia ou preencher mensalmente os depósitos, senhor Marcééiiilo… O senhorrrr não gostaria de começar com o depósito Z?

– Tá bom, então. Eu aceito.

(ouve-se um ribombo humano do outro lado da linha)

– O que aconteceu? Está tudo bem aí, moça?

(a menina, incontida:)

– É que, senhor Marcéééiiiilo, a sua aprovaçâo fechou a nossa cota, senhor Marcéééiiiilo…

– Ah, é? Então não quero mais.

(plac!)

Trimmm…

– Alô, senhor Marcéééilo…

– Não quero mais, sim? Obrigado, bom dia.

(plac!)

Ontem mostrei a Marcelo onde se esconde o maior campo de concentração da cidade de São Paulo. Sim, ele está localizado no mezzanino de um dos mais conhecidos edifícios na avenida Paulista. Sobe-se a rampa e ali se vê, tomando quase todo o espaço circundante, uma imensa central de telemarketing. Subimos a rampa bem na descida do povo: hordas e hordas de jovens e não tão jovens assim, cumprindo sua missão na terra. Ao lado, o que imaginávamos ser um refeitório era um self-service, com máquinas de refrigerante e de Elma Chips. Mas tinha mesas e cadeiras, pelo menos…

E todos saem macambúzios, remexendo em seus celulares, dirigindo-se aos pontos de ônibus. Outros, mais iludidos com a vida, ainda guardam energia pra fazer uma farrinha na avenida, circular um pouquinho ou se preparar para uma baladinha longe, bem longe dali.

Tenho um problema com o mercado de trabalho, até porque faz séculos que ando longe de seu padrão: horários, pessoas saindo juntas, o chicotinho diário… Talvez, e quase certamente, seja um horror  que nutro a meu próprio passado profissional, que obviamente passou por esses rituais, o que nada tem que ver com a qualidade ou a boa ou má lembrança que tenho de meus empregos em si.

Embora resolva a situação com o adágio “quem mandou não estudar?” – aprendido, aliás, com Marcelo, – de vez em quando me dá uns lampejos de melancolia ao ver essa juventude que se auto-decretou hodida ainda na maternidade.

Como é que você ensina uma criança que ela pode sair do círculo vicioso dos pais? Aquela coisa: você estudará da pior maneira possível, interromperá os estudos pra ajudar em casa, porque seu pai não presta e sua mãe é uma vaca. Se sobrar algum dinheiro (coisa que não vai acontecer), você pode tentar um processo seletivo numa Uninferno da vida. Sem contar que, os 15 anos de idade, sua irmã te convidou pra ser padrinho daquela criança sem pai que ela enfiou em casa. E, como padrinho, você não pode dar uma lembrancinha de aniversário ou Natal. Tem de ser sempre um eletrodoméstico “daqueles”.

Fora o fogão de seis bocas que você tem de dar à sua mãe, dona Osm, porque ela é mamãe, mamãe, mamãe, a rainha do lar. Fora que você, com seu salário de penúria, aos poucos vai assumindo as contas da casa, porque seus contemporâneos vão piores do que você e estão todo enfiados dentro de sua casa.

E você fica uma criatura feia de lascar, e vai criando uma pança no serviço, porque matar a fome com cola-cola e salgadinho todo dia só não é pior do que a fome que você sente ao largar o serviço às 10 da noite.

***

Descemos a rampa e entrevi as cabecinhas dos últimos vendedores da Livraria Cultura. Esses ganham mais, muito mais. Sabem te levar a Proust, a Camus. E até entendem, com a complacência dos letrados, se alguém entrar e perguntar: “você tem Sabrina?”

Então, caí em mim e voltei pro lado canino do mundo:

É… Quem mandou não estudar?…

Ainda Neschling…

Ninguém ficou achando que John Neschling sairia da Osesp assim, no mais, e no dia seguinte estaria na fila do FAT de currículo na mão. Ou então receberia o convite imediato de alguma orquestra européia e se mandaria feliz, trabalhando bem longe dos botocudos. O buraco onde se enfia uma maestro é mais embaixo, e Neschling jura que o aguarda a mais negra pindaíba. Afinal, contava com sua estada à frente da Orquestra até 2010, e por isso recusou convites pelo mundo afora. Apesar da débâcle, ele por enquanto não afirma se recorrerá à Justiça.

