O rancor antipaulista como método

Estou com um tempinho antes de sair e quero compartilhar texto de hoje de Reinado Azevedo sobre a imprensa paulistana e seu rancor com a própria cidade. Volta e meia há flagrantes, e volta e meia surgem paralelismos que ensejam a comparação por excelência: a cobertura do que acontece no RJ. Desta vez com um elemento novo: jornalistas e especialistas “cariocas” deram de pitaquear sobre SP, como se tudo por lá estivesse resolvido. Mesmo que estivesse (o que não é o caso meeeesmo), é bastante estupidez achar que tudo se resolve só com vontade política. Vamos lá:

Violência em SP: os tons de vermelho e o rancor antipaulista até da imprensa paulistana!

Se o Rio é poesia pura, com os bandidos soltos, São Paulo, com um número muitas vezes maior de bandidos presos, é objeto da pior prosa jornalística — da carioca, da paulistana, de todo lugar. Vamos ver, no fim do ano, qual é a taxa de homicídio dos dois estados. Vamos ver o que a má prosa e a má poesia conseguiram esconder dos leitores, dos telespectadores, dos internautas…

Há uma leitura verdadeiramente criminosa de certas áreas da imprensa sobre a violência em São Paulo. Setores engajados do jornalismo (ou petistas ou simplesmente antipaulistas) deram agora para, ATENÇÃO!, censurar tanto os bandidos como a polícia em razão de uma suposta guerra que teria sido deflagrada.

Ainda que ela fosse verdadeira — há muito de mistificação nessa história —, parece que o óbvio recomendaria que, nesse caso, o jornalismo tivesse lado, não é? Se bem que tem: contra a polícia. Logo, objetivamente, há gente escolhendo o lado dos bandidos sem medo de ser feliz.

São Paulo hospeda 40% dos presos do país, embora tenha apenas 22% da população. Não é que concentre mais bandidos, não. É que a Polícia daqui prende muito mais, o que deixa nervosos alguns teóricos do bom-banditismo, que enxergam nos meliantes uma espécie de revolta primitiva contra o… capital, entendem?

Policiais de folga têm sido assassinados em maior número. Ninguém ignora que existe no Estado — como existe no Brasil — o crime organizado. Mas a polícia o enfrenta, o que não se faz, obviamente, sem sofrimento também. Sim, prender bandidos é mais caro e mais difícil do que espantá-los. E rende má prosa contrária, em vez de má poesia favorável. As vidas que a polícia paulista salva — o Estado está em penúltimo no ranking de homicídios, e sua capital, em último — não geram notícia. É evidente que o recrudescimento no combate ao crime gera a reação de criminosos. Há, sim, um outro caminho: não prender. Mas isso São Paulo não fará nem em troca da… má poesia.

Delinquências opostas e combinadas
Até outro dia, vigaristas dos cinquenta tons de vermelho, associados à imprensa antipaulista, sustentavam que os baixos índices de homicídio em São Paulo (na comparação com outros estados) decorria de um suposto acordo da polícia com o PCC. Ou, então, afirmava-se, era a bandidagem que impunha a ordem.

Agora, a acusação mudou: estaria em curso uma guerra — em que “todos perdem”, como afirmou um meliante intelectual e moral — entre policiais e bandidos. Ainda que ela existisse, só uma escolha seria decente, não é? Leiam, no entanto, o que se tem produzido por aí. Muita gente escolheu o lado dos bandidos.

São Paulo não tem áreas a serem ocupadas com tanques para esparramar bandidos. Não pode oferecer esse mote para estimular a imaginação poética.  Quando um moleque empina pipa na periferia de São Paulo, só se vê o casario ao fundo, de tijolos vermelhos e cinza, sem o mar por testemunha, sem o barquinho que vai e a tardinha que cai…

Não tendo o que aprender com Sérgio Cabral em matéria de segurança pública, restaria a Geraldo Alckmin receber algumas dicas de marketing (mas sem a Dança dos Sete Lenços). Afinal, a gente está vendo que, em matéria de segurança pública, o matar muito faz os gênios, e o matar pouco, as Genis…

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21 comentários em “O rancor antipaulista como método”

  1. Eu vi a cobertura que o Fantástico deu aos dois estados ontem, Leticia. A Globo está se tornando o maior cabo eleitoral do governador do Rio. Como é fácil encontrá-lo em alguns casos, não? E o final da matéria com as criancinhas foi realmente maravilhoso. Bem diferente desse jeito truculento da polícia de São Paulo. Eu realmente não sei o que leva uma emissora a detestar tanto um estado como São Paulo. E olha, qualquer coisa ruim que aconteça no Rio, o nome do governador sequer é mencionado. Por aqui, colocaram no ar uma entrevista de dias atrás, pois mesmo sem encontrá-lo, puseram a carinha do Alckmin no vídeo. Isso tá ficando chato que só.

  2. Sérgio Cabral não andava de braços-dados com Lulla durante as últimas eleições para governador e presidente?
    A imprensa paga e cooptada pelo lulismo não era só bajulação e rapapés com Cabral/Delta/Cavendich? Pois é…

    Não perdoam São Paulo porque é o último bastião a resistir o domínio da craca vermelha.
    Caso Haddad (toc,toc,toc) ganhe, Sampa imediatamente vira o melhor dos mundos num passe de mágica! Ô corja!!!

