Primeiro debate na Band

Olha… confesso que não vi até o fim. Tinha mais o que fazer – dormir, por exemplo.

Não é por nenhum espírito autoritário – sei que todos os candidatos têm direito a aparecer -, mas enerva perceber que se dão minutos preciosos a gente insignificante. Gente insignificante não por causa de pesquisas, mas de “ideias” mesmo.

Ver Chalita falando holisticamente; Haddad destacando sua “ética” e a de seu governo – chegou a dizer que agora, com o PT, “teve julgamento do mensalão => logo o governo FHC era corrupto”; Russomano torturando números para fazer parecer que a cidade vive uma tragédia e propondo abobrinhas sobre segurança pública; e Gianazzi fazendo merchã do livro A privataria tucana; é muito triste para uma cidade como São Paulo, que requereria, no mínimo, um debate mais elevado, mais sintonia fina.

Soninha estava segura e perfeitíssima, dizendo o que tinha de dizer – inclusive jogando na cara de Haddad que o problema do trânsito não se resolve com medidinhas, é mais sistêmico e envolve incentivos equivocados do governo federal. Soninha é um ótimo elemento político – pode ter um cargo em uma prefeitura séria. Mas a prefeitura? Ainda é cedo. Ela é verde em alguns aspectos. Não tem posição muito definida em setores polêmicos e não sabe muito trabalhar sob pressão (lembro disso de quando era subprefeita da Lapa). Às vezes enche esse negócio de ela ser muito simples, e tal. Se um dia se tornar prefeita, terá de largar tudo o que a faz pop: andar de ônibus, de bicicleta, disso e daquilo.

A parte ótima – do que vi – foi quando Serra desfiou os avanços significativos no transporte paulistano – mais metrô, integração com a malha ferroviária em processo de modernização, o monotrilho – e jogou isso no colo de Levy Fidelix, que teve hombridade em reconhecer os feitos no setor: “Não combinamos nada, mas você me jogou uma bola nas mãos muito boa. Queria te parabenizar”, disse Fidelix, arrancando gargalhadas da plateia.

Houve um momento de faíscas, quando Serra e Haddad falaram de impostos – a malfadada taxa do lixo de Marta, lembram?:

Serra e Haddad voltaram a se enfrentar quando o tucano disse ter eliminado a “malfadada” taxa do lixo, criada na gestão Marta. “A troca da taxa do lixo pela do carro (inspeção veicular) não foi boa”, retrucou o petista, tentando fugir do fardo político da ex-prefeita Marta. O tucano voltou à carga: “A taxa do lixo não foi substituída por nada. Foi uma aberração criada na gestão do PT.”

De resto, muito franco-atirador (veja no Estadão um resumo e, de baixo para cima, a narrativa ponto a ponto).

Acho, por exemplo, fantástico usar o fato de que Paulo Maluf é procurado pela Interpol. Assim: o pedido foi feito há alguns anos por uma autoridade judiciária de Nova York. A Interpol “o procura”, mas, veja bem, o Brasil não tem em suas leis previsão de obrigatoriedade em entregar quem quer que seja à polícia internacional. A Interpol não pode simplesmente entrar aqui e caçar o deputado. Se absurdo há nisso, choque-se com nossas leis, e não com o fato de Maluf circular por aí impune.  Isso é a realidade. O que não significa que qualquer partido ache normal se aliar a ele.

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16 opiniões sobre “Primeiro debate na Band”

  1. O último debate que assistir foi aquele primeiro entre Serra e Dilma ano retrasado.

    Agora não assisto mais.

    Não aguento o tatibitati, a mania de falar sobre o óbvio, as acusações rasteiras, a apresentação de documentos que o telespectador não tem como ler, as idéias tortas, a incoerência e a cara-de-pau de dizer que fará algo quando todo mundo sabe que fará o contrário.

    O debate foi para a mesma lixeira do horário eleitoral. Não serve para nada, não esclarece, não me convence de dar o voto para quem quer que seja.

  2. Isso é que me intriga, Fábio. Cidades grandes, capitais, que têm entre seus moradores um contingente de especialistas, bons mesmos, advindos da academia ou não. Cadê esse pessoal? O que tem de tão ruim na política que acaba afastando as pessoas que pensam suas cidades? Às vezes penso – radicalmente – que um cargo público não deveria ter salário. Que os caras, assim que eleitos, deveriam, com familiares e próximos, ter suas contas abertas, extrato permanente liberado na internet. Espantava 95% da turminha da tintura de cabelo.

  3. É que a era da mediocridade se mostra mais clara na eleição em São Paulo, Leticia. Não me lembro de uma eleição com candidatos tão ruins. Tirando Serra e Soninha ninguém ali tinha a menor noção de números, nada! Depois do Lula na presidência, qualquer babaca sem informação acredita que pode ser administrador público. Ainda chega o dia do Tiririca fazer pronunciamento em rede nacional.

  4. Leticia, não daria certo, não. Há alguns anos, vereadores não recebiam pelo trabalho e creio, com cerca de quase 60 anos de certezas, exceto por alguns abnegados, nada de “mais melhor” era realizado. Pena. Tb. não assisti o debate e ainda não li nada. Mas o ungido vai querer fazer dobrada com o do PRB e transformar São Paulo numa terra arrasada. Não deu certo uma vez e não vai dar outra vez. Mas, pode dar colocação na pesquisa e mais recursos para a campanha. A grande tarefa do ungido será de perder, sem ter colocado todo o seu partido a seu favor. Sina danada essa. E esse que citou o tal livro da privataria, deveria ser perguntado por que nada foi reestatizado. E por que o governo não estatiza a Petrobras, por exemplo.

