Azelite do proletariado

Nada mais apropriado para a Força Sindical do que chamar Força Sindical, não?

As fotos abaixo foram tiradas por Raquel, nas cercanias da praça Campo de Bagatelle, em Santana, onde ela mora e onde, há alguns anos, acontece a comemoraçã de 1. de Maio da Força Sindical.

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A cada ano que passa, essa esbórnia fica cada vez maior, mais barulhenta e mais cheia de gente porca e sem modos, com a chancela da Prefeitura.

E aí danem-se as pessoas que moram no entorno: ricos, pobres, remediados, todos ficam obrigados a passar seu feriado ouvindo o repertório mais fubá do cancioneiro nacional.

Quem pode viaja. Quem não pode ou prefere simplesmente ficar em casa, ou ainda trabalha em casa e considera esse bundalelê de feriados o fim da picada, tem de tomar alguma providência – sair, instalar janelas anti-ruído ou se enfiar dentro da geladeira pra conseguir se concentrar em alguma coisa.

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Raquelucha não resistiu e registrou o flagrante abaixo: enquanto o povaréu registrado, catalogado, sindicalizado e  carimbado toma conta e entra sem cerimônia do direito alheio, o trabalhador em sua carroça prossegue no seu trabalho duro, diário, sem feriado, sem FGTS nem auxílio-funeral.

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Quem diria que ainda teríamos uma ditadura do proletariado, não?

PS.: Dona Osm & Cia. vão, mesmo sabendo que o supermercado saqueado ano passado fechará suas portas em homenagem à finesse do povaréu.

PS.2: Olha que meigo!… Protógenes, o justiceiro, estará presente no evã. Por enquanto não dá pra confirmar. Se ele faltar eu atualizo.

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Quem conta na hora do aperto

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Tunguei, confiadamente, lá do Aluízio Amorim, a fotinho do taxista do Aeroporto de Guarulhos devidamente preparado para lidar com algum vírus da gripe porcina. A cooperativa Guarucop adquiriu 20 mil máscaras para proteger seus agregados.

Está certíssima a medida de cautela. Não de pânico. Pânico seria se os taxistas ficassem em casa.

Como está erradíssimo a população troncha se entupir de Tamiflu a ponto de acabar com os estoques no mercado. Um, pelo fato em si – quem realmente precisa não encontra. Dois que, quando e se a gripe chegar efetivamente por aqui, o medicamento já estará tão usado que algum efeito que porventura possa ter no momento não será tão  eficaz. Ponto pra Dona Osm (e que me corrijam os médicos por alguma incorreção).

De qualquer modo, o Brasil andou, nénão? Não por governos em si. Andou porque as pessoas andaram. (Basta lembrar da série de erros individuais e do Estado quando do acidente (?) com o Césio 137, em Goiânia, em 1987.) Mesmo que o governo atual seja rombudo e tenha conseguido a façanha de retornar doenças que já haviam sido erradicadas há décadas, as pessoas e entidades sérias – o país – seguram a onda.

O desleixo do governo federal com a questão: no dia seguinte ao alerta, nada havia de esquema nos aeroportos, e só por Deus e pelo discernimento dos passageiros vindos do México, que aqui chegaram com máscaras, é que houve algum cuidado com a questão.

Volto então à babação fundamentadíssima que tenho pelos médicos, que represento aqui, mais uma vez, na pessoa do dr. David Uip. Em fevereiro, Uip foi empossado na direção do Instituto Emílio Ribas.  José Serra pediu a ele que o transforme na maior entidade em infectologia do país. O cara quer transformá-la na melhor do mundo.

Levando em conta seu currículo, não há – a não ser por implicância – como ver nisso uma megalomania idiota. É claro que seria ótimo para nós que isso acontecesse. E é claro que Uip tem condições plenas de fazê-lo. E o governo diz que tratará os recursos necessários com carinho. Então…

Agora, com a gripe suína, são os médicos infectologistas e de outras especialidades que – trocando em miúdos – estão trabalhando pra nos proteger, e é a eles que devemos ouvir – não ao Apedeuta, que é uma anta.

Eu realocava, na boa, todo o dinheiro do cartão corporativo  e os vale-viagem e vale-refeição dos bundudos preguiçosos de Brasília e de todas as câmaras e Assembléias Legislativas  para a saúde e suas pesquisas. Trocava mesmo.

