Praça Roosevelt, o mais recente alvo da cidade

Entonces…., enquanto eu chacoalhava nas esburacadas estradas do árido Norte Fluminense, o prefeito Kassab inaugurava finalmente a nova Praça Roosevelt.

Bem, como São Paulo não é Pirapora das Almas, o projeto foi feito todo dentro das mais modernas práticas de sustentabilidade, proatividade, modernidade, qualidade dos materiais, senso de realidade, acessibilidade, lisura financeira e, principalmente, discussão com moradores do entorno e com o pessoal do teatro (Satyros & cia., a alma do lugar).  A praça em si está englobada na primeira fase, e a segunda fase, com todo o processo de licitação, etc. do estacionamento subterrâneo e do túnel, está em andamento.

Pois bem, a praça foi inaugurada no sábado, dia 29 de setembro, em plena véspera de eleições. Povo da gritaria não perdeu tempo em vociferar. São sempre duas categorias de críticos: 1) aquela que tem interesse político. 2) aquela que critica por criticar, para se dar ares de especialista e pela débil incapacidade de apoiar – dar a cara a tapa – alguma coisa na vida.

A “crítica” mais frequente foi a de que R$ 55 milhões (orçamento da reforma) é dinheiro superfaturado, ponto; que isso daria pra construir não sei quantos não sei o quê.

Esquece-se o contador de obra feita que obra boa custa caro, e que a cidade não é feita só de construção de postos de saúde. Pessoas comuns acham normal botar asfalto em cima de terra e resolver pinga-pinga de torneira com um pedaço de pano, e naturalmente tendem a pensar: “uma pracinha de nada, essa grana toda?”

Acontece que a Roosevelt não é um espaço comum. Ela é uma praça ELEVADA, ou seja, há coisas funcionando embaixo. Há mais de um túnel; há um estacionamento, uma garagem de dois pavimentos sob ela.

Então, como a Prefeitura dispõe de engenheiros gabaritados, e não de construtores de puxadinho, houve a necessidade de fazer não só uma recuperação estrutural, mas uma manta asfáltica dupla para impermeabilizar todos os seus 20 mil metros quadrados. Igualmente, foi necessário um estudo para que a vegetação não acabe pesando demais ou rompa o concreto (não hoje, mas daqui a 20 anos). Isso e inúmeros outros aspectos estruturais são O MAIS IMPORTANTE de qualquer obra. O resto é a “perfumaria” que aparece diante dos olhos do rebotalho.

Pois bem, reclamações de absolutamente tudo: o espaço do cachorródromo “pequeno” (não é). Que o serviço está “porco” (não está). Que “não tem luz” (tem, 130 luminárias de led). Que o posto da polícia não está pronto (estará). Que ao longo dos dois anos de reforma não se viu um operário (!@#!, eu vi todos os dias que passei por lá). Que a praça ficou muito concretada (queria o quê? Lama para os cadeirantes e passantes?). Que o parquinho das crianças é pequeno (?). Que a segurança iria sumir depois da inauguração (? – neguinho não frequenta parque…). Por último, mas não mais importante, a praça “enxotou mendigos, que também deveriam ter áreas de lazer”……….?………..?………..?…….. … .. .

Enfim. Não que não se deva reclamar quando algo está errado (faltaram bebedouros e banheiros, p. ex.) mas o nível de desentendimento do morador médio é de lascar. Demonstra a mais pura falta de conhecimento de como se dá uma obra, e deixa entrever um deslavado individualismo de um povo que simplesmente não pensa no lá fora, no coletivo. “Quero um cachorródromo imenso porque tenho cachorro”, sabe como é?

Como tudo o que é feito na cidade acarreta sempre um problema impossível de prever, a praça foi invadida por skatistas, manifestantes não sei de que e até pichada. Moradores (os mesmos que projetaram com a Prefeitura) sugeriram alguns ajustes que acho bem razoáveis, mas que deveriam ser previstos pelos mesmos moradores e pela Prefeitura antes. Em todo caso, não são nada do outro mundo e parecem eficazes, vejamos:

1) Prioridade à segurança, com instalação de câmeras e mais iluminação em determinados pontos, como o playground.

2) Definição de espaços e horários para a prática de skate e patins (senão já viu…).

3) Instalação de ciclovia em torno da praça.

4) Cercar e colocar um portão no cachorródromo.

5) Sinalização na área de playground, com faixa etária de quem pode usar os brinquedos (aliás, precisa disso em TODAS as praças com parquinhos, é incrível como adultos não têm noção e utilizam balanços na maior cara – e bunda – dura.

Enfim, tirando as minhocas, acho que a Praça Roosevelt agradou. Espero que esses descontroles tenham feito parte da euforia do começo, e que tudo se estabilize.

No mais, peço que Kassab, antes de deixar a Prefeitura, construa uma megarrampa de skate lá na divisa de São Paulo com o Taboão. Porque barulho de skate enche os pacovás mesmo…

Anúncios

16 comentários em “Praça Roosevelt, o mais recente alvo da cidade”

  1. Na praça Roosevelt posso apostar que não está mais. O local é boca de canhão pra pessoinhas chegadas que querem notoriedade trash. Depois se mudam para Higienópolis (caso se deem bem).

