Brasilzão afobado

Do Estadão:

Um projeto de lei de 2009, já aprovado em primeira votação, prevê a criação do Programa Telhado Verde em São Paulo. Pela regra proposta pela vereadora Sandra Tadeu (DEM), toda nova construção na capital deve ter um pequeno jardim no terraço ou substituir telhas tradicionais por um gramado espesso. Mas, passados dois anos, a medida que poderia reduzir as ilhas de calor e a impermeabilidade de São Paulo ainda não voltou a ser apreciada pelos parlamentares.

1. Qual a importância do telhado verde?

Segundo especialistas, a cobertura verde, se implementada em grande escala, pode tornar-se um agente ambiental de equilíbrio. Os terraços ajardinados trazem melhorias como a redução da temperatura urbana e a retenção de barulho, além de melhorar a estética das construções e a umidade do ar. Outro aspecto positivo apontado por especialistas é que os terraços verdes ajudam a recompor a biodiversidade original.

2. Como é possível montar um jardim no terraço de um condomínio?

Dezenas de empresas privadas da cidade oferecem projetos para a instalação de telhados verdes, seja por meio de um jardim com árvores nativas da região ou pela colocação de telhas com gramado de sete centímetros. Esse gramado, que pesa 40 quilos por metro quadrado, reduz em até 13ºC a temperatura do cômodo logo abaixo, segundo as empresas. (segue)

Bem, é desejável que as cidades tenham telhados verdes. Mas transformar isso em lei, agora, não é um tantinho cretino?

Eu acho que, primeiro, deveria-se desenvolver nos habitantes o gosto pelo verde. Pois se qualquer casinha desta cidade mandou azujelar o jardim pra receber seu carro em duzentas prestações…

Em segundo lugar, fazer telhados verdes não é só chegar lá e jogar uma grama. Tem de fazer um reforço na cobertura pra aguentar um peso extra, e vedar como se deve, senão vira uma dor de cabeça para os moradores do andar abaixo. E, oh, a glória, fazer manutenção depois.

Prédios tem mil e uma prioridades a resolver antes de pensar em ter telhado verde. A exemplo da tragédia do Rio, em que um prédio desabou, levando outro junto, porque fez reformas irregulares ao longo dos anos, São Paulo também tem de resolver suas mazelas prediais. Já que fiscais acham que não tem nada pra fazer, que tal checar instalações de incêndio, de eletricidade, padrão de janelas, condições de imóveis tombados, respeito ao zoneamento e tantas outras coisas que ficam entregues ao alvedrio de uma população ignorante?

A matéria termina com o fornecimento de telefones “para reclamação”, não só da própria vereadora mas da Ouvidoria da Câmara !#@*#!!

Reclamar de que, mesmo? Isso está me parecendo matéria encomendada. Ou então é lobby com empresa de telhado verde.

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15 comentários em “Brasilzão afobado”

  1. Leticia, gerações acostumaram-se com concreto e viadutagem. Garotada que gosta de de skate, gostaria de manobrar ao lado de capim tiririca, guaxuma, azáleas ou azaleias? Colocar lei para tudo? Até vai lei, ou decreto, reduzindo matérias do segundo grau estão prevendo. Bom, assim o pessoal do primeiro grau não aprenderia o que o segundo não ensinará mais…Impressionante.
    Mas, o assunto é verde. Então, legislações não servem. Que tal campanhas educativas? Sem o inferno a quem não botar um jardim no meio da sala? Etemos “a maior floresta tropical do mundo”, por que as pessoas dão tão pouca bola para o verde, rios, filetes d’água, nascentes, lagos e lagoas? Para que lei, caramba?

  2. Em falando em jardins, eu particularmente adoro plantas e flores.
    Seria muito legal termos mais arvores e plantas pela cidade.
    Arvores frutiferas , não são recomendada,s por causarem sujeira e vandalismo.
    Campanha educativas são mesmo a melhor via.