  • Foto: Vivi Zanatta, AE (via G1).

PS.: Moema, minha amiga de colégio, hoje médica e casada com um médico infectologista, enumera alguns itens com detalhes importantes sobre a gripe suína (thanks, Moema!):


1. Essa mascara é só parcialmente eficaz. A máscara que realmente funciona é um  pouquinho mais grossa e tem um filtro. Porém ainda não sabemos o quanto esse vírus é veiculado de pessoa a pessoa.
2. Não adianta nada usar máscara se o caboclo não lavar as mãos. Essa sim é a grande via de contaminação. Então vamos lembrar o que diziam nossas amadas mães: após pegar qualquer coisa de uso comum devemos lavar as mãos e antes disso não devemos colocar nossas mãozinhas sujas nos olhos e menos ainda no nariz ou boca.
3. Tamiflu e Relenza sao medicamentos ótimos, mas, como todo medicamento, tem contraindicação e não deve ser tomado sem recomendação e acompanhamento médico.
4. Vacinar para gripe comum não adianta nada. A vacina é ótima para os idosos para prevenir a Influenza nossa de todo ano. Mas não a influenza que está causando a “gripe suína” – apesar de não ter nenhum suíno doente.
5. Comer carne de porco não causa a doença – diferente da gripe aviária da Ásia, que era causada pela transmissão da ave ainda não preparada para os humanos. Isso sim justificava o não consumo para evitar a manipulação e justificava a erradicação de criações.
6. A doenca vai chegar aqui. A questão não é se, mas quando. Os especialistas avaliam que  no máximo em dois meses. O maior problema é que será inverno, época que ficamos mais em locais fechados.
7. Alguns laboratórios dizem que em no máximo 6 meses teremos uma vacina.

Da série Grandes galãs paulistanos

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Uma das botocudices mais botocudas do brasileiro é dizer que não vê novela. Nenhuma. Nem um capitulinho. Nem a mulher dele vê.

Não ver novela é uma coisa. Eu não vejo. Vejo uns capítulos aqui, outros ali, e não tenho preconceito nenhum. Mas dizer peremptoriamente que não vê, com um ar blasé, e ainda tecer comentários sobre como são ruins todas elas, enumerando todos os personagens e tramas, é la fin de la picade.

O “não vejo novela, prefiro ler um livro” virou um atestado de inteligência automática, como se qualquer livro fosse bom, o livro como símbolo de sabedoria, da elevação intelectual, a fleuma acadêmica, o superior, o sábio, aquele cujo tempo ruge com pesquisas relevantes para a humanidade.  Mas vai ver tá lendo O Segredo. Ah, não me gasta!

Mas vamos ao que interessa:

Raj é paulistano. Pau-lis-ta-no!!!!!!!

Como a mulherada é volúvel, não? As mesmas moçoilas que suspiravam outrora por Tarcísio Beira agora vão tomar a vacina contra a gripe pra de noite ponhar ozóio no Rodrigo Lombardi, o Raj de Caminho das Índias.

Descobri por que o rapaz  faz tanto sucesso com o grupo da melhor idade: o personagem misturou Rodolfo Valentino com Lawrence da Arábia e despertou os intintos mais primitivos das senhourinhas. Sim, porque ele andou fazendo outros papéis na TV e ninguém deu pelota; não rolavam (andei vendo por aí) essas golas altas e engomadas, os turbantes, a postura peituda, a voz empostada, as cenas calientes entre transparências vermelhas, esse cabelo impoluto…

Não dá pra negar que ele é bonitão mesmo. Mas não vejo maiores borogodós-balacobacos-telecotecos-ziriguiduns, não.

Cês veem, meninas?

Cutuca a ferida no pééééé… nham nham nham nham…

Convocação em São Paulo

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É domingo agora, em São Paulo:

DATA – 03 de maio, domingo
HORA – às 11h00
LOCAL DO ENCONTRO – Praça Marechal Cordeiro de Farias (Praça dos Arcos, na esquina da Avenida Angélica com a Avenida Paulista

Em uma iniciativa da Juventude Judaica Organizada (JJO) — em parceria com grupos judaicos, evangélicos, homossexuais, bahais, de defesa dos direitos humanos e da mulher, com a participação de autoridades e políticos — será realizada, na Avenida Paulista, neste domingo, uma manifestação contra a vinda ao Brasil do presidente do Irã, Mahamud Ahmadinejad.

