Quer moleza?

Senta no pudim, né, benhê?

Do JB:

A partir da próxima terça-feira, os beneficiários do seguro-desemprego terão de realizar um curso profissionalizante gratuito em sua área de atuação para continuar a receber o benefício, informou a prefeitura de São Paulo nesta quinta-feira. A medida é válida para quem já solicitou o seguro em mais de duas ocasiões nos últimos dez anos. A pessoa que não se matricular ou desistir das aulas irá perder o benefício.

Para a realização dos cursos – que terão carga horária de 160 h -, os participantes irão receber auxílio-alimentação, transporte e material didático. A nova regra faz parte do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, do Ministério do Trabalho e Emprego (Pronatec) e valerá para os casos em que não houver oportunidade de trabalho compatível com o perfil do desempregado. Os cursos serão disponibilizados no ato de requerimento do seguro, diz a prefeitura, e a pré-matrícula deverá ser feita em uma das unidades do Centro de Apoio ao Trabalho (CAT).

De acordo com a prefeitura de São Paulo, os cursos só poderão ser recusados caso não haja capacitação para a função do beneficiário; se for a primeira vez do pedido; se o beneficiário estiver recebendo a última parcela do seguro ou se estiver cursando outro curso reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) com a mesma carga horária ou superior à oferecida; ou ainda se o candidato estiver participando de processo seletivo de emprego. (continua)

Bem, há cursos pra um monte de atividades, de cuidador de idoso a vitrinista, de jardineiro a manicure, de programador web a zelador.

Bem, na minha cabeça não entra essa coisa de uma alma se enfiar numa profissão e sair desempregado sem atualização, isto é, sem saber das últimas na sua área. Quando não por se interessar por um cursinho de atualização (que geralmente a empresa paga de bom grado), pelo menos por fazer uma coisa fácil: se enfiar na internet à cata de novidades.

É claro que em muitos casos não é essa facilidade toda, mas também é fato que em nossa cultura a criatura não costuma se mexer pra nada se não tiver um oá$i$ a lhe puxar a preguiça e a falta de interesse – a não ser, é claro, quando o assunto é TV.

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16 opiniões sobre “Quer moleza?”

  1. Conheço “gente” que a cada 6 meses faz acordo para sair da empresa e ganhar seguro-desemprego como renda extra ou como férias alongadas. Enfim, em um país de gente desonesta como o Brasil, não me admira que o serviço público disparado mais fraudado é justamente o seguro-desemprego.

    Da minha parte, penso que se o indivíduo recusar a reciclagem, deve ter o direito ao benefício suspenso por 10 anos independentemente de sua condição de emprego.

  2. Conheço empresa que não faz acordo de jeito nenhum. Vai torturando a pessoa até ela pedir demissão. É a praxe hoje nas PME. Tal é o patrão, tal é o empregado, que aplica rolinho até não mais poder, mesmo que casualmente o patrão seja correto. A relação que temos com o trabalho é cheia de recalques, coisa pra Freud mesmo. A relação com o dinheiro, então, é coisa pra junta psiquiátrica. Desde o congresso até a viela mais abandonada, quanto menor a quantia, maior o contorcionismo safado para obtê-la.

  3. Lets

    É impossível para uma pequena empresa manter um funcionário que não trabalha. Quem já teve um pequeno negócio sabe que é assim. É muito caro o custo.

    O que ocorre hoje, um aparente paradoxo entre o aquecimento do mercado de trabalho e aumento de pedidos do seguro desemprego, acho que tem mais a ver com o que disse o Fábio Mayer: fraude.

    Acho também que se trata menos da suposição de que muitos preferem “receber sem trabalhar”. Muitas vezes a demissão “forçada” (sem justa causa) ocorre de comum acordo. O trabalhador devolve “por fora” para empresa a multa de 40% sobre o FGTS e outros babados trabalhistas. Saca o FGTS, pede seguro desemprego e entra na informalidade até o vencimento do seguro. Com o mercado de trabalho aquecido, não é difícil a recolocação. Acho temerário afirmar que a maioria fica na vagabundagem. Claro que uns ficam. Mas outros, não. O nó é quantificar isso. Eu aposto mais na jogada como um truque para aumentar renda e para a empresa escapar da multa de 40%.

    Então, se for o que penso, a medida é uma tentava de impedir o truque. Oferta de cursos para trabalhadores é sempre bem-vinda, mas não por tal motivação (coibir a fraude).

  4. Leticia, um funcionário que não quer trabalhar porque quer ser demitido para ir pro SD é um tormento dentro de uma empresa.

    Aqui no escritório, já vi nos meus clientes tipos assim.

    – Chegavam bêbados;
    – Simulavam acidentes;
    – Ameaçavam causar acidentes;
    – Distribuiam bebida pros demais;
    – Eram insubordinados, não obedeciam ordens dos superiores;
    – Quebravam equipamentos, teve um que jogou uma chave de fenda em um moinho;
    – etc…

    Enfim, o empresário acaba aceitando a chantagem e fazendo acordo com o bandido, porque, acredite, justa causa é utopia, a Justiça do Trabalho simplesmente à ignora por pior que seja a falta do cara e ainda condena em danos morais…. acabam fazendo acordo para ter paz de espírito.

