Você corre da polícia?

Estava vendo agora pela manhã no Bom Dia SP cenas da manifestação no Ibirapuera dos parentes do “empresário” (gosto das classificações de jornais) morto em blitz da PM na avenida das Corujas, em SP.

Sempre é necessário dizer que obviamente não sou a favor da truculência policial, nem de policial metido a justiceiro, nem da PM como categoria social de terror.

Mas fico aqui pensando o que leva um cidadão a “fugir da polícia”. Nem vou usar o argumento natural que nos vem à cabeça: “Ah, tinha culpa no cartório”.

O que fico matutando é quais os caminhos que levaram nossa sociedade a criar um medo da polícia – um antagonismo entre cidadão e polícia.

Polícia, eu digo, num conceito amplo. Vocês se lembram do pós-11 de setembro de 2011, quando instalou-se um procedimento de revistas em aeroportos. Nos EUA a coisa segue firme e forte. No Brasil, como sempre, foi só nos primeiros dias, como de rotina nesta terra. Vocês lembram como cidadãos (de bem) ficavam indignados pelo fato de serem revistados?

No BR, é difícil alguém entender o conceito de “é para sua segurança”.  Consideram uma revista, ou uma parada em blitz, ou uma simples apresentação de carteira como um acinte à SUA pessoa, ao SEU individual.

Bem, pra começar isso denuncia o que vai nas nossas cabeças desde os tempos de Pero Vaz de Caminha: uma separação bem nítida entre cidadãos “legais” e o “resto” e  – e que a polícia é obrigada a adivinhar. E a impressão que tenho é que os tempos de ditadura militar acirraram essa noção, um tanto falsa, de que a “polícia aborda qualquer um na rua, a troco de nada”.

Dentro disso, só posso concluir que nossa sociedade não é, não pode ser e nunca será igualitária. Se qualquer cidadão tem direito a moradia, a trabalho, a alimentação e a ir e vir – tema queridinho e interpretado à larga por essa mesma classe “de bem” -, me parece concludente que qualquer cidadão tem direito de ter uma polícia que a proteja. De qualquer um.

O fato aconteceu às 10 e meia da noite de uma quarta-feira, entre o Sumaré e o Alto de Pinheiros.  O carro do empresário vinha em alta velocidade (não sei por quê), e, ao pedido de parada, fugiu (não sei por quê).

Por quê? O que leva um cidadão a decidir que não parará para a polícia?

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17 opiniões sobre “Você corre da polícia?”

  1. Perto de casa sempre tem fiscalização policial. Ao passar pela barreira formada pelos policiais costumo acender a luz interna e abrir os vidros. Nunca fui parado nesses casos. Simples, não?

  2. Né? Qual é o problema? Nessa mesma reportagem, outra manifestante, mãe de um rapaz de 14 anos que foi morto fugindo da polícia Um horror, sem dúvida, mas por que ele fugia da polícia? “Levou um susto”, a mãe disse (e mães sempre sabem tudo sobre o acontecido). Como assim levar susto com a polícia? Rapazes deveriam ser ensinados por seus pais a se comportar em situações assim. Para, se deixa revistar e pronto, oras. Senão vão pensar que seu filho é marginal, sequestrador, traficante, etc., não é mesmo?

  3. No nosso país algumas (ou muitas?) pessoas pensam que as leis só devem existir e serem obedecidas pelos outros, pois se consideram especiais ,acima dos mortais comuns. As blitz da policia, é uma coisa chata e desagradável.
    Infelizmente é aquela famosa lei do coitado do Gerson:” levar vantagem em tudo”, inclusive sobre a policia. O cidadão(ã) vai beber e dirigir como um louco e se for parado vai espernear e acusar os policiais. Lembram da juiza e filha?Um caso entre muitos.

  4. Ei, peraí! A polícia não tem que adivinhar nada, tem é que INVESTIGAR! Blitz é coisa de país onde todos são suspeitos de algo. Daqui a pouco a gente não vai ter mais R.G. , vamos ter salvo conduto para ir e vir…
    Eu fiz algo de errado? Sou procurado pela Interpol? Estou dirigindo de forma temerária? Meu carro se parece com carro de fuga de assalto a banco? Meu farol traseiro está quebrado? Não? Então a polícia me para pra quê? Que a polícia corra atrás de bandido e me deixe em paz.
    E aí alguém diz: “Ah, mas a polícia estadunidense também faz blitze.. Eu vi nu filme do Istalônei…” É, tem blitz lá, sim, mas só logo após um assalto ou assassinato no “perimeter”. Lá eles te param numa blitz para investigar algum crime específico sério e não pra checar o seu bafinho..

