Palavras de baixo “escalão”

(Primeiramente, milidesculpas pela quase ausência. Probleminhas que tiram a concentração de qualquer outra coisa… Agora que tudo está encaminhado e tranquilizado…)

… quero desta vez dividir com vocês uns pensamentos sobre o calão “paulistano” (ou, se preferir, as variantes “palavras de baixo escalão” ou até mesmo “palavras de baixo galão”, como ouvi uma vez de um taxista). Enfim, palavras e expressões feias, de todos os matizes.

É que a gente vive cem anos e não vai ouvir tudo, não é mesmo?

Assim: passei minha infância aqui, marromenos protegidinha das coisas. Fui para o Rio com 11 anos, e lá finalizei o aprendizado dos palavrões básicos (e passei a usá-los com moderação). Com 24, 25 anos, voltei pra SP, e aí, meu filho, travei contato com expressões nunca dantes!

É que São Paulo, assim como outras metrópoles pelo mundo, reúne o melhor e o pior das gentes que para cá acorrem. Nessas horas dá aquele sentimento de que poderia ser uma cidade pequena. Pelo menos no quesito palavreado, ficaríamos com o nosso universinho e pronto.

E o curioso é que tais termos são diferentes dos palavrões comuns. Não sei explicar a diferença… Talvez seja porque não são de uso comum – digo frequente, ou aberto.

Palavrões comuns – considero eu – têm certa legitimidade de uso até por questões de catarse. Uma topada no dedão, uma prefeita ruim, uma imprecação monóloga no trânsito, na frente do computador… quem nunca?

Há palavras assim que até ganham significados carinhosos quando trocados entre amigos, amigas, é ou não é?

Agora, essas outras expressões “nunca dantes”, vou confessar, meu causam um espantão, primeiramente, e depois nojo. Porque todas elas vão fundo nos universos mais básicos e sujos dos tipos de vida humana.

Não, não. Não vou enumerar as coisas que já ouvi. Mas você ouve certas expressões numa boquinha toda bonitinha e logo conclui que 1) ou a criatura foi criada junto aos porcos; 2) ou que nasceu num banheiro de prostíbulo.

Não sei se há estudos about, mas palavrões tem umas origens básicas: ou são rurais, ou são sexuais, ou ainda dizem respeito aos vastos domínios sanitários. Esses meio desconhecidos de que falo, esses me dão uma mistura de desprezo com vergonha alheia.

Não foi o que ouvi por esses dias, mas serve de exemplo:

Essa não tinha visto nem no Dicionário Brasileiro de Insultos, de Altair Aranha. Aliás, seu apanhado foi bem comportadinho. Não tem nenhuma das expressões cabeludas que já ouvi por aí.

Outra característica do uso desse tipo de expressão “não amplamente conhecida”, digamos, é a alegria e desprendimento doméstico com que é usada, pelo menos da primeira vez, numa situação X. A mesma ingenuidade de mastigar com a boca aberta ou fazer um halo de farofa com arroz em volta do prato.

Jung, Freud e Lacan também registraram um tipo de reação do autor boca-suja pós-impacto social e reações na mídia. Como o senhor aí da foto, a primeira reação foi tentar legitimar seu palavreado, atribuindo-o falsamente a um alegre dia a dia popular sergipano.

Povo de Sergipe não gostou nada, nada, e aí o cara se lembrou de que aprendeu a phyna expressão foi com a mãe mesmo: retirou o tweet e pediu desculpas.

Mas essa tentativa de civilidade foi no universo da palavra escrita, né, benhê? Se bem que a contribuição desse senhor para o mundo lusófono se multiplicou em milhares de tweets, a criançada curtindo a valer e incorporando a coisa.

Só um néscio lança isso num texto, publicamente, pra todo mundo ver.

Geralmente você ouve ali, nas conversas, e tal. E em conversas, ninguém vai ser amiguinho de avisar “olha, essa expressão é extremamente baixa, não a diga diante do chefe…”.

Pelo contrário, instala-se o silêncio constrangedor… E a pessoinha vai embora olimpicamente, crente que abafou a banca.

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16 opiniões sobre “Palavras de baixo “escalão””

  1. E o ótimo exemplo, vindo de quem veio, acabou pegando os incautos de sempre, que multiplicaram em rede o xingamento coletivo, provavelmente, feito em frente a algum espelho. Isso, talvez, motivado pela queda do PIB do país deles de 6º para 7º, outra vez, ainda em 2102, passado pelo UK. Só faltava retornar a tuitada depois dos rasgados elogios de Miss Clinton.
    Em Inglês, para ser mais universal.

  2. Né? E ironicamente, junto com o discurso ufanista que lembra muito 1970, emergiu essa extração social extremamente sofistiqué. Da lata de lixo diretamente para a presidência de estatais, sem sequer uma educação formal e familiar razoável.

    Bonito de ver….

  3. Petistas e seus cães amestrados são craques na arte de fazer desaforos.Ora é a marta(minusculo mesmo) mandando o povão relaxar e gozar enquanto o governo do seu partido carrega nas costas a responsabilidade de quase 400 mortos em acidentes aéreos, ora é o mag fazendo top top para os familiares desses mesmos mortos,ora é esse boçal mandando enfiar o dedo e rasgar(pena que o c# dele não estava aqui perto, senão o faria com o maior prazer)ora é o ex presidente nãoseidenada da silva com suas bazofias palanqueiras, enfim, a fauna dos sem noção e sem educação investidos de poderes e sustentados também pelo dinheiro dos(segundo o boçal, hipócritas falsamente ofendidos) é grande, mas nada que não passe e que o povão não possa jogar no lixo comum da história.Á proposito, ser desprezado pelo zé é uma honra, me sentiria mal se fosse visto por ele com outros olhos.

