Lula compensa período de mudez

Procuro me ater a meus assuntos aqui, mas, pô!!!!, preciso dar uma de Lula e falar, falar, falar.

Aos poucos a gente vai enxergando o que aconteceu e por que Gilmar Mendes foi se sentindo incomodado com a chantagem de Lula. Não foi pela chantagem em si, ou pela atitude do ex-presidente.

Sabe por que o assunto veio à tona? Porque Lula não se contentou com o que fez. Saiu falando pra todo mundo!

Li no Coronel, que leu no Blog do Pannunzio:

O que você vai ler abaixo não é inferência, interpretação nem opinião. É informação. Este post vai revelar o motivo pelo qual o ministro Gilmar Mendes decidiu contar à Revista Veja detalhes da insidiosa conversa com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ocorrida no dia 26 do mês passado.

Desde que a revista chegou às bancas,  três perguntas recorrente e importantes permaneciam sem resposta: Por que Gilmar Mendes resolveu agir dessa forma? Por que o atraso de um mês entre o fato e a versão apresentada pelo ministro? Gilmar tem como provar que ouviu de Lula o que disse ter ouvido no escritório de Nelson Jobim?

Uma parte das respostas está contida na entrevista na entrevista concedida hoje ao Jornal Zero Hora.  Disse o ministro:

Fui contando a quem me procurava para contar alguma história. Eu só percebi que o fato era mais grave, porque além do episódio (do teor da conversa no encontro), depois, colegas de vocês (jornalistas), pessoas importantes em Brasília, vieram me falar que as notícias associavam meu nome a isso e que o próprio Lula estava fazendo isso”.

Em seguida, a entrevista envereda pela seara de outros assuntos — as intrigas da CPI do Cachoeira. A repórter pergunta a Gilmar Mendes: “Jornalistas disseram ao senhor que o Lula estava associando seu nome ao esquema Cachoeira?”. Ao que o ministro responde: “Isso. Alimentando isso”.

Alimentando isso.

Não era o que o ministro queria dizer. Se tivesse sido questionado, teria contado que foi procurado por duas importantes jornalistas dias atrás para saber da mesma história. Espantou-se com o vazamento. Apesar de constrangido, ele havia decidido falar sobre o assunto apenas com alguns de seus pares, pessoas discretas que jamais revelariam a conversa constrangedora. E mantê-la longe dos jornais.

Essas jornalistas são profissionais respeitabilíssimas. Ocupam posições importantes em uma empresa não menos. A história chegou a elas por intermédio de uma fonte crível que preza da amizade de ambos, Gilmar e Lula.

Sabe como a fonte ficou sabendo do diálogo ?

Porque Lula contou.

Isso mesmo. Foi Lula em pessoa quem cometeu a indiscrição de falar sobre a conversa com Gilmar Mendes, descendo ao nível dos detalhes que agora estão expostos por iniciativa do ex-presidente do STF.

Esta é a razão oculta por trás da “inconfidência” do ministro Gilmar Mendes. E também a justificativa para a incapacidade do ex-presidente da República de fazer um desmentido cabal, como o assunto exigiria caso o magistrado pudesse ser desmentido.

Não pode. Há testemunhas muito bem identificadas no caminho da informação que transitou entre o escritório de Jobim e as páginas de Veja.

Se alguém falou demais, não foi Gilmar Mendes. Foi Lula. Simples assim.

Quem fala demais dá bom-dia a cavalo. Deu no que deu.

O que torna as coisas piores ainda. Isso quer dizer que achaques a juízes são coisa corriqueira, e o achacado os guarda para si. O que fazem com isso, não se sabe. Gilmar Mendes só botou a coisa no ventilador  porque se viu constrangido pela divulgação sem pejo de Lula.

No mais, o recebeu, ouviu-o até o final e, não fosse a falastromia de Lula, o fato, gravíssimo, estaria guardado até hoje.

