Alberto Goldman fala

Texto de Alberto Goldman publicado nesta segunda no site do PSDB-SP:

Haddad declara que “Lula e Dilma nunca se negaram a atender a nenhum pedido de Serra e Alckmin. É que eles não querem o governo federal em São Paulo, porque têm uma mentalidade tacanha.”

Pois é grave para um ministro da Educação e agora candidato a prefeito uma tamanha demonstração de falsidade. Mentir, ele já devia ter aprendido na escola, é muito feio.
Sou testemunha viva dessa falsidade.  Em 2007, como Secretário de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, ao qual está vinculado o Instituto Paula Souza, órgão do Estado incumbido de administrar o ensino técnico e tecnológico no Estado, comuniquei-me com o então Ministro Haddad para que o governo federal, através do seu Ministério, participasse do enorme plano de expansão que havia sido determinado pelo governador Serra – em 4 anos dobrar o número de vagas no ensino tecnológico de nível superior e aumentar em 150% o número de vagas no ensino médio. Sua resposta a mim, que desejava levar o plano à Brasília para o seu conhecimento, foi que eu não deveria vir à capital da República e que ele viria a São Paulo procurar-me para discutirmos o tema.
Pois até a minha saída da Secretaria, no final de 2008, ele evaporou. O entusiasmo que parecia sério mostrou-se falso. Nada aconteceu. Era evidente que se passava de pura enrolação.
Enquanto isso fomos fazendo os investimentos e os gastos de pessoal e custeio para a realização do programa, com enorme sucesso. O plano foi cumprido, sem um tostão federal.  O orçamento do Paula Souza, que em 2006 estava em 300 milhões de reais, passou a ser em 2011 de mais de um bilhão de reais e a previsão para 2012 é de 1,2 bilhões de reais.
Em 2009 o Ministro Haddad havia se manifestado, quando o Secretário já era Geraldo Alckmin, e se dispôs a colocar recursos federais.  É claro, vendo o sucesso do nosso trabalho, viu a oportunidade de tirar uma casquinha.  Tudo bem, por que não? Mentalidade tacanha não é conosco.  Fez-se um convenio de participação de uma modesta ajuda federal.  Mas mesmo essa não se realizou já que, até agora, o governo federal mandou 14 milhões de reais para obras e, recentemente, 20 milhões para equipamentos e 5 milhões para capacitação.  Umas  gotinhas no oceano.  E, como conhecemos os escrúpulos desse pessoal, não terão pejo de dizer que estão participando em São Paulo da expansão do ensino técnico administrado pelo Estado.
A mentalidade tacanha é pois a dele.  Não esperava o nosso sucesso e torceu pela não realização do projeto. Milhares de jovens sem acesso à qualificação profissional não era a sua preocupação.  O que interessava era evitar o resultado político positivo que o governo estadual teria e para o qual não queria contribuir.  Esse é o estadista que pretende dirigir a maior metrópole do país.
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6 opiniões sobre “Alberto Goldman fala”

  1. Gostei! Até que enfim alguém com coragem no PSDB. E acho que a melhor parte foi essa: “E, como conhecemos os escrúpulos desse pessoal, não terão pejo de dizer que estão participando em São Paulo da expansão do ensino técnico administrado pelo Estado.” É o que eu digo sempre, qualquer migalha oferecida pelos picaretas irá se transformar em realização petista numa campanha eleitoral. Esses espertos adoram nadar nas conquistas alheias. Parabéns ao Alberto Goldman.

  2. Olha eu diria mais: na gestão federal petista, quem “inventou” o ensino técnico foi São Paulo. Lembra quando eles (os petistas) começaram a botar pra fora toda sua fixação com universidade?
    Havia um debate não só sobre a dúvida de dar curso superior a uma maioria que fez o fundamental e o médio aos tropeços, mas também botando em dúvida a necessidade de um país inteiro se dedicar à vida acadêmica, quando temos milhares de outras atividades menores a preencher. Além de tudo, não é todo mundo que deseja estudar a vida inteira, ou então que não descubra sua real, honesta vocação por uma atividade média.
    Lembram dessa época?
    Então, enquanto isso o governo tucano mandava ver nas Etecs e Fatecs, coisa bem pragmática visando a capacitação bacaninha para o mercado de trabalho. Só um tempo depois, praticamente na gestão Dilma, e que começaram a papagaiar a coisa. E, obviamente, tem saído tudo meia-boca.

  3. Pois é.
    É o candidato enem em ação: enem Educação, enem Ensino Técnico, enem nada…E segue uma enorme lista.
    Até a ex-prefeita falou que esse negócio de “novo” não serve. Enem para ela.

  4. Engraçado quando enchem a boca pra dizer que botaram faculdade em São Paulo. É uma só, aquela do “Não sei o que do ABC”, que é meia-boquíssima, por sinal.

  5. Por isso que, mesmo com o apeDelta (copyright by R.A.) empurrando com a bengala, ‘o da cartilha’ não sai dos 3%!
    Essa gente não merece complacência. Pau neles!

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