José Mindlin

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G1.

(Vocês me desculpem. Pela manhã, quando soube na morte de Mindlin, fiquei com o coração tão apertado que não deu pra falar nada. Em frente.)

José Ephim Mindlin, empresário e bibliófilo, uma das figuras mais importantes de São Paulo e do Brasil,  morreu na manhã deste domingo, 28, aos 95 anos, no Hospital Albert Einstein, onde estava internado há cerca de um mês devido a uma pneumonia. De sua união de toda a vida com dona Guita, deixa os filhos Betty, Diana, Sérgio e Sônia, doze netos e doze bisnetos

Nascido em São Paulo, em 8 de setembro de 1914, Mindlin se formou em Direito no Largo São Francisco, em 1936, e estendeu os estudos na Universidade de Columbia. Advogou por algum tempo e em 1950 fundou a Metal Leve, nome de peso no setor de peças automotivas, pioneira em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. A Metal Leve teve papel importante no avanço tecnológico brasileiro e no processo de exportação de produtos manufaturados brasileiros. Dirigiu a empresa por 46 anos, até que em 1996 a vendeu para a multinacional Mahle.

Seu primeiro livro de sebo foi adquirido aos 13 anos de idade. Nos anos 1930 já estava sedimentado seu hábito de colecionar livros raros. Entre suas aquisições destacam-se os originais de Grande sertão: veredas e as edições príncipes de Os lusíadas, O guarani e A moreninha. Por conta de seu hobby, fundou, em São Paulo, a livraria Parthenon de livros raros. Ele e sua mulher, dona Guita, fundaram também a Associação Brasileira de Encadernação e Restauro (Aber), hoje independente e ponto de referência/partida para profissionais.

Mindlin foi membro do Conselho Superior da Fapesp de 1973 a 1974 e de 1975 a 1976, diretor do Conselho de Tecnologia da Fiesp e secretário da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, quando estruturou a carreira de pesquisador. Neste ponto de sua história, recorro aos meus arquivos:

[…] nomeou Vladimir Herzog diretor de Jornalismo da TV Cultura, cargo em que o jornalista foi detido, torturado e morto pela repressão. Transtornado, por ter certeza de que haviam interrogado Herzog a seu próprio respeito, Mindlin quis entregar o cargo, no que foi demovido por Paulo Egydio, sob a alegação de que isso fortaleceria a linha-dura do regime, que agia em contraposição à abertura pretendida por Ernesto Geisel. Mindlin segurou as pontas do cargo mais um ano, até a morte, em idênticas circunstâncias, do operário Manuel Fiel Filho. Saído do governo, ajudou a elaborar o “Primeiro Documento dos Empresários”, com Antônio Ermírio, Cláudio Bardella, Severo Gomes, Laerte Setúbal, Jorge Gerdau, Paulo Vellinho e Paulo Villares, a fim de pressionar o governo pela volta da democracia […].

Fez parte do CNPq, do IPT e da Comissão Nacional de Tecnologia da Presidência da República, entre outras entidades.

Recebeu diversas premiações, entre elas, em 1998, o prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano; a Medalha do Conhecimento concedida pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; prêmio João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras; e em 2003 o prêmio Unesco Categoria Cultura.

Seu acervo de livros, tornado a maior coleção particular do Brasil, foi doado em junho de 2009 para a USP (Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin). Chamado Brasiliana USP, o projeto acadêmico da USP é a maior coleção de livros e documentos sobre o Brasil.

Mindlin doi eleito em 20 de junho de 2006 para ocupar a cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo Josué Montello.

O velório foi realizado no próprio HAE e o enterro aconteceu no Cemitério Israelita da Vila Mariana, com a presença de inúmeras personalidades, entre elas Gilberto Kassab,  José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Henry Sobel, Celso Lafer, Júlio Medaglia, Eduardo Suplicy e Marta Suplicy. De todos os depoimentos, destaco o de Fernando Henrique Cardoso:

A perda de José Mindlin foi algo que marcou, porque ele teve uma vida marcante. Muitas vezes se referem a Mindlin como um bibliófilo. Ele o foi, mas foi muito mais que isso. Foi um resistente contra um regime autoritário. Eu sou testemunha disso, quando nós fomos postos para fora da universidade em 1969 e fizemos um centro de pesquisa para podermos permanecer no Brasil. Todo mundo tinha medo, porque havia perseguições, mas o Mindlin emprestou o apoio, emprestou o nome da família e ajudou. Quando Herzog foi morto ele também atuou, porque Herzog havia trabalhado com ele.
Então, Mindlin era muito mais do que um bibliófilo, era uma pessoa preocupada com o país, uma pessoa que tinha forte sentimento democrático, além de um ser humano extraordinário que promoveu a música e a cultura artística. Em toda parte ele deixa amigos sinceros, alguns dos quais puderam vir aqui prestar homenagem, mas há centenas de outros que não puderam. Enfim, é uma grande perda.