  3. Nosso País pegou um via legiferante, difícil de entender.
    Se vivêssemos no UK, que “não tem Constituição escrita”, como seria com essa cabeça de “lei para tudo” e depois muda tudo por MP?
    Loucura.
    E pior, na lei diz que não se pode alegar desconhecimento da lei…

  4. Mas também tem o outro aspecto:

    Se não virar lei, ninguém faz!

    E mesmo virando lei, só com a prefeitura multando é que vão começar a fazer.

    Mas não que eu seja adepto desse furor legiferante…

  5. O Japão passa por uma crise energética.

    E o povo do país, sem necessidade de ninguém exigir nada, nem de fazer lei para isso, tratou de economizar energia. Escadas rolantes que descem foram desligadas, letreiros 24 horas passaram a funcionar apenas 6, ares condicionados foram reduzidos ao estritamente necessário, fora a redução interna do consumo nas casas, feita de muitas maneiras.

    Ao mesmo tempo, buscou soluções ecológicas. Muitas pessoas e empresas estão adotando cortinas verdes em suas casas, que consistem em telas por onde crescem heras plantadas nos terraços e sacadas. Uma vez que elas fecham uma determinada metragem quadrada, diminuem a incidência do sol e consequentemente, a temperatura interna do ambiente.

    Ou seja, é plenamente possível adequar-se a certas situações e recompor o verde em ambientes urbanos… com óbvio benefício da recomposição da fauna (passarinhos, insetos, etc…) que volta a ter alimento e locais onde se abrigar.

  6. De fato, o bolso é o elemento universalmente mais sensível do “serumano”.

    4. Como é no exterior?

    Em Nova York, por exemplo, onde existe desde 2008 uma lei do telhado verde, foram pedidas licenças para forrar com plantas perto de 87.700 m² só no primeiro ano do programa. Isso equivale a mais de 11 vezes a medida do campo do Estádio do Morumbi, em São Paulo. Lá, os solicitantes são favorecidos com descontos no imposto predial. Algo semelhante ocorre em Vancouver, no Canadá.

    Descontos no imposto predial refletem diretamente no índice de “consciência ecológica”. Acredito que a lei de NY deve ter o caráter de regulamentação, isto é, os procedimentos permitidos e desejados a quem se interessar.

    Aqui, não são raros os relatos a respeito de gente que plantou uma arvorezinha na calçada. O tempo passou e só então o bem intencionado foi informar-se a respeito do porquê da raiz da árvore crescida estar destruindo a calçada e ameaçando por abaixo o muro da residência do vizinho.

  7. “No Brasil, os biomas existentes são (da maior extensão para a menor): a Amazônia, o cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga, o Pampa e o Pantanal”.
    Segundo fontes do governo na rede.
    Se temos tudo isso, ainda não dá para entender por que haveria necessidade de mais um monte de leis para arborizar cidades, colocar verde em casas?
    Tá bem. Se não cobra, se não multa, nada acontece. Mas, há as recorrências, há a falta de preservação, há a escolha de plantas inadequadas com raízes que podem até derrubar paredes e muros ao longo do tempo etc.
    Por isso, campanhas seriam melhores do que leis.
    E…para fazer campanhas, são necessárias leis!!!
    Cansa…

  8. Que tal nossos legisladores pensarem em inúmeras moradias sem reboco que proliferam em Sampa, principalmente na periferia deixando os lugares feios e com aspecto de sujo ,tornando-se o “provisório definitivo”? Penso que o ideal é melhorar o que existe, e ai sim partir para a parte ecológica.

  9. Imagina, Dawran: “Olha, dia tal encerra-se o prazo pra você botar um telhado verde no seu prédio, hein?”

    Dereck, observe em São Paulo (se você mora aqui) que os locais mais arborizados da cidade foram criados e são mantidos pela Prefeitura. Moradores? Humpf!

    Iolita, que tal a Prefeitura impedir a vinda de novos moradores? Pode parecer meio nazi, mas tem um monte de cidades no Brasil com todo um “sistema” tácito de rejeição e ninguém acha ruim. Só custa a passagem de volta.
    Mas Fábio, tem prédio em que simplesmente isso é tecnicamente impossível. E, sobre a energia, ainda estamos no estágio da evolução em que tudo depende de tomada.

    Exatamente, Paulo. Tem o problema do tipo de árvore. Acho que uma orientação botânica da Prefeitura faria… a pessoa desistir.

  10. Por incrível que pareça, mesmo São Paulo acolhendo gente de todo o Brasil e do exterior, ainda há críticas e interdições ao debate sobre migrações. Nesse caso de preservação, seria sim necessário debater isso tudo. As pessoas chegam, ocupam de forma irregular qualquer lugar com verde e lá desmatam, fazem ligações clandestinas de água, criam lixões, improvisam ligações de eletricidade, despejam dejetos em cursos d’água…E ninguém pode falar nada. Muito menos os paulistas. Por que as casas do MCMV não adotam energia solar, preservação de águas com captação de chuvas, educação verde às pessoas contempladas. Por que não dão cursos de jardinagem e preservação para as senhorinhas que há muitas nesses locais? Enfim, a Cidade está sujeita a palpiteiros, mas que não a deixam de forma alguma. Falta verde? Pau no Governo Estadual e Prefeitura, mas, daqui não saio…Assim, fica fácil. E da classe média para cima, não da afluente recente, mas da antiga, só imputações de culpas. Verde assim, não interessa.

  11. Já me reportei sobre isso tempos atrás, mas volto a repetir: na luta pela sobrevivência, as camadas mais pobres da população só lembram-se da questão ambiental quando vislumbram algum lucro imediato, como no caso dos recicláveis. Fazem um procedimento ecologicamente correto por vias transversas, por tabela, nunca passando pela conscientização pura e simples. São essencialmente predadores.

    No que diz respeito ao Telhado Verde…
    Na minha modesta opinião, decisões impositivas vindas do poder público, sem a devida contrapartida de quem de direito, sempre dão com os burros n’água.
    Ademais, como já foi dito, telhados ou coberturas teriam que ter um sistema de impermeabilização perfeito, caso contrário seria um desastre.
    Como se sabe, as edificações no Brasil são precariamente fiscalizadas. O ‘habite-se’ é concedido através de fiscais “boleiros”. Se comparecer com grana a obra é liberada na boa. Lamentavelmente é isso o que acontece.

  12. Dawran, podem falar o que quiser, mas não há no Brasil cidade mais acolhedora que SP. O problema, quando há esse tipo de migração, é que lascam na cidade (deveríamos oferecer condomínios de luxo aos recém-chegados…), mas da cidade de onde o cara foi expulso por completa cretinice de gestão, social, econômica e tal ninguém dá um pio – incluindo o MCMV, com construções de nível muito menor. O Brasil todo é ok, menos SP, que mal dá conta da explosão demográfica. Alguém há de dizer que não, o êxodo diminuiu, mas não é o que se vê nas beiradas do município e ao redor. Continua sendo um problemão pra nós.

    Disse tudo, Schu. Se já sem telhado verde o morador do último andar aqui do prédio passou ANOS penando por causa de impermeablização (mão de obra qualificadíssima!), imagine com!

  13. Em suma, voltamos à discussão de sempre.

    Para o brasileiro, o público é de ninguém e se é de ninguém, pode sujar, destruir, arrancar, quebrar e vilipendiar.

    E não existe na face da terra povo mais porco que o brasileiro. E quando digo isso, é brasileiro, não é paulistano nem curitibano…é brasileiro, é o todo! E isso explica a devastação ambiental por invasão e irregularidades de todo o tipo e ao mesmo tempo, o ódio mortal ao verde, que nos acomete…

  14. Leticia, por isso os candidatos que esculhambam com a Cidade não merecem ser eleitos e nem sequer deveriam sair para ter espaço para falar abóboras e de aldeias infectas, andando na Paulista. Isso é que é o fim da carreira política deles. Com certeza.

  15. Opa! Hoje, na rua Cincinato Braga, perto da Paulista, lixeiras recém-instaladas todas arrebentadas. Acordei de ovo virado com as más notícias (Russomano “na frente”), mas tem hora que acho que certos paulistanos têm mais é de se ferrar mesmo.

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