  5. Sou mais a linha do paulo araújo. Não dá para saber que os cursos de qualificação reduzirão as fraudes, mas, podem criar, ao menos, um cadastro mais atualizado, estatísticas de quantas vezes o cidadão acessou o seguro, em quanto tempo arranjou outro emprego etc.
    Isso tornou-se mais um prática de arranjar algum extra para pagar as conta dos bens duráveis, semi-duráveis e não duráveis comprados via carnets, cartões de crédito, consignado em folha, em CDC, ou de amigos etc.

  6. Meninos, é claro que todos agem de acordo com um sistema. O acordo é um comum acordo contra os tentáculos do Leviatã. Mas de parte a parte, em muitos casos, já vai além da safadeza: é um modo de agir e pronto.

    Não entra na minha cabeça uma pessoa ir levando, de emprego em emprego, só porque o mercado está aquecido, conforme o esquema relatado pelo Paulo. Isto é, não sei como a pessoa lida com a autoestima, rolando pela vida desse jeito. É nossa formação, encarar o trabalho cinica e indigentemente, como um mal necessário. Daí é que acontecem essas coisas fofas, de travar o moinho com uma chave de fenda.

    De qq. modo, creio que o sistema bolado pela Prefeitura acaba qualificando a cambada, o que traz (espero) mais respeito por parte do patrão e do trabalhador por si mesmo.

    Fora os registros para controle do mamulengo, citados pelo Dawran.

  7. Leticia,
    Como o que cresceu mais foram atividades para baixa qualificação, o fato citado acontece, talvez não pela estiam etc., mas por pura necessidade: um lugar mais perto de casa, poder dirigir um carro da empresa, tempo para bater uma bola e tomar umas cervejas durante a semana e outras coisas assim, que praticamente inexistem em empregos de maior qualificação.
    Enquanto a crise não chegar nisso ai, pena, mas, a sensação de “estar bem” vai permanecer. Até o fato de trocar de serviço só para pegar o fundo e auxílio desemprego.
    Esses dias, um conhecido, desse perfil, deixou o emprego, pois, o patrão pediu que ele começasse a trabalhar às sete da manhã. E ele queria dormir até as 8:00hs. e iniciar só as 9:00hs. como era antes. Só que a média empresa pegou um contrato de serviços que precisaria de entradas mais cedo e o contrato vai manter a empresa por uns dois anos, entende? Ao invés de sacrificar um pouco e tentar crescer junto, resolveu sair. Logo logo arruma outra coisa do mesmo nível e tudo segue a rotina. Agora está no AD.

  8. Complementando a questão da percepção de crise.
    A inflação, o IPCA, caiu pelo segundo mês consecutivo, apesar da demanda elevada, juros mais baixos, empréstimos e financiamentos mais fáceis etc.
    Só que o segredo, estaria na desoneração de impostos feita pelo governo. Tirando o imposto embutido no preço, este cai. Não é o caso simples de oferta x demanda por produto.
    No caso da gasolina, por exemplo, a Petrobras aumentou ou vai aumentar o preço para o distribuidor depois de muito tempo sem reajustes. Só que o governo vai deduzir a CIDE, um imposto regulador do mercado, para que, na bomba, o consumidor não se aperceba do aumento.
    Isso não pode durar muito. é um buraco cavado mais fundo a cada dia. E um dia ele vai ter de ser tapado.

  9. Uma pergunta
    Qual será o “cursinho” oferecido para alguém com curso superior, pós graduação e doutorado?
    Esses também ficam desempregados eventualmente e não são obrigados a aceitar salários aviltantes por uma nova posição que as vezes demora, e mesmo que não precisem do SD é direito adquirido.

  10. Dawran, minha cabeça é muito jeca pra essas coisas. Não concebo como uma pessoa pode estar bem sem uma atividade firmada. Nem digo emprego, mas uma carreira, um ofício. Uma grana no final do mês. Será que ela não percebe que essa facilidade toda de entrar e sair de emprego não lhe concretiza nada? E, quanto ao consumo, será que não vê que paga muito caro por tudo e que essa facilidade toda é ilusória?

    Não sei, Tea Party. São cursos mais básicos, creio. Mesmo assim, você entra nuna seara complicada. Os cursos superiores inflacionaram, então qualquer MBA da vida tem de se submeter às regras do mercado. E curso superior tb. não garante mão de obra qualificada, porque o “antes” tb. é todo carcomido. Brasil-il-il!

  11. Verdade, Leticia, mas é o que ocorre em casos cada vez maiores.
    E na base, o que se vê? Pessoas com I grau, ou I grau incompleto. Ou II grau, ou II grau incompleto.
    E ficam nessa, até aparecer uma outra oportunidade. Ai ele faz um acordo de não assinar carteira até terminar de receber o AD ou SD.
    O nome disso, deveria ser algo como “desalento”, mas, desalento para o IBGE, poe exemplo, classifica aqueles que procuram emprego e não encontram e param até de procurar.
    Não sei como podem chamar isso de emergente.

  12. Tea Party, o que está atraindo muita gente, são concurso superconcorridos de nível superior, tipo BC, Petrobras, Tesouro Nacional, Tribunais de Contas etc.

  13. Primeiro e segundo graus deviam preparar pra uma profissão, coisa obrigatória, não essa várzea que é. Pois não é que terminei meu segundo grau, aquele fuzuê de vestibular (passei) e tal, alegria extrema, férias, e recebi do colégio um certificado de “Técnico em análises clínicas”? Estava pronta para analisar cocô e não sabia.

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