A vivissecção do paulistano, ou “Sua avó votou no Jânio”

Olha, com a surprise de Celso Russomanno encarapitado lá nos 35% de intenção de votos, quebrou-se o modelito de pensamento press-release nacional e os analistas tiveram de dar tratos à bola pra escrever alguma coisa tentando explicar a parada.

Daí fez-se o furdunço jeca: uma enxurrada de artigos “abalizados”, até de gente que nem mora aqui, nunca pegou o metrô e só conhece a Zona Leste a partir da marginal Tietê, resolveu passar o bisturi no povo paulistano, esse ET de Varginha do entendimento nacional.

Começa com a maior tosquice já vista: deram de importar o conceito norte-americano de “conservador”, como se “eleitor do Russomanno” fosse uma alguém com um trabuco na porteira de sua fazenda, comendo hambúrguer e se preparando para a invasão muçulmana após o culto de domingo. Agora tudo aqui é “conservador”. A fulanização do conceito foi tal que chegou ao fim do mundo: os ouvidos de Lula, que tascou essa outro dia em um dos comícios vazios que vem enfrentando.

Chegou-se ao absurdo de dividir a cidade em 5-tipos-escolha-o-seu. Uma moça chamada Eliane Brum, dada a textos semipoéticos, resolveu, preconceituosamente, esculachar eleitores paulistanos que deram de fazer o que todo mundo faz hoje em dia no BR: consumir. (Ela achou um racional pra coluna da semana, ufa!)

Ora, pode-se até questionar o neogosto de pessoas que nunca tiveram nada, nas no fundo tais pessoas querem mesmo o que a “antiga classe média” (essa mesma, que hoje trabalha em jornal) queria lá pelos anos 60: móveis X, eletrodomésticos e tal.

Daí o tom de nojinho de dona Brum soar bem provinciano, e cego para o próprio passado social. Trecho:

[…] Ao ascender economicamente, a “nova classe média” parece se apropriar da visão de mundo da classe média tradicional – talvez com mais pragmatismo e certamente com muito mais pressa. Em vez de lutar coletivamente por escola pública de qualidade, saúde pública de qualidade, transporte público de qualidade, o caminho é individual, via consumo: escola privada e plano de saúde privado, mesmo que sem qualidade, e carro para se livrar do ônibus, mesmo que fique parado no trânsito. […]

Ueras… A nova classe média faz exatamente aquilo que a antiga classe média fez nos anos 50/60: comprou um carro, adotou uma causa política pra chamar de sua, trocou o carro, falou, falou, escreveu, escreveu, trocou o carro, publicou, publicou e não fez rigorosamente nada pela escola pública, saúde pública de qualidade, transporte bla bla bla… e trocou o carro. Pelo contrário. Entre um carro e outro foi dando de comer a um monstro ideológico e vemos hoje no que deu. E até os mensaleiros por fim enxergarem o sol nascer quadrado, lá se vão mais uns três carros “pra quem não se incomoda de pegar um de segunda mão”, né, meu bem?

Portanto, nêga, não impinja à nova classe média aquilo que a sua classe média não se preocupou em fazer.

Outro que anda tendo gatos semanalmente é Vladimir Safatle:

O fenômeno Celso Russomanno poderia ser colocado na conta da inquebrantável tradição do populismo conservador paulistano. […]

Então você entendeu: o Brasil varonil seria um estado da arte em inovação, modernidade,  em sintonia com o que há de melhor no mundo, não fosse a atrasada São Paulo a estragar tudo, certo?

Já Dimenstein foi mais honesto:

Sinto nojo e pena.

Olha, a gente pode até não achar legal que um Russomanno da vida apareça “do nada” (ah, o nada da classe média…!) e dê uma pernada em todo mundo. Não sabemos a esta altura no que vai dar a eleição paulistana, mas certamente é de uma cretinice sem limites voltar ozóio injetados para os eleitores da capital, como se fossem uma só massa de idiotas desprezíveis.