  3. Só há com o que concordar no post. Esse pessoal escolheu o lado dos meliantes. Na chamada cracolândia em São Paulo, segundo esses “gigantes da humanidade”, a PM Paulista era truculenta na abordagem de viciados, na prisão de traficantes e na destruição daqueles “muquifos” infectados. Era a “higienização realizada pelo [fascismo!!!] paulistano”. E que as ações não teriam sido planejadas e só teriam causado a “dispersão” dos viciados e traficantes para outras áreas da cidade. E em São Paulo, juridicamente, os Policiais foram impedidos de abordar as pessoas da região. Não sei se ainda está em vigor tal determinação do MP.
    Pois bem. Na última ação de “pacificação” no Rio, só elogios. Pessoas abordadas por gente uniformizada, viciados sendo tratados etc. Só que, hoje, já “descobriram” que os viciados, das várias cracolândias do Rio de Janeiro, estão mais espalhados por toda a cidade. Ou seja, lá tem muito mais áreas piores do que as que criticaram em São Paulo.
    Em suma, as críticas e coberturas, sempre foram e continuam sendo, atitudes com claro viés político-eleitoral.

  4. E tem mais, Dawran: apesar de todas aquelas ações cinematográficas contra o narcotráfico no Rio, o núcleo central da bandidagem continua intocado. Houve somente uma realocação das atividades. Literalmente é uma patomima pra inglês ver. Pinta-se um cenário irreal visando a Copa e as Olimpíadas. Típica demagogia lulo-dilmista.
    Por enquanto a patuléia está ‘engolindo com farinha’. Vamos ver até quando…

  5. E ainda continuam chamando favelas de comunidades. Uma forma piega que acabou pegando na imprensa de São Paulo também.
    Tipo: “…a comunidade do Moinho, embaixo do viaduto pegou fogo…”. Coisa mais absurda.

  6. E ainda continuam chamando favelas de comunidades. Uma forma piega que acabou pegando na imprensa de São Paulo também.
    Tipo: “…a comunidade do Moinho, embaixo do viaduto pegou fogo…”. Coisa mais absurda.

  7. Desculpem, mas nao tem nada de rancor.
    Quando a segurança publica estava muito mal no rio (tempos do brizola até a era garothinho) , a imprensa pichava, sim. Porque era essa a percepção geral. Em são paulo, pichava-se menos porque a segurança era melhor.
    Agora a coisa inverteu. O governo está perdendo a mão para uma quadrilha que, segundo ele proprio, não existe.
    Já morreram executados 82 pm’s esse ano, masi de 100 foram feridos em atentados.
    E o governo so empurra a coisa para debaixo do tapete. Nega a existencia do PCC, nega a sua força, tentando esconder a coisa da população. Mas as imagens estão ai para mostrar.
    Graças á imprensa, tendenciosa ou não.

  8. O PCC está tendo sua formação e atuação superestimada, pelos críticos do Governo e do Sistema de Segurança de São Paulo. Isso é óbvio. Em São Paulo, a Polícia não precisa marcar hora e pedir licença para entrar onde quer que seja, não há “nenhum meliante de nome famoso” cantado em prosa e versos nas ruas de São Paulo, amigo de “intelectuais” etc. Estão todos na cadeia. Foram presos pela Polícia e colocados lá pela Justiça. É só solicitar visita monitorada, caso possa ser feita nos presídios onde estão os presos. Ninguém nega a existência de crime organizado. Porém, próprio nome já define: crime organizado. E os seus membros estão presos. Os que na rua tentam fazer operações para “dar moral” ao citado grupo, são presos em questão de dias. O Estado está no controle da situação. Não são ONGs e voluntários que saem às ruas para enfrentar o crime, pois, isso não é sua função e nem sua capacidade. Seriam massacrados, literalmente. Não deveriam, porém, achar chifre em cabeça de cavalo por questões ideológicas e eleitorais.

  9. Além do que, a polícia do Rio de Janeiro, da mesma forma que ocorre, por exemplo, em Alagoas, está com suporte do Exército e da Força Nacional de Segurança.
    Não tinham aparato e nem treinamento para desocupar os locais onde o crime dominava.
    E o mais interessante: nunca há prisões nessas ocupações.
    Muito interessante isso.

  10. Não sou dado a comentar opiniões alheias, mas a do Paulo merece algumas considerações. Brizola foi muito malhado no Rio graças as rusgas que ele sempre teve com a Globo, somente por isso. Já na gestão Garotinho, lembro das matérias na própria emissora, dando conta que no estado de São Paulo haviam dezenas de pessoas sequestradas, enquanto que, na mesma época, no Rio nenhum caso havia sido registrado. Até a Hebe, por nutrir uma raiva danada em relação ao Covas, indicava o Rio como seu próximo endereço. E aconselhava seus convidados a fazerem o mesmo.
    Eu desafio qualquer pessoa a me mostrar ao menos uma matéria sobre a segurança pública de São Paulo na grande imprensa, com o mesmo rigor (amor) aos fatos inseridos na matéria sobre a ocupação do morro no Rio, mostrada no Fantástico domingo passado. Toda chamada jornalística relacionada a segurança pública em SP vem sempre recheada de rancor sim. E com especialista de araque dando pitacos imbecis. No mais, a polícia por aqui enfrenta os bandidos. Ou prende, ou manda para os quiabos. E a população daqui aplaude e admira esses profissionais que elevaram a cidade de São Paulo como a capital mais segura do Brasil.