A gente passa, os livros ficam
José Mindlin

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Bordado da fama, uma biografia de Dener

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Acabei de ler, por lazer mesmo.

Mas não acho que tenha sido uma biografiíía-ía-ía, não. É mais uma contextualização do estilista num Brasil entre o esvaziamento do glamour carioca (advento de Brasília/chatice Jânio Quadros/1964) e o começo  da (amadoríssimo!) indústria da moda no Brasil. O que é quase sinônimo da transformação de uma São Paulo podre de rica, mas provinciana – com suas Madames Rosita da vida – , em um polo do que você quiser: indústria da moda, Jovem Guarda, publicidade, artes, criatividade… Enfim, São Paulo passava de centro fabril para uma vanguarda de empreendedorismo em todas as áreas.

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A biografia em si fala do começo meteórico de Dener Pamplona de Abreu, cujo luxo supremo foi costurar para a primeira-dama mais bonita (a única?) que o Brasil já teve, Maria Teresa Goulart. E depois de 1964, o prosseguimento da carreira, sua opção pela moda nacional, a imagem excêntrica, seus gostos chocantes em um Brasil mais cafona ainda do que hoje (amizade com mendigos, casacos de vison, a imagem autoconstruída da “bicha segura cujas clientes jamais seriam molestadas”, o candomblé, a decadência e seu melancólico fim). No final, aí sim, o livro assumiu ares de biografia.

A edição tem alguns errinhos de informação e de grafia (confesso: nem ligo pra pastel [erro de digitação], mas tenho profunda vergonha alheia quando encontro um nome próprio escrito errado, e pior, errado com certa arrogância, porque acho ri-dí-cu-lo a pessoa “imaginar” grafia de nome próprio. Sabe aquela coisa? “Wolfang”, “Hertkowitch”, “Madame Poços Leitão”? Mas  não chega a ser uma falha de caráter em si. A falha de caráter é minha em achar isso ridículo.)

O tratamento geral das imagens achei meio ruim. A maioria são fotos pequenas, e qualquer criança sabe que o mundo inteiro gosta de ver fotos, observar detalhes, a roupa e a fisionomia das pessoas. Então elas precisam ter um mínimo de dimensão. Até posso acreditar que as fotos originais não estavam lá grande coisa, por isso optaram em colocá-las quase como ícones. Só no final do livro aparecem grandes, mas esmaecidas, como cenário de uma cronologia panorama mundial/Dener. Mas ainda acho que foi pura decisão editorial, e que hoje fariam diferente (a edição é de 1998).

Há também mais de um problema não resolvido de coerência textual. Ensaia entrar num assunto, corta pra outro, depois retoma aquele assunto pra valer. Não como um flashback assumido, mas mais como uma baguncinha na hora de organizar informações, o que valeu algumas repetições de conteúdo. Vale uma senhora copidescada para a próxima edição, que deveria ser lançada com todo o glamour a que Dener tem direito.

E algo de que não gosto muito quando o livro não para em pé: mais de um parágrafo falando de outra criatura, de outro fato que não tem nada que ver com o cerne do assunto. Em um livro cujo miolão (fora apêndices para encher linguiça) dá por volta de 150 páginas, dedicar um capítulo (cerca de vinte páginas) a  outro personagem (mesmo que tenha sido Lívio Rangan e sua Fenit), achei um pouco salsichesco.

O livro traz uma lista de créditos das fotos. Em compensação, não tem bibliografia, agradecimento/listamento de entrevistados, tampouco índice onomástico, o que sempre me deixa passada. Custa botar uma lista pra gente poder localizar nomes em uma história de gente de verdade? Oi!