Seria mais interessante, em vez de ficar de blá-blá-blá, dar uma olhadinha pra trás e perceber o que de fato aconteceu (sem, pelo amor de Deus,  sentir nojo do eleitor).

Quem mesmo açulou o ódio às boas administrações só porque seu partido não fazia parte delas?

Quem mesmo ficou por anos a fio tentando convencer o povo – esse mesmo, o nojento – que o crédito ilimitado era a chave para a felicidade e que”cidadão” que se preze deve consumir (desc. o trocadilho) seu dia em reclamações?

Quem mesmo inventou a metodologia de se pendurar em prestações (isso lá nos anos 60) e não melhorar o resto?

Quem mesmo ensinou aos pobres o caminho certinho de cobrar ABSOLUTAMENTE TUDO do “estado que dá tudo”?

De quem é mesmo o pensamento “escola-de-qualidade-para-todos” que não ligou quando o rebotalho se bandeou para um Jesus que dá casa e 10 carros na garagem?

Yes! Essa gente toda não lutou por absolutamente coisa alguma. “Pobre”, para eles, só são lindões quando votam em seus partidos de crença, e os analistas não estão nem aí e a vida do cara está uma merda, contanto que “votem certo”. Quando algo dá errado, os pobres são grotescos, ignorantes, conservadores e não seguiram o script planejado.

São Paulo está sendo, no presente momento, vivisseccionada. É uma punção, uma raspagem, uma cirurgia de estômago, um papanicolau na cidade ao vivo, pra todo mundo ver. Vem gente do Brasil inteiro apreciar e dar palpite.

Ainda quero que, no vendaval eleitoral, o mapa da votação na cidade acabe plaft!, aberto na cara de algum especialista em pitaco.

O mundo é vário, e as pessoas idem. Todas, absolutamente todas as categorias humanas estão em SP. É a vovozinha dos Jardins que vai votar em Russomanno, é a nordestina perua que vota no Serra, é a favelada que vota no Chalita e a rica solitária que vota no Gianazzi. É o jovem descolado que vota no Paulinho da Força, o malucão de meia-idade que escolheu Soninha, é a professorinha que escolhe Haddad.

E que ninguém venha com estatísticas de tipos sociais. Isso é horrível, é degradante, é anti-humano e é o começo de uma espécie de seleção institucionalizada. Nunca em tão pouco tempo se escreveu tanta asneira sobre o paulistano. Deveriam ser encadernadas juntas e nomeadas em hot stamp douradinho: VV. AA. Colonialismo moderno – a permanência da sociedade estamental.

Do pouco que consegui ler esses dias, apenas um – UM texto – não passa pelos preconceitos intelectuais de sempre: Vinicius Torres Freire, anteontem, na Folha de S. Paulo. (E repito com ele: Francamente!) Trechos:

[…] A primeira bobagem é atribuir identidade comum a todas as famílias com renda entre R$ 1.270 e R$ 5.480 (dois a nove salários mínimos, mais ou menos). Por que uma classificação estatístico-econômica imediatamente identifica o cidadão como isso ou aquilo em termos políticos, sociológicos etc.? […]

Há uma “onda de consumismo por aí”? A família que ganha até três salários mínimos, R$ 1.866, uns R$ 500 per capita (mais de metade do eleitorado), tem o luxo de ser “consumista”? Francamente.

O eleitor passou a “consumir a cidade” só agora? Não se incomodava antes com transporte e serviço de saúde ruins? Quando a esquerda fazia (ou mais escrevia sobre) “movimentos sociais”, o sujeito que queria hospital era “cidadão” e agora é “consumidor”? Os mais “ricos” atolados no trânsito não “consomem” a cidade? Francamente. (íntegra)

Assim: eu gostaria de ver a autópsia social de qualquer outra cidade, mas não há. Até entendo que jornalistas não achem muita graça em outras eleições municipais (porque são muito modernas, deve ser), e acabem voltando os olhos para São Paulo. Afinal, querem seus textos lidos e comentados.

Mas, na boa, parem de se comportar como urubus.