A coisa anda. Seguem fervendo os bastidores do que tem sido “O” assunto nos subterrâneos da administração paulista.  E o ator Pedro Neschling se pronunciou ontem em seu blog a respeito da demissão do pai – dentro, é claro, do que pode dizer um filho-ator-que-tem-um-blog-para-seus-fãs.

Ele preferiu reproduzir um artigo de Alain Lompech, crítico musical e editor do Le Monde, publicado na Folha há alguns dias, e que termina com um parágrafo cuja idéia evitei a todo custo usar aqui anteriormente. Não porque se trata de FHC – presidente do Conselho da Osesp, que assinou a carta de demissão -, mas por causa do lugar-comum, coisinha que aprendi com dona Ana Arruda Callado a nunca jamais em tempo algum usar:

Daqui a 20 anos, daqui a 50 anos, o nome de John Neschling será conhecido como o de um músico que realizou um trabalho excepcional no Brasil, o mais excepcional desde Villa-Lobos. Há 90% de chance de que o nome de quem o demitiu esteja esquecido.

Talvez Lompech não saiba quem demitiu Neschling, ou talvez ele trabalhe mesmo é no Le Monde Diplomatique e tenha havido um erro no crédito.

Mas política é dose. Outro dia, aqui no blog, conversei um tanto com o Paulo Araújo sobre a responsabilidade dessa demissão e o emaranhado de não-individualidade que grassa no ambiente público. Continuo achando que FHC não tem, pessoalmente, nada que ver com isso. Ele assinou a carta como presidente do conselho, e só. Se responsabilidade há – e é claro que há – pode ser creditada a Serra e um monte de outros nomes citados ou não em matéria de hoje no Último Segundo. Afinal de contas, não se trata de gostar de X ou de Y, mas de um big-aporte para uma orquestra que, por mais que se destaque interncionalmente, é um órgão do governo do estado. E quando há grana envolvida, o que menos interessa é o talento, o brilhantismo e a genialidade. E todo mundo lá dentro tem de decorar a cartilha.

Neschling não será esquecido. Tampouco FHC. Talvez essa história, sim, seja esquecida. Mas não posso deixar de concordar com um parágrafo anterior de Lompech. E refiro-me aqui a José Serra e a João Sayad:

[…] mas sou francês e também conheço a inconsequência dos eleitos e dos políticos quando tomam decisões na área da cultura. Raramente eles compreendem as implicações culturais profundas. Com uma assinatura, podem destruir anos de trabalho, assim como podem criar as condições para que esse trabalho possa começar e se desenvolver. Dessa vez o destruíram.

Ainda segundo a matéria do Último Segundo, Fernando Henrique Cardoso  que irá se pronunciar, só não se sabe quando.

Aguardemos.

  • Foto (de seu blog): Pedro Neschling: butitinho que só…

Obama, investigue nossas escolas!

Não bastasse a eleição americana quase ter contado com os votos tapuias – campanha e gritinhos por aqui não faltaram -, o novo, bonito, empático, simpático, moderno, vozeirudo, magérrimo e dentístico Balacoback Obama agora tem de resolver nossos poblema, em retribuição a todo o carinho que nós, os pobrinhos porém criativos e limpinhos, lhe dedicamos.

Passei agora de manhã na Rui Barbosa, no Bixiga, onde em tempos idos se detonava da maneira mais degradante possível aquele bolo em comemoração ao aniversário da cidade (sim. Ele acabou não acontecendo este ano). Dei uma andadinha nesse canteiro central aí da foto para ver o bolo virtual “bolado” (hummm, trocadilho involuntário…) pelo artista plástico Cesar Profeta e feito no dia 25 de janeiro. A decoração no asfalto vai desde a esquina com a Conselheiro Carrão até (pelo que a vista pode alcançar) a praça Dom Orione. Ficou bonitinho, sabe? Apesar de eu não curtir intervenções no asfalto (atrapalha a sinalização) e apesar também de ter sobrado um monte de tinta pisoteada (o que atrapalha ainda mais a sinalização no asfalto).