De qualquer modo, esta biografia, mais a autobiografia de que já falei aqui, me parecem ser os dois livros existentes sobre ele, e pra mim está bom. Não vou ficar caçando recortes de jornal – espero que algum dia um outro biógrafo o faça.

Já está arrumadinho na minha estante de biografias (que começou lááááá nos anos 1980, com um livro sobre Aracy Côrtes, achado numa caixa de papelão “liberada” na Funarte do Rio – a diretora dizia pra mim: “pode pegar o que quiser daí”.

  • Fotos: Acima, Dória, Carlos, Bordado da fama: uma biografia de Dener (São Paulo: Senac São Paulo, 1998). Abaixo: Ronaldo Esper, Lino Villaventura [na verdade José Gayegos, modelista e braço direito de Dener – Obrigada, Roberto J. R., pela correção], Clodovil e Dener (s/d.).

O Brasil, o país do nhenhenhé

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Taí. Foi a maior resolução que achei da capa de MAD trocada de última hora porque traz Lula e Dilma numas de Avatar. Do Portal Imprensa:

A revista de humor MAD, editada pela Panini, teve a capa da edição deste mês trocada de última hora, por conta de uma ilustração envolvendo presidente Lula e a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Roussef. […]

Por meio de seu blog oficial, a revista informa que a troca da capa foi forçada. Na nova imagem, um Na’Vi aparece em pé, ao lado do mesmo dragão da imagem original, mas sem o retrato de Dilma. […]

À reportagem, uma fonte da MAD afirmou que, embora cite o presidente da República e a candidata do PT à Presidência, o “veto” à capa não partiu do governo. “Infelizmente, não podemos revelar quem foi o autor desta censura. Tá (sic) achando que a gente quer perder o emprego ou aparecer com a boca cheia de formiga no Rio Tietê?”, escreveu o editor da revista, Raphael Fernandes, no blog da publicação.

O jornalista ainda critica a repercussão do caso, dizendo que “as pessoas tornaram algo muito maior”, envolvendo o governo e a censura prévia. Segundo ele, nas próximas edições de MAD, todos os candidatos à Presidência serão alvo de ilustrações. (Íntegra)

O pior de uma ditadura não é o governo. É o seu vizinho, o seu patrão, e nenhenhé ali do lado que te ameaça. Ainda mais quando o povo é talhado para a repressão como método moral.

Apoio a Denise e Raquel

Dois dias depois de notificada pela Justiça, Denise Bottmann – e consequentemente Raquel Sallaberry – têm tido ampliadas as manifestações de apoio contra o processo que lhes move a Editora Landmark, sob a alegação de difamação, por Raquel ter encaminhado e Denise ter constatado plágio de tradução na obra Persuasão, de Jane Austen.

Ao constatar o plágio, minuciosamente provado neste post de janeiro de 2009, Denise Bottmann procurou o dono da Landmark, Fábio Cyrino, que  não só se esquivou de uma defesa moralmente aceitável, como não demonstrou vontade alguma de apurar a informação, se retratar, recolher a edição ou coisa parecida.

A indignação e o apoio a Denise e Raquel tem sido rapidamente reverberada em ferramentas como o Twitter e grupos de discussão, e textos  têm sido feitos em blogs, portais, sites respeitáveis, seja de tradutores, bibliófilos ou páginas pessoais, na imprensa tradicional (O Globo, Estadão, Observatório da Imprensa) e em páginas de editoras que não compactuam com a prática do “escaneou, beleza!”. Reproduzo a lista:

Livros e afins, Editora Landmark processa blogueira Denise Bottmann
Todo Prosa, Editora processa blogueira: pode plagiar esta notícia
Bibliophile, Editora Landmark processa a tradutora Denise Bottmann, do Não Gosto de Plágio
Prosa online, Editora acusada de plágio processa tradutora
O livreiro, Quem gosta de plágio?
Filisteu, Quando crescer quero ser igual à Denise Bottmann
Por quem os sinos dobram, Clipping: Editora processa blogueira
L&PM, Autora do blog Não Gosto de Plágio é processada
Tradutor Profissional, Edição extra
De gustibus non est disputandum, Eu também não gosto de plágio…e muito menos de covardia
Forense contemporâneo, Anotação #12-2010
Enredos e tramas, Derek Walcott: sobre traduções e plágio
Hellfire Club, Efeito Streisand
Substantivo plural, Editora processa blogueira
Vísceras literárias, Blogueira é processada pela editora Landmark
Mundo livro, Tradução e reação (9)
Buzzvolume, Editora processa blogueira
Ubervu, Editora processa blogueira
Tradutor profissional, Não deixe calarem a Denise e a Raquel!
Tecla SAP, Eu também não gosto de plágio!
Meia palavra, Blogueira é processada por editora
Pop News, Blogueira denuncia plágio e é processada por editora
Vermelho carne, Quem gosta de plágio?
Observatório da Imprensa, Como lidar com o plágio
Grupo blogagem coletiva anuncia apoio.
Animot, Blogueira prova plágio, editora pede retirada do blog do ar, “direito de esquecimento”
Meia palavra, As malditas traduções…
Tradutores e Intérpretes BR, Barulho sobre Bottman x Landmark
Comunica tudo!, Podem plagiar esta notícia
Bibliocracias, Editora processa blogueira Denise Bottmann
Na linha, Livros: uma questão de Justiça
QueroTerUmBlog.com!, A internet não esquece
Ler, Lost in translation
Gangrena diário, o lindo cheiro da liberdade rodeada de zumbis
A retórica do dragão, Medo de escrever, medo de fazer a coisa certa…
r.izze.nhas, Desespero e exagero: Landmark e Não Gosto de Plágio
Portal Literal, Editora Landmark processa a tradutora Denise Bottmann, do Não Gosto de Plágio
Link, Blog do Estadão, Processada por denunciar
Topsy
Ephemera, Plagiando traduções
Máquina de letras, Bottmann x Landmark
Cidadão quem?, Blogueira Denise Bottmann é processada por não gostar de plágio
Casa da Ceiwyn, Editora Landmark processa a tradutora Denise Bottmann, do Não Gosto de Plágio
Folha de S.Paulo, Caderno Informática, Acusada de plágio, editora processa tradutora e tenta tirar blog do ar
Milton Ribeiro, O caso do blog “não gosto de plágio”
Forum Realidade, Editora processa blogueira: pode plagiar esta notícia
Blog da Cosacnaify, As reinações de Denise Bottmann
Urupês, Eu também não gosto de plágio
Poemargens, Poemargens manifesta todo o seu apoio a Denise Bottmann
Na prática a teoria é outra, Editora Landmark deve ir à falência
Bol Notícias, Acusada de plágio, editora processa tradutora e tenta tirar blog do ar
Batata Transgênica, Momento TPM
Crisálida Editora, Plágio e intimidação
Coruja em teto de zinco quente, Direito ao esquecimento
Legal, Direito de esquecimento
Relances, Em defesa de Denise
Vicodin verde, Dos plágios das traduções
UOL Esporte, Blog do Torero, Coisa feia
Orkut, Letras USP, Editora processa blogueira
Orkut, Traduções tenebrosas, Editora processa blogueira
Roney’s posterous, Editoras suspeitas de plágio: Landmark, Martin Claret e outras
Blog do Galeno, Plágios, de novo na Justiça
Meia Palavra, MTV UOL, Blogueira é processada por editora
Olhar Direto, Acusada de Plágio, editora processa blogueira e tenta tirar blog do ar
Pop News, Blogueira denuncia plágio e é processada por editora
Folha de S.Paulo, Ilustrada, Tradutora que apontou plágio é processada (p/assinantes)
Blogs e…, Acusada de plágio, editora processa tradutora e tenta tirar blog do ar
Ladybug Brasil, Achados na Web 79
Breviário, Pierre Menard, tradutor de Jane Austen
Rodrigo Gurgel, Só ignorantes ou desonestos gostam de plágio
Portal Literal, Bruno Dorigatti, Editora Landmark processa tradutora
Blog da Eide, Guerra ao plágio: Denise Bottmann e as “(anti)referências bibliográficas”
Eça é que é essa, *
minuto OverBR, Acusada de plágio, editora processa tradutora
Turulmeme, Plágio
Jusbrasil, Acusada de plágio, editora processa tradutora
Partido Pirata, Blog Bullying
Tweetmeme, Não gosto de plágio
Marcel Leonardi, A Internet facilitou o plágio?
Chamada 2, Links
zero7.org, Não gosto de plágio
Calmantes com champagne 2.0, Coisas para ler, ver e ouvir
Zero Hora, Apoio ao Não Gosto de Plágio

(E manifestação da editora em Link, Blog do Estadão, O outro lado)

A lista, atualizada constantemente por Denise, está aqui, com os devidos links e espaço para comentários e manifestações.

Como se vê, não é um diz-que-diz. O caso é sério interessa a todos que prezam uma produção editorial de qualidade para o país.

(amputei o título do post. Não por imprecisão, pelo contrário. É que não me lembro de ter feito um título tão horroroso em toda a minha vida)

Saiba a quantas anda seu salário (se der)

salariometro

A Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) do governo estadual  lançou ontem o Salariômetro, um mecanismo que informa ao trabalhador a remuneração média das ocupações em todos os estados brasileiros.

O sistema calcula o salário médio de dada ocupação com base nas contratações nos últimos seis meses (mercado formal), cujos números também são fornecidos.

Entrei lá e não consegui tirar uma linha dos meus caraminguás. Deu pau. Dada a bizarrice de minhas atividades, joguei lá “auxiliar administrativo”, com um perfil “normal”. Também deu pau. Daí decidi fazer uma reclamação no formulário de sugestões.

Deu página inexistente. Me senti numa agência da Caixa Econômica no Rincão das Antas de Baixo. Como é que o governo lança um site cheio de pobrema? Não tem cara de excesso de consulta, acho que é botocudice mesmo.

Bem, o site está aqui. Espero que quando você vir este post, a consulta já esteja funcionando direito.

De qualquer modo, é uma ótima ferramenta, ao lado do Observatório do Emprego e do Trabalho e do Termômetro Nacional do Emprego (acessíveis no mesmo link). O país é vasto, e a consciência do trabalhador é variada, indo desde as mais absurdas reivindicações (às vezes para categorias não tão habilitadas assim) até os casos mais humilhantes, em que a pessoa, por ignorância ou por falta de noção de seus valores e capacidades, aceita um salário vil.

A gente não precisa ser tão pouco.

Jesusinho Cristinho com refil

jesus,cristo.mel

“Jesus está mostrando a doçura de seu coração, porque hoje em dia as pessoas estão muito amargas”, disse Doralice da Silva Carvalho, de 67 anos, aposentada e moradora em Sapopemba. Desde a semana passada, a dona da peça diz que a imagem começou a verter lágrimas de mel.  “Acho que é uma mensagem de Deus a toda a humanidade”, disse Doralice.

Desde que Doralice se deu conta do milagre, tem havido uma romaria em sua casa pra todo mundo passar o dedão e provar aquilo.

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A ciência a serviço da fé: padre Juarez (secretário de Comunicação da Arquidiocese; botei foto porque ele é muito bonitinho, apesar de falar porrrrta) já avisou:  “A primeira coisa a ser feita é submeter a peça a uma análise científica. Em nenhum momento a Igreja falará sobre algo sobrenatural antes desses laudos”.

Eu sei qual é a mensagem a que se refere o Jesus de Doralice: a indústria da salvação está se renovando. Eu acho ótimo! Então, faz logo o santinho com refil sabores: você escolhe: mel, moranguinho, chocolate, pistache ou natural (soro simples). Acompanha pazinha dessas de sorvete pra ninguém pegar doença de ninguém.

  • Foto do doce Jesus: Paulo Toledo Piza, G1.

Duas notas de Cuba

Após três meses de greve de fome, morreu em Cuba o preso político Orlando Zapata. Considerado prisioneiro de consciência pela Anistia Internacional, sua greve de fome acontecia em protesto contra as más condições carcerárias.

Isso aconteceu depois de eu ter recebido (via Paulo Araújo) o teor da carta assinada por cinquenta dissidentes cubanos, presos como Zapata, pedindo a Lula para que interceda por sua liberdade quando encontrar amanhã com o presidente cubano, general Raúl Castro, e com Fidel. Em carta divulgada em Havana, fazem o pedido a Lula 42 opositores presos e oito que têm “licença extrapenal” por razões de saúde, todos do grupo de 75 condenados em 2003 a penas de até 28 anos de prisão e acusados pelo Governo de serem “mercenários” dos Estados Unidos.

O teor da carta e o nome dos cinquenta presos está no Cubanet.

Aposto meus pulsos que nenhum dos três está nem aí pro bem-estar de quem quer se seja que não siga o vade-mécum deles. Glórias do socialismo.