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23 opiniões sobre “A vivissecção do paulistano, ou “Sua avó votou no Jânio””

  1. Não tem nada de consumismo ou classe média ou conservadorismo.
    A população quer algo que (acredita) que possa vir a ser diferente.
    Diferente do Maluf/Pitta, o preimeiro roubava mas fazia, o outro só roubava.
    Diferente da Marta, que carregou nos impostos e só fez obras nos últimos seis meses de cargo.
    Diferente do Serra , que usou o cargo como trampolim pra outra eleição.
    Diferente do Kassab, que quer alavancar a cidade aos píncaros da civilização na base do proíbe e multa, sem fazer absolutamente nada util que seja digno de nota.

  2. Paulo Victor, acho essas tais análises de um preconceito e de um despreparo sem precedentes. A moça aí chega a demonstrar desprezo pelo tipo de mercadoria que as pessoas passaram a comprar, como se SP se dividisse entre 3 blocos: 1) os pobres cafonões; 2) Os ricos cafonões; e 3) Os analistas neutros, grupo em que ela parece que se esforça pra entrar (e claro, é o paradigma do gosto correto).

    Sua lista aponta “os defeitões” de todos, embora, claro, eu discorde dos dois últimos. (lembrando sempre que eles todos não surgiram do céu, foi a população que os elegeu, e muitas vezes com entusiasmo). Lembro bem quanto todo mundo se apaixonou pelo Kassab. O fato é que, dentro desse mesmo entusiasmo, ninguém deu pelota pra Serra deixar a Prefeitura para ir para o governo – até foi apoiado -, até que Dimenstein descobriu essa “pólvora” e todo mundo passou a repeti-la como papagaio. E Kassab fez um ótimo governo, sim. Ampliou as marginais como se deve, criou a Lei Cidade Limpa, trouxe eventos importantes e teve dignidade para estar presente em vários momentos difíceis da cidade (isso agora virou qualidade, porque Lula unca deu as caras em lugar algum em ocasiões semelhantes). Há os defeitos de Kassab – e não são as multas, tem mais é que multar mesmo -, mas geriu a cidade com o tamanho que ela tem.

    A população (ou o senso comum) toma Russomanno como diferente, embora o conheça há muito tempo. Não sei exatamente a percepção que se tem dele, mas pra mim é um tipo bastante instável, rancoroso, vive criando caso com gente “abaixo” dele, o que – pra mim, novamente – esconde uma personalidade um tanto vingativa. Se vingar contra o que ou quem, não sei dizer exatamente. Mas algo me diz que todos terão saudades das multas do Kassab.

    A julgar pelas intenções de voto, parece que São Paulo ainda sofre um tantinho daquela infantilidade brasileira do tipo “ah, não gostei não se de que em y, então tá tudo errado, vou tentar – TENTAR – outro e me vingar de y”. Estatísticas provam que esse raciocínio não dá muito certo. Tomara que eu esteja errada, ou tomara que as urnas mostrem outra coisa.

    Raquel, urubu é pra carniça. Ainda – AINDA – não chegamos lá.

  3. Lets

    Se um dia fizerem um verbete de caráter enciclopédico para “essa pegou na veia” esse post explicaria a coisa à perfeição. Nesse tempo de frequência ao blog, lembro de ter amado mais alguns do que outros posts que você escreveu. Este, entre todos que cativaram meu coração, me fazendo a cada dia mais apaixonado por você, foi completo, correto, primoroso. Enfim, sublime.

  4. Leticia, na veia.
    É o que fizeram como o País. Agora, tentam sair da cumbuca furada em que se meteram, ou cheia, via saber, mas não têm como, exceto castigar as “forças conservadoras de São Paulo”.

    Agora. eles que se virem para sair da barafunda em que se meteram, elegendo salvadores da pátria, como “líderes infalíveis”. Ou “deus”, como vaticinou uma das fiéis devotas.

