Olha o tamanho da jaca

Com base na Lei de Acesso à Informação, a Folha exigiu e a Aeronáutica forneceu informações sobre os obstáculos no cone de aproximação dos aviões no entorno do Aeroporto de Congonhas.

Pra quem não sabe, o Aeroporto de Congonhas existe desde 1936, quando Jabaquara era praticamente Mata Atlântica. Por um monumental desleixo conjunto de município, estado e Federação ao longo dos anos, a área em volta da pista foi sendo ocupada carnavalesca e corruptamente, e o resultado é esse que sabemos.

Congonhas chegou a ser o aeroporto mais movimentado do país até 2007, quando aconteceu aquele acidente horroroso com o voo 3054 da TAM. Depois da tragédia foram tomadas várias medidas, que, se não solucionaram, pelo menos amenizaram os problemas. Hoje Congonhas não recebe voos internacionais e foi ultrapassado no ranking da movimentação por quem de direito, como os aeroportos do Galeão (no Rio), Cumbica (Guarulhos) e o Aeroporto de Brasília.

Mesmo que o Brasil chegue um dia a ter uma distribuição equilibrada de movimentação em terminais aeroviários, Congonhas ainda será uma ameaça ao entorno. Quem não lembra de outro acidente, em 31 de outubro de 1996, com o Fokker 100 da TAM, cuja queda logo após a decolagem resultou em 99 mortes?

Bem, tirar essa gente toda à volta do aeroporto é impossível. Veja o link da reportagem e constate que a presidente da Associação dos Moradores de Moema mora na cobertura de um prédio que ultrapassou a especificação da Aeronáutica em 1,60 metro.

Dá pra lidar com essa esquizofrenia?

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11 opiniões sobre “Olha o tamanho da jaca”

  1. Eu discordo de quando você diz que foi desleixo de município e estado.

    Porque aeroportos são responsabilidade da União.

    E quando uma construção atrapalha seu funcionamento, cabe à procuradoria da União embargar e impedir a obra. Porque a legislação de zoneamento de municípios é feita por câmaras de vereadores geralmente compostas por idiotas, analfabetos e ladrões que não entendem porcaria nenhuma do assunto e acabam aprovando o que acham melhor para seus interesses sem atinar para o problema federal, e muitas vezes, sem má-fé envolvida. Daí, o que acontece é que cabe à União compensar isto por meio de seus órgãos e instituições agindo com rigor, mas foi ela, a União, que não tomou a iniciativa de contestar a Lei de Zoneamento, de embargar as obras fora dos padrões aeroviários ou mesmo de pedir demolição… ficou no jogo do empurra para as autoridades municipais e estaduais e chegou a esta situação.

    Como é da União a responsabilidade, por exemplo, de não ser possível construir uma segunda pista no Aeroporto Affonso Pena de Curitiba, porque a área onde ela deveria ser construída por invadida e loteada sem que NENHUM procurador jamais tenha sido capaz de buscar a solução do problema via judicial.

    Como é da União a responsabilidade pelo acidente de 2007, até porque havia liberado a pista do aeroporto com obras por fazer, e aceitara o seu supercongestionamento por incompetência em tratar do problema, incompetência esta que se mantém e que ficará patente em 2014 durante a Copa do Mundo, quando teremos terminais provisórios, terminais ainda em obras, falta de pistas e uso emergencial de pistas militares para dar conta da demanda que a União não é capaz de atender por ser absurdamente politiqueira e incompetente.

    Estado e município pouco ou nada tem a ver com esse estado de coisas, porque se a Lei de Zoneamento diz “x”, cabe à parte competente dizer que esse “x” é “menos y”, mas não o fez.