Um país democrático como o Brasil NÃO PODE receber um defensor do totalitarismo, da homofobia, do revisionismo histórico, da discriminação de mulheres e religiosa (bahais, evangélicos, judeus e outras minorias torturadas, massacradas e mortas no Irã) e da destruição de Israel.

Fonte: Reinaldo Azevedo

Farei de um tudo para, se não participar efetivamente, seguir um pouquinho. Antes mesmo de saber, estava tentando uma equação para encontrar uns amigos à tarde na Paulista, mas parece que conseguirei. Se tudo correr como penso, dá pra chegar um pouquinho antes e participar mais longamente.

É importante que todos se sintam impelidos a ir, não só judeus ou os grupos atingidos com o discurso desse cara. Urbanidade e boa convivência entre etnias e grupos é a verdadeira cidadania que alguém pode alcançar.

Ganhei um irmãozinho…

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Agora à tarde deparo com este papel de parede no computadô de pápis, a criatura mais iconoclasta, cética e fleumática que conheço.

Nunca vi meu pai urrando na frente da TV. Nunca teve cerveja (e os tremoço, belo!) nem churrasquinho pra ver futebol aqui em casa. Nunca houve choradeira nem exageros. Seu Paulo vê a partida, e seus pés vão mexendo, acompanhando a jogada, num nervoso guardado só pra ele.

Tem só a canequinha. Dessas que vêm dentro de uma lata. Ele toma café da bichinha todo santo dia, e faz um mês me disse que, desde que eu dei aquilo pra ele, o Corinthias não perdeu uma.

– Que bom, pai! Da próxima vez que eu sair, te trago um gorro.

– Gorro não, filha, não precisa.

– Tá bom pai. Até porque aqueles gorros são apertados pra caramba, é só pra maloqueiro.

– Obrigado, filhota, a caneca está de bom tamanho.

– Uma camisa roxa? Um relógio de parede, uma cueca?

– Não, filhinha, obrigado – diz, com seu sorriso doce que corresponde a uma gargalhada.

Ontem, naquele gol que virou “A” notícia hoje-e-sempre-amém, até eu, que sou uma songa-monga em matéria de futebol, exclamei: O quequéíííílllllllllllsssssso?

Com as mãos ainda no ar, ele virou pra mim com um sorriso de orelha a orelha e disse: é um golaço, filha!

Cura-te pela enfermidade

dilma-e-franklinSomos um país não exatamente católico, mas carola. Mas nossa carolice e pieguice diante de certas coisas só se comparam à falsidade com que passamos a amar a Susan Boyle de paixão nos próximos 15 minutos.

É óbvio que o que vou dizer aqui não me transforma numa pessoa estúpida, e ninguém aqui vai achar que sou insensível aos problemas das pessoas.

Me comovo, sim: me comovi quando vi esta semana, na tevê (sem link), a insensibilidade do INSS com uma velhinha que mora no interior de São Paulo, pobre de tudo, sobre cuja cabeça algum funcionário idiota bateu o martelo dizendo que ele a deveria se despencar até Alagoas pra resolver um problema em sua aposentadoria, que foi suspensa sem mais aquelas. Chorei copiosamente com o bebê que sobreviveu após ser arrastado por um quilômetro. Não resisti quando o vi enfaixadinho e com a carne exposta. Com o João Hélio foi a mesma coisa. Então, não sou uma pedra.

Mas não me comovo meeeeesmo com doença à propos de pessoas que dependem, em maior ou menor medida, da simpatia popular ou dos humores do Judiciário. Eliana Tranchesi, Celso Pitta, Paulo Maluf e até o mais fubá dos deputados pego com a boca na botija logo anunciam uma doença, uma dor de estômago, um ai-iu na coluna, quando se veem em maus lençóis.

Em todos esses anos, só me tocaram dois: Mario Covas (eu estava correta: afinal, ele morreu disso). E do vice-presidente José Alencar, como já disse aqui, porque não o considero exatamente um pérfido e seu problema é, evidentemente, sério e renitente.