  5. Paulo, meu querido, se você chegasse pra mim e dissesse “amo TODOS os seus posts”, eu desconfiaria muito e nem responderia. Mas você, como todos os amigos aqui, são opinião boa e não têm por que não discordar. Aliás, eu gosto de um quebra-pau nos trinques, no respeito, e tals. Muito obrigado, mas não mereço, não. Os tempos estão difíceis pra mim e não sobra muito tempo pra elaborar. Mas quis compartilhar esse piquenique que estão fazendo na cidade, passaram dos limites. Sinceramente, se é pra fazer análise rasa assim, eu me candidato.

    Dawran, o Ibope (sob certas suspeitas, porque o tracking não deu isso) deu Haddad passando à frente de Serra, e Rousseaumanno nos 34%. Eu ia votar no Matarazzo pra vereador, mas a continuar assim vou de Wadih Mutran, para orrrnarrrrr…

  6. Leticia, nós temos visões políticas e opiniões muito diferentes, mas eu quase nunca comento para não parecer a chata que discorda e, mais ainda, porque respeito você e o seu espaço. Mesmo discordando, venho sempre aqui para ver um outro lado e repensar algumas coisas. Mas há momentos em que leio uns posts e penso “Hoje ela escreveu o que eu queria ter dito!”. E foi com um imenso alívio que eu li o seu post hoje, você não faz ideia!

    Imenso beijo.

  7. O que será que o Safatle quis dizer com “inquebrantável tradição do populismo conservador paulistano”. O governo federal decidiu que todo sujeito que ganha R$ 291,00/mês é classe média. Será essa nova classe média, com todo esse arsenal financeiro no bolso o novo conservador paulistano? É, esse é um dos males impostos pelo poder do petismo. Tem um monte de cegos e outros muito espertalhões mandando em redações país afora.

  8. Conservadorismo?

    Definitivamente, não se pode chamar de “conservador” um eleitorado que elege na sequência: Jânio/Erundina/Maluf/Pitta/Marta/Serra/Kassab.

    Ademais, pela inexistência de políticos de direita no Brasil, o único conceito de “conservador’ que podemos usar por aqui é o conservador de esquerda, aquele que só vota em quem acha que o Estado é cabide de emprego para vagabundo e provedor universal de tudo, ou ainda na esquerda, quem pensa que o Estado deve ser interventor da produção econômica. Mas tudo de esquerda, porque INEXISTE no Brasil, partido e/ou político de direita!

    E se olharmos o que o eleitorado paulistano tem feito, vamos constatar que se conservador ele não tem nada, porque elegeu, na sequência: Jânio/Erundina/Maluf/Pitta/Marta/Serra/Kassab, que são tão díspares em suas formas de pensar de esquerda (sim, são todos de esquerda ou se não são, adotaram plataformas de esquerda), que não se pode dizer que o eleitorado paulistano é conservador em absolutamente nada ele simplesmente chuta o pau da barraca vez ou outra e aposta para ver no que dá.

    Então não se trata de conservadorismo, porque se assim fosse, todos os eleitos seriam sempre da mesma linha: ou paus-mandados do cacique petista, ou aboletados do tucanismo, uns usando o Estado como provedor universal, outros usando-o como motor de indução econômica, mas sempre à esquerda.

    O que existe, e não é só em São Paulo, é uma incapacidade visceral do povo brasileiro em distinguir aventureiros de políticos e daí acabamos elegendo coisas como Russomano, Tiririca. Requião, Collor, Pitta, Luiza Fontenelle, José Janene, José Borba, Crivella, Lindberh Farias, etc… tudo farinha do mesmo saco: do saco de onde o eleitor tira alguém com discurso bonitinho e péssima prática política.

  9. O Ibope deus Haddad à frente de Serra, creio que na margem de erro.
    De todo modo, é de duvidar que o candidato federal passe ao segundo turno.

  10. …deus Haddad, não…”deu Haddad”…
    Isso decorre pode ser do rescaldo de um batalha de massificação da figura do candidato.
    E rescaldo, sabe-se, é fogo sendo apagado, no estertor do incêndio.
    Mas, isso vai dar pano para mais massificação, aproveitando a pesquisa favorável à presidente que saiu hoje, creio.
    Mesmo assim, tal percepção não parece ser o ponto de união do candidato com o governo.