Não sei como se deu a coisa (se colocaram depois ou Profeta reservou espaços para outros se expressarem), mas havia frases sprayadas à mão (como essa em verde na foto), dizendo coisas como “Olhem por nossas criança (sic). Senão eu entrego vcs (sic) pro Obama”. Ou então “Obama, investigue nossas escolas” (esse é ipsis litteris).

Coitado do cara! Acho que ele preferiria mil vezes a crise, a Faixa de Gaza, o Iraque, o Afeganistão e até o Vietnã e a Guerra de Secessão. Juntos.

  • Photô: Luisa Brito, G1.

Um “pobrema” formigal

Ainda no período carbonífero, postei sobre os pobrema dos mindingo na cidade.

Naquele post falei de uma pesquisa  da Fipe que constatou que tem (muita) gente, em cidades periféricas à cidade de São Paulo, cuja atividade é vir pra cá pedir esmola. Posso acrescentar pessoalmente, e por tabela, que tem muito cara morador do lugar X que pega seu trem, passa a semana comercial na cidade e depois volta pro seu mocó, pra gastar a grana que auferiu amolando os transeuntes.

Assim sendo, posso chegar a uma quase-conclusão de que a cidade de São Paulo, ela mesma, não tem mendigos. Eles são todos importados, semanalmente. E o problema é dos governantes das cidades que exportam as criaturas. O nosso é tentar defender nossos espaços.

Meu leitor Marcelo Simas acaba de enviar uma carta à Prefeitura e à mídia solicitando providências no entorno do edifício onde trabalha, o Oscar Rodrigues, que fica na avenida São João, já chegando no Anhangabaú. Ele se estabeleceu lá e restaurou (não reformou: restaurou) o escritório que adquiriu no prédio, e faz parte de uma comissão para restauro do prédio inteiro. Convidou-me a conhecer suas instalações, mas não pude ir até hoje. Mas ainda está na agenda, Marcelo. Me aguarde. Eis a carta:

À
PMSP – Prefeitura Municipal de São Paulo

Prezados Senhores:

Meu nome é Marcelo de Passos Simas, sou advogado, inscrito na OAB/SP sob nº XXXX, tenho escritório profissional nesta cidade, à Avenida XXXXX.
Presido a Comissão de Restauro e Recuperação do Prédio Oscar Rodrigues, construído em 1928, hoje em processo de tombamento pelo CONPRESP, e muito me empenho pela revitalização do Centro Velho de São Paulo.
Há mais de 02 anos acompanho o lastimável descaso do Governo Estadual e, principalmente, Municipal, para com a limpeza urbana e segurança na região do Largo do Paissandu, Vale do Anhangabaú e Calçadão da Avenida São João. Nessa região, nos deparamos com centenas de mendigos, homens e mulheres, a qualquer hora do dia, alimentando-se de restos de lixo e ali mesmo fazendo suas necessidades fisiológicas, a céu aberto, à vista de todos, sem qualquer constrangimento.
No Largo do Paissandu, enquanto caminhava em companhia de dois clientes, vimos um homem se masturbando enquanto admirava as prostitutas que ali fazem ponto.
Estima-se que por lá circulem diariamente cerca de 500.000 pessoas, destas muitas crianças.
No quesito segurança, deixa muito a desejar, alias, quase nenhuma. Quadrilhas de “trombadões” agem livremente, armados de revolveres ou pistolas, surpreendem pedestres, chegando ao absurdo de exigirem tirar as próprias roupas para que vasculhem a existência de dinheiro. Tal fato já foi por mim presenciado em duas ocasiões, ambas ao lado da Igreja de Nossa Senhora dos Homens Pretos. Nos últimos dois meses, duas pessoas foram baleadas, uma na avenida São João, na altura do número 284 e, outra, no Largo do Paissandu esquina com a Rua Capitão Salomão, sem desprezar as inúmeras vítimas, principalmente idosos, que, com o empurrão dos bandidos, caem e sofrem as mais diversas fraturas.
No tocante a limpeza pública, pouco se pode exigir dos garis incumbidos de sua manutenção, pois, não se atreveriam molestar a paz dos bêbados e drogados que fazem dos jardins das praças e marquises dos edifícios banheiros a céu aberto.
Verifica-se, inclusive, nos jardins do Largo do Paissandu, construções de “barracos”, isto mesmo, como se já não bastasse o fedor exalado pelos excrementos, a paisagem urbana também é desrespeitada, um grupo de vadios resolveu fixar moradia no Largo do Paissandu, improvisando ali seus barracos.
Quanto à região da Avenida São João (calçadão) entre o Vale do Anhangabaú e Largo do Paissandu, dezenas de nigerianos e outras etnias adeptas ao Reggae e tatuagens ali se instalaram para comercialização de suas bugigangas e “tattoos”, mas, principalmente, o consumo e o tráfico de drogas (crack e maconha). É pública e notória tal atividade, apesar das dezenas de viaturas da Guarda Civil Metropolitana, Policia Militar, Policia Civil e carros oficiais que por ali trafegam diariamente, não há qualquer interferência, é como se nada estivesse ocorrendo. Tal fato não se repetiria, na mesma Avenida São João, se na região do Banco do Brasil, Bolsa de Valores e BMF.
Eu, pessoalmente, por incontáveis vezes, reclamei à Prefeitura (AR-SE) e a Policia Militar providencias, contudo, ao invés de melhorar, o quadro vem se agravando dia após dia.
Desta forma, conclamo a imprensa que dê publicidade dos fatos aqui relatados e, providencias imediatas dos órgãos competentes.

Marcelo de Passos Simas

Há uns padres e umas assistentes sociais que defendem um espaço público tungado por uma minoria. Eu já penso diferente, sabe? Se o espaço é público, até o papa teria o direito de passar por lá na boa. Mas estamos na teoria. Na prática, ainda estou esperando que a Prefeitura faça no começo da São João, naquela região dos Correios e em todo o Anhangabaú, o que está tentando fazer na Luz: incentivar empresas grandes a se aboletar lá em em outras regiões citadas pelo Marcelo. Enquanto existirem espaços convidativos, bancos e canteiros dando sopa, aqueles buraquinhos vendendo churrasco grego, roupa em bacia e sei lá mais o quê (cê não acha que eu pesquisei, né?), não dá.

E, já que estamos falando nisso, acho que a única solução pra Praça da Sé (lembra dos bancos anti-mendigos? Pois é, não deram certo) é erguer um big-prédio, desses poderosos, bem no meio daquilo. Só assim, quem sabe, eu poderei cruzá-la pela primeira vez na vida.

Tungar por tungar espaço público, fico com aqueles que trazem junto banheiros, portarias, seguranças e faxineiras.

Renato Consorte

É isso aí que restou da Vera Cruz. Restaram aqueles estúdios maravilhosos que vamos reativar, e é importante lembrar que o Governo do Estado de São Paulo – através da Secretaria de Cultura – a TV Cultura e a Prefeitura de São Bernardo firmaram um acordo para realizar o projeto chamado “Nova Vera Cruz”, onde será construído um centro cultural e os estúdios restaurados. Aliás eu falei do filme de Giorgete feito na Vera Cruz e não falei o nome, é o Sábado, né? Depois o Guilherme de Almeida Prado montou uma selva dentro desses estúdios, para você ter uma idéia da dimensão deles – que são geminados. Então tudo isso que restou desse material todo, os filmes, os cartazes, todos andando por aí, as ideias, ideias de 50 anos atrás… não podem ser postas em comparação, mas tivemos filmes marcantes, filmes muito bem bolados. Todos eles feitos com muita dedicação e sacrifício, com muito bons resultados e prêmios nacionais e internacionais. E tchau pra vocês.

