Entre sem bater

 

Tá. Já estou cheia dessa história, mas não dá pra nãoficar indignada com esta cena, símbolo de uma polícia despreparada, patética, com adrenalina enrustida durante anos;  e inteligência de menos; e urbanidade de menos; e comando de menos.

Fora as agressões. Fora os roubos. (Vamos combinar que esses eventos foram em número bem maior do que poderia ser classificado como exceção.)

A coitada:

“Por favor, não quebrem, aqui mora uma trabalhadora, eu estou na casa da minha filha”. (Jornal Hoje)

A mentalidade dos caras!…

Depois reclamam se a população os vê como bandidos.

 

É o prestígio, estúpido!

Á lá, materinha no Estadão sobre gastos de campanha para o governo estadual:

[…] Para sair vitorioso, o tucano gastou ao todo R$ 34,2 mi e teve, segundo sua campanha, uma sobra de R$ 3,3 milhões que foram devolvidos ao diretório estadual paulista do PSDB. As principais doadoras de Alckmin foram empreiteiras com interesse em obras públicas, que lhe ofereceram R$ 15,2 milhões para bater o candidato do PT nas urnas.

Ora, empreiteiras doam pra todos eles. Menos mal que não é com o meu dinheiro. Avante:

O candidato ao governo paulista que mais investiu em seu eleitorado, porém, foi o neossocialista Paulo Skaf (PSB). O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) gastou R$ 18,5 mi em uma campanha que conquistou pouco mais de 1 milhão de votos, deixando-o em quarto lugar na disputa.[…]

Fábio Feldmann (PV) gastou R$ 1,4 milhão em sua campanha. Como recebeu 940.379 votos, o que lhe garantiu o quinto lugar, o custo de cada voto foi de R$ 1,48 – valor inferior ao de Alckmin e Mercadante.

Celso Russomanno (PP), que ficou em terceiro lugar na disputa, não apresentou a prestação de contas à Justiça Eleitoral.

Bem, não se poderia esperar nada mais de um ser como Celso Russomano, néammmm?

Daí se vê que grana não se transforma em voto. Que tal uma história proba, experiência, uma carreira vinda de baixo e administrações honestas e de sucesso?

Liçãozinha para Paulo Skaf, o maior emporcalhador da cidade durante a campanha. E liçãozinha para Mercadante também, cujo maior “bem” de campanha é sua boca mentirosa e desonesta.

Imposto de propriedades vazias

Dia 12 de novembro a Prefeitura publicou decreto estabelecendo procedimentos para incentivar a função social da propriedade urbana, objetivando a ocupação de terrenos vagos e imóveis subutilizados.

Os proprietários dos imóveis vazios começarão a ser notificados a partir de 2011 e terão um ano para comunicar a Prefeitura sobre a adoção de uma das medidas caracterizadoras do adequado aproveitamento do imóvel.

Caso isso não aconteça, o valor da alíquota do imposto de propriedades vazias será maior.

Resumindo: o IPTU dobrará a cada ano de especulação imobiliária porca. Depois de cinco anos nesse esquema sem providências do proprietário, o imóvel será desapropriado.

São Paulo enfim diminui

Da coluna Vox Publica, de José Roberto de Toledo no Estadão:

Depois de cinco séculos recebendo migrantes de todas as partes do Brasil e do mundo, São Paulo tornou-se uma “exportadora” de gente no século 21. Entre moradores que chegaram e pessoas que abandonaram a cidade, a capital paulista perdeu 293 mil habitantes nesta década.

[…]

Ao contrário de décadas anteriores, há indícios de que o destino dos moradores que emigraram de São Paulo não tenha sido a periferia da região metropolitana. Isso porque vários municípios importantes do entorno paulistano também tiveram saldo migratório negativo.

[…] É uma nova tendência. Na segunda metade do século 20, muitas dessas cidades cresceram absorvendo moradores da cidade de São Paulo, principalmente os de baixa renda.

Ao que tudo indica, a centrifugação populacional paulistana perdeu força no século 21. Poucas cidades vizinhas à capital tiveram saldo migratório positivo. Destacam-se Cotia (+29 mil pessoas) e Santana de Parnaíba (+ 23 mil pessoas).

Ambas têm em comum uma acentuada desigualdade social: abrigam tanto condomínios destinados a moradores de alta renda quanto uma população pobre que vive fora dos muros. O perfil das duas cidades sugere que podem ter recebido paulistanos ricos.