  11. Letícia: Pena q vc não tem tempo para escrever mais. Vc sintetiza tudo que penso, de modo muito fácil. Leio vc. Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. Suficiente para manter-me informado (bem) e muito longe dos chatíssimos petistas entocados na imprensa livre que eles querem açoitar com sua filosofia pelega. Este último comentário sobre as eleições paulistas está demais. Leve e profundo ao mesmo tempo. Obrigado. PS: conheci o Flanela num texto do Reinaldo de meses atrás. Daí pra frente, leio tudo que vc escreve. Novos parabéns. WF

  12. Claudio, ponho aqui e me perguntar por que ninguém esculacha com a tal secretaria de assuntos estratégicos – ESTRATÉGICOS -, e tb. com essa metodologia IBGE/IPEA. Como é que você pode ter a audácia de considerar o Brasil numa mesma massa de valores? 291,00 pode ser chique no interior do Piauí, mas em SP, Rio ou, enfim, se você ganha 2 paus, você vive uma vida pra lá de moderada (isso se não pagara aluguel). BR é muito diferente, e essa diferença é muito brusca numa distância muito pequena (estou lembrando do último livro que fiz, sobre petróleo, e do fato de os supermercados de Macaé NÃO TEREM batata frita congelada, aqueles pacotões – PO-BRE-ZA). SP é mais elástico nas oportunidades, no consumo, enfim, é tão distorcido que só posso atribuir aos fofos analistas uma espécie de jequismo, nem que seja em Vila Madalena.

    Exato, Fábio. O que não dá aos colunistas o direito de se voltarem contra as pessoas. Que que há, Valdemar??

    Dawran, aguardemos o Datafolha hoje, porque o Ibope está suspeitíssimo. Como pode o cara virar com comícios vazios? De qq. modo, a imprensa já se colocou pari passu à campanha de Haddad: foram fuçar a vida do Russomanno a sério.

    Poxa, obrigada, Walter! Mas não se fie pelo blog, não. Andaria criando teia, não fossem vocês.

  13. É mais fácil detonar o eleitorado que criticar o governo que gasta mal e não provê educação de qualidade. É mais fácil detonar o eleitorado que os “líderes” que pregam que as pessoas consumam muito, mas não pensem nem um pouco… isso a Leticia já deixou claro no seu texto.

    A questão é que o papel aceita tudo, a internet aceita tudo e as vezes, até o rádio e a TV aceitam tudo. O cara vai lá, traça uma opinião sem olhar os fatos, inventa um conceito mitificado de alguma coisa e “vamonóis”, posando de inteligente e engajado politicamente! Essa coisa de falar mal do eleitorado porque ele vota como o comentarista quer é uma epidemia no Brasil, especialmente em cidades pequenas… mas em cidades pequenas dá para relevar, afinal, quem escreve lá não é bambambã em alguma coisa, é apenas um cidadão exercendo seu direito em se expressar. Mas em SP não, porque os órgãos de imprensa de SP quase todos tem projeção nacional, são fruto de um processo jornalístico apurado, de grandes grupos de comunicação que deveriam (ao menos deveriam) exigir que seus articulistas não expressem obviedades e opiniões destituídas de alguma pesquisa anterior.

    Que o eleitorado é ruim e volta e meia falha, todo mundo sabe. A questão é que falha por deficiência em sua formação intelectual, e não porque é conservador ou deixa de sê-lo ou porque só pensa sob “o ponto de vista da classe média” que é demonizado ao mesmo tempo em que todos os governos fazem das tripas coração para aumentá-la. Não há “ponto de vista da classe média”, há pessoas que pensam e optam por alguma coisa por convicção e pessoas que não sabem pensar, que muitas vezes optam porque a maioria tá indo pro mesmo caminho.