  2. Fabio, o Aeroporto de Congonhas era particular. Pertencia ao Luiz Romero Sanson (um britânico, claro), cujo projeto era imenso (incluiu o autódromo, a avenida Washington Luiz e previa um imenso balneário na represa de Guarapiranga, com complexo hoteleiro e tal. Depois ele vendeu o aeroporto e o autódromo para o ESTADO. E em algum momento desse Brasil varonil os aeroportos pasaram a ser responsabilidade da Federação. Mas aí o entorno já estava essa maloquinha, hoje metida a chique. O Sanson, em seu projeto incial, previa uma área descampada em volta do aeroporto. Mas, you know, voracidade imobiliária não é de hoje. Por isso que disse ser o monstrengo um “conjunto da obra”.

  3. Acredite, Leticia.

    Quando os aeroportos passaram a ser responsabilidade e competência da União, ainda havia tempo desta tomar todas as medidas cabíveis para evitar o adensamento urbano no entorno de Congonhas. Se não me engano, data da constituição de 1946…

  4. “pelo menos amenizaram os problemas.” Sei não Leticia, fui a Porto Alegre na segunda e o avião teve que ficar numa fila atrás de três aeronaves para poder decolar. Eram nove da manhã e, além de ser feriado, o horário também não era de pico. E ontem no retorno (às 21:00 hs) o avião teve que dar umas voltinhas antes de ser autorizado o pouso.

    Eu creio que as medidas tomadas antes não surtiram tanto efeito assim. Os voos internacionais saíram, mas os domésticos aumentaram. Ao menos é o que parece.

  5. Bem, entornos de aeroportos não deveriam ser ocupados. Enfim, o entorno de Congonhas tem prédios e um mais alto, como dito no post, que será preciso fazer aeroportos flutuantes.

    Segundo estudo do IPEA, os aeroportos previstos para a Copa2014, não estarão operacionais na ocasião.
    “No atual estágio dos terminais de passageiros e considerando os prazos médios de obras de infraestrutura no Brasil, existe uma reduzida possibilidade de no início da Copa tudo estar pronto”, alertou na última quarta-feira o coordenador de Infraestrutura Econômica da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais do Ipea, Carlos Campos”, segundo informações da Agência Senado.

    Essa coisa de aeroportos são intermináveis.

  6. Acredito, Fabio. Mas ponha aí a parcela imensa de responsabilidade das sucessivas gestões na Prefeitura. Repita pra isso Guarulhos, que era um descampado quando foi construído e hoje é um favelão em volta.

    Claudio, sem dúvida o movimento viru uma várzea. Mas me refiro às tragédias. QUER DIZER, ESPERO que elas tenham cessado nesse nível.

    Dawran, dá um desespero, né? O Brasil viveu uma fase bem boa de onde não se aproveitou rigorosamente NADA! Em área nenhuma. Hoje um cara relou o retrovisor no meu braço. VIU que tinha mato alto na calçada, viu que eu andava pela beira do asfalto, viu tudo e não reduziu nem calculou. Devia estar a 40 por hora naquela rua estreita. Parou, queria burocraticamente me levar para o hospital. Disse que não era preciso – um hirudoid resolveu -, mas eu PEDI para o cara dirigir além da lei, com discernimento. Ele, parece, entendeu o que eu quis dizer. Mas tirou carteira, o hidrófobo. Era um menino. Um menino dirigindo um carro.

  7. Leticia, que babaca esse cara, não é?

    Ainda sobre aeroportos e aviação. Hoje em noticiário de rádio, uma nota da Anac lida, dizia que os pilotos de voos internacionais terão fazer exames de proficiência em Inglês. Como pode uma coisa dessas? Quer dizer que não há obrigatoriedade de serem fluentes em Inglês antes de ser autorizado a voar? Imaginava ser isso um pré-requisito, sem o qual, nem o curso de pilotagem seria iniciado.
    Impressionante.

  8. Dawran, sem proficiência em inglês, muito menos na direção. Hoje topei com um caminhão, e deu um flash. Constatei, aterrorizada, que o cara NÃO tinha condições de dirigir aquilo.

    Poxa, Claudio, não é pessoal. É que, se postasse sobre o Palmeiras, me veria obrigada a fazer isso com o São Paulo. (Brincadeira, é que não deu tempo, mesmo). Mas parabenizei no Tuínto.

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