Até tu, Dinamarca?

Manchete escalafobética no Estadão dá um empurrão na esculhambação à polícia paulista: “PM mata seis vezes mais que Polícia Civil em São Paulo”.

Vai ver, ao longo da matéria é algo que nem precisaria explicar: é óbvio que a PM mata mais, porque a Polícia Civil dedica-se à investigação e não a situações de confronto, oras…

E mais: por que elegeu-se São Paulo para encabeçar a notícia se a polícia do Rio mata mais no total, mesmo com estatísticas embaçadas entre atuações civil e militar?

Em números grosseiros, São Paulo tem um contingente de 100 mil PMs para uma população de 41 milhões de habitantes (1 PM p/ 410 hab.); e o Rio, 43.500 PMs para 16 milhões de habitantes (1 PM p/ 368 hab.).

Quanto à absurda proposta da ONU, partida da delegação dinamarquesa, de extinguir a Polícia Militar no Brasil (e oportunisticamente comprada por um deputado federal petista), a Secretaria de Segurança Púbica de São Paulo explica:

A SSP-SP afirmou que “considera absurda a sugestão de extinguir as polícias militares dos Estados brasileiros, presente no relatório”.

 “É uma proposta que carece de fundamentação e de conhecimento das realidades jurídica e cultural da sociedade brasileira”, diz a nota da pasta.

“Soa até como piada pronta o fato de a ideia ter surgido da Dinamarca, um país que é quase seis vezes menor que o Estado de São Paulo e dono de situação socioeconômica bem diferente (e mais simples) da encontrada no Brasil”.

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13 comentários em “Até tu, Dinamarca?”

  1. Em alguns lugares do mundo, não existe essa diferenciação entre PM e PC. O policial entra na academia e começa o trabalho fazendo policiamento ostensivo, na medida em que avança na carreira, ele pode tanto virar investigador quanto manter-se no trabalho de policiamento, seja em divisões especiais, seja no trabalho comum. E não há delegados, quem comanda a investigação policial é o Ministério Público.

    Me parece bem mais racional que ter duas polícias e mais um MP, ninguém entendendo ninguém, um indo para cada lado e desembocando em processos mal instruídos que acabam devolvendo meliantes para as ruas.

  2. Se até o velho Shakespeare já sabia que as coisas não andavam bem lá pras bandas da Dinamarca…

    Acho que eles querem extinguir nossas polícias porque sabem que os maiores bandidos estão em Brasília e sempre escapam impunemente. Hehe!
    Além daqueles “catecismos” que faziam a alegria de minha adolescência, o que mais a Dinamarca produz, hein?

    Mas, falando sério…
    Essa tentativa de ingerência em nossa soberania partindo de um pequeno país das neves eternas, demonstra que nosso conceito no exterior está pra lá de Marrakech!
    Deve ser o resultado das burradas de nossa diplomacia durante a era Lulla!

  3. A CDHU constrói mais casas populares que a Sabesp e ninguém fala nada…

    Pra variar, mais um oportunismo, agora na área de segurança. Preparemo-nos para mais um período de “mais do mesmo” no quesito reportagens inéditas, exclusivas, chocantes…

    Vamos extinguir a polícia e pôr os ursinhos carinhosos pra expalhar flores e corações de pelúcia nas ruas da cidade.

  4. Ah! Desculpa pelo assunto fora do contexto mas. semana passada, citei sobre telejornais (SBT) a serviço de alguém “contando-nos” sobre o “terror diário” (assim mesmo) no transporte público de São Paulo. Agora vem a Globo com série de reportagens sobre o “sacrifício diário” dos paulistanos. Coincidencia, nao? Ao menos nesta reportagem ficou claro que o problema nao e governamental e sim comportamental. As Merdilaines e os Merdsons se empurrando sem do nem piedade sao o entrave para o bom andamento dos servi;os.

    http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2012/06/reporter-flagra-desafio-e-transtorno-de-usuarios-do-metro-de-sao-paulo.html

  5. Oras, tudo que for bom é bom. Só que durante a Constituinte, foi proposta a unificação das Polícias Militar e Civil. Não passou. Se isso for levado ao Congresso e os congressistas estudarem o caso, desenharem um modelo institucional para tanto, nada a opor. Estranho é esse palpite retornar pela voz de um membro de organização multilateral e justamente tendo como pano de fundo, São Paulo, mais uma vez ecoado por membro do partido do governo federal. Uma clara ingerência em assuntos internos que não estão a ponto de precisarem de orientações. Estudos e opiniões de oportunidades de melhorias sempre são válidos. Então, que o partido do governo federal vá lá na Dinamarca e aprendam como governar com os dinamarqueses. Simples.