Há muita gente que deixou os Jardins ou o Morumbi, em São Paulo, para morar em casas mais amplas e, teoricamente, mais seguras em condomínios como Alphaville (Santana de Parnaíba) e Granja Viana (Cotia). O resultado disso pode ser visto nos congestionamentos matutinos e vespertinos nas estradas que ligam a capital a essas cidades/condomínios.

O mesmo vale para cidades que não pertencem à região metropolitana de São Paulo, mas que estão próximas o suficiente para abrigar gente que trabalha na capital e viaja diariamente, como Jundiaí (saldo migratório de + 20 mil habitantes) e Valinhos (+ 17 mil).

[…] Pessoas que migraram do Nordeste e/ou de Minas Gerais para São Paulo décadas atrás conseguiram fazer seu pé-de-meia trabalhando na cidade e decidiram voltar às suas regiões de origem. Isso seria potencializado pela melhoria das condições econômicas desses locais, fruto do crescimento econômico dos últimos anos.

[…] São Paulo, no seu conjunto, continua sendo um imã populacional: atraiu 557 mil migrantes de outros Estados e países desde 2000. Elas têm perfis distintos: algumas são movidas pelo agronegócio, outras pela indústria e ao menos uma pelo turismo.

Os polos paulistas que mais atraíram migrantes na década foram Ribeirão Preto (saldo migratório positivo de 59 mil habitantes), Sorocaba (+ 47 mil), Praia Grande (+ 45 mil), Indaiatuba (+ 38 mil) e Campinas (+ 32 mil).

A pedido

Um leitor facinoroso e perverso me pede que eu anuncie a inauguração do Poupatempo Cidade Ademar.

Cês sabem o que é o Poupatempo, não? São unidades centralizadoras de toda essa bagaça de documentos. Em vez de você fazer romaria a lugares imundos a cada vez que precisa tirar uma carteira de identidade, uma carteira de trabalho, uma pendenga com o Detran, vai lá que tudo se resolve no mesmo local e na mesma visita. Tudo muito rapidinho, otimizado e em instalações em níveis humanos de temperatura e pressão. São cinquenta serviços presenciais e dois mil eletrônicos, com acesso gratuito à Internet, Detran, Instituto de Identificação,  Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, Secretaria da Fazenda e Banco do Brasil.

De início, há muitos e muitos anos, tínhamos o Poupatempo lá na Rangel Pestana, perto da Praça Clóvis, que sempre foi muito urbano. A procura cresceu, e pá e coisa; inauguraram-se unidades na Zona Leste, na Zona Oeste…, e assim foi. Hoje são vinte postos fixos (fora o Poupatempo itinerante que circula pelo estado).

Pois é. Com a inauguração do Poupatempo Cidade Ademar, nenhum morador da região precisará se despencar para cidade para resolver seus perrengues.

Chato, né?

São Paulo é, realmente, uma cidade horrível… (palavras de meu leitor).

Pela diversificação do trabalho

Tenho verdadeiro fascínio pelos “novos” trabalhos. Tanto aqueles que são novos-novos mesmo quanto os que sempre se fizeram no domínio particular e que hoje são uma especialização, que têm demanda e são bem remunerados.

Porque o homem não nasceu pra apertar parafuso. E porque ninguém é obrigado a se arrastar na vida em algo de que não gosta.

Do portal do Governo:

Para quem não tem vocação para Medicina, Direito ou Engenharia e não sabe o que fazer, existem opções. O governo de São Paulo tem investido em cursos técnicos e tecnológicos não-tradicionais, capacitando jovens para segmentos pouco explorados que, no entanto, precisam de mão-de-obra especializada. (continua)

Resumo de alguns cursos, de acordo com a vocação local:

Etec de São Roque: curso de Serviços de Restaurante e Bar.

Fatec de Jundiaí: planejamento, organização e execução de reuniões e festas de negócios, sociais ou esportivos.

Etec de Artes (Parque da Juventude, Santana, capital): organização, conservação, pesquisa e difusão em museus e instituições afins.

Etec das Artes: também o curso de Regência: dirigir, ensinar e ensaiar grupos vocais e instrumentais, para trabalhar com corais, conjuntos musicais populares, grupos de câmara, e em estúdios de gravação, rádio, televisão.