  5. Eu tentei assistir mas também sucumbi ao sono, que veio forte porque no dia tive de sair cama às 5:00 hs. Acordei na madrugada com a gritaria de um daqueles shows de horrores “comandado pelo Apóstolo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus”. Credo!

    Notei que hoje o comentário geral foi a respeito da nova tintura “cabelos mais negros que a asa da graúna”, e seguramente não “mais longos que seu talhe de palmeira”. Será que ainda veremos candidato de “peruca Iracema”?

  6. É aquela ‘estória’: quando os donos abandonam a casa, os ratos sobem na mesa.

    A mediocridade é geral. De Norte a Sul.
    Aqui, em terras onde o fantasma do cacique Tindiquera assombra os pinheirais, até o filho do Ratinho, pasmem, achou-se no direito de disputar a prefeitura de Curitiba. E o que é mais espantoso, ostenta altos índices nas pesquisas. Caso estas ainda tenham credibilidade.
    A cidade que tanto orgulhava-se da ‘griffe’ Jaime Lerner, vê-se agora entregue à escória da politicagem local. Já tô pensando seriamente em anular meu voto.

  7. Isso é difícil, essa modalidade proporcional com coligações, que vigora no sistema eleitora brasileiro.]Certa vez, em São Paulo,venceu o Cacareco, um rinoceronte do Zoológico.
    Depois e antes,m venceram pessoas, mesmo, que não agradaram muito.
    Olha, o importante é não desistir.
    É difícil, mas tentar não capitular na hora do voto.

  8. Todas essas coligações espúrias são frutos da infidelidade partidária.
    Tudo no Brasil é deturpado.
    As legendas políticas transformaram-se em abrigos seguros para todo tipo de aventureiros fisiológicos ou rapinantes do erário.
    Usam a ‘Coisa Pública’ como pretexto para se imiscuírem no sistema. Entram como predadores, pouco se importando com os interesses maiores da sociedade. Esta, como sempre, acaba sendo a maior prejudicada dentro desse loteamento eleitoral.
    Consequentemente, nossa democracia capenga vai ficando cada vez mais anêmica, fraca. Sem contar que sempre há olhares gulosos dos aprendizes de ditador à espreita.

  9. Paulo, que experiência horrenda! Acordar assim, do mingau das almas, e perceber que você estava com o sono sintonizado no som dessa coisa!

    Uma vez fui apresentada a esse senhor. Ele é branco como a cera. Parece saído de um lava-rápido.

    Dereck, a droga da várzea da vereança é que o povo fica com o olhar enevoado e não consegue enxergar os bons. Este ano não tem nem o que pensar: vou de Andrea matarazzo e pronto.

    Dawran, uma vez venceu o Cacareco. Na outra, Janio Quadros. Na outra, Luiza Erundina, e depois o Pitta. E depois a Marta. Cada coisa…

    Schu, mas você veja a sutileza da estratégia do Serra. Se aliou ao lava-rápido aí, todo mundo caiu de pau nele e simultaneamente Haddad foi pro buraco, fazendo emergir Soninha, que é verde mas é honesta. Adorei a manobra, sinceramente.

  10. Leticia, por isso, creio, ao menos, que o impedimento de coligações para candidaturas proporcionais, aliviaria um pouco os problemas de votar em um e levar uma trempa, de que ninguém nunca ouviu falar, dependurada nos votos dos puxadores.

    E também acabar com esse negócio de suplente de parlamentar em todos os níveis. Suplente deveria ser o mais votado dentre aqueles que não atingiram os coeficientes exigidos e não o financiador, o primo, a esposa, a vó, o pai, o irmão…do candidato titular. Do jeito que está, vota-se em um e leva de roldão uma família inteira revezando entre si o mandato sem receber um voto sequer.

    Em alguns casos, poder-se-ia realizar uma nova eleição para suprimento de vaga na falta definitiva do titular. Na falta não permanente, até 90 dias, só. Depois disso, novas eleições.
    Na realidade, melhor seria que fosse assim para todos os cargos proporcionais e pronto.

  11. Leticia, por isso, creio, ao menos, que o impedimento de coligações para candidaturas proporcionais, aliviaria um pouco os problemas de votar em um e levar uma trempa, de que ninguém nunca ouviu falar, dependurada nos votos dos puxadores.

    E também acabar com esse negócio de suplente de parlamentar em todos os níveis. Suplente deveria ser o mais votado dentre aqueles que não atingiram os coeficientes exigidos e não o financiador, o primo, a esposa, a vó, o pai, o irmão…do candidato titular. Do jeito que está, vota-se em um e leva de roldão uma família inteira revezando entre si o mandato sem receber um voto sequer.

    Em alguns casos, poder-se-ia realizar uma nova eleição para suprimento de vaga na falta definitiva do titular. Na falta não permanente, até 90 dias, só. Depois disso, novas eleições.
    Na realidade, melhor seria que fosse assim para todos os cargos proporcionais e pronto.

  12. Dawran, suplente de parlamentar é A CARA do Brasil pendurado em carguinho, do Brasil pobretão, do Brasil que não produz e quer amarrar o burro na sombra, nem que seja por míseros quatro anos.

  13. Então, Leticia. Seria o caso do Parlamento mexer-se um pouco, dos partidos mais representativos etc…Mas, isso é sonho. Ninguém está afim de algo nessa direção.

  14. Só um levante popular. Mas como, se quem não tem um carguinho está na fila pra ter? Uma vez ouvi o Cony dizendo que o setor público é a espinha dorsal do emprego no país, e isso nunca mais me saiu da cabeça. Pensando bem, isso é a nossa desgraça.

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