Onda de ataques em SP é esparsa

Tá lá na Folha (editei trechos):

Especialistas creditam a onda de ataques desencadeada há 16 dias em São Paulo – seis policiais militares mortos, 12 ônibus incendiados e ataques a três bases da PM a uma resposta às ações de repressão ao crime organizado, principalmente ao tráfico de drogas. Eles afirmam que os ataques não estão necessariamente ligados entre si.

Milagre aí foi a Folha/Uol, em vez de ouvir onguistas curiosos, ter ido direto ao ponto e consultado gente que realmente entende do assunto: o coronel da reserva da PM paulista José Vicente da Silva Filho e Jorge Lordello, ambos consultores em segurança.

“A PM vem fazendo uma cruzada contra o tráfico de entorpecentes, e nesse processo acabam surgindo grupos insatisfeitos com as ações da polícia”, diz Silva. E prossegue: “O comportamento criminoso tem essa coisa da cópia, essa coisa que a gente chama de ‘onda’. No caso dos ônibus, as investigações apontam para a participação de grupos de adolescentes nessas ocorrências. É um fenômeno preocupante, mas eu acredito em fatos isolados”.

Para Lordello, a disseminação das drogas no Estado, especialmente o aumento do consumo de crack, foi um “divisor de águas” nas políticas de combate à criminalidade. Segundo Lordello, dependentes químicos acabam sendo um “alvo fácil para o crime”. “Não posso afirmar que esses casos [ataques] tenham acontecido nessas condições, mas essa é uma realidade. Hoje existem muitos usuários, especialmente no caso do crack, que acabam trabalhando para o tráfico.”

Podemos concluir, então, que a coisa é bem diferente de 2008. É comportamento isolado e de imitação, e não articulado por uma facção criminosa. Tem muito neguinho vendido ao crack que quer provar não sei o quê a não sei quem, baseado em suas convicções recentes. Para a polícia, é fácil localizá-los.

O que não é fácil é estancar a progressão geométrica dos viciados em crack. Isso devia ser coisa para o Governo federal, mas…

… é só dar uma espiadinha no noticiário. A droga vem do Paraguai na boa, e invariavelmente só é descoberta na área do estado de São Paulo. Por que isso?

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5 opiniões sobre “Onda de ataques em SP é esparsa”

  1. Duas coisas.
    A primeira é que o tráfico está espalhado pelo Brasil todo. Em cada cidade, seja pequena, média, grande ou metrópole tem sempre um local onde viciados ocupam ou usam. E depois migram para outros. Isso é sabido, mas, preferem dizer que só ocorre em São Paulo, Capital.
    A segunda é que a vigilância de fronteiras é insuficiente. Assim, acaba a Polícia Paulista tendo de dar conta disso tudo.
    Esses ataques estão com os dias contados. Várias quadrilhas estão sendo desarticuladas e seus líderes presos. Não será diferente também desta vez.

  2. Sábado a tarde mataram mais um pm a paisana, com varios tiros.
    Independente do que for isso, só dá para pensar nas familias desses caras, agora sem eles!

  3. Estão sendo desarticulados Leticia.
    Demora e é difícil e surgem sempre. Mas, estão sendo desarticulados.
    O definitivo contra isso é o que você aponta: mais trabalho e políticas públicas do que ficar falando que o caso não é de Polícia, que programas de distribuição de recursos financeiros fazem isso e aquilo.
    É preciso mais do que falação.

  4. Derek, a opinião especializada simplesmente não dá bola pra policial. Isso desde antes do período da ditadura. Depois disso, então, o coitado do PM virou praticamente um representante do que se convencionou chamar “repressão”. Juntaram tudo numa panela só.

    É, Dawran, espero que sim.

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