  6. Schu, televisionaram a tomada do Morro do Alemão como se fosse uma grande vitória, sem contar como é que o povo de lá veria a coisa. Ficaram todos apavorados e acham que o BR é uma coisa só.

    Cleiton, COMO a Sabesp não constrói tantas moradias?? Como, como?

    Dawran, se é pra unificar a polícia, podiam fazer como um plano Real maximizado: cria uma nova polícia, os candidatos só poderão entrar nela, trancam-se novas aquisições da PM e da PC, vai mandando os caras pro serviço burocrático e aos poucos vai extinguindo o vício da rivalidade. Levaria uma ou duas gerações, mas esse tipo de coisa é impossível por aqui.

  7. A Dinamarca falando essas bobagens eu nem acho estranho. O problema é ouvir a renata Ceribelli noticiando a ação da Rota na Penha: 14 “pessoas” estavam reunidas… Quando a intenção é malhar a PM de SP, quadrilha se torna “pessoas reunidas” na redação do jornal. É lamentável.

  8. Infelizmente as policias brasileiras são violentas, mas essa cultura precisa ser mudada.
    Já a eficiencia tem crescido e o equipamento é bem moderno.

  9. Exatamente, Letícia.
    Seria um processo longo e trabalhoso.
    O problema, também, é que estadistas estão em falta hoje em dia.
    Assim, tais temas só surgem de forma fortuita e em ocasiões específicas, como eleições.
    Ontem o Governador falou bem sobre o caso e deixou claro que está no controle.
    Isso é muito bem.
    Quem sabe,um dia, ocorra uma medida séria em termos da efetivação da unificação das Polícias. Só as criticas é que são descabidas em muitos casos.

  10. Né, Claudio? Nessas horas, desocupados, pessoas de bronca eterna com a polícia e qq. um vira testemunha tacitamente idônea. Não é bom desconfiar sempre, mas também não é bom acreditar sempre.

    Derek, polícia, pra muita gente, é um lugar onde você entra pra botar na balança o próprio conflito interno entre legalidade e ilegalidade. A linha entre um lado e outro é muito tênue. Ou você é o espancado ou você espanca. Isso faz parte de uma cultura muito antiga no BR, que não muda nunca porque nunca são apresentados novos valores ao cara por falta de educação familiar. Ainda estamos, em muitos “lugares culturais”, naquela lógica colonial de matar ou morrer. Só uns exemplos: fazer coxinha com cadáver, comportamento de guerrilheiros e de FFAA na ditadura (não temos cultura de guerra), neguinho esfaquendo rosto de moça bonita, trabalho escravo (incluindo adotar criança pra serviços domésticos), e o que mais você lembrar. Somos grosseiros pacas.

    Leva isso pra polícia. Muitos caras entram lá pra mudarem de polo, de oprimido pra opressor. É claro que a formação dele há de dar um jeito nisso, mas nem sempre é eficaz.

    E tem algo, a meu ver muito pior, é algums policiais resolverem abreviar a coisa porque as leis são frouxas. Até entendo, mas não pode. Mas isso não significa que a Rota seja toda assim, muito menos que tenha institucionalizado a coisa. Pelo contrário, a maioria é civilizada. Nos últimos anos a corporação tem lutado pra sair disso. E não acho justo darem a abrangência e o enfoqueque andam dando. Sorte para as eleições é que o povão ADORA a Rota e até incentiva esse tipo de coisa. Qq. tentativa da mídia ou de políticos para desacreditá-la é tiro na água. Que procurem outras coisas.

    Dawran, são críticas de pitaco. Pra ser jornalista assim, ter opinião de sofá, sem apurar direito, até eu. Cê viu a Ana Maria Braga, condenada c/ a Globo em 150 paus por pitaquear contra uma juíza? A moça tomou a decisão certa, baseada nas leis, e a rainha do tupperware achou por bem, em rede nacional, dizer pra todo mundo “ficar de olho na juiza”. Como assim??? É muita falta de informação nas mãos de quem deveria ter mais responsabilidade ao falar.

  11. Leticia, esse negócio de ficar de olho, parece um comportamento errático. É um pré-conceito, como se fosse líquido e certo que certas profissões e profissionais fossem todos iguais e que todo mundo concordaria a priori. Oras, gente com o mínimo de esclarecimento saberia que um juiz julga com base na lei elaborada pelo vereador, pelo deputado estadual, pelo deputado federal, pelo presidente que emite Medidas Provisórias. São leis feitas por quem as pessoas votam. Mas, fica mais fácil apelar para o estigma.
    Oras, é o de sempre: escolham bem seus representantes.

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