Nas madrugadas perdidas…

Ontem, perdidaça com o zoião aberto lá pelas altas horas, topei com um documentário sobre o Massacre de Munique , quando um grupo de cinco terroristas palestinos – o Setembro Negro – fez reféns onze membros da equipe israelense durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972.

Bem, eu sabia da existência do episódio, mas nunca fui atrás de detalhes, sabe como é? Não li livros, não vi o filme do Spielberg, nada!

Não sei o que mais me afligiu: a extrema violência do fato em si – a primeira manifestação nhé-nhé-nhé palestina -, a espetacularização da desgraça ou o completo despreparo da polícia alemã na época.

É claro que nessas minhas impressões há certo componente infantil. Se a gente se aprumar no raciocínio, concluirá que o ano de 1972 está há milênios de distância do que vemos e apreendemos (a humanidade como um todo, digo) em termos não só de aperfeiçoamento policial, como de comportamento, normas de segurança para civis, e tal.

Mesmo assim, olhando as imagens, custa-se a crer que já fomos tão toscos. Pra falar a verdade, a única coisa moderna naquilo tudo foram as instalações da Vila Olímpica, o estádio, tudo muito bacana – esteticamente, não faria má figura hoje.

O episódio ficou para a polícia alemã como o incêndio do Joelma ficou para nossa legislação predial e para o Corpo de Bombeiros. Após o fracasso da “operação policial”, o governo alemão ficou tão micado que criou o GSG 9, uma unidade contraterrorista especializadíssima (e que todo mundo copiou).

Well, para quem tem interesse no assunto e certa má vontade com a programação televisiva, acho que vale a pena abrir uma exceção. Porque – essa é a parte legal -vai reprisar. A parte chata é que será na madrugada de amanhã, terça pra quarta, às 4:30 (GNT). Se você pula da cama cedo…

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11 opiniões sobre “Nas madrugadas perdidas…”

  1. A olimpíada de Munique praticamente redefiniu o conceito de organização de jogos dessa natureza. Depois de lá, todo país que recebe o encargo tenta fazer algo maior e mais suntuoso, O estádio olímpico de Munique é de arquitetura lindíssima e inovadora, o que é apenas uma parte do todo.

    Mas a tosquice policial de lá não era diferente de lugar nenhum no mundo. O mundo ocidental não tinha a menor idéia do que era terrorismo naquele tempo, o máximo que ele experimentara eram casos isolados aqui ou acolá ou a observação do que acontecia no oriente, que era considerado “coisa de bárbaros”, mas nada tão grave e com tanta disposição em atrair as câmeras e holofotes. Não se sabia o conceito de “guerra assimétrica”, só se sabia o conceito de guerra, onde o mais forte vence o mais fraco e finito! Talvez 1972 tenha sido o marco inicial da guerra assimétrica do terror contra o mundo e do combate ao terror…o terrorismo “pegou”, no sentido de se disseminar justamente porque com ele, o mais fraco nem sempre perde e muitas vezes empata.

    Assim, a polícia era tosca mesmo, ninguém imaginava que ela teria que enfrentar um caso assim. O exemplo que você usou é correto, o Joelme redefiniu as normas brasileiras de segurança predial e mais que isso, o combate a incêndios. Até então, ninguém imaginava que uma tragédia daquele porte pudesse acontecer…

    …e faço um “off topic”: será que no RJ as normas de fiscalização de prédios vão mudar depois daqueles desabamentos? Duvido…

  2. Excelente documentário este. Chama-se “Um Dia em Setembro”. Ouvi falar dele quando li a crítica da Isabela Boscov para “Munique”, do Spielberg, mas muitos anos depois do lançamento do filme. O filme do Spielberg, aliás, estou para rever há um bom tempo, e tudo indica que tendo a não gostar…

  3. Lembro de ver ao vivo uma repórter pedindo para que as pessoas levassem leite até o local do incêndio no Joelma. Melhoramos também, né?

