Coisinhas a granel

Esse é o típico post que receberá, por longos anos, comentários paraquedistas de fazendeiras falidas e adiposas dizendo que sou POBRE! Mas, dentro do notório fascínio que tenho pelo pendor atacadista de São Paulo, e contando com vosso desprendimento e universalidade no pensar, vamos lá!

A 25 de Março é inigualável em matéria de luxinho à toa – coisinhas de verão ou inverno, benfeitinhas e tal, tudo mais barato que amendoim torradinho. Só o Saara, no centro do Rio, chega perto, mas não chega a dar sensações de quase-impunidade como a 25.

Entonces, comprey!!!!, outro dia, lá nos fundões da 25, pulseiras lindas, esmaltadinhas, dessas que voltaram à moda no verão passado, com fundo dourado e fecho de ímã. Sinceramente, 1 REAL cada uma.

Obviamente, não são cloisonné, como as da foto. Mas são da dinastia xing-ling, ora bolas! Estou até pensando em aplicar uma camadona de verniz resistente para que o douradinho não se vá nas profundezas da vague.

Estava com minha mãe, e a gente sempre se pergunta POR QUE essas coisas não eram fartas quando eramos xóvens. Eu, nos anos 80. Ela, no anos 50 (e olha que mâmis ainda pegou as bugigangas americanas pós-guerra, hein?). Era duro de achar alguma coisa que fosse do gosto, ou, pelo menos, com certa variedade de estilos.

Hoje, não. Tem-se tudo à disposição. Tem-se, tudo, mas tão tudo, que a gente pode até se dar ao luxo de desprezar a coisadaria malfeita e feia pra dedéu e encontrar com facilidade aquilo que se quer, e muito mais barato.

Gozado que até pensei em botar uma foto das bichinhas aqui. Mas desisti ao dar uma pesquisada no Google. É tanta brasileirada, tanta blogueirette de moda vendendo as mesmíssimas a um preço 15, 20 vezes estratosférico, que preferi não entrar em eventuais bafafás.

O que posso fazer é mostrar as cloisonnés que tenho iguaizinhas, de sei lá quantos verões passados. Uso todas juntas agora. Porque, meu bem, na vida urbana não há simplesmente nada que impeça juntar uma coisa com outra.

Quanto às fazendeiras gordas bla-bla-blá, eu lamento. Dependem sempre do gosto da sacoleira, que vende o amendoim torradinho a preço de joia. A elas, um ensolarado bom dia.

Pronto, falei!

Anúncios

5 opiniões sobre “Coisinhas a granel”

  1. Eu comprei um bracelete com motivos indianos para minha Leticia dia desses… sei lá, tá na moda, achei o preço bom e dei para ela… mas custou 25 pilas (comprei na frente dela, disse para escolher)… as vezes coisas singelas fazem a felicidade feminina… homens só curtem coisas bem mais caras!

  2. Leticia, o pessoal da faculdade chama a 25 de março de Miami, o Brás de Paris, e o Bom Retiro de Roma, tudo” Made in Paraguai”. Os três lugares são frequentados por integrantes de todas as classes sociais . É comun ver carrões com motoristas despejando madames por ali.Eu confesso que estou sempre por lá comprando alguma coisa.

  3. Fábio, nem me fale em bracelete indiano. Tenho o meu, desde os tempos do Rio, e sei lá que metal é aquele que ficou… verde. Tenho de levá-lo ao meu “joalheiro de confiança” – um senhor lá na Lapa, uma portinha de nada, mas bam-bam-bam de tudo -pra saber o que eu passo naquilo pra voltar a brilhar. No mais, você faz muito bem em ornar sua amada ao gosto dela.

    Mas não é, Iolita? Seja pra comprar bijou, material de artesanato, tecido ou coisas prontas (cada vez mais lindas, em cada vez mais quantidade), a 25 é uma limpeza d’alma. Fora os outros cantos X da cidade. Ontem, por exemplo, fui à Marquês de Itu, a rua dos quadros e molduras. Cada material de desenho lá de deixar a gente louca! Pena que as gravuras são muito padrão, não tem nada e destaque brasileiro, a não ser… Romero Brito (argh!).

  4. Meninas e meninos, para mim, ir à TwentyFive uma vez por mês é de rigueur: para eu me encharcar de idéias – a Gaivota tem umas coisas ma-ga-vi-lho-sas! -, babar nos tecidos para decoração, comprar umas tranqueirinhas para bijoux – eu faço as minhas pulseiras, mas, de quando em quando, compro umas prontas, para causar de montão.
    Não acho que seja coisa de pobre, não! E tem mais: é uma diliça ir até lá, exercer minha má-educação, pedindo licença e seguindo em frente, feito Caveirão em ação numa comunidadji do Rio de Janeiro.

  5. Maria Eddy, não é coisa de pobre, é coisa de URBE! O que digo é que o gosto por essas simplicidades do conforto já me renderam altos desaforos, tudo em volta da ideia de POBRE. É fantástica a concepção de vida de certas pissoinhas cerebralmente longínquas.
    Nesse dia eu estava atrás sabe do quê? Uma base de pulseira rígida (comprei três) pra incrustar umas plaquinhas de conchas nacaradas, com minha nova, incrível, versátil e prática retífica, que modela QUALQUER COISA! Estou no namoro, nos testes, e tal, e a base de prááástico, a única que achei, tá de bom tamanho pra cobaia.

    E o mondo cane da 25 é um salutar exercício de realidade da boa. Adoro!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s