Chovendo no molhado

De Sonia Racy, hoje no Estadão, com um título irônico:

Inspiração

A Prefeitura fez as contas. Duas mil pessoas que vivem nos albergues da cidade… trabalham.

Com base neste dado, Haddad lançou, ontem, o programa de formação profissional para população de rua.

Ora, ora, nem sei se outro prefeito não recorreria à mesma patifaria, mas é como se Haddad em pessoa chegasse até mim e dissesse: “Nossa! Ficamos sabendo que você é revisora, por isso estamos lhe oferecendo um curso de revisão inteiramente grátis.”

Nesse e em outros casos, o sistemão político-administrativo passa longe de fazer a leitura certa, mas adere alegremente à que convém.

Se 2 mil pessoas trabalham e vivem em albergues, é porque NÃO TÊM COMO MORAR em lugar algum. Seja pelo alto preço dos aluguéis ou pela impossibilidade existencial brasileira de adquirir um cantinho.

Das quatro, uma:

1) Ou o Brasil se emenda e para de mandar mendigo pras cidades grandes (sim, boa parte da mendicância vem de cidades pequenas, onde ninguém dá esmola e a prefeitura não incentiva sua estada).

2) Ou a Prefeitura bola umas quitinetes onde a pessoa possa morar de graça, ou pagando um aluguel simbólico.

3) Ou a Prefeitura dá essas quitinetes, cuidando que não sejam objeto de especulação, e sim de moradia de fato.

4) Ou deixa tudo como está, incentivando o estudo para termos doutores coalhando as calçadas da metrópole.

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12 opiniões sobre “Chovendo no molhado”

  1. E o item 5, Leticia, deveria ser deixar de fazer demagogia com a desgraceira alheia.
    Só pode ser brincadeira desse pessoal. Desde os tempos de Anchieta que vem alguém com alguma ideia de formação de pessoas de rua, antes, o pobre. Hoje, o termo politicamente correto seria “pessoas em situação de rua”…por que será que no texto saiu “população de rua”? Devem ter esquecido de ler esse ítem no manual do politicamente correto. Pois bem. E depois de turmas e mais turmas, programas e mais programas, a “população de rua” e/ou “população em situação de rua”, permaneceu como “homem sanduíche”, aquelas pessoas que colocavam aquelas placas, tipo colete, de oferta de empregos nas ruas do centro da cidade, ou carregando tabuletas de “há vagas”.

    Gozado que, hoje mesmo, o ex-presidente falou em seminário, onde deu “aula” aos europeus, que a pobreza estava baixíssima no Brasil depois do BF e desonerações etc. e há dias antes, a presidente teria dito que, depois dos R$70,00 dados em ajuda a famílias detectadas, milhões de pessoass haviam saído da miséria.
    Pode ser que esqueceram de avisar ao prefeito.
    Sópode ser preconceito contra São Paulo.

  2. O problema das tais quitinetes é que cedo ou tarde serão vendidas ou sublocadas e seus moradores voltarão às ruas. Também não dá para confiar demais na nobreza humana.

    Beijo,

    Pablo.

  3. Olha, Dawran, vejo essas situações não com olhar piedoso, mas econômico-matemático-fatalista mesmo. Pega qualquer momento da história, a vida fora das cidades grandes em geral é muito ruim para “excluídos”. Muito. Não acho que a quantidade de mendigos em metrópoles seja uma chaga social, e sim uma consequência normal. Isso desde que trabalhava no centro do Rio, aquelas pessoas revirando lata de lixo de restaurante à noite. Não sou partidária de expulsá-los, coisas do tipo “volte para o lugar de onde veio”, porque isso é coisa de cidade pequena. Mas também não acho que devam ser tratados a pão-de-ló. Acho que deve haver mecanismos de controle, esse sim, do tipo “para seu próprio bem”.

    E aí entra o q

  4. Olha, Dawran, vejo essas situações não com olhar piedoso, mas econômico-matemático-fatalista mesmo. Pega qualquer momento da história, a vida fora das cidades grandes em geral é muito ruim para “excluídos”. Muito. Não acho que a quantidade de mendigos em metrópoles seja uma chaga social, e sim uma consequência normal. Isso desde que trabalhava no centro do Rio, aquelas pessoas revirando lata de lixo de restaurante à noite. Não sou partidária de expulsá-los, coisas do tipo “volte para o lugar de onde veio”, porque isso é coisa de cidade pequena. Mas também não acho que devam ser tratados a pão-de-ló. Acho que deve haver mecanismos de controle, esse sim, do tipo “para seu próprio bem”.

    E aí entra o que o Pablo ponderou. Deveriam inventar um mecanismo jurídico em que o direito de propridade não valesse para quitinetes como essa. Visitas esporádicas, e tal. Nao é possível que um grupo de pessoas possa fazer tudo o que lhe dá na veneta e o resto da sociedade, não.

    (Ah, proibiram os homens sanduíche em SP. Não sei a quantas anda.)

  5. Os PoliTicamente corretos vão dizer que, a crítica aos cursos do alcaide para os albergados é coisa de burguês que não quer que o proletariado tenha condições de dignidade.Quanto á moradia o sr. prefeito têm muitos projetos, só quero ver quando vão sair do papel.Já vimos filmes iguais na esfera municipal, estadual e federal. Se promete muito e se faz pouco.

  6. Leticia, o fim dos “homens sanduíche” deve ser por conta da “emregabilidade” (mais um termo politicamente correto) de MO não qualificada ou semi qualificada para alguma das atividades geradas, por exemlo, na construção civil e serviços vários.