  5. Desagradável. O fato, consequente ou gerador, é a ideologização da criminalidade e da sua inibição. O novo código penal, pelas propostas, parte delas, as que deram para ler e ouvir comentários, descrimina muitas coisas. Inclusive posse de drogas, furtos etc.
    Isso deve causar problemas tanto para o cidadão, como para a polícia. Esta terá de substituir a metodologia de investigação atual e criar e treinar “csis”. A Ciência tenderá a substituir a chamada repressão, sem porém, deixar de ter presença ostensiva nas ruas. Já o cidadão, terá sempre de ser discriminado de alguma forma, quer fure uma blitz ou faça algo que seja considerado ou entendido como suspeito. Ou que seja uma ação de rotina. A rigor, nenhum cidadão deveria ser ou sentir-se incomodado pela/com a polícia. Afinal trata-se de segurança pública. Coisa desagradável, que pode voltar a ocorrer.

  6. Eu não sei porque raios, mas tem um posto de polícia entre Curitiba e Rio Branco do Sul, na Rodovia dos Minérios, por onde eu passo todo dia ou quase todo dia. E praticamente TODA semana os caras me param e pedem meus documentos e nem por isso me sinto incomodado.

    Outra vez, fui convidado a fazer o teste do bafômetro numa segunda-feira às 10 da manhã, voltando de uma audiência no forum de Paranaguá, realizada as 9 da matina. Nem por isso, me achei injustiçado.

    A questão é a mesma de sempre: brasileiro só acha que tem direitos, só pensa naquilo que o Estado e o resto da sociedade pode lhe dar, mas não se preocupa com a contraprestação, que seria no mínimo observar as leis e as regras de bom convívio social. Daí a Lei proíbe o cara de beber e dirigir e a anta enche o rabo e sai dirigindo, um dia ele encontra uma blitz e acelera para fugir do que ele sabe que no mínimo será uma grande incomodação, mas ele não atina para o fato do policial ter muitas formas de interpretar aquele ato, afinal, policial não lida todos os dias com bebuns simpáticos, muitas vezes, encara gente barra pesada.

    Não estou dizendo que o publicitário estava alcoolizado, nem que a polícia tem razão em tudo e muito menos que o fato em questão não foi desastroso, estou dizendo que o brasileiro médio tem desprezo pela Lei em absolutamente tudo em que ela o incomoda, o brasileiro médio se acha acima dela, naquela linha do público que não é de ninguém e do privado que é só do privado.

    Embora o Flavico aí em cima tenha ótimos argumentos, eu discordo dele. A PM não é polícia investigativa, a PM é polícia ostensiva, ela não faz o papel de polícia judiciária e portanto, ela pode, sim, fazer blitz em favor do cumprimento da Lei, a função investigativa é de outro órgão (a civil). A Lei é mais importante que a suspeição inerente a cada situação…

  7. A grande maioria das pessoas se incomoda com a tal porta “panda” dos bancos. Ninguém imagina se a tal agência pode ser assaltada ou não. E sempre acusam o coitado do segurança de apertar o tal botão.

  8. Pois é. Só reclama de blitz, revista ou abordagem policial, quem tem alguma pendência com a “justa”!
    É aquela ‘estória’: malandro que é malandro, é honesto. Quem chia é mano otário que se acha ‘exxssperto’. Hehe!

  9. Eu não tenho carro, portanto nunca fui parada numa “blitze”. Estive nos Isteitis, passei pelas revistas todas, passei no scanner, tirei os sapatos, tive minha bolsa revistada a cada entrada de prédio público. Eu leio jornais e sei o que se passa. Acho um saco portas de bancos? Sim. Um preço a pagar pela SEGURANÇA. E, Sr. Flavico: o carro pode não ser o do crime, mas os bandidos podem ter trocado, na fuga. Vi em outros filmes que não o do Istalone.