  4. Fábio, fiquei realmente pasmada com a beleza de tudo. Não só o estádio, mas as instalações, a área de recreação do atletas… Tudo muito bacana, e o melhor: um tipo de arquitetura/design que não era datado. Sobre a polícia, até fiquei pensando que a Alemanha estava em outra vibe, cansada que estava daquele passado de horror que tanto envergonha os alemães até hoje – deve ser um peso doloroso. Então era aquela coisa de paz e amor, ao contrário de Israel, cujo trauma e os conflitos da época lhe renderam forças de segurança armadas até os dentes e na defensiva/ofensiva eterna. A se pensar, não?

    Agora, meu phylho, esquema no Rio é outro, viu? Blindam a parte ruim, o povo acata e chamam as forças de segurança federais pra proteger todo mundo naquele caminho de minhoca dourado. O Rio é uma salsicha, e isso favorece os bloqueios. Sobre a segurança dos prédios, lamento informar, nem lá nem em SP nem em lugar nenhum vai dar em nada. Na cabeça das administrações, esse é um problema no nível de condições das calçadas ou de liberação de alvará.

    Pão com Manteiga, eu nunca soube da existência desse documentário. E ele não é novo, dá pra perceber. Quem puder ver, ou gravar… Sobre o filme do Spielberg, também não tenho vontade de ver. Acho importante, e tal, mas tenho certo fastio com questões judaico-israelenses vistas pelos próprios.

  5. Daria tempo, ainda de mandar a Copa e as Olimpíadas para outro lugar?
    Depois de um grande mandatário brasileiro dizer da abertura na Inglaterra, que “faremos melhor com uma escola de samba”, dá para ficar muito tenso…hehehehe…
    Não pela escola de samba, pois, faltou dizer, também, da capoeira!!!…Mas, do conjunto da obra. O que se faz melhor, aqui, do que em outros países sobre muitas coisas?
    Será que há um plano de fazer o Cristo Redentor alçar voo? Ou um gigante de pedra levantar-se da costa litorânea e caminhar sobre as águas para acender a tocha?
    Melhor mandar para outro lugar…

  6. Até então, o terrorismo internacional organizado não havia ainda mostrado as garras. Os palestinos não chegariam à vila olímpica (é esse o nome que se dá àquelas instalações?) com todo aquele armamento pesado e sem ser detectados antes, sem grande ajuda do terrorismo internacional organizado. Depois, verificaram que havia até terroristas japoneses (??) envolvidos indiretamente no atentado. Não posso concordar que a polícia alemã foi “tosca”; era uma situação inesperada, sem precedentes.

  7. Esses dias assisti um programa de turismo, apresentado por um desses maridos e “modelos e atrizes” cujo nome não me lembro. Entre merchans irritantes, ele estava mostrando Munique, numa série sobre cidades que receberam olimpíada.

    É simplesmente fantástico que, passados 40 anos, a arquitetura do Parque Olímpico, do Estádio Olímpico, do Centro de Natação, etc… ainda sejam contemporâneas, nada têm de ultrapassadas! E é bonito de ver como tudo aquilo está lá a serviço da comunidade, são equipamentos em uso pleno pelos alemães… diferentemente do que aconteceu com os do Pan2007 (abandonados em sua maioria) e do que vai acontecer com Rio2016.

  8. Exato, Refer! A gente usou “tosco” de uma perspectiva atual, mas de maneira nenhuma a polícia alemã era menos preparada em relação a outras da época. E tem toda razão, até então não se conhecia terrorismo internacional assim, nessas bases.

    Fábio, essa é a parte mais bacana: foi feita para uso do povo, normal. Como planejamos tudo pela cabeça despreparada dos políticos (e até técnicos mequetrefes), nos sobrarão fantasmas. O Engenhão só anda ocupado porque o Maracanã está em obras. Depois, voltará ao status de sempre: Engenho de Dentro, só na muxqueta do Jorge Benjor.

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