Renato Consorte, entrevista concedida a Sergio Martinelli, em Vera Cruz: imagens e história do cinema brasileiro (São Paulo: ABooks, 2002), p. 34.

  • Foto (via Estadão): Renato Consorte (São Paulo, 1924-2009).
  • Aurélio Becherini

    A Cosac Naify acaba de lançar, marcando os 455 anos de São Paulo, a obra do/sobre o fotógrafo Aurélio Becherini, que reúne por volta de duzentas imagens da cidade, entremeadas por textos de Rubens Fernandes Junior, Ângela C. Garcia e José de Souza Martins.

    Vindo da Itália, Becherini trabalhou no Estadão e depois, em 1910, foi contratado pelo prefeito Washington Luís para registrar as mudanças pelas quais a cidade estava passando. Mais tarde suas fotos, num total de 350, foram adquiridas pela Prefeitura e hoje integram a coleção Fábio Prado, prefeito na época. Também fez trabalhos para o Correio Paulistano, Jornal do Comércio, A Cigarra, Cri-Cri e Vida Doméstica.

    Becherini é considerado o primeiro repórter fotográfico da cidade. Pelo menos com contrato carimbado, protocolado e tal: o que saberíamos da São Paulo anterior a Becherini não fossem Militão de Azevedo e Guilherme Gaensli, por exemplo?

    O lançamento do livro está marcado por uma exposição: Aurélio Becherini – São Paulo em Transição (Centro Cultural São Paulo, rua Vergueiro, 1000, Metrô Paraíso, 3397-4000. Terças a sextas, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Até 10 de maio. Digrátis.

    • Foto (Aurélio Becherini): Não vi o livro ainda, mas acho que isso é na São João, tirada onde hoje está o Anhangabaú. Na esquina mais evidente da foto está hoje o Martinelli, e essa subidinha aí é agora a praça Antonio Prado.
    • Aurélio Becherini (Ed. bilíngue. São Paulo: CosacNaify, 2009). 236 p. 193 ilustrações. 28 x 28 cm. R$ 42,00.
    • Se você gosta, veja também o trabalho fotográfico da cidade feito posteriormente por  B. J. Duarte.

    São Paulo 455 anos – Ina von Binzer

    Hoje, aniversário de 455 anos da cidade de São Paulo, transcrevo uma das cartas que Ina von Binzer, ou Ulla Von Eck, enviou para sua amiga Grete durante sua estadia no Brasil, em que atuou como preceptora para algumas famílias em diferentes localidades. Depois, suas cartas foram reunidas em livro na Alemanha, ainda nos oitocentos, e traduzidas para o português pela revista Anhembi, já nos anos 1950, com prefácio do mentor da publicação, Paulo Duarte. Mais tarde, em 2004, foram reeditadas, com prefácio de Antonio Callado, pela Editora Paz e Terra, e é desta última edição que tirei as impressões da alemã no tempo em que passou poucas e boas com os filhos mais velhos de Martinho Prado Junior (o Sr. Costa): Caio, Plínio, Lavínia, Cordélia e Clélia. O sr. Martinho Prado Junior, suponho!!!! (sub judice de Ricardo Ferreira), era filho de dona Veridiana, irmão de Eduardo Prado e avô de Caio Prado Jr.

    Ela é grande para um blog (mesmo com cortes que fiz), mas vale a pena ser lida: as impressões de uma estrangeira perdida entre os costumes brasileiros podem ter utilidade múltipla: 1) pode ser horrível trabalhar assim; 2) pode ser compensador trabalhar assim; 3) a vida doméstica pode ser um chiqueiro, mesmo com banhos diários. Etc. etc. etc.

    Detail: Ina Von Binzer, a essa altura, estava interessada em um tal de Mr. Hall. Nunca mais se soube dele. Ela casou-se mais tarde, na Alemanha, com um juiz de comarca, Dr. Adolf von Bentivegni.