  10. Pois é, Fabio Mayer.
    Tudo, parece ao menos, tudo, é feito para complicar a polícia. A militar, porque tem de enfrentar e entrepor-se entre a vítima e o agressor. A civil, porque tem de investigar, além de também entrepor-se entre a vitima e o agressor. Uma hora, é reação policial com força maior do que a necessária. Outra hora, é a falta de investigação da polícia. Outra hora, é a tentativa de politizar a polícia, causando conflitos entre uma e outra. Olha, chega uma hora que tudo isso explode. Não tem jeito. E pode explodir de alguma forma e em algum lugar, infelizmente. Melhorar? Sim, o quê? Por exemplo, a classe média média e a recente “emergente”, coloca seus filhos na carreira policial? Não. A classe alta alta, idem, não. A classe alta, também idem não. Os ideológicos estimulam seus filhos a serem policiais, seus alunos, seus militantes jovens? Não. Oras…então como fazer para melhorar? A policia será reflexo do cidadão brasileiro, oras bolas. Melhor ou pior, o povo do nosso País não é finlandês. E a polícia não é Scotland Yard dos velhos tempos. É a polícia brasileira. Não vai aqui preconceitos, mas, cada um tem as organizações que consegue criar, oras. E dentro do que há por aqui, a polícia consegue ser além do satisfatório, em São Paulo. Defendê-la ficou sendo uma coisa de heroísmo, por causa da ideologização do crime, da vítima, do policial…E isso é um absurdo. Deveria ser normal e natural a polícia ser elogiada, pelas atividades que exerce. E criticada, em falhas. Aqui, é o contrário: o normal é descer a lenha.

  11. “Deveria ser normal e natural a polícia ser elogiada, pelas atividades que exerce. E criticada, em falhas. Aqui, é o contrário: o normal é descer a lenha.” Yeap!

  12. Quando jovem na década de 70 ( Faz tempo) atravessando a Ponte Pensil em S. Vicente vindo de Long Beach, de moto, uma patrulha militar parava todas as motos na saída da ponte.
    Recebendo a ordem do policial parei (não tinha habilitação de moto, era habilitado para autos, apesar de pilotar uma 7 galo) nisso, outro motociclista fugiu e foi metralhado. Morreu. Na confusão me liberaram sem nem checar minha documentação.
    Eu estava errado mas parei pronto a assumir a responsabilidade ter a moto apreendida, multa etc…. Fugir de barreira é burrice e como dizia meu Pai:- Quem é burro peça a Deus que o mate e ao diabo que o carregue.

  13. Acho interessante os problemas enfrentados nos aeroportos nas “Oropas” ou nos “Isteites”.
    Profissionalmente ou à passeio viajo frequentemente para Europa e EUA.
    Nunca fui revistado em nenhum dos dois. Nunca abriram minhas malas. Nem a minha nem da minha mulher algumas vezes viajando separados e encontrando lá.
    Nunca nem pediram passagens, seguro, fizeram perguntas ou seja lá o que for. Carimbam o passaporte e boa viajem. OBS: Passaporte Brazuca.
    Isso serve para a volta também. Não viajo para fazer compras. Levo a menor mala possível.
    Não paro no Free Shop. Com o tanto que bebo que diferença faz meia dúzia de Juanitos Caminadores?
    Mas levo pacotes e mais pacotes de L&M

  14. E esta noite três encomendados foram para a glória do Senhor por terem abordado um coronel reformado da Rota. Aguardamos manifestações espumosas do MP.

  15. Pelo que li aqui, basta correr da Polícia para legitimar a execução sumária. Pena capital, morte certa! Nós, o povo, fizemos constar na Carta Política que a pena capital não existiria no Brasil, mesmo com o devido processo legal. Certo e combinado, e pronto! Quem é essa gente que acha que pode matar? São do Estado? O Estado pode matar? Que Estado? Quem combinou isso? Vocês?

    É comum nos EUA perseguições policiais serem transmitidas pela TV. Até tem programas exclusivos, tipo Polícia 24 horas da Band, com diversos casos. Os carros da Polícia batem, capotam, mas ficam firmes até dominar o fugitivo. Tudo transmitido ao vivo. A nossa PM age diferente: vem em bandos, dão centenas de tiros, vão embora, levam os cadáveres para o hospital, e deixam no local dois perebas aguardando os caras do DHPP, para fazer o BO com a versão dos “sobreviventes”, já que a “versão contrária” foi silenciada para sempre. Estou mentindo?

    Ora, vamos elogiar a Polícia Civil que prendeu 7 bandidos no Center 3 e não deu um só tiro. Nem os seguranças do shopping desconfiaram que eram policiais de tocaia. Perfeitos!

    Vamos elogiar aquele pai que não se conformou com a “versão oficial”, investigou e conseguiu provar que o seu filho foi executado por PM, em Osasco.

    Vamos prestar atenção no episódio do cabo da PM carioca que contou na Rede Globo a versão do “confronto”, sendo desmentido por um vídeo amador dele atirando no suspeito algemado. Escancarando para o país a ideologia do policial militar que é atirar em indefesos, sem culpas. Uma monstruosidade que a ONU quer acabar!

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