 

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12 comentários em “Lula compensa período de mudez”

  1. Interessante! Lulla “nunca soube de nada” a respeito do mensalão, mas a exemplo de uma maroca velha sabe tudo das andanças de Demóstenes com Gilmar nas ‘oropas’!
    Alô, Supremo! Vamos acelerar os trâmites? Já passou da hora…

  2. A questão é clara:

    Se o STF julgar o mensalão e condenar asseclas do ex-presidente, o mensalão é confirmado, em contrário da versão oficial segundo o qual jamais existiu e foi uma invenção do PIG e da oposição para desestabilizar o governo Lula.

    Logo, tudo o que puder ser feito para evitar o julgamento do mensalão e levá-lo para uma declaração de prescrição que não entre no mérito, será feito e tentado.

  3. Na realidade, estaria, com as ações, relembrando quem, eventual e supostamente, tivesse esquecido e lembrando a quem nunca esqueceu que o mensalão existiu.

    É uma façanha incrível ainda mais considerando que, por suposto, conseguiria um alargamento do leque dos que precisariam ser lembrados ou relembrados do mensalão.

    E ainda ser corrido por, em suposto, tentado botar medo nas pessoas.

  4. Quando a Instituição( leia-se SUPREMO) que tem o DEVER de ser SÉRIA, ÉTICA e CONFIÁVEl, está sendo USADA para fins espúrios, é muito, mas muito preocupante.Eu sei que é dificil, porém nós temos que ter algo ou alguém que ponha tudo isto em pratos limpos o mais rapidamente possível . As consequências poderão acontecer. Eu já assisti o filme e não gostei.

  5. Aquele goleiro Bruno, mandante daquele crime hediondo, já está desde hoje em liberdade condicional. Não cumpriu nem dois anos de cana. Essa tal Justiça brasileira consegue chegar mais baixo que isso? Gostaria de ler um post seu sobre o assunto, abs

  6. Mdv, não falo do goleiro Bruno porque, you know, é caso entre Rio e Minas. E é justamente por causa desse trânsito do caso que a justiça mineira “pegou” a parte dos crimes cometidos no Rio, cujo processo específico descambou em liberdade condicional. Mas, pela sequência do crime, já em Minas, ele continua preso. De qq. modo, é uma justiça que faz de tudo (aí baixa o Datena) pra esvaziar presídios, que deveriam estar lotados 1) pela nossa péssima formação como povo; 2) pela formação pior ainda em certas regiões do país, em que se resolve tudo matando e se faz coxinha de galinha om os restos mortais. Esta segunda se espalha horrivelmente pelo país.

    E, respondendo a todos, o caso tomou o noticiário e as redes hoje. É nojento em si, mas aponta para algo que sabemos ser corriqueiro: as relações perigosas entre poderes e figuras. Continuo me perguntando que raios um juiz do Supremo aceitou marcar encontrinho com político. Isso é grave à beça.

  7. A julgar pelo silêncio de agora, pode ser que o citado foi instado a dar um tempo na falação. Talvez pelo risco de tudo acabar recaindo sobre a presidente.
    Os resultados do que poderia ser, talvez, o desdobrar de alguma estratégia, bateu num muro. E amassou. Se continua a falação, acaba respingando na presidente.
    Pode ainda ser que haja alguma tentativa de fazer o ex-presidente entender que não existe a figura da tutela no exercício do cargo de presidente. Nem de regente, senhor feudal. O presidente é Chefe de Governo e de Estado. Não precisa de tutor, eminência parda ou seja o quer que seja.

  8. A impressão que tennho é que Dilma está doidinha por um fato que realmente a desgrude de Lula, Zé Dirceu e tals. Não que isso a dignifique ou melhore seu governo… Com Lula ou sem Lula o PAC, a Copa e o que você escolher continuará la même merde.

  9. Acho que não, Lets.
    Dil Mona, depois da patacoada de Lulla, apressou-se para encontrar com o presidente do Supremo, Ayres Britto! Será que não levou algum ‘achaque’ próprio no bolso do blazer vermelho? Se Alli-Lullá e os 40 dançarem, ela como afilhada do capo di tutti capi, também dança.

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