Chamando pra lutinha

Quanto mais passam os dias, mas a gente se exercita no botox moral pra olhar tudo com cara de nada, não é mesmo?

Lady Gaga distribuindo comida aos macacos na cidade maravilhosa (não se iluda: em SP será a mesma coisa), Luis Nassif retumbando a (falsa) morte de Niemeyer só porque viu num perfil claramente fake do Estadão no Twitter, e agora essa, o prefeito do Rio Eduardo Paes querer construir um outro autódromo, não para valorizar a cidade do Rio, mas para se medir com São Paulo.

Do Superesportes:

O projeto do novo autódromo internacional do Rio de Janeiro foi apresentado pelo Ministério do Esporte nesta sexta-feira. Com a pista em Deodoro, o prefeito Eduardo Paes sonha desbancar São Paulo e sediar o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 no futuro.
“São Paulo que fique esperta, porque eu quero roubar a Fórmula 1 e trazer outras provas também”, disse Paes. A construção do novo circuito é um compromisso dos organizadores dos Jogos de 2016 para desativar o atual autódromo de Jacarepaguá, onde será erguido o Parque Olímpico. (segue)

O tal do novo autódromo será numa antiga área do Exército em Deodoro, hinterland do Rio a que o poder público nunca deu pelota. Antes, terão de fazer uma varredura porque era campo de provas, e o terreno está todo minado (Não. Prefiro não prever nada…)

Vamos ver se dessa vez vai, porque as prefeituras antecedentes (inclusive a de Paes) deixaram o antigo Autódromo de Jacarepaguá virar o que virou: um campo mal-assombrado, sem manutenção nem políticas, subutilizado desde sempre e agora cercado de favelas.

Toda cidade deve fazer suas opções, e tal, e acredito ser bacana ter autódromo até em Fiofó do Norte, mas por que fazer um autódromo pra desbancar outro? O que move o coraçãozinho de Paes ao dizer que “São Paulo que fique esperta, porque eu quero roubar a Fórmula 1”? O que é um “eu” dentro de uma pefeitura e ao longo do tempo?

Ora, ora, sabemos que construir uma obra é a parte mais fácil da bagaça. Duro, duro mesmo é mantê-la, reservar orçamento para ela e fazer manutenção anual, a cada evento de maior magnitude. Fora a trabalheira que é para trazer um evento…

Lembro de ter dado um plá sobre a história do Autódromo de Interlagos, e sobre o esforço da prefeita Erundina em deixá-lo zero bala nos anos 80/90. De lá pra cá, o esforço, notadamente de Gilberto Kassab, para mantê-lo segundo os padrões internacionais. Não contente com isso, Kassab ainda trouxe a Fórmula Indy, debaixo de uma chuva de críticas, e ambas estão aí, mantidinhas e atualizadas ano a ano, trazendo uma bela grana para a cidade.

Eu sei lá o que Fernando Haddad fará com Interlagos. Pode ser até que acate sugestão antiga do PT em transformá-lo num imenso conjunto habitacional, certo? Mas até hoje, o Autódromo de Interlagos tem sido o único no Brasil por obra e graça de administrações responsáveis e de visão.

O que quero dizer é que, à Prefeitura do Rio, não bastam eventos, perfumaria, dinheiro federal e muito menos macaquices pra tentar um pouco de modernidade para a cidade. Depende de vontade, de constância, de lobbies eternos e tals.

De qualquer modo, estou de boa vontade e aguardando o jeitão de Haddad de governar. Morreria de vergonha se ele tivesse atitudes idiotas como as de seu colega carioca.

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12 comentários em “Chamando pra lutinha”

  1. Já que o terreno do novo autódromo é minado, bem que o demagogo alcaide carioca poderia se utilizar daqueles ratos gigantes que são treinados para desativar minas num país africano. Hehe!
    A pior desgraça da “cidade maravilhosa” não são as favelas e o crime organizado.
    O que a infelicita de verdade é a malta de politiqueiros que vem tentando administrá-la há décadas sem competência.
    Como dizia o ‘profeta’ Aparício Torelly (Barão de Itararé): “Se queres conhecer o Inácio, dê-lhe um palácio”! O poder enlouquece, emburrece, corrompe…

  2. O recém-eleito em São Paulo, não deverá ter problema na rusga com o colega carioca. O beija-mão é “tár e quár”. No fim, resolvem construir outro autódromo na divisa conurbada de ambas capitais.
    Assim, a corrida teria a largada em um lado da fronteira e a bandeirada quadriculada seria dada do outro lado da fronteira. Uma solução salomônica para os dias engraçados que estão por vir.
    Depois, podem começar a brincar que o daqui vai “tomar” as praias do de lá.
    E o de lá, vai brincar que levará a Praça da Sé e a Estrada Velha de Santos…

  3. Chato tudo isso, não? Acabei de ver uma reportagem sobre a violência em SP no Fantástico que me deixou com vontade de ver o tal de “controle social da mídia” em vigor. A pauta petista foi seguida à risca, com um monte de gente dando entrevista sem ser identificada, com documentos preparados pelo Cardozo, etc. Uma tristeza ver a maior emissora do Brasil com essa sanha em derrubar o governo de SP. Ou será que estou enganado?

