O beija-mão papal

Passei por 1, 2, 3, 4… 5. Este é o quinto papa que vejo assumir, e pela primeira vez – acho que com um monte de gente foi assim – me interessei um pouquinho pelo tema, talvez porque ele tenha mudado de contexto.

Tem sido destacado por aí que ele parece ser um cara simples, numa automática – mas não comentada – conclusão de que os anteriores não o eram.

Até acredito que João Paulo II e Bento XVI fossem mais simples do que o ritual exige, mas, se assim era, eles não reclamaram.

Tudo isso porque hoje acordei e deparei com um beija-mão papal interminável, e pensei: Coitado, no final do dia estará exaurido. Era algo que poderia ser cortado, porque não traz benefício nenhum para a Igreja nem pra ninguém.

Quem são essas pessoas? Qualquer um. Tanto em beija-mãos como em audiências, são apenas humanos fazendo o que mais bem sabem fazer: bajular, tentar uma aproximação, pedir um favor, ou simplesmemente vê-lo de perto.

Para além dos jornalistas, detentores de cargos, freiras encantadas e viajantes, o tipo que mais me causa espécie é o “crente papista”, aquele que ancestralmente cindiu sua crença mas que nunca deixou de pagar pau pra Santa Sé. Confesso que isso me causa certo desprezo, porque você tem de assumir suas escolhas, não? No crentismo tradicional, pelo menos em teoria, há um Deus único, e seu intercessor é só Jesus Cristo. Portanto, não entendo a fixação em relação ao sentido de “pertencimento” através de um só canal – o papista.

Não que não se deva respeitar a IC, à la bispo Macedo, não é isso. Não precisa odiar, mas também não precisa ficar animadinho. Existe por parte de alguns muitos “excluídos” certo sentimento de fundo, aquela coisa de “querer voltar ao ninho”, um misto de saudade e de celebritismo, como vimos recentemente. Um apego à tradição? Um apego ao ritual? Então isso não é religiosidade, é qualquer outra coisa.

(Sim, estou pensando nos gays tb.). Repito: cada um faz e arca com suas escolhas, e nem por isso precisa se sentir um pária. Se a escolha X o exclui de certas “regalias”, paciência.

Não estou no time que acha que a Igreja – qualquer uma – deva refazer sua doutrina para atender a demandas sociais e a freis abilolados. Igreja não é Estado, embora ambos se confundam de vez em quando.

Foto: Michael Sohn/Associated Press (Folha).

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4 opiniões sobre “O beija-mão papal”

  1. Opa, gentes! Na real, não se trata de uma cerimônia de “beija-mão” do Papa, e sim de “beija-anel”, um sinal de deferência secular a todos os prelados, bispos e cardeais incluídos. Na verdade, na verdade, não se deve beijar o anel diretamente, mas apenas chegar perto, como sinal de referência e reconhecimento a autoridade eclesiástica. Não sou católico, mas mesmo se fosse jamais iria nesse “beija-mão papal” porque deve ter vários que lambuzam os beiços na pedra. Nojo…
    Não confundir isso aí no Vaticano com os célebres beija-mãos do regente Dom João VI, quando se formavam filas quilométricas de vassalos que chegavam todas as noites ao paço imperial para dar uma bicoca na mãozinha do rei e pedir algum mercê. Algo parecido com o que fazem hoje nossos politiquinhos e empresários com o reizão Lula…

  2. Flavico, a gente se refere ao gesto, que em si é tudo a mesma coisa. Ninguém vai ao papa para ter uma experiência metafísica com aquela pedra lambuzada, não é mesmo?

  3. Lets, creio que todos estão felizes com seu retorno às lides escrevinhadeiras. No bom sentido, é claro! Não nos deixe mais, tá bom?

    Esperemos que o papa portenho venha fazer a diferença.
    Chega de Boffs, Casaldáligas e Arns da vida. A Igreja precisa de uma teologia que a liberte das garras de ideologias falidas e criminosas. Que seja voltada essencialmente à espiritualidade, antes de mais nada.
    O mundo necessita de um papa mais simples no trato com seus fiéis. Sem rapapés ritualísticos em excesso.
    A receptividade a Bergoglio tem sido surpreendente. Parece que caiu no gosto popular.
    É um bom começo.

  4. Schu, tb. acho isso tudo ótimo, mas, nas estatísticas históricas, para cada líder muito carismático e popular há um louco. Eu se fosse o papa continuava na sua linha, mas guardaria um pouco de cuidado.

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