  4. Dutra, antes de mais nada, deveria enfiar o dedo em sua própria boca e rasgar a língua presa!
    Explico: esse capacho petista incompetente sofre do mal “fó fei que nada fei”!

  5. Ai, Gil, eu não faria nada com o c# dele, nem perto nem longe. Hirc! Nem você, garanto!

    Schu, olha a foto dele! Um sindicalista, né? Hoje eu estava no buzunga e pensando: por que, POR QUE as pessoas acabam adquirindo o visu de seu tipo social? Vi um rapaz, tipo contínuo, boy: o cabelo cortado igual ao dos contínuos, a roupa igual à dos contínuos, tudo igual aos contínuos. Pensei: e se ele tivesse nascido rico?

    Outra: por que adolescente filha de rico-rico-mesmo em SP se veste e anda como se tivesse acabado de acordar? São questões prementes que atormentam o meu viver.

  6. Não adiante corrigir… É sempre a mesma coisa. Aqui no interior do RN, posso repetir trocentas vezes a palavra USUCAPIÃO que repetem de volta, insistentemente, USUCAPITÃO, ou USUCAMPEÃO.

  7. Eu não gosto de palavrões, mas tem algumas vezes e está se tornando muitas vezes, que eu tenho uma vontade ENORME de usar todos os palavrões ouvidos e talvez inventar mais algumas dezenas e usar contra MUITOS políticos que campeiam por ai.

  8. Quando estou a trabalho simplesmente não uso palavrões.

    Quando converso com minha mulher, meu sogro, minha sogra, idem.

    Quando estou com amigos, as vezes solto um, quando comento em blogs, as vezes solto alguns por indignação, mas dosando.

    Mas se fosse político, JAMAIS sequer chegaria perto de um. Aliás, um dos problemas pátrios é que político não é profissional em nada, ele quer ser visto como um amigo de infância de todo mundo, alguém “simples e acessível” mesmo não sendo simples, muito menos acessível, mesmo sendo insuportavelmente narcisista como este senhor e a enorme maioria dos petistas e absolutamente nada acessível, principalmente naqueles 4 anos que separam um processo eleitoral de outro.

    Eu não gosto do FHC mas a verdade é que ele tinha porte de presidente, ele agia como tal e falava como tal e de certa forma, seus ministros seguiam o bom exemplo de comedimento. Hoje, depois da catarse lulística, parece que ser casca grossa tá liberado, todo mundo pode e quer ser assim, todo mundo fala como se estivesse num boteco portuário.

    É só mais um aspecto do país de cascas grossas em que se transformou o Brasil.

  9. Mas bem dito que palavrões eu uso muito para mim mesmo quando estou irritado, principalmente com computadores e quem me conhece e é próximo no trabalho sabe que mesmo aqui, eu perco as estribeiras, embora nunca em público, quando tem clientela por perto…mas é a tal coisa, nenhum funcionário ou cliente meu jamais pode ou poderá dizer que o xinguei de qualquer coisa que seja… enfim, palavrão tem lá seu efeito calmante…

  10. Vindo desses caras nada mais me assombra. E olha Leticia, agora há pouco teve uma matéria sobre a cidade de São Paulo. E ao menos dessa vez foi boa, pois a cidade foi premiada internacionalmente por conseguir diminuir o tempo de chegada de socorro (SAMU) de 35 minutos em média em 2004 para 11 minutos atuais. E você acredita que nenhum blogueiro pogreçista consegue se lembrar quem era o prefeito (a) em 2004?

  11. Olha, eu me lembro que sempre fui muito “quadradinha” e, quando soltei a língua, minha sobrinha estava na época de prestar atenção à tia, copiando seus menores gestos, então, tasquei um freio na boca “suja”. O que este senhor falou é de uma grosseria sem tamanho. E, sinceramente, prefiro o desprezo dele. Também não me sentiria confortável se tivesse a a “amizade” dele. Educação vem de casa. Se a mãe dele falava isso … tsk, tsk, tsk …

  12. Eduardo, usucampeão FAZ sentido, pensa bem: a pessoa venceu a peleja contra o proprietário pelo USO, então foi um uso campeão…

    Iolita, só uma, UMA vez na vida eu disse tudo que me veio à cabeça e recorri pra valer à escatologia rural: peguei o “sequestrador” do meu pai no telefone e enumerei tudo o que quis, do Sumarezinho direto pra Bangu. Aí valeu, porque fez efeito: ele disse que iria explodir meu prédio.

    Ahá, Fabio, duas coisas que fiquei sabendo: você e sua Letícia, então, estão entendidos. Que bom! Felicidades mil! E a outra é que você reconhece algo de bom no FHC. Igualmente fico feliz.

    Clientela, situações de cerimônia e tal, é claro que não uso palavrões. Aqui, vocês sabem que de vez em quando acordo com a macaca e esqueço que é de visualização pública. Mas são só palavrões sociais, digamos. Expressões escatológicas punk, nem vejo catarse nelas, não me agradam.

    Ah, Maria Edi, e no trânsito, eu com José? Todos os barbeiros viraram “fofolete” na boquinha de titia, mas de vez em quando escapa algo pior. Minha sorte é que com a mãe dele não é diferente.

  13. Os cientistas descobriram que alguns têm o que eles chamam de “DNA Guerreiro”! (DNA Warrior)

    Pois eu tenho o maldito gene. Não consigo resistir uma provocação, mesmo numa idade em que eu já deveria estar mais “sossegado”.
    Como todos aqueles que têm uma personalidade mercurial, às vezes explodo numa tempestade verbal. Se há algo salutar nisso, não sei. Mas, duma coisa tenho certeza: não fica nada retido, recalcado. Boto tudo pra fora. Felizmente a tormenta fica só nos trovões. Hehe!

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