Russomano e a ascenção ressentida

Da Sonia Racy, ontem:

Quem viu Celso Russomanno chegando ao Juventus, sábado, assistiu ao bate-boca entre o candidato e seu motorista, com direito a xingamentos e tudo mais. O motorista largou o carro e foi embora.

Não contente, Russomanno discutiu com uma assessora, que prometeu registrar boletim de ocorrência. Consta até que há um vídeo com as imagens.

Como vocês sabem, estou porraqui de serviço, e não vou me dar ao trabalho de elencar todos os bafafás em que Russomano se meteu ao longo da vida. Só lembro de uma vez, em que eu passava na calçada do Fórum João Mendes, em que o candidatinho e seu motorista quase me atropelaram em frente à garagem do prédio. Foi corriqueiro, mas bem indicativo: carro oficial filmado, dava pra ver ele lá dentro, impassível, olhando pra frente (acho que era vereador na época), tipo “eu sou importante, e você não, sai da frente”.

Muito antes disso dava pra perceber que Russomano é de um tipo muito comum em São Paulo: o rapazola que veio de baixo, conseguiu comprar um terno e que agora pisa em todo mundo que lhe está “abaixo”, por pura vingança psiquiátrica. Porteiros, cozinheiras, motoristas, o que lhe vier pela frente conta invariavelmente com sua postura superior, sempre à cata de algum defeito de que reclamar no trabalho trivial, em busca constante da oportunidade de deixar claro quem é quem no mundo social e do trabalho.

Cansamos de ver tipos como ele na cidade. São Paulo, por sua grandeza e opulência, acaba fazendo um estrago no imaginário de caracteres mais vaidosos. O ser chega, tentando disfarçar sua lonjura geográfica (um problema enorme na cabeça dele), e nesse disfarce de rico “erra a mão”, maltratando desde o porteiro do prédio até cabeleireiros e atendentes de lanchonete.

Russomano é o síndico do condomínio de subúrbio, aquele que inspeciona tudo com calça social, aquele que exige as mínimas bagatelas, dá pitos diários e multa todo mundo.

Russomano é o pai de família que enche a casa de móveis a crédito, cortinas drapeadas, dá festinhas com bolinhas de queijo no salão do edifício e compra vestido novo para a espousa no dia dos namorados, dizendo “quero que você use no dia tal”.

Russomano brinca de puxar o sutiã de sua senhora – nos momentos de intimidade, claro, porque ele é a favor da moral e dos bons costumes.

Russomano é do tipo que reclama da poeira no seu automóvel comprado em duzentas prestações e processa vizinho por tinta amarela na lataria.

Usa pasta de dente “especial”, aquela que custa 1 real a mais. Se empenha em enologia e bebe vinho “diferenciado”, aquele que custa 1 real a mais no supermercado.

E ai da passadeira se fizer vinco errado em sua camisa da Colombo, que também foi comprada a crédito.

Russomano vira “fera”, e assim será se um dia chegar à Prefeitura da maior cidade da América Latina. Daí, ninguém segura o rrrrrrrrrrrrrrapaz!

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12 comentários em “Russomano e a ascenção ressentida”

  1. Não sei quem disse que se quer conhecer mesmo uma pessoa, dê poder à ela.

    Esses tipos como Russomano, alçados à condição de ídolos populares em razão da audiência na TV e no rádio pouco diferem entre si. São arrogantes e narcisistas e entram na política primordialmente para comprovarem para si mesmos que sua popularidade não é apenas nos números do IBOPE de seus programas geralmente popularescos e melosos. Eles querem ser eleitos para afagar seu próprio ego, demonstrarem para si mesmos que as mentiras e as palhaçadas que usam nos meios de comunicação são verdadeiros e que suas mentes são mesmo brilhantes e não apenas parecem brilhantes aos olhos da audiência desqualificada de seus folhetins eletrônicos.