    São Paulo, 29 de maio de 1882.

    Minha querida e boa Grete,

    Meus discípulos romanos são realmente muito mal educados e preciso recorrer a variados recursos pedagógicos para tratar com eles. Não posso de modo algum deixar os dois meninos sozinhos, embaixo, trabalhando na sala de estudos, enquanto em cima dou lição de piano a Lavínia. […] Outro dia, Caius Gracchus – o pai dele sempre o chama pomposamente de “Gracho” – o menos dotado, embora o mais forte dos dois, jogou o irmão pela janela baixa do andar térreo enquanto este, aos berros, atirava pedras e areia para dentro; você bem pode imaginar o estado em que ficou meu quarto.

    Os pais absolutamente não se incomodam com o comportamento das crianças e talvez isso esteja dentro dos “métodos” republicanos adotados pelo Sr. Costa. Os três mais velhos foram entregues inteiramente à minha direção mental e os “patrícios” mais moços são bem ou mal tratados pelas pretas, conforme lhes dá na veneta. Vi há dias o menino Mucius, logo em seguida ao banho, completamente nu, correndo pelo jardim. Raramente encontro a mãe do Gracchus, como a corajosa nadadora Clélia, senão em toilette sumária. A brasileira, nas grandes reuniões ou na rua, é tanto mais o que os ingleses chamam de dressy, quanto são primitivas suas roupas caseiras. Mesmo as senhoras mais distintas andam em casa com as tranças soltas, saias de chita sem cintos e largos paletós. Durante os dias de calor, isso pode ser muito agradável; mas nos meses mais frescos, se não usam roupa mais quente, é apenas por preguiça, pois seriam mais apropriadas e bem fáceis de suportar. Os vestidos de lã ficam pendurados no armário ou menos nem existem. Em casa usa-se algodão, e na rua tecidos laváveis mais finos e muita seda. Acham que os vestidos de lã não são tão asseados porque não podem ser lavados todas a semanas. Sabe, Grete, em questões de asseio e ordem, estes brasileiros possuem idéias bem extravagantes… Tomam banho constantemente, a maioria todos os dias, mas assim mesmo muitas crianças e adultos não apresentam pescoço e orelhas impecáveis; trocam a roupa de baixo e os vestidos seguidamente, mas não raras vezes estão ambos rasgados ou mal cuidados! […] Por isso, os brasileiros vingam-se, contando a anedota de um alemão que, no seu segundo dia de permanência numa casa, respondeu indignado, quando lhe ofereceram um banho como no primeiro dia: “não! Não sou assim tão porco que precise tomar banho todos os dias”. […] Essas disputas inúteis não irão modificar de nenhuma forma os caracteres inatos influenciados pelo clima.

    Pessoalmente, sofro com certas peculiaridades do país e a cima de tudo com o calçado. Aqui em casa nenhum sapato é engraxado. Você não faz idéia do trabalho e das astúcias de que fui obrigada a lançar mão, para prover a casa duma instalação de engraxate e conseguir uma preta com a capacidade de aproveitá-la na justa medida. Esta última condição ainda não representa até hoje uma vitória. O Sr. Costa manda envernizar os sapatos, o que é muito mais do agrado dos pretos, por ser mais fácil do que engraxá-los; Madame, em casa, usa chinelos e, na rua, sapatos rasos ou borzeguins bronzeados. Aqui, as senhoras não têm necessidade de boas e resistentes chaussures porque nos dias de mau tempo ficam em casa sossegadamente. As crianças andam com sapatos maltratados, isto é, com verdadeiros molambos que lhes caem dos pés, como o Plinius, por exemplo, que em duas semanas põe um sapato em pedaços. A reforma dos calçados aqui é desconhecida; usam-nos até se tornarem imprestáveis e depois são substituídos por outros novos. Não há bons sapateiros, mas somente lojas de calçados prontos, em sua maioria importados da França; assim, para os estrangeiros é muito difícil mandar consertar qualquer coisa, a não ser que se confie o serviço aos remendões ambulantes italianos que consertam sapatos diante das portas, como fazem na nossa terra os funileiros com as panelas.

