Helicóptero era novidade… em 1950

Moradores da Lapa reclamando, e com razão, dos helicópteros que “cortam” caminho por lá.

Explicando: até uns dez anos atrás, a cidade de São Paulo era uma várzea na questão “sair voando por aí”. Qualquer zé-mané, qualquer emissora de TV, qualquer dondoca se enfiava num helicóptero e andava onde bem entendesse, na altura que lhe conviesse e no horário que lhe fosse conveniente.

Pela manhã, em dia de semana, era o inferno: simplesmente todas as emissoras tinham como regra, diariamente, cobrir o trânsito às seis horas da manhã bem em cima das residências, com seus Robôs, seus Cops, seus gaviões não sei de quê, não sei que lá dourados…

Eu mesma lembro um dia feriado, desses desertos, quando fui acordada às 5 e meia da manhã por um monstrengo da Rede TV! que cobria sabe o quê? Um troncho que destruía a grade de um prédio porque havia brigado com a namorada na madrugada.

Ah, tenha dó, né?

Desde então a Prefeitura botou a banca e baixou umas normas. Helicóptero só pelas marginais e acabou. Exceção, é claro, à PM (e ao comandante Hamilton, vá, mas mesmo assim, ele ainda pede autorização).

Entonces, voltando à Lapa. É um bairro que fica numa ponta, na junção das marginais Tietê e Pinheiros:

Veja as marginais, num amarelo mais destacado, formando como que a cabeça de um cachorrinho. A de cima, marginal Tietê. A de baixo, marginal Pinheiros. E a coitada da Lapa no meio. Lapa, Lapa de Baixo, Anastácio, Vila Leopoldina, Vila Hamburguesa, é tudo Lapa, e está tudo sob a vontade dos pilotinhos que economizam o quê? Dois minutos na barbeiragem? (Abaixo, a seta vermelha indica onde os pilotinhos cortam caminho):

A matéria do Estadão diz que a Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe) está lançando uma “campanha”.

Que campanha, pô? Se até cicista tem de seguir regra agora, por que piloto não seguiria? É multa e pronto.

Chega de achar helicóptero uma novidade, um jet-ski aéreo, um lazerzão sem mais nem aquelas.

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6 opiniões sobre “Helicóptero era novidade… em 1950”

  1. Li uma vez, não acreditei, que São Paulo é a cidade que tem a maior frota de helicópteros. Será?

    Notei que de um tempo para cá os ditos helicópteros sumiram de perto de casa. Há um hotelzão aqui perto (o Pestana) cujo movimento no heliporto mais parecia o do ponto de táxi que existe diante do Hospital Brigadeiro. Dia e noite um barulho infernal. A prefeitura deve ter enquadrado a direção do hotel; sei que há vários meses não baixa por lá um helicóptero sequer.

    (BTW, Pestana não tem cara de nome de farmacêutico?)

  2. Exatamente, Refer. Houve um tempo em que a coisa estava em limites insuportáveis, e baixaram normas. Ir de helicopterinho pro Pestana, faça-me o favor, né?

    (Pestana é nome de farmacêutico e de jogador da segunda divisão.)

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