    Os programas do Sr. Russomano atendiam demandas caras às pessoas que pediam seu auxílio, e eram simpáticas às massas na medida em que muita gente é enganada todos os dias no Brasil por algum defeito grave de consumo gerado por alguém. Mas o Sr. Russomano nunca se insurgiu contra nenhuma gigante multinacional ou contra nenhuma operadora de telefonia, ele só agia quando o fornecedor do produto/serviço tinha um rosto e não tinha um departamento jurídico a lhe defender, alguém que se sentiria coagido pela câmera de TV.

    São vários os exemplos parecidos: Ratinho (que quando descobriu não ter estômago para a política colocou seu filho no lugar), Garotinho (e esposa), Fogaça (de Porto Alegre), Carlos e Iris Simões (de Curitiba), etc… todos tem em comum a mais absoluta falta de idéias, afinal, seu público de rádio e TV é justamente quem não pensa, não tem idéias e se situa naquele deserto mental que acomete a imensa maioria dos brasileiros que se acostumaram a deixar que os outros pensem por si, ou mesmo que a TV ou o rádio pensem por si. E não são poucos os que quebram a cara, já que são políticos de proveta, formados pela popularidade, não pela militância política.

    É aquela coisa. Todos os políticos são ruins, mas os menos ruins são os que tiveram formação política, ou seja, os que fizeram parte de partidos, que passaram por cargos públicos subalternos e foram subindo aos poucos, conhecendo a atividade política e as pressões que ela causa, inclusive a da ascensão social que muita gente não consegue encarar sem se tornar um monstro. Podem pegar os exemplos: os políticos mais admirados do Brasil não são formados de proveta, nem saíram do rádio ou TV: FHC, Lula, Serra, Aécio, Tarso Genro, Álvaro Dias, etc… todos galgaram a posição que têm ou tiveram a partir de um processo partidário, não apareceram do nada como este Sr. Russomano.

  2. Não há outro lugar no universo profundo, onde esse cidadão possa exercitar suas qualidades? Ele parece achar São Paulo muito pouco para ele.

  3. uai… desde “condo” (como diz minha gêmea mais velha) os comentários passaram a ser moderados?

    o fascismo petralha se manifestou por aqui?

  4. O pessoal do Serra e do Haddad devia recuperar algumas cenas das transmissões de bailes carnavalescos dos anos 80, pela TV Gazeta, com Celso Russomano passando a mão e encoxando as foliãs entre uma “entrevista” e outra.

  5. Fábio, tem toda razão.

    É, Dawran. Se colar, esse homem chega à Presidência, pela obra e graça de fiéis não a Deus, mas a certos homens de baixa extração.

    Foralula, não há moderação para quem foi liberado um dia. Isso só acontece com erro de digitação, uma palavrinha que o WordPress leia como inadequada ou quando há link no comentário.

    Refer, não pense que não procurei. Uma hora eu acho, porque tenho lembrança de cenas como essas.

    Mauro, obrigada! Tenho culpa por não poder postar mais amiúde ultimamente.

    Beto, o Russomanno (descobri os dois nn ontem) é baixinho, é? Tem cara, mesmo…

  6. Russomano foi catapultado em direção aos holofotes midiáticos em razão de uma tragédia pessoal. Daí aproveitou-se o mais que pode da onda sentimentalóide que formou-se em torno de si para tirar proveito próprio.
    Na base do “coitadismo” e na pretensa ajuda a consumidores lesados, acabou se infiltrando no meio político e…deu no que deu!
    Agora aguentem.

  7. Foralula, mas aí é o metrô do Rio, não vai virar mote de campanha. Nem isso nem o fato de as composições chinesas compradas “no estado” por Sérgio Cabral terem um desnível de até 20 cm em relação às plataformas. Isso porque, na época da compra, mangaram do Metrô-SP porque as composições daqui saíram “mais caras”. Agora já se sabe por que no Rio saiu tão barato…

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