  11. Né, Claudio? O dito cujo só aparece pra coletiva depois de ações “heroicas” e tals…

    Schu, Cabral deverá ser candidato à Presidência. Vai daí…

    Schu, o tráfico invadiu áreas como a Baixada Fluminense, Niterói… De resto, acho que já disse aqui, com UPP ou sem UPP a Zona Sul não ficou um dia sequer sem suas necessidades básicas.

    Paulo Victor, não se discute a segurança, se é boa ou má, mas sim a abordagem da imprensa, que ignora números e foca em planos bem fechados quando lhe interessa. Mas já que vc quer abordar, um detail: no Rio bandido espanado não tem raiva de PM.

    Não é, Dawran??? CQD…

    Vem, com bastante rancor, Cláudio. Exemplo acabado é enquadrar a Rota num conceito de regime de exceção que só existe dentro da cabecinha da psicanalista.

  12. Todo ano eleitoral é isso.
    A bandidagem faz um Salve Geral para ajudar o ParTido deles.
    Contra números não tem o que discutir. Os índices são menores em SP e ponto final , mesmo que o Paulo não goste.
    E viva ROTA.

  13. paulo victor, pode até existir.
    Mas, está com suas lideranças e seus cupinchas presos. Os que saem pelas ruas dando tiros, realizando como se fosse execução, e o são, é para tentar vencer pelo medo. Mas, não duram quase nada nas ruas. São pegos e encarcerados.

    Outra coisa. Há uma forma, que não é nova, pois já ocorreu em outras épocas. Passam pessoas, que parecem clientes, dizendo nas mesas dos bares que um grupo de mascarados assaltou “dois bares”, “ali para cima”. E dão os nomes dos bares. A freguesia chama conta e sai rápido e os bares são fechados. Querem criar pânico, entendem? Eu vi isso esses dias e ficou claro ser onda pura.

    Daqui a pouco, isso desaparece, por não passar de tentativa de criação de pânico. E tentar fortalecer e ideia errada de que a Polícia de São Paulo não dá segurança. O interessante, é que, no dia seguinte, a freguesia habitual volta para o mesmo bar. Como, então, não há segurança?

  14. Outro aspecto a destacar: a comunicação “psicossocial”, ou institucional do Governo Paulista, deveria ser mais positiva, no sentido de ser mais agressiva em dizer exatamente o contrário do que dizem os amestrados. Chama logo uma rede de TVs e rádios e fala o que está acontecendo de verdade. Quando o Governador fala, só colocam extratos, fragmentos editados.

    Por exemplo, vejam nos meios de comunicação, agora, neste momento: apagão geral em Brasilia. Trens, Metrôs, semáforos apagados…pessoas andando pleo trilhos…

    Pega o Rio de Janeiro: notícias de que a polícia está caçando os meliantes “desalojados” das favelas mais recentes “pacificadas”.

    E mais: cracolândias antigas estão crescendo e novas estão surgindo por toda parte.
    Mais: o sistema não dá conta, a polícia não dá conta.

    E São Paulo é que está ruim?

  15. Letícia,

    Concordo com o Dawran, o erro do Governo Paulista é não deixar claro que está ocorrendo um processo de terrorismo por parte do PCC e seus simpatizantes.
    Agora realmente no Rio está tudo maravilhoso, ocupa-se uma favela e ninguém é preso, abordagem de viciados em crack é televisionada. Outra coisa se no Rio há segurança por que os repórteres tem que usar coletes antibala parecidos com os são usados por correspondentes de guerra?
    Comento pouco, mas passo todos os dias por aqui para ver o que há de novo, adoraria que você postasse mais Letícia.

  16. Arnaldo, muito obrigada. Estou numa fase ruim, um misto de falta de tempo com trabalho e arrumação da casa e de minhas coisas (acumuladas), desânimo político e com tudo no país, problemas pessoais e o que mais você imaginar. Isso PASSA!

  17. Pois é.
    Depois das eleições, muita coisa vai reaparecer. Inclusive com muita gente presa.
    Depois que a Ministra Cármen Lúcia, se não estou enganado falou”: “…caixa 2 é crime…”, a barra passou a pesar. Rabos presos ainda contando com a pachorrenta e aparente boa vontade em julgar “crimes menores”, “que todo mundo faz”, acabou.
    Tal como a nova classe média, o pessoal vai ter de passar a entender o que é STF, PGR, processo, Relator, Revisor…Essas coisas das quais só se ouvia falar que tinha na Europa, EUA e nos países nórdicos.

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