Pausa para ninharia

Faz umas semanas venho matutando (não por eventualidade profissional) sobre a validade ou não do pluralzinho danado das Ilhas Falklands. E desde então, quando dá, faço minhas pesquisinhas. Exprico:

Bem, nos mapas por aí e lá mesmo, in loco, ninguém usa Falklands, no plural. Vamos à Wikipedia, que mistura as duas formas mas acaba explicando a origem e tirando parte da minha dúvida:

O nome “Falklands” foi dado por John Strong em 1690, em homenagem ao Visconde de Falkand, nobre escocês, que era o patrocinador da sua expedição, enquanto o nome “Malvinas” deriva do nome francês Îles Malouines, dado em 1764 por Louis Antoine de Bougainville em referência à cidade francesa de Saint-Malo.

Então, se o hômi era o Visconde de Falkland (claro que está digitado errado, faltou um “l” na citação acima), é Falkland. Poderia ser um bilhão de ilhas: é Ilhas Falkland, sem o “s”, como de fato é:

Nos mapas, tudo coerente. Não encontrei unzinho sequer com a forma no plural. Nem na internet nem no meu atlas velhinho:

Tem coisas que não querem dizer rigorosamente nada. Tem a prova, a constatação de origem, mas prevalece o uso, o hábito. Taí Getúlio Vargas que não me deixa mentir. O caudilho não tinha acento no prenome, mas entrou naquele funil horroroso adotado pela maioria das redações: morreu, padronizou por baixo: simplifica o nome e cabô: Getúúúlio.

Também dei um rolê pelos manuais de redação. Nos da Folha e do Estadão, não encontrei. Nos demais também não há menção. Só um, conhecido dos revisores como Ildete (Ildete Oliveira Pinto – um homem -, autor do Manual da Editora Ática) traz lá na sua manuseada lista de topônimos: Falkland, Ilhas Falkland.

Nos sites de grandes jornais, vai ao gosto do freguês. Folha, Estadão, Globo, nenhum deles padronizou a coisa.

Talvez ninguém tenha pensado nisso. Talvez todo mundo seja induzido ao plural em contraposição a Ilhas Malvinas. Ou talvez haja um acordo intergalático (sim, as duas formas acontecem no mundo inteiro) pra não tocar no assunto e deixar tudo como está.

Mas euzinha já me decidi: Ilhas Falkland. E se alguém reclamar desfio esses argumentos.

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7 opiniões sobre “Pausa para ninharia”

  1. Interessante. Quer dizer que em “as Malvinas são Argentinas”, o termo “Malvinas” é Francês?…hehehehe…Nacionalismo é isso, não é?
    Guerrearam pelas Malvinas, pois Falkland era anglo-saxão?
    Tem cada coisa.

  2. Na verdade, o importante é que as ilhas são inglesas e o suposto direito argentino sobre elas é apenas mais um delírio populista dos governantes ruins que ocupam a Casa Rosada.

  3. Fabio Mayer, pode ser, sim. Como pode ser que quiseram criar mártires, declarando guerra à Inglaterra. Há reportagens que afirmam serem mortos muitos soldados argentinos por fogo da própria artilharia argentina. Muitos recrutas não tinham sequer agasalhos adequados para o clima da ilha, nem armas, nem comida. Uma guerra besta, por uma pedra gelada no fim do mundo.
    E ainda o nome nacionalista, é de origem francesa. Haja…

  4. Que era só uma questão de revisor eu sei, mas um dos meus esportes favoritos é falar mal daquele buraco pior que o Brasil, que faz fronteira ao sul, a Argentina, país que rouba sistematicamente o Brasil via Mercosul já faz quase 3 décadas!

  5. Pois é. Tirando o tango, a carne, las mujeres e o Messi, o que mais a Argentina produz, hein?

    Na guerra das Malvinas a Argentina parecia o exército Brancaleone.
    Um bando de esfarrapados imberbes montados em cima de Exocets de segunda mão contra os Sea-Harrier de S. Majestade! Deu no que deu!

    Como o Brasil, a Argentina tem uma vocação irresistível ao populismo demagógico fundamentado num falso patriotismo. Qualquer pseudo-líder leva multidões de tocadores de bumbo às ruas. La Kirchner é uma prova viva disto. A exemplo de nosotros, estão às tontas.

  6. Dawran, lembrei dos coturnos das forças federais: todos doados pela PM paulista.

    Fábio, lembrei do Eduardo Prado: nunca, jamé de la via seremos um conjunto. Nosso destino é viver às turras.

    Schu, tem uma coisa que admiro nos argentinos: eles não têm vergonha de ir às ruas bater panela. Já nós, pobres-coitados com mania de nobreza, temos vergonha até de apontar quando somos roubados: “melhor não dizer nada, pensariam que somos pobres”.

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