  2. Não me admira que gente que enche o terreno de ladrilhos e corta árvores para não precisar varrer folhas pense que postos de saúde e creches necessariamente excluam áreas verdes e de lazer.

    Não é só em SP, é no Brasil todo que essa mentalidade existe, as pessoas não dão valor a áreas verdes, não gostam de grama, odeiam passarinhos e vêem nas árvores nada mais que lenha para o fogão que aquece a casa no inverno, o que explica cidades como Carapicuiba onde você roda quilômetros serpenteando por ruas mal ajambradas e não vê uma única árvore numa paisagem de cimento pixado por todos os lados e paredes coladas nas divisas dos terrenos. E quando há áreas verdes, elas servem para a satisfação do exibicionismo das bestas-feras com seus potentes aparelhos de som e sua infindável capacidade de gerar renda para comprar álcool e encher a cara até ficar de 4 praticamente todos os dias do ano, como em Rio Branco do Sul-Pr.

    Como sempre, os iletrados vão tomando conclusões a partir da premissa mais óbvia: ficou doente? O governo dá remédio, não importa que você viva uma vida desgraçada em meio a um barulho insuportável e fumaça de automóveis porque não há praças próximas de sua casa. Surtou? O SUS vai tratar de encaminhar você para um sanatório, por mais que essa surtada tenha ocorrido porque para você, a única diversão é ouvir sertanejo universitário e funk em volume que dói nos ouvidos enquanto bebe cerveja barata contada em barris, não em copos.

    O brasileiro pensa assim: ele quer postos de saúde porque não quer viver de modo saudável, é mais prático para ele abusar do corpo que alimentar a alma em contato com a natureza.

  3. Tudo bem, houve um início de movimento, aqui no Parque da Água Branca, para prenderem os passarinhos para que eles não fizesse seus cocozinhos nos bancos … Faz uns dez anos, isso. Inda bem que não vingou … Era ridículo demais e, por isso mesmo, poderia haver um cretino que desse apoio à estrovenga …

  4. Iolita, ainda não tive tempo de caminhar por lá, só passei algumas vezes de carro, vi de longe. Mas está infinitamente melhor. Espero que não seja privatizada por mendigos. Os defensores da apropriação do espaço público pela degradação, nem eles gostariam de ver suas crianças convivendo com eles, é tudo papo furado.

    Exato, Fábio A cada cidadão que reclama de “falta de áreas verdes” em espaços públicos, é só confrontá-lo com sua residência. Sem jardim ou quintal, ou com a calçada em forma de rampa pra facilitar o carro, não tem cacife pra reclamar e pronto.

    Não é, Dawran? Não sei o que esse povo tem na cabeça… Quer dizer, não podemos fazer mais nada enquanto não tenha mil hospitais na cidade – como se fosse só construir e ponto. Não é assim que a banda toca. Pois se em Itapipoca do Norte não tem profissionais suficientes, São Paulo também não tem. Nasce mais criança com bronquite do que médico. Conviva-se com isso.

  5. Leticia, conforme já abordado aqui, à exaustão, São Paulo não existe!!!
    Só passará a existir caso esses salvacionistas vençam a pendenga por aqui.
    Ai tudo vai estar aqui.
    É impressionante o quanto os nossos políticos não defendem-se, não retrucam, não mostram o que fizeram, o que fazem e o que vão fazer. E isso porque estamos em pleno segundo turno de um eleição dura, com riscos de catástrofe.
    Mas, não adianta. Essa moleza toda é um desrespeito, sabe?
    Melhor mudarmos todos para as “comunidades pacificadas do Rio de Janeiro”, lá tem UPPs…
    Haja estômago!!!
    Afinal, quem está coordenando a campanha do Serra por aqui? O Haddad?

  6. Com relação aos pássaros, que tal criar na nova Roosevelt um restaurante que seria especializado em ensopado de filhotes de ararinhas azuis?
    Ou ararinhas azuis no espetinho: com 4, 6 ou 10, bem asadinhas com molho vinagrete, farofa e tudo…?

    Ou fazer umas experiências genéticas, higienistas, criando pássaros sem fiofó?!?!?!?! Sem fiofó não dá para esguichar nada, certo?

    Se for para ficar nessa de silêncio total , só algo assim para acordar essa galera. Arrombar logo a boca do balão e pronto.

    Êita pessoal lerdo!!!

    Isso aqui é São Paulo senhores!!! Que coisa!!!

  7. Dawran, fico imaginando quão e como diferente será se Haddad ganhar, comparando com o tempo da Marta. Quando ela comndou a cidade não havia esses ares de metrópole transbordante, e a sanha petista era muita, mas não era tanta, essa coisa de última trincheira a ser conquistada. Aguardemos (só quero ver como ele se comportará com a Rota).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s