O câncer tem várias, formas, vários estágios, várias gravidades, fatalismos; e, sobretudo, várias classes sociais, se for detectado a tempo (me corrijam os médicos se eu estiver errada). E muitas vezes ele é tratado tão pá-buf que não dá nem tempo de ninguém ficar apreensivo.

Hoje leio nos comentários do Reinaldo Azevedo uma espécie de suspende tudo porque Dilma tem câncer.

Não suspendo tudo, não! Nunca tinha visto entrevista coletiva de médicos com a paciente junta, toda arrumada e bem disposta e fleumática, serena, digna.  Tanto ela como os médicos têm as melhores perspectivas para a cura em pouco tempo. “Esse tratamento não implica que eu tenha que me retrair ao deixar de comparecer à minha atividade. Acredito até que vai ser um fator para me impulsionar.”, disse a ministra.

Tenho certeza de que ela acredita nisso. E sei também de que esse linfoma e a quimio – por mais chata que seja – são uma bobagem, levando em consideração que este país é o que é, e que ela tem a sorte de poder contar (sei lá quem paga isso) com uma saúde de ponta  no dia a dia e com  um dos melhores hospitais do país pra se internar a qualquer hora. Nesse ambiente, tratar um foco de câncer é quase como fazer uma operação plástica, mal comparando.

Fatalismo, fatalismo mesmo é quando você tem um câncer de qualquer tipo, tem de se tratar na rede pública  e não tem uma população inteira acompanhando, numa corrente de orações do bonde do suspende tudo.

E é aí que está a solução da equação de segundo grau esquizofrênica: o câncer de Dilma está para o câncer do pobre assim como o Hospital Sírio-Libanês está para o Hospital Geral de Cacuí das Antas. Se tudo der certo e o pobre olhar para o câncer de Dilma assim como olha para seu próprio destino, ela está feita. Se cura rapidinho e ainda leva os louros porque – li no RA também – foi digna (outra palavrinha que não aguento mais).

Pronto, falei. Espero que vocês me entendam.

  • Foto (Felipe Rau, AE): Dilma e Franklin entrando no HSL: dois jovens idealistas aproveitando tudo do bom e do melhor que o Estado burguês tem a oferecer.  Por essas e outras é que eu me comovo com José de Alencar: ele chega nesse saguão com familiares, e não personal stylists.

Prestenção

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Isso eu recebi por e-mail (mas é importante).

A foto é um cocô. Mas, nos meus parcos conhecimentos photoshopísticos, dei uma bela ampliada na bichinha e não percebi qualquer manipulação. Mesmo ruim, ela merece ser olhada e reolhada por qualquer ser humano que usa posto de gasolina, e enquanto isso é importante ouvir o queridíssimo Joelmir Beting no Jornal três tempos, da radio Bandeirantes, pra entender a coisa:

joelmirbeting.wma

A BR Distribuidora faz uma fiscalização, mas é impossível (como em qualquer outro serviço) deixar tudo arrumadinho para que nós, distraídos em férias, não tenhamos de usar os miolos. Nós, consumidores, somos a principal força que determina a proliferação/perpetuação ou não do comércio safado. É simples: você se informa ou não. Usa ou não usa. Boicota ou privilegia. Você escolhe.

Aí você me diz: mas é comércio ilegal, o Estado tem de ir em cima, sim. Aí eu te digo: quanto tempo demora para que aquele dono seja efetivamente punido por vender contrabando, gasolina adulterada, café pseudo-expresso, ou fazer um serviço porco no seu dente? É mais fácil e mais rápido que ninguém mais ponha o pé lá dentro. Em uma semana o cara sucumbe. Sei que é uma situação muito idealizada, mas quem sabe, um dia?

Já enfiei (e paguei!) gasolina adulterada no meu Pois é. Arquei com as consequências, pra nunca mais! Hoje olho bem onde me embarafusto pra abastecer o carro, e olhe lá! Olho o logo, dou uma geral no aspecto do estabelecimento. Nos meus trajetinhos do dia a dia, tenho determinados os postos em que posso confiar. E, no final, ainda peço Nota Fiscal Paulista.

Agora, 13R és hueda, hein! Isso é pior que tênis Redok, camisa Lacombe e guarda-chuva “Voyagem” (que nem adulterado é. É Voyagem porque Deus assim quis, mas mesmo assim é uma merda).

  • A foto, o link do Joelmir e a informação original estão aqui.