Da Série Grandes Assaltantes Burros da Humanidade

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Depois do curso de intelecção de texto que eu e Shirlei bolamos ter sido um verdadeiro fracasso – nosso target não sabia o que era intelecção e não tinha um puto sequer -, só nos resta alfabetizar e dar cultura geral quem realmente corre atrás da grana e busca melhorar na vida. Dessa vez nosso curso focará no empowerment, com ênfase na descrentralização e gestão da língua portuguesa. O novo marquetingue será voltado pra gente assim e assado.
Na última madrugada, por exemplo: apesar de a empreitada não ter dado certo, os caras queriam mesmo era aparecer na tevê. Repara só o que eles colaram no vidro: “Recor” + logo da Redigrobo. “Inpressa” + logo da Redigrobo.

As inscrições estão abertas.

Socialismo de mercado

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Que coisa, hein! Pena que não tenho carregado a maquineta comigo, se não tirava uma foto! Foi só Fidel anunciar seu pé na cova que as livrarias estão com as vitrines abarrotadas de títulos evocando sua muerte anunciada. E não é só o pessoal dito do capitalismo selvagem que está enchendo a burra de dinheiro com essas publicações cheeeeias de fotos. Tenho certeza de que editores piedosos e que lutam por um mundo melhor mandam ver nas edições que se curvam à curiosidade do… vamos dizer, mercado. E que Fidel também tira o dele por capa (innnxxxxcrusive dos livros do Che).

Muitos desses livros, ricamente ilustrados e com um projeto gráfico de babar, fazem a linha “enfeite de mesinha de madame”, o que é uma sacanagem com as madames, porque há muitos madamos de esquerda neste país. Imagina só o livro sobre o Korda, enfeitando um ambiente amplo, baseado em madeira certificada, cadeiras conceituais e arte do Jequitinhonha?

É o máximo! E os enfeites têm de combinar com o que vai em cima das ditas cujas, de acordo com a classe social/pensamento sobre o mundo em geral. Por exemplo:

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Mesas de esquerda: Alberto Korda, Sebastião Salgado. Peças do Jequitinhonha. Caderno de notas velho protegido por uma rica luva, lembrança de um amigo morto na ditadura.

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Mesas de direita: Livros sobre vinhos, viagens, decoração. Cinzeiro em murano da última viagem feita à Europa. Pesos de papel millefiori.

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Mesa de pobre (de direita ou de esquerda): Cinco controles remotos.

Bonitona mas barraqueira

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Não prestou quando Naomi Campbell soube que seu cisto no ovário caiu na boca do povo. Ela se internou no Hospital Sírio-Libanês meio de emergência, no último domingo, e a equipe médica, formada pelos doutores José Aristodemo Pinotti e David Uip, foi logo avisando que não estava autorizada a divulgar, formal ou informalmente, qualquer informação sobre o motivo de sua cirurgia. Depois da intervenção, a imprensa chegou a espalhar que ela botou pra fora do quarto até os enfermeiros, fato negadíssimo por Pinotti (aquele do bafafá da invasão da USP ano passado).

Sei, não! Em se tratando da modelo, que manda ver na criadagem, é bem possível que ela tenha dado um piti nesse sentido. Já pensou? Pinotti e Uip se revezando noite e dia pra renovar o soro? Me economize, madame.

Pinotti pretende despachá-la só na sexta ou no sábado (mas que cisto grande, hein?), e ela poderá sair de lá de helicóptero, para evitar o assédio geral.

Pô, nem me chamaram!

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Alain Robert, o homem-aranha com nome de cantor francês brega, conseguiu finalmente descer o Edifício Itália por fora, e já ia subindo de novo (danado, o rapaz!) quando foi detido pela PM. Tudo isso agora de tarde, enquanto eu e Ricardo estávamos às voltas com papéis isso, papéis aquilo, gramaturas, acidez, litros de guache Talens e quejandos, a poucos metros dali.

Só por causa disso, magoadíssima que estou com Alain por não ter me avisado de sua peraltice, dedico-lhe essa musiquinha, cujos arranjos de piano logo me vieram à cabeça na primeira vez em que o vi.

  • Foto (Reuters): Alain desce o Edifício Franklin, em Paris, junho de 2002.

Update (Estadão):

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Proezas do Brasil suadinho

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Ai que verrrgonha do Várrrti…

 

Uma viagem pela Dutra requer alguns momentos de abstração, senão o ente se mata de desgosto. Além da própria desgraça que transpor a Dutra, um dos trechos mais deprimentes do trajeto é quando se começa a vislumbrar o vale do Paraíba, umbral dos jeca-tatus em São Paulo: Guaratinguetá, Lorena e, finalmente, o ápice do subdesenvolvimento piedoso: Aparecida do Norrrrte.

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Em Aparecida, malgrado a cidade levar o pomposo nome de Santuário Nacional, tudo é sujinho. As ruas são feias, a panorâmica da cidade é horrorosa, os hotéis causam ânsia só de olhar de longe, da estrada; e os botequins são dignos de romeiros manguaçudos. Entre as lojinhas improvisadas e os camelôs, vende-se o mais do mesmo de toda a porcaria do incrementadíssimo comércio de salvação. Santinhos mal-moldados, fitinhas, Nossa Senhora Aparecida de neon, canecas com peitos, forro de bolinhas de madeira para motoristas, cachaçômetros, rosários vagabundos, e, o pior, aqueles ex-votos que me faziam perder o sono quando criança, de tão macabros que são.