  4. São Paulo na mira… Mas o governo de SP precisa reagir de algum modo. É muito cinismo ver notórios defensores de bandidos cobrando “providências” ao governo de SP… Quando esta gente será confrontada? Quando vão cobrar a conta dos anos em que fizeram uma campanha contra a polícia, sempre tratada com suspeição?
    Sobre o autódromo, não é só pista que precisam fazer no Rio. Uma das razões para a corrida ter saído de lá foi a falta de atendimento médico. Num teste de verão – as equipes vinham ao Rio em Janeiro e Fevereiro testar os carros no calor – o piloto Francês Phelippe Streiff sofreu um acidente e ficou paralisado do pescoço para baixo. Verdade que o carro tinha uma falha estrutural mas o piloto teve sua situação agravada pelo péssimo socorro que recebeu… Quando o eleitor brasileiro vai entender que bravata não leva a lugar algum? Apesar de todas as críticas ao governo Erundina, ela soube aproveitar a oportunidade e trouxe o GP de volta a SP. Trabalhou com os organizadores. O Rio tem uma aliado fortíssimo na rede Globo mas quem decide mesmo é o Bernie Ecclestone, ele decide tudo sobre a F1 – se encherem muito a paciência, bye-bye corrida no Brasil…

  5. Schu, cê sabe que há bilhões de anos li um estudo sobre isso? Na década de 60, o melhor que havia de contingente humano na Cidade Maravilhosa aceitou desbravar o fim do mundo em troca de, se não me engano, o dobro do salário. A cidade ficou vazia de qualificação, e as ratazanas do antigo estado do Rio, por padrão paupérrimo e jerereca, tomaram conta do pedaço. E eis… hoje eles são elite.

    Né, Dawran? Que coisa cafona!

    Claudio, eu vi e vi hoje o Bom Dia Brasil. Eles têm dado o outro lado, entrevistando as autoridades e enfatizando que o comando tem combatido esse tipo de atitude de alguns. Mesmo assim, acho forçação de barra, das mais provincianas, reportagens boazinhas que concluem de pronto que o cara “tinha passagem pela polícia, mas já pagou”, etc. Isso absolutamente não interessa e só impressiona as almas simplórias. O que interessa é o que ele estava fazendo ali, naquela hora. “Mães que mandam seus filhos para outro estado”, como saiu ontem no Estadão – fico comovida com o zelo familiar, sabe?

    Exato, Marcelo! Se impuserem ao Ecclestone essa patacoada, tchau F1! Não sabia desse episódio calhorda com o piloto, mas quase é de esperar. O Rio infelizmente, é isso aí. A não ser que você seja comunista, cobre uma baba por seus traços e se interne numa boa clínica, bem longe da patuleia que lota enfermarias encardidas.

  6. O que é engraçado é que, se a gente pegar um bom exemplo de uso de dinheiro público na organização de uma olimpíada, que é Montreal, vemos que lá, o autódromo onde a F-1 sedia a corrida anual é feito na ilha de Notre Dame, que por sua vez, foi o parque olímpico em 1976.

    E daí a gente assiste uma corrida em um cenário belíssimo, entre ginásios esportivos e raias de remo, sem necessidade de construir outra pista em outro lugar do município.

    Ou seja, Jacarepaguá não precisa ser desativado, o que precisa é ter administradores públicos competentes e honestos que saiam adequar o local, até porque, uma vez encerrados os jogos, é tradição brasileira ABANDONAR todos os equipamentos e deixá-los cair aos pedaços para gastar 40 vezes mais depois para reconstruir.

    O Rio de Janeiro é mal administrado desde tempos imemoriais. Foi graças à construção da Avenida Brasil que a destruição dos cortiços onde moravam os mais pobres e especialmente os escravos libertados e não tinham para onde ir, que houve o impulso para a ocupação de morros e encostas, sem que as autoridades tomassem NENHUMA providência, o que só veio a acontecer por volta dos anos 60, com o governo Negrão de Lima que, vendo os morros desbarrancarem, acabou fazendo obras de contenção e iniciando um processo de “urbanização” de favelas quase mais danoso que ignorá-las, porque passou a incentivar sua ocupação. Daí, 40 anos depois recebem o encargo de fazer uma olimpíada e ao invés de se concentrarem em aproveitar para resolver problemas da cidade, como a poluição da Baía de Guanabara, pretendem torrar recursos públicos para provar para o mundo que são mais importantes que São Paulo e conseguem atrair mais eventos, mesmo que dêem prejuízo (como a F-1 dava em Jacarepaguá)…

  7. Fábio, a baía de Guanabara quase dá pra cruzar a pé. Não tenho nada contra, mas alguns cariocas por aí não precisam ser tão corticeiros quando falam de São Paulo, não?

