Enquanto isso, na colônia…

Estou às voltas com José, de férias conosco neste frio miserável, e por isso meio longe do PC.

Mas não posso deixar passar, a título de registro, o lance da juíza do trabalho Yara Ramires da Silva de Castro, e a filha também adêvogada Roberta Sanches de Castro, que acharam que dava pra sapatear em cima de policiais numa blitz semana passada na avenida Paulista.

Acima o momento da filha espreguiçando na delegacia, mas o vídeo está aqui. Cá pra nós: ninguém em sã consciência vai achar que um membro da PM de São Paulo vai cometer arbitrariedades por aí, ainda mais numa blitz, e ainda mais num carro recheado de senhoras, não é mesmo?

Fatos como esse nos fazem pensar em como ainda é entranhada em nossa sociedade essa coisinha de capitania hereditária. O argumento das duas foi bem esse: a PM pode fazer blitz com todo mundo, MENOS com as fofas, que se dão ares de especiais e inatingíveis pelo que quer que seja.

Resultado: Yara está sob a Corregedoria Nacional de Justiça.  O órgão passa a acompanhar o caso para avaliar se é necessária a instauração de procedimento disciplinar.

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10 comentários em “Enquanto isso, na colônia…”

  1. Impressionante como essas coisas ocorrem.
    O famoso “…sabe com que está falando…?” não passa de um absurdo.
    Ninguém é dono individual do País, da coisa pública, que é de todos. Esse pessoal precisa captar isso de uma vez por todas.

  2. O problema é que uma juíza como esta sofre investigação mas não sofre punição.

    Afinal, o Lalau teve como pena administrativa a aposentadoria compulsória, ou seja, recebendo salário!

    E no máximo esta senhora vai receber é uma reprimenda dita “pública”, nada mais que isso.

    Agora imaginem como esta senhora atua no fórum, se achando uma deusa, uma ungida com a sabedoria absoluta? O que fala em favor dela, é que não é a única, aliás, é a regra entre os magistrados brasileiros simplesmente fazer o que bem entendem.

  3. Olha, mais uma vez, deve ser lembrado o Parlamento.
    As leis devem ser propostas, discutidas e votadas pelo Parlamento, cujos membros são eleitos exatamente para isso: auscultar o eleitor e criar leis.
    Independente do cargo das pessoas, a lei deve padronizar certas coisas, como privilégios que nada tenham a ver com a função.
    Por exemplo, não querer ser parada em blitz, não tem nada a ver com o cargo. Arrogância também não.

  4. Outro dia um automóvel, com placa federal, barbarizando…. na Lapa. Tudo na base da buzinada. Achei fofo e reagi com meu honesto dedo, não sem uma reprimenda da minha mãe, que ficou receosa por causa da “condição” do indivíduo. Não achei ruim. Ela é fruto de um tempo…

  5. Estão ocorrendo muitos casos de morte em blitz da Polícia.
    É preciso acalmar a situação e fazer o que estão fazendo o Comando e o Governador, ambos esclarecendo e dando os caminhos que seguirão.

  6. Casos como este acabam denegrindo ainda mais a já combalida credibilidade do Judiciário.
    Este importante poder da República está precisando passar urgentemente por uma purgação saneadora a fim de livrar-se de vícios atávicos.
    A grande maioria dos magistrados acha-se ungida pelos deuses. Sobrenadam acima das leis formando uma casta de privilegiados. Ainda não se livraram dos ares imperiais do século XIX.

  7. Ai, Dawran, isso me cansa. Há duas versões: as de sempre. De um lado, generalizam comportamentos de PMs. De outro, excepcionalizam comportamento de rapazes de classe média (traduzindo, respeitáveis). Pra mim, é no popular: se a polícia te manda parar, não fuja nem bata nos policiais. Fica tudo mais fácil assim.

    De qualquer modo, eu prefiro uma polícia que investigue a si mesma. Há opções piores.

    Schu, eu admiro muito o trabalho jurídico, tanto quanto desprezo a vaidade que envolve isso tudo.

  8. Leticia, cansa, sim.
    Porém, o bom, tem de sê-lo sempre.
    Não dá para tolerar esse tipo de comportamento, pois, a Polícia segue uma política se segurança definida pelo poder político. E o poder político não é autoritário.
    Também, as pessoas não precisam fugir de blitz.
    E policiais, por isso, não podem dar mais de 20 tiros no carro.
    Assim, fica muito ruim. A Policia continua merecendo confiança, mas será preciso muito trabalho para recolocar as coisas nos eixos.
    Há pouco tempo, policiais foram mortos, quase que numa escalada. Os facínoras foram contidos e presos.

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