Quando meus pais moravam em Minas, eu ia de ônibus cata-jeca, e era um tormento quando percebia que o busão ia entrar pra pegar algum desinfeliz lá dentro. A rodoviária é coisa de você enfiar a cara em um livro ou revista, só pra não ter de ver aquela arquitetura e aquela gente miserável, andando sem rumo e fazendo não sei o quê naquele fim de mundo.

E o mais irritante é ver, em meio àquela miséria, erguer-se a basílica, único reduto onde o dinheiro entra a rodo – e não sai de jeito nenhum. Aos inimigos do capitalismo é muito normal que gente miserável do país inteiro vá para lá pedir as coisas – metafisicamente, é claro – e não receba. É natural que a padraiada se entupa de comida e tenha uma vida sem maiores preocupações, enquanto vende – caro – esperança pra gente ignorante.

  • Fotos: Acima (Mário Angelo, AE): em Guaratinguetá, conurbada a Aparecida, moradores se estapeiam por ovos caídos (!) de um caminhão tombado; Abaixo (Vagner Magalhães, Terra): Aparecida em dia de festa para ver um cara que não se envergonha de calçar um Prada na frente dessa gente toda. Afinal, o povo não repara mesmo…

Múmias no Mosteiro da Luz

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O Mosteiro da Luz é um dos poucos redutos da cidade em que parece que os séculos não passam. Fora o quietista que fica lá, torrando no sol, dando uma de Frei Galvão, e as senhôuras que lá freqüentam atrás das pílulas milagrosas do idem, o Mosteiro é um oásis em meio à agitada região da avenida Tiradentes.

Construído e fundado por frei Antonio de Sant’Anna Galvão em 1774, o Mosteiro da Luz é considerado o maior monumento arquitetônico colonial do século XVIII. A ele se juntaram a Igreja da Luz, fundada em 1802 – um dos raros exemplos de planta octogonal do período -, e mais recentemente o Museu de Arte Sacra, que é uma belezinha de se visitar.

Lá é possível, com um pouco de simpatia e bastante educação junto aos guias, dar uma olhadinha rápida no cemitério das Irmãs Concepcionistas, que até hoje atuam por lá, orando e trabalhando. Entre suas atividades está a enrolação daqueles papeizinhos escritos chamados pílulas, com copyright de Frei Galvão – mas é tudo digrátis. E elas assistem à missa na Igreja da Luz atrás de treliças – não sei o que elas têm de tão especial que o rebotalho não as pode ver dijeitnenhum.

Pois não é que descobriram duas múmias de duzentos anos (cada uma!) dentro das paredes de taipa do mosteiro? Seus corpos estão intactos. Uma está com as mãos unidas e a outra descansa sua cabeça no ombro da primeira. Uma delas ainda está de sapatos. Uma empresa foi chamada para combater cupins na parede, e o caminho dos bichinhos levou exatamente ao local da descoberta. Isso aconteceu no Carnaval, mas vinha sendo mantido em segredo, sei lá porque. O chato nisso tudo é que a mumificação não faz parte dos ritos católicos, e ninguém sabe por que as duas coitadas foram usadas para preencher a parede da então sacristia do frei Galvão. Acredita-se que as condições climáticas do local, mais a quantidade de argila e cal – elas não tinham caixões – possam explicar a mumificação.

O pessoal dos museus de Arte Sacra, de Arqueologia e Etnologia da USP, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Instituto Médico Legal e da Academia do Barro Branco acreditam que lá deva haver ainda uns cinco corpos. Testes com ultrassom serão feitos, além de um levantamento para apurar a identidade dos corpos com exames de DNA, o ano em que morreram, os motivos do óbito, registros feitos na época, os processos utilizados para conservar corpos. “Na Espanha, de onde vieram as freiras, havia um método de mumificação e precisamos ver se era usado aqui” – diz a diretora-executiva do Museu, Mari Marino.

Desde o século XIX as freiras passaram a ser enterradas em um ossário; portanto, a descoberta é anterior a esse procedimento. Ao todo, são 109 alminhas que descansam naquele local.

Rapidinhas do submundo

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Demorô, hein! O Metrô de São Paulo está providenciando – com custo para as operadoras – umas antenas conectadas a cabo, para que o povaréu possa falar no celular debaixo da terra. A coisa entrará em testes no mês que vem, e por enquanto só a Linha Verde será contemplada. Tá certo que precisa, mas já pensou a perturbação que será? Sim, porque tem gente que, na falta do que fazer, resolve sempre ligar para alguém com as conversas mais idiotas: “você comprou batata?”. O jeito é colocar uns tampões no ouvido. Ou ficar ouvindo um MP3.

Logo logo também rolará uma wireless básica para que a patuléia possa acessar a internet  das profundezas do inferno.

Exemplo típico das banhas estatais. O Metrô do Rio de Janeiro já conta com acesso a chamadas há um tempinho – nada como uma empresa privada…

Bem que o Metrô paulistano poderia se esforçar mais um pouquinho e colocar um ar-cond naquelas composições, que no verão cozinham nossos humores, inclusive os ópticos.

Mas, como nada é perfeito, os mano resolveram abrir uma frente de trabalho nas estações do Metrô: estão roubando até torneiras pra vender a quilo, os miseráveis. A direção do Metrô se vira com as poucas câmeras que tem, mas promete mais algumas para o final do ano. Aguardemos.

  • Foto (Agência Estado): Estação do Metrô, cada vez mais cheio. Já pensou esse monte de gente falando ao mesmo tempo? E a polifonia?