  14. Excelente texto, Leticia, exatamente o que eu vinha esperando que alguém publicasse desde que li a matéria surrealista da Folha deste domingo. Mas na minha opinião a maior contribuição daquela análise para a confusão conceitual geral nem foi a adoção do termo “conservador”, por mais que o retrato do conservadorismo pintado pelo jornal beire a caricatura das mais toscas (no nível capitalista-de-casaca-e-cartola de tosquice) – o pior de tudo foi a importação de outro termo do vocabulário político americano, “liberal”, para designar o oposto de conservador. Sério, não dava pra pensar um pouco mais e usar, vá lá, “progressista”, como os escrevinhadores da Blogosfera do Dinheiro Público gostam de se auto-intitular? Ou que tal “moderninho”, “descolado”, “prafrentex”… Essa decisão infeliz gerou momentos do mais puro nonsense ao longo do texto, como neste trecho baseado em depoimento de ninguém menos que André Singer, um cidadão acima de qualquer suspeita de não ser petista, que fora instado a elencar as principais características desse tal de conservadorismo:

    “Entre elas estão uma tendência forte ao individualismo, a concepção de que os problemas sociais se resolvem por meio da iniciativa privada e a rejeição a qualquer forma de intervenção social pelo Estado. O liberalismo, portanto, seria o oposto disso.”

    Opaperaícumequié? Pára tudo! Avisa o Morgenstern, o Constantino, o Gravata, todo o Instituto Millennium que até agora vínhamos lutando pelo lado errado! Liberalismo é Estatismo, Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força!

  15. Projeções estatísticas do IBGE/IPEA – desde que estes foram aparelhados pelo lulopetismo – deixam transparecer uma inequívoca suspeição sobre os dados que apresentam.
    Os números são manipulados ao bel-prazer dos comensais que se reúnem na “Granja dos Tortos”!

    R$ 291,00/mês = classe média, lembra aquele arqueólogo de araque que foi flagrado limando uma das arestas da grande pirâmide para que se enquadrassem em seus parâmetros! Hehe!

  16. Seguinte: se um esquerdista me chama de “conservadora”, aceito o rótulo. Se eles estão furiosos com o que acontece em São Paulo é porque estamos indo bem … Mas essa senhorinha Brum é um “pé no saco” !!!

  17. Aplaudo de pé!

    Por favor, parem de ficar nos fatiando em etiquetas. Agora que o Russomano está ganhando, todos atribuem a culpa ao paulistano que é humilhado por todos os nomes, bem já presenciamos aqui o caso do político que nos chamou de facistas.

    Se essas pesquisas têm veracidade, o que existe é uma quantidade significativa de eleitores do homem, só isso. Se o conservador de igreja está votando, são outros quinhentos… Concordo com vc Letícia, acho muito ruim essa coisa de enfiar “aspectos sociais” goela abaixo…

  18. Fábio, você disse que a Internet aceita tudo e eu penso aqui quando será que a historiografia será obrigada a conviver com informações abalizadas (especialmente as do passado recente) que estão ali, pra todo mundo ver e checar. Outro dia alguém soltou essa: “Marta foi rejeitada em SP porque se divorciou” (o tal “conservadorismo”), o que é de uma demência sem par, porque uma rápida pesquisa desfaz tal delírio.

    Schu, acabei de postar um “levantamento do IBGE”. Vai lá ver que fofo!

    Maria Edi, essa Brum e mais um punhado, sinceramente, só pode ser compadrio… Não sei o que certas opiniões têm a acrescentar na grande mídia. Coisinhas que a gente poderia bolar e escrever em duas horas, não é mesmo? Também nesse aspecto, nossos jornais são extremanete provincianos. Vai lá dar uma coluna pra primeira-dama de Cacuí das Pedras pra preencher…

    Rommel, eu até aceitaria esse tipo de brainstorming jeca se fosse feitos em outras cidades. Mas só aqui? Por quê?

    Ah, Claudio, eu vi. Aí ninguém faz artigo com levantamentos e mais levantamentos.

  19. Chegando dia 07 vou, com muito orgulho, votar citando Nelson Rodrigues: “Sou o último reacionário do Brasil!!!”. Esse gosto eu faço questão de dar aos militontinhos das redações…

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