Fatec de Pindamonhangaba: curso de Produção Fonográfica: produção fonográfica, para trabalhar em produtoras, gravadoras, estúdios de gravação, sonorização de eventos e espetáculos.

Etec Philadelpho Gouvêa Netto (São José do Rio Preto): curso de prótese dentária: planejar o trabalho técnico-odontológico em consultórios, clínicas, laboratórios de prótese e em órgãos públicos de saúde. Podem trabalhar como profissionais autônomos, prestando serviços para os cirurgiões-dentistas, ou trabalhar diretamente sob sua supervisão.

Etec Dr. Demétrio Azevedo Jr. (Itapeva): curso de Industrial Madereiro: tratamento da madeira, análise e elaboração programas de secagem e preservação, operação de máquinas de usinagem de madeiras, e de documentação técnica.

Fatec de Capão Bonito: curso de Silvicultura, com técnicas de implantação e regeneração de florestas, para trabalhar em organizações ligadas a atividades florestais, empresas de fabricação de produtos de madeira, indústrias de papel e celulose, reservas ecológicas, e outros.

Etec de Ibitinga: curso de Gestão da Produção de Enxovais e Decoração: roupas de cama, mesa, banho e enxovais de bebê, se preparando paratrabalhar como supervisor das equipes de confecção de enxovais.

Etec Amim Jundi (Osvaldo Cruz): atividades ligadas à criação e execução de dança esportiva. Os alunos se habilitam a atuar como bailarino, dançarino, esportista, competidor e treinador. Futuramente, haverá também o curso de Esportes e Recreação na Etec de Esportes, na capital.

Etecs Cônego José Bento (Jacareí), Vasco Antônio Venchiarutti (Jundiaí), Augusto Tortolero Araújo (Paraguaçu Paulista) e Prof. Dr. Antônio Eufrásio de Toledo (Prudente): curso de Agrimensura, que capacita seus alunos a analisar a terra para que depois ela seja preparada para se tornar própria para cultivo.

Mais informêichons no site do Centro Paula Souza, aqui.

(Será que aceitam mulheres maduras?…)

Ressaca cívica

Bem, eu adorei esta foto. Depois da tomada, crianças finalmente brincam na piscina de um traficante no Morro do Alemão. O que põe por terra aquele discursinho acadêmico-desmiolado-classe-média que ouvimos durante ANOS de que traficante é protetor da comunidádji.

Em momentos como esse, muita bobagem de diz pela imprensa adentro. Queria dar um link honesto, para além dos ufanismos, ingênuos ou não, que temos vistos por aí.

Antes, uma ressalva: o ponto de virada admirável, tanto do povo do Rio quanto dos policiais fluminenses – do Bope e demais. Dá pra entender o ufanismo catártico, mas não é assim que a banda deve tocar daqui por diante, sob pena de a coisa voltar. Porque o rombo é mais embaixo. Diz respeito a todo o sistema brasileiro, inclusive o legislativo. Rezando aqui para que o compromisso permaneça, não como uma epifania, mas como rotina, coisa do dia a dia e sem comandante dando entrevistas pomposas e definitivas (repito: é compreensível mas não é o correto).

Voltando ao link, escolhi este aqui, do Globonews Painel, com três portentos no assunto: coronel José Vicente da Silva, que conheceu a virada da segurança pública paulista, há alguns anos. De Walter Maierovitch, que entende de máfia como ninguém. E de Gunther Rudzit, cientista político; com mediação do William Waack.

No debate, algumas questões a formular: 

Se, de fato, o Rio conseguir se blindar razoavelmente do poder dos traficantes, como  aconteceu em SP, para onde vai a mercadoria de drogas e armas que continua entrando na boa no país? Em que capital traficantes serão formados agora?

Continuará o Brasil expert em importar cocaína e manufaturá-la aqui? Qual a importância desse mercado no país?

O sistema carcerário, as tendências doutrinárias da Justiça e a indulgência geral da opinião – “seja marginal, seja herói” – continuarão a tolerar que bandido merece visita íntima e advogado cúmplice?

Fica a impressão de que bandido bom é bandido morto, ou a polícia baixará a bola e levará tudo como se deve em um Estado de direito? Ou será que isso vale só para SP?

E, por último, e não menos importante: a mentirinha de que a Igreja da Penha é cartão postal do Rio, como muitos repórteres fizeram crer, acabará por TIRAR aquele parque de diversões horroroso instalado há décadas lá embaixo?