    Porém, o prefeito divulgou suas 100 metas para São Paulo. Ainda estou vendo e não há ainda alguam razão para escrever sobre.
    Contudo, chama-me a atenção a insitência em corredores de ônibus, ao invés de junto com o Governo do Estado entrar pesado no transporte via trilhos – Metrôs e trens. Isso, além de entrar também, com o Governo Estadual, no transporte via hidrovias em techos da Cidade onde isso seja possível e viável.
    Os corredores de ônibus poderão estrangular a Cidade e certas vias, ou a provocar uma excessiva carga no próprio sistema de corredores, o que seria uma externalidade muito negativa.

    No caso de atrair moradores ao Centro da Cidade, via construção de apartmanetos pequenos, pode não dar certo.
    Lembram-se do Edifício São Vitor, do 14 Bis, do Demoiselle (estes dois na Piam) e tantos outros ali na região do Mercadão, da Bela Vista. E muitos na baixada do Glicério? Antes, eram colalhados de repúpblica de estudantes e famílias. Agora, ficaram sem condições de receber alguém para morar. Degeneraram e degeneraram os locais onde estavam. Ou o local provovou a degeneração dos mesmos.
    Ali, nas imediações da rua da Glória, há prédios com apartamentos duplex que eram moradias, depois passaram a ser repúblicas e agora são ocupados por moradores de baixa renda. Tem aprtamentos ali em que moram mais de duas famílias cada um. Mas, estão deteriorados e os sítios também, com influência até os arredores da Praça Roosevelt.

  7. Só complementando, Leticia, sem olhar piedoso mesmo. Estamos numa Democracia. Todo mundo pode circular pelo seu País. Ee por qualquer cidade seja como for.
    O que, creio, precisaria ser revisto é esse tipo de “empoderamento” que dão aos moradores dessas áreas.
    Notadamente aos que estão fora de qualquer inidicador de qualidade de vida, doentes, viciados, sem família…
    Ora, promover o “empoderamento” dessas pessoas, que necessitam de tratamento e não de só piedade etc. é um desastre.
    As pessoas precisam de tratamento digno como qualquer outra. Só que, com esses, fica impossível mexer sem ser taxado de “higienista” etc. Pois, que os levem para casa,então e vejam o que podem fazer para ajudá-los, oras.

    Não estou propondo expulsão ou qualquer tipo de violência. Mas, que antes sejam tratados como seres humanos e não como “pessoas empoderadas” por serem assim (sem casa, viciadas, prostituídas etc.) e que podem fazer o que bem entenderem em qualquer lugar.
    Isso é que não é promover cidadania.

  8. Por curiosidade coloco aqui e se alguém puder explicar…

    Trata-se do objetivo 21 e da centésima meta do novo prefeito:

    (…)
    Objetivo 21 – Revisar o marco regulatório do desenvolvimento urbano de forma participativa
    • Meta 98 – Revisar o Plano Diretor Estratégico
    • Meta 99 – Revisar a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo
    • Meta 100 – Revisar os Planos Regionais Estratégicos”

    Estava lendo e de repente, isso chamou a minha atenção, pois, não entendi nada.
    Nem deste item e nem dos outros. Preciso ler com mais apurada atenção…hehehehe…
    Poderá a té ter algo de realmente novo e bom para São Paulo. Porém, antes da eleição, a propaganda dele dizia que não havia nada na Cidade.
    Só que no texto ele fala em “revisar”.
    Revisar o quê? Só dá para revisar o que já existia antes.
    As ideias dele ou as do anterior?

    E aqui está o início do plano do novo prefeito, segundo publicado no G1:

    “”Eixo 1 – Compromisso com os direitos sociais e civis
    Objetivo 1 – Superar a extrema pobreza na cidade de São Paulo, elevando a renda, promovendo a inclusão produtiva e o acesso a serviços públicos para todos
    • Meta 1 – Inserir aproximadamente 280 mil famílias com renda de até meio salário mínimo no Cadastro Único para atingir 773 mil famílias cadastradas
    • Meta 2 – Beneficiar 228 mil novas famílias com o Programa Bolsa Família
    • Meta 3 – Implantar 60 Centros de Referência da Assistência Social – CRAS
    • Meta 4 – Implantar 7 Centros de Referência Especializada da Assistência Social – CREAS
    • Meta 5 – Garantir 100.000 vagas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC)
    • Meta 6 – Formalizar aproximadamente 22.500 microempreendedores individuais

    Está tudo escrito.
    Depois não pode dizer que não era bem assim.

  9. Ai, Iolita, eu fico naquela teoria. Pra cada 1 milhão de favelados acondicionados em apartamentos novos em SP, chegam mais 2 milhões. Não é uma crítica aos favelados. Como sempre digo, se estivesse nessa situação faria a mesma coisa. Mas onde vai dar isso?

    Dawran, as promessas de campanha, que no basicão tinham o dobro do que está “prometido” agora, também está escrita. Aí eu te pergunto com um grande E DAÍ?? Daí nada, ninguém vai cobrar nada, nem seus próprios eleitores, que hoje estão na mais absoluta mudez. Pitadas de cumplicidade.

  10. Complementando, Leticia, a tática e estratégia toda foi vencer na Capital para conquistar o Estado. E ainda de quebra, reeleger a presidente.
    Esse deverá ser o diapasão.
    As promessas ninguém realmente vai cobrar nada, ms estão lá, escritas.

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