  8. Claudio, querem por toda lei que São Paulo adote o “modelo” carioca de “pacificação” de áreas ocupadas por meliantes, ou pretensos grupos destes que, sabe-se lá por qual razão que a inteligência possa alcançar, não faz o menor sentido terem tanta “mídia”.
    Só que nas reportagens, difícil encontrar o retrospecto do RDD dos presídios paulistas. Por exemplo, Fernandinho Beira Mar, na gestão Alckmin na ocasião, ficava voando de Estado a Estado, pois, exceto em São Paulo, não existiam presídios, nem federais, para prendê-lo com segurança máxima. Alckmin ofereceu um presídio, com RDD. Beira Mar ficou preso em São Paulo e nunca mais falou-se nele. Bastou para que iniciassem uma feroz campanha contra o RDD até que lograram extingui-lo, ou atenuá-lo tanto que não fazia mais sentido ser “de segurança máxima”. Agora, acusam o Governo Paulista de não ter controle sobre a violência e movimentação nos presídios. Só podem estar de brincadeira, não é? Agora, o governo federal tem alguns presídios de segurança máxima, que oferece a São Paulo. Bem como cooperação na inteligência. Coisas que oi Estado de São Paulo já tinha há tempos.

  9. Claudio, querem por toda lei que São Paulo adote o “modelo” carioca de “pacificação” de áreas ocupadas por meliantes, ou pretensos grupos destes que, sabe-se lá por qual razão que a inteligência possa alcançar, não faz o menor sentido terem tanta “mídia”.
    Só que nas reportagens, difícil encontrar o retrospecto do RDD dos presídios paulistas. Por exemplo, Fernandinho Beira Mar, na gestão Alckmin na ocasião, ficava voando de Estado a Estado, pois, exceto em São Paulo, não existiam presídios, nem federais, para prendê-lo com segurança máxima. Alckmin ofereceu um presídio, com RDD. Beira Mar ficou preso em São Paulo e nunca mais falou-se nele. Bastou para que iniciassem uma feroz campanha contra o RDD até que lograram extingui-lo, ou atenuá-lo tanto que não fazia mais sentido ser “de segurança máxima”. Agora, acusam o Governo Paulista de não ter controle sobre a violência e movimentação nos presídios. Só podem estar de brincadeira, não é? Agora, o governo federal tem alguns presídios de segurança máxima, que oferece a São Paulo. Bem como cooperação na inteligência. Coisas que oi Estado de São Paulo já tinha há tempos.

  10. O arrogante do Paes já disse várias besteiras sobre São Paulo e,quando usou a palavra “roubar”,foi apenas um ato falho…! O Haddad e seu padrinho irão deixar ?Espero que não.Será uma perda significativa para cidade.É preocupante a situação de São Paulo,nosso estado está ficando ilhado.Graças as campanhas políticas recentes,propagando que somos elite,preconceituosos,racistas,facistas,alimentando por várias vezes, diferenças regionais e, sei lá mais o quê!Jogando o norte e nordeste contra o Sul,mais precisamente São Paulo,por motivos óbvios.

  11. Dawran, e o pior é que terminaram a matéria sugerindo uma catástrofe, pois na semana que passou, o estado registrou 65 assassinatos. Fui dar uma bicada nos números do Rio, por ex. E a última atualização com esses dados era do mês de Julho, onde o estado registrou – com muita festa, diga-se- 306 assassinatos. E o repórter – um babaca, da mesma linhagem daqueles pinga-sangue de antigamente – fez questão de andar à pé por entre os carros, reclamando do trânsito em virtude de uma batida policial numa avenida qualquer de SP. Eu fiz minha parte e mandei um e-mailzinho para a Globo. Só não sei se foi mesmo assim no diminutivo, mas mandei.

  12. Está assim a pressão Claudio. Agora estão, com a ajuda de certos noticiaristas, divulgando exaustivamente um tal de toque de recolher numa cidade do interior, Sumaré.
    É o mesmo que estão fazendo em bares de São Paulo, Capital. Disseminação do medo.
    Isso é uma verdadeira barbárie.
    As fortes críticas ao Governo do Estado e às Autoridades da Segurança Pública Paulista demonstra uma inversão total de valores. É o mesmo que elogiar os fora da lei.

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