    O artesanato é pouco comum aqui, sendo raro encontrar-se entre os brasileiros um artesão; os poucos disponíveis são alemães, portugueses e italianos. Esta falha encarece demais a vida, pois só se podem adquirir coisas já feitas, sem se contar com a possibilidade de conservá-las à custa de ocasionais consertos e reformas. Acho que para um artesão esforçado o campo seria bastante compensador […].

    Pela primeira vez nestes últimos tempos regozijei-me com a falta de reparadores hábeis neste país.

    Cassius e Plinius possuem cada qual o seu velocípede; o primeiro ganhou mesmo uma moderníssima bicicleta que o Sr. Costa mandou vir da Inglaterra para ele. Nesses veículos amaldiçoados os jovens romanos passam a vida fora das aulas, demonstrando-lhes tal apego que já chegaram a ponto de almoçar encarapitados nos tais velocípedes. Como os pais assistiram à cena impassíveis, achei melhor não interferir; mas o sossego das minhas refeições não aumentou na vizinhança das três ameaçadoras rodas do Plinius. Os momentos mais inquietantes eram aqueles em que ele voltava ao seu lugar depois de pequenas excursões de recreio em volta da mesa, realizadas nos intervalos de cada botado. Só levou uma severa repreensão quando esbarrou com tanta força na minha cadeira que quase me atirou com o rosto dentro do prato; mas depois o irritante veículo continuou com seus privilégios. Felizmente agora essa coisa odiosa está quebrada; enquanto escrevo no meu quarto aqui embaixo, apenas a bicicleta grande está rodando sobre minha cabeça, lá em cima, na sala de jantar, porque por estar chovendo o Gracchus se exercita dentro de casa. É uma verdadeira salvação!

    Contei isso a Mr. Hall, outro dia, e ele me disse que conhecia entre os seus operários alguém que seria capaz de consertar os velocípedes; mas, em consideração aos meus nervos, não o revelaria se lhe pedissem auxílio. Foi muita gentileza de sua parte; você não acha, Gretele? Por uma carta da irmã, que me deu para ler, descobri que se chama George.

    […],

    a sua Ulla.

    Ina von Binzer, Os meus romanos: alegrias e tristezas de uma educadora alemã no Brasil. Prefácio de Paulo Duarte e Apresentação de Antonio Callado. 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004), pp. 108-111.

    • Foto (acervo Danda Prado): Família de Martinho Prado Junior, alguns anos mais tarde: Caio Prado, um dos pestinhas, é o rapaz à esquerda do pai.

    São Paulo 455 anos – Claude Lévi-Strauss e Pagu

    O Orkut é uma coisa boa.

    Não, não me conteste de pronto. Peraí que já chego lá. O felômeno tem lá suas vantagens. Eu mesma, quando (e só quando…) vou lá, tenho de tirar as teias de aranha da minha pagineta – vamos combinar que vale a pena um ou outro reencontro, nem que seja só para um olá. Um parente distante mas bacana, aquele menino da faculdade… Poucos amigos, recados amarelados…

    Também entendo que pessoas à minha volta usem aquilo até para manter relações de trabalho e pessoais, do tipo “não uso e-mail, MSN… só o Orkut”. É uma opção…

    Mas a grande vantagem, a utilidade maior do Orkut, foi uma grandecíssima amiga que matou a charada: ele confina, tá compreendendo?

    Já pensou se não houvesse Orkut? Todas as criaturas de potencial orkutesco, em vez de trocar recados de bjus e testimonials ti amu di pachao com bonequinhos não-sei-de-quê, seriam obrigadas a uma diáspora terrível, e sabe lá onde iriam parar? Pé-de-pato, mangalô, três vezes!

    É claro que de vez em quando há uma fuga em massa e a carrocinha entra em cena. Mas, como o equilíbrio está na média do cotidiano, ajoelhemos e oremos em louvor ao turco.

