Novo ranking de saneamento BR

Tá lá o Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, comentando os números do Ranking do Saneamento, que analisa as cem maiores cidades do país:

Esse novo levantamento do Trata Brasil e os números gerais do SNIS 2010 evidenciam que o Brasil tem um enorme desafio pela frente … (aqui)

Bem, nem precisa continuar. O simples fato de usar a expressão “tem um enorme desafio pela frente” significa que o saneamento está uma merda (com ou sem trocadilho, pode escolher).

Fui lá dar uma olhadinha. Em comparação com o levantamento de 2009, São Paulo (a cidade), passou de 22. posição para 18., o que é de comemorar. E lá venho eu com minhas ponderações de sempre:

Eu acho é muito o que a Sabesp faz, tendo em conta que a cidade, em teoria, tem mais de 11 milhões de habitantes. Em teoria, porque na prática do saneamento, põe mais o dobro disso que vem todo dia trabalhar aqui. Como creio que todos são limpinhos, dão descarga de n. 1 e n. 2, lavam as mãos, lavam louça e muitos tomam banho, então é muito maior a quantidade de gente que a Sabesp atende na cidade.

Põe nisso aí também o fato de que muito do esgoto que paira em São Paulo, no Tietê, vem de cidades lindeiras que capengam muito no ranking, levando em conta que levam pra casa diariamente o dim-dim que ganham aqui.

Quem sou eu pra debulhar esses tabelões, não é mesmo? O que sei é que São Paulo está na cada dos 90%, 95% de cobertura de esgoto (e 100% de cobertura de água). Quando há reclamações de falta de esgoto (e essas sempre vão parar escandalosamente nos jornais), são sempre de regiões fronteiriças, tipassim, vim morar no mato porque é mais barato e agora exijo os serviços públicos). E d-lhe o poder público correr lá pra providenciar infraestrutura.

Eu não ia, não. Porque daqui a pouco está lá a Sabesp em Belllllford Roxo (RJ, 77. lugar no ranking) providenciando cano para novos moradores da “periferia” de São Paulo.

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8 comentários em “Novo ranking de saneamento BR”

  1. Pode ser que até hoje tenha quem construa casas e não faça ligações das casas nas linhas da SABESP. Isso quando, ao encontrarem um veio d’água no terreno, sequer comunicam a empresa para testar a água quanto à potabilidade ou outros usos. Simplesmente jogam terra por cima e também não ligam os canos nas linhas da SABESP. Nesses casos os vazamentos podem ser de adutoras, por exemplo. A empresa poderia resolver esses problemas sem que as garagens das casas engolissem carros na garagem.

  2. Verdade. Temos uma empresa de conceito mundial e ninguém dá a mínima bola. Só quer chegar em casa jogar as coisas pelo ralo, tomar sua água filtrada e fim. Mesmo tendo aterrado um olho d’água e jogue dejetos em córregos.

  3. Político – com as exceções de praxe – jamais investe em saneamento porque é uma melhoria que não aparece a céu aberto. Não dá pra capitalizar eleitoralmente.
    Copa e Olimpíadas, bilhões desperdiçados no oba-oba!
    Se todos esses recursos fossem carreados para a infraestrutura saneadora…Má-quê!

  4. É o que eu sempre digo.

    Com o que vai se gastar em Copa e Olimpíada, poderia se escolher o problema nacional a resolver.

    – Saneamento básico;

    – Habitação popular;

    – etc…

    Geraria exatamente o mesmo número de empregos, a mesma indução econômica, o mesmo retorno tributário… só não seria tão vistoso e afeito a oba-oba como Copa e Olimpíada… só que deixaria um legado perene, e não estádios sem utilidade depois.

    A SANEPAR também é eficiente guardadas as proporções, o problema aqui, é que em São Paulo há mais vontade política em atacar o problema. Como aqui o problema da poluição existe e é visível, mas nós não temos nada nem próximo de um Tietê, os políticos não dão bola. Aí, as condições foram dramatizando e não teve mais como fugir de um processo de revitalização dos rios a partir de uma ação franca… e aí é que se encontra o problema, aqui eles vão deixar a situação ficar dramática em algum aspecto, para só depois darem valor à SANEPAR e incentivá-la a ser mais abrangente.

  5. Falando em rio…
    Só pra se ter uma ideia, o Tâmisa era tão poluído quanto o Tietê em Sampa ou Belém e Iguaçu em Curitiba.
    Na metade do século XIX, as sessões do Parlamento inglês, que fica às margens do rio, tiveram que ser suspensas devido ao mau cheiro.
    Depois de bilhões de libras investidos no saneamento e décadas de conscientização da população em questões ambientais, hoje o Tâmisa tem centenas de espécies de peixes. Até salmão é encontrado em suas águas!
    Quer dizer: solução há. Entonces…

  6. E que se faça o elogio:

    Em São Paulo, prefeitura e governo estadual têm trabalho há décadas para revitalizar o Tietê, e nunca pararam. É claro que as dificuldades são grandes e que o problema vem de dezenas de municípios que nada fazem… mas ninguém pode dizer que em SP não há ação franca para corrigir o problema.

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