Testemunha de favela

Eu aqui continuo com trabalho em excesso. Gostaria de escrever sobre tudo, inclusive sobre capas retumbantes de revistas semanais, mas cadê tempo pra elaborar texto?

Uma passada rápida pela repercussão da Veja de ontem, que exibe declarações “indiretas” de Marcos Valério a respeito das piabas grandes do Mensalão, foi a esperada: petistas cobrando a “suposta” gravação”, mal percebendo que estão numa encruzilhada de macumba.

Tudo foi feito pela Veja comme il faut para evitar o efeito Celso Daniel, não é mesmo? As declarações estão lá, mas foram feitas “por pessoas chegadas a Marcos Valério”.

Pois bem, acho que é assim que se deve agir num país que virou bangue-bangue graças ao PT. No lugar deles (Veja e Marcos Valério) eu faria a mesma coisa.

Pra não acordar com a boca cheia de formiga.

Testemunhos indiretos, típico de lugares onde reina o banditismo.

E se a justiça abrisse um telefone só pra denúncia anônima do Mensalão?

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9 opiniões sobre “Testemunha de favela”

  1. Lets

    Não tenho dúvida de que Valério mandou recado claríssimo e que está com medo de ser desamparado pelo PT. Como dizia minha avó, em tempos de Murici cada qual cuida de si

    O silêncio do PT é eloquente. Não faço a mínima ideia do que os emissários petistas teriam a dizer para Marcos Valério, depois dessa reportagem. Talvez oferecer mais grana e mais apoio em troca do silêncio.

    Rodrigo Rangel, autor da reportagem, é jornalista experiente (lembra o silêncio de Toffoli no episódio com Noblat? Claro que Noblat naquela noite de algum modo gravou um áudio com as ofensas que lhe dirigiu Toffoli) e acho que deve ter muito mais do que publicou.

    O mesmo jornalista foi agredido fisicamente quando fazia entrevista com um lobista que atuava no Ministério da Agricultura. Veja deu nota :

    No fim da tarde da última quinta-feira, o editor Rodrigo Rangel, da sucursal da revista na capital do país, cumpria uma das obrigações elementares do bom jornalismo: ouvir o outro lado da história. A história em questão tem como personagem principal o lobista Júlio Fróes. Como revela a reportagem que começa na página 64 desta edição, Fróes montou sua base de operações no Ministério da Agricultura. Ali, manipulava licitações para beneficiar empresas e subornava funcionários públicos com “pacotes de dinheiro”. Tudo com o aval e o conhecimento dos graúdos que cercam o ministro Wagner Rossi. O lobista, embora não tenha nenhum vínculo formal com o Ministério da Agricultura, gozava de tratamento vip, como usar a entrada e o elevador privativos do ministro. Na repartição, era conhecido como “doutor Júlio”.

    O jornalista de VEJA foi entrevistar o “doutor” num restaurante, para tentar entender a origem de tantos privilégios. A conversa durou trinta minutos. Confrontado com os fatos apresentados por Rangel, o lobista Fróes, sem poder refutá-los, passou a fazer ameaças. Perguntou se o jornalista tinha mulher e filhos. Nesse ponto, Rangel achou mais prudente dar a entrevista – integralmente gravada – por encerrada. Quando ele se levantou da mesa, porém, Fróes puxou-o pelo braço, aplicou-lhe uma gravata e joelhadas na barriga e no rosto. Rangel foi jogado contra uma mesa. Antes de fugir, o “doutor” ainda roubou o bloco de anotações do repórter. A agressão, testemunhada por mais de uma dezena de clientes e funcionários do restaurante, foi comunicada à polícia. O jornalista, com um dente quebrado, fez exame no Instituto Médico Legal. Ao longo de quase 43 anos de existência, VEJA ultrapassou toda sorte de obstáculo para exercer sua missão de fiscalizar o poder e denunciar os que subtraem a nação. Não será a violência física do “doutor Júlio” que mudará essa história.

    (Carta ao leitor da Veja na semana de 7/8/2011)

    As reportagens de Rangel foram confirmadas pelos fatos e Wagner Rossi foi demitido em 17/8/2011

  2. Noblat publicou pouco um post (por volta das 20:00hs).

    “VEJA decide se divulga fita com a entrevista de Marcos Valério”

    “A direção da revista VEJA está reunida para decidir se divulga ainda hoje em seu site a gravação da entrevista feita com Marcos Valério […]

    O acerto de VEJA com Valério e o advogado passou também pela garantia dada pelos dois de que nada diriam que fosse capaz de pôr em dúvida o que a revista publicasse. Até porque eles leram com antecedência o que seria publicado – e aprovaram.

    Ocorre que procurado por jornais, o advogado de Valério esqueceu o combinado.

    Primeiro disse que Valério nem confirmava e nem desmentia o conteúdo da reportagem.

    Depois avançou e disse que Valério não confirmava. Para ao cabo afirmar que ele desmentia.

    Aí o caldo entornou – embora uma parcela da direção da VEJA ainda argumente que se deve honrar o compromisso assumido com Valério e o advogado de manter a fita em segredo.”

    Se romperam o acordo coma revista, desmentindo a reportagem, acho que foi porque emissários do PT devem ter oferecido algo muito bom em troca.

    A ver. Acho que a divulgação do áudio é questão de tempo porque agora o que está em jogo é a credibilidade do jornalismo da Veja. Por outro lado, a Veja poderia negociar com Valério uma nova entrevista com apresentação de documentos, que Valério deve ter guardado a sete chaves em lugar incerto e não sabido.

  3. Xi, Iolita, a coisa se agrava a cada 6 horas. Agora sabe-se de um vídeo que MValério gravou em 2005 falando um monte, e que o PT tem uma cópia. Ficou tudo na calada esses anos todos, quer dizer… o PT nem pensou em botar no ventilador. Algum motivo há, não? Não sou muito entusiasta da desgraceira nacional, mas acho que podemos esperar momentos críticos daqui por diante.

  4. Não trabalho na Veja, não sou agente da CIA, não sou lobista e nem trânsfuga das hostes petistas. Mas, desde que a cloaca mensaleira explodiu em 2005 venho batendo na tecla da TOTAL PARTICIPAÇÃO DE LULLA em todo o esquema do propinoduto.
    Simplesmente porque não seria possível o presidente não estar envolvido e não saber de nada. A troica – Lulla, Dirceu e Marco Aurélio – eram ‘capi di tutti capi’! Nada era decidido sem passar pela cabeça dos três.
    Felizmente a mão do cadáver insepulto aflora à superfície e aponta o dedo acusador mirando os chefões petistas.

    Esperemos que Marcos Valério tenha um momento de grandeza e coragem e revele à Nação tudo o que sabe. O país lhe será eternamente grato.

  5. O fundamental neste caso do mensalão e seu julgamento, é que o STF está desenovelando um intrincado caso. E está deixando claro o que ocorria e como ocorria.
    E ainda, tem a desenvoltura de não condenar a todos, explicitando as suas dúvidas sobre o comportamento de réus inocentados. Isso, tudo às claras, ao vivo, depois de cerca de mais de sete anos de trabalho. O Brasil já não é mais o mesmo desde que iniciado o julgamento. E não sairá o mesmo quando o julgamento terminar. Muito do oxigênio que mantinha certos organismos vicejantes já foi cortado. Nada como a luz do sol para limpar bolor. Embora haja, ainda, certa discurseira militante de que o julgamento é “político”, é “partidário”, é “perseguição”, “inquisição menor” e etc. Não deve ser à toa que os filmes da moda abordam zumbis “walkingdead”, vampiros mutantes, lobisomens geneticamente modificados, aliens com ascendentes humanos e quejandos…E sempre, nos filmes, aparecem as heroínas e/ou heróis, com canhões laser como aquele de Sigourney Weaver em “Alien”, estrelas afiadas de samurais, pistolas de raios…que incineram os urdidores de tramóias. Em alguns casos, utilizam espada samurai semelhante àquela da Uma Thurman, em “Kill Bill”. A arte antecipa a vida. Alvíssaras.

  6. Luiz Schuwinski says-September 17, 2012 at 11:28 am
    Essa: (…) “Felizmente a mão do cadáver insepulto aflora à superfície e aponta o dedo acusador mirando os chefões petistas”. (…)
    É uma imagem muito legal. Lembra aquela música do Bezerra da Silva, “Defunto Dedo-Duro”…hehehehe…

    Olha, colegas comentaristas, creio que as coisas irão parar por ai mesmo. Tenha ou não uma caixa de vídeos e áudios. Ou satélites emissores em torno da Terra, com área prioritária sobre o Brasil. Depois de sete anos da descoberta do angu de caroço, ou mais, desde o início de tudo, o que deveria ter ocorrido pró ou não, já poderia ter ocorrido.

    O cidadão que deu a entrevista esperaria até agora por quê? Não seria crível que ele ainda esperasse algum apoio de quem quer que seja há tempos, certo? Então, por quais cargas d’ água, faria o que não fez antes, agora?

    Por outro lado, isso depende menos do defunto do que de quem o bebe, não é verdade?

  7. Pelo menos, Dawran, as mutretagens palacianas estão saindo dos desvãos e sendo expostas à luz do sol. Não há duvida que as coisas daqui pra frente começarão a mudar.
    Os primeiros passos já foram dados. Oxalá a tão esperada conscientização cívica chega também à patuléia. Aguardemos.

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