    Separei dois textos sobre Sumpa hoje, um de Claude Lévi-Strauss e outro de Patrícia Galvão.

    O primeiro fala sobre o interesse exclusivo dos universitários paulistanos pela novidade em si, sem conexão com coisa nenhuma – nada atrás, nada na frente, nada dos lados. Lévi-Strauss (Bruxelas, 1908-), atropólogo, filósofo e  professor, chegou a São Paulo em 1935, junto com a chamada “Missão francesa” (rapazes verdes de tudo, que tinham como missão catequizar estudantes botocudos: Roger Bastide, Paul Arbousse-Bastide, Braudel, Pierre Monbeig, Fernand Braudel, entre outros) para dar aulas na Faculdade de Filosofia da USP. Aqui, dedicou-se também a estudar tribos mais interioranas, e tornou-se amigo da intelectualidade paulista, como Osvald e Andrade e Mário de Andrade. Em 1939 voltou para a França, encontrou uma situação antropologicamente hostil, digamos assim, e resolveu se exilar nos Estados Unidos. Hoje, velhinho, Lévi-Strauss mora em Paris.

    Quanto aos nossos estudantes, queriam saber muito; qualquer que fosse o campo do saber, só a teoria mais recente merecia ser considerada. Fartos de festins intelectuais do passado, que de resto conheciam de ouvido, pois nunca liam as obras originais, mostravam enorme entusiasmo pelos novos pratos. Seria preciso, no que lhes diz respeito, falar de moda e não de cultura: idéias e doutrinas não apresentam aos seus olhos um valor intrínseco, eram apenas considerados por eles instrumento de prestígio, cuja primazia tinham de obter. Partilhar uma teoria conhecida por outros era o mesmo que usar roupa pela segunda vez; corria-se o risco de um vexame.

    Claude Lévi-Strauss. Tristes trópicos (Lisboa: Edições 70, 1993), p. 94.

    O segundo texto, de Pagu, é panfletário da revolução por ela pregada, mas vale pra qualquer coisa relacionada a algo que nunca, jamé de la vie, irá mudar – o baixo mulherismo. Patrícia Rehder Galvão (São João da Boa Vista, 1910-Santos, 1962) foi escritora, jornalista e militante comunista. Fora dos padrões de (qualquer) época, tornou-se a musa do movimento antropofágico. Abaixo, em foto com Osvald e o filho Rudá.

    As garotas tradicionais que todo o mundo gosta de ver em São Paulo, risonhas, pintadas, de saias de cor e boinas vivas. […]
    A gente que as vê em um bandinho risonho pensa que estão forjando alguma coisa sensacional, assim como entrarem em grupo na Igreja de São Bento, derrubar altar, padre […], sacristia… Nada disso. Ou comentam um tango idiota numa fita imbecil ou deturpam os fatos escandalosos, de uma guria mais sincera, em luta corporal com o controle cristão.
    […]
    Ignorantes da vida e do nosso tempo! Pobres garotas encurraladas em matinées oscilantes, semi-aventuras e clubes cretinos.
    Avariadas umas pelas outras, amedrontadas com a opinião, azoinando preconceitos e corvejando disparates, se recalcam as formadoras de homens numa senda inteiramente incompatível com os nossos dias. E vão estragar com os ensinamentos falsos e moralistas a nova geração que se prepara. É caso de polícia!
    […]
    Se vocês, em vez dos livros deturpados que lêem, […] estudassem, mas estudassem de fato, para compreender que se passa no momento […]

    Vocês não querem, que nem seus coleguinhas do Direito, trocar bofetões comigo?

    Pagu, Normalinhas, seção “A mulher do povo”, em O Homem do Povo: Jornal Panfletário Paulista, dirigido por Osvald de Andrade e Patricia Galvão, 13 de abril de 1931, p. 2. [Edição fac-similar da coleção (São Paulo: Imesp/Arquivo do Estado, 1984), p. 60.]