Ontem desmontei um Gelli…

Primeiramente certa saga em achar uma mísera imagem desse tal guarda-roupa Gelli. Simplesmente não existe mais. Não existe no Mercado Livre, não existe em brechó, na memória de ninguém e, portanto, não há registro internético.

Por que? Porque, uma vez instalado, você não conseguia desistalar impunemente e transportar pra outro lugar. Não há comércio disso. Desmontou, estragou. É farofa. O destino é o lixo.

Daí á fui eu procurar no acervo da revista Veja, segundo o que lembrava da modinha: lá pelos anos 1973, 1974. Um anúncio. Encontrei esse, de modulados Vogue, mas serve, porque eram a mesma coisa: laqueados, mudernos, várias cores, vermelho, amarelo, laranja, lindos mesmo, masss…

Pois então, ontem desmontei o tal do Gelli. Eu até achava um milagre aquilo ter perdurado por tanto tempo! Explico: meus pais se mudaram há alguns anos para um apartamento andares acima do meu. Foi um tanto intempestivo e, portanto, eles entraram no apartamento no estado. Estava direitinho, pintadinho, banheiros e cozinha reformadinhos e tal, e os embutidos num branco omo de dar gosto. O rapaz – o pequeno buda – nos mostrou o apê quando ainda morava lá, e é claro que não pedi para abrir os armários.

Quando meus pais finalmente se instalaram é que fomos ver os embutidos. Uma sepultura caiada. Até aventei chamar Juracy, nosso fac-totum aqui do prédio, pra derrubar tudo aquilo e comprarmos um guarda-roupa novo. Meus pais estavam de saco cheio da mudança e não quiseram. Me restou a sorte do tempo quente e uma disposição férrea para ajeitar alguns parafusos e pintar aquilo por dentro em dois dez. Foi daí que, antes de passar o rolo de tinta, vi lá uma etiqueta velha: Gelli.

De lá para cá, não gostava de ver aquilo. Estava tudo direitinho, mas os detalhes… a estrutura é de aglomerado. Aglomerado leva cola, então pesa pra xuxú. Portas pesadas, como é que vão aguentar com dobradiças aparafusadas num aglomerado? E sinais de pequenos reparos, ainda por conta da dinastia do pequeno buda. Daí que você vê, com a luz do abajur, aquelas sombras de bororocas… me incomodava horrivelmente.

Agora está acabando. Meus pais estão trocando as janelas, e o bicho ficava a dez centímetros de uma delas. Esse foi o primeiro. Faltam mais dois, porque o apê, definitivamente, É fornido de Gelli…

E surpresa surpresinha, atrás do armário há um lindo papel de parede antigo, parece um forro de colchão. Minha mãe, romantiquinha, fica imaginando a alegria da dona da casa quando colocou aquilo. Já eu imagino que era um bordel disfarçado.

Agora, é esperar para esta semana o homem da janela, e depois… Juracy.

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9 opiniões sobre “Ontem desmontei um Gelli…”

  1. Esses móveis aí não diferem muito dos móveis que vendem hoje em dia nas Casas Bahia. Ou seja, são para montar uma vez só e NUNCA pegar água, em hipótese alguma. Se você montar uma vez só, aguentam um bom tempo, mas se resolver mudar de lugar já era…

  2. Engraçado, Dawran, eu lembro tanto dessa marca na infância… E dos móveis também.

    Fábio, lembra minha irmã, que precisava urgente de um sofá-cama. Ainda sugeri a ela que dava tempo de pegar um bonitinho, em loja bonitinha e tal, mas não: foi num Magazine Luiza da vida e comprou. Como não dava tempo de esperar a instalação (esse é um capítulo à parte), meu cunhado, cansado, se botou a montar o bicho, e chegou num ponto que, sei lá, faltou parafuso, alguma peça: ele perdeu a paciência e COLOU a trozomba. Vai ser transportado uns 500 km esta semana, vamos ver se aguenta.

  3. Realmente nunca havia ouvido falar, Leticia.
    Em termos de móveis populares, achei até estranho, pois, era o que há tempos sempre procurava: tipo capelinhas etc. Mas, essa marca Gelli, não.
    E hoje madeira é nome que dão a aglomerados.
    Dependendo da qualidade do aglomerado eles chamam de madeira.
    Até o mogno e outras madeiras nobres, agora e já faz tempo, têm umas fitas sintéticas aplicadas sobre aglomerados.

  4. Dawran, nem Deus sabe do que são feitos. Acho que hoje rola um mdf, não? A maioria é feito disso. Hoje passei por umas lojas e comecei a ver preço de guarda-roupa novo. Primeiro os de madeira mesmo. Depois passei em frente a uma Marabrás, não custa perguntar, né? Mas também os casas Bahia da vida sofrem o mesmo efeito dos Gellis: você monta pra uma vez só.

    Vou tentar convencer os dois a dar um rolê por móveis usados, Santa Cecília e tals…

  5. Sim. O mdf, está muito em voga hoje em dia.
    As madeiras, as árvores, agradecem, como diria um bom ecologista/preservacionista.
    O problema é que monta móveis de aglomerados e/ou mdf e não desmonta mais. Só